Acrílico – Clientes apontam recuperação e animam perspectivas para resina

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Plástico Moderno, Mobiliário de lojas de luxo aproveita a transparência do acrílico
Mobiliário de lojas de luxo aproveita a transparência do acrílico

No Brasil, ao menos por enquanto ainda não é muito vasta a gama de aplicações nas quais o acrílico é utilizado em volumes massivos.

Seu polímero PMMA (polimetacrilato de metila), por exemplo, tem aqui emprego mais intensivo na fabricação de algumas autopeças – como lanternas traseiras – e em setores demandantes de quantidades menores, como a produção de utilidades domésticas.

Já o monômero MMA (metacrilato de metila), além fazer parte de formulações de tintas e vernizes – entre outras aplicações –, é ainda polimerizado diretamente no processo de produção de chapas, quase sempre vendidas no mercado nacional para basicamente três setores: comunicação visual, indústria moveleira e da iluminação.

E todos esses mercados usuários de acrílico vêm sendo duramente impactados pela difícil conjuntura econômica do país. Há pelo menos três anos, as montadoras de veículos registram reduções acentuadas nas vendas.

E o consumo de chapas de acrílico, informa o Indac (Instituto Nacional para o Desenvolvimento do Acrílico), no ano passado teve queda bastante expressiva – 22%, relativamente a 2015 – e com esse tombo chegou ao nível mais baixo dessa década (ver quadro).

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Para este ano, há perspectivas mais favoráveis, se não ainda de incremento, ao menos de estabilização nos negócios com chapas de acrílico, cujo consumo, a médio e longo prazo, pode intensificar-se inclusive pelo maior aproveitamento em áreas nas quais elas ainda são pouco utilizadas: por exemplo, na construção civil.

Plástico Moderno, Vian: acrílico resiste mais à radiação UV que policarbonato
João Orlando Vian – acrílico resiste mais à radiação UV que policarbonato

Nos Estados Unidos, ressalta João Orlando Vian, executivo do Indac (entidade representativa dos fabricantes de chapas), coberturas e outros artigos já tornam a construção civil responsável pelo consumo de aproximadamente 30% das chapas de acrílico. Mas, no Brasil, ele complementa, as coberturas são feitas preferencialmente com policarbonato, tanto em chapas alveolares quanto compactas.

As chapas alveolares de policarbonato, especialmente, graças a seus custos menores, são comuns nessa aplicação.

“Mas esse material é impróprio para coberturas, pois acumula sujeira, prejudicando a transparência e a beleza do ambiente”, argumenta Vian.

Nem mesmo a chapa compacta de policarbonato, ele prossegue é a opção mais indicada: “Nesse caso, policarbonato e acrílico têm custos parecidos, mas o acrílico tem muito mais resistência aos raios ultravioleta do sol, e no mercado norte-americano é muito mais usado em coberturas”, acrescenta Vian.

Plástico Moderno, Duarte: continuous cast produz chapas com espessura constante
Diógenes Duarte – Bérkel

Diógenes Duarte, coordenador de vendas da Bérkel, empresa que comercializa no Brasil as chapas de acrílico da empresa norte-americana Lucite, além de produzir chapas próprias, referenda essa informação de uso mais intenso, nos Estados Unidos, do acrílico como material para confecção de coberturas.

Mas ele considera difícil essa aplicação se consolidar também no Brasil, não por problemas de desempenho, mas sim por uma “questão cultural”, associada à maior exigência dos consumidores nacionais por garantia contra quebra.

O acrílico, explica Duarte, tem garantia de dez anos contra amarelecimento, mas não recebe garantia contra quebra, embora nas próprias instalações da Bérkel, em São Bernardo do Campo-SP, exista uma cobertura de acrílico intacta após mais de dez anos de uso, sem nunca ter exigido nenhum reparo mesmo tendo sido submetida a fortes chuvas de granizo.

Já o policarbonato – que a Bérkel também comercializa –, além da garantia contra amarelecimento conta ainda com garantia de até dez anos contra quebra (assim como no caso do acrílico, a garantia contra o amarelecimento do policarbonato abrange somente chapas na cor cristal). “Isso faz com que o mercado utilize mais o policarbonato”, pondera Duarte.

Ao menos em algumas outras aplicações, as chapas de acrílico vêm ganhando espaço na construção civil, observa Maximilian Yoshioka, diretor comercial da unidade de acrílicos e emulsões da Unigel. Algumas delas: portas, painéis, parapeitos e guarda-corpos, nas quais, em escala crescente, ele substitui o vidro. “Além de oferecer possibilidades estéticas diferenciadas, a grande vantagem do acrílico está em proporcionar mais segurança em relação ao uso do vidro nessas aplicações”, compara.

A Unigel, diz Yoshioka, atende clientes que operam em vários segmentos, incluindo construção civil, automotivo, agricultura, têxtil, mineração, eletrônica, embalagens e health care, construindo uma sólida relação com os maiores fornecedores e usuários finais na indústria petroquímica na América Latina e utilizando tecnologia avançada para fornecer soluções e produtos inovadores. É o maior produtor da América Latina de acrílicos e também de estirênicos, sendo a única produtora de acrilonitrila e MMA na região, controlando fábricas no Brasil e no México. Além de MMA, resinas de PMMA e chapas cast – hoje fabricadas por ela apenas no México –, seu portfólio de acrílicos inclui produtos para várias outras aplicações, como indústria eletrônica, tratamento de água, tintas, fibras, solventes e mineração, entre outras.

Evolução em processos

Outros produtos, além das chapas convencionais já empregadas em itens como coberturas, parapeitos e divisórias, podem contribuir para integrar mais incisivamente o acrílico ao mercado da construção civil.

Um deles, denominado ‘superfície sólida’, com origem no México, vem sendo trazido ao Brasil pela Oswaldo Cruz Química, e é composto por acrílico e agregados minerais (pó de granito, por exemplo). Um possível uso desse material é a produção de pias, onde ele pode substituir o próprio granito.

Plástico Moderno, Thieme: ampliar oferta de cores anima produção local de chapas
Marcelo Thieme: ampliar oferta de cores anima produção local de chapas

Marcelo Thieme, diretor de novos negócios da Oswaldo Cruz e, a partir deste ano, também presidente do Indac, lista diversas características favoráveis às superfícies sólidas em pias e aplicações similares: “Elas são muito higiênicas, pois não são porosas, possibilitam o trabalho com cores muito bonitas e podendo assumir várias formas”, explica.

Ainda no mercado do acrílico, a Oswaldo Cruz Química distribui o monômero MMA, matéria-prima para as chapas, que no Brasil hoje são produzidas apenas pelo método denominado cast, similar à fundição (existem outros métodos, como a extrusão).

E os fabricantes de chapas, afirma Thieme, buscando mais produtividade e redução de custos, vêm investindo bastante na evolução da tecnologia cast, com medidas como a substituição da água utilizada para aquecer as chapas – para a polimerização do MMA – por alternativas como vapor ou ar quente, buscando abreviar o tempo do processo e diminuir seu custo. “Também se deseja automatizar mais as operações, pois a produção de acrílico ainda usa muita mão de obra”, acrescenta Thieme

Plástico Moderno, Material pode ser aproveitado para fazer móveis inovadores
Material pode ser aproveitado para fazer móveis inovadores

Vian, do Indac, observa que o processo cast com aquecimento por água é mais simples na instalação e na operação, exigindo basicamente um tanque com água aquecida, e por isso é o mais utilizado pelos fabricantes de menor porte.

Mas já ocorre no Brasil uso significativo também do vapor d’água com o objetivo de polimerizar mais rapidamente as chapas no interior de autoclaves ou estufas. “A capacidade de produção de chapas atualmente instalada no Brasil é de cerca de 15 mil toneladas por ano, deve estar igualmente divida entre essas duas possibilidades”, estima.

Existem variações no próprio método cast, como o processo continuous cast, com o qual são produzidas as chapas Lucite, trazidas ao Brasil pela Bérkel. Diferentemente do método tradicional, no qual as chapas são produzidas uma a uma, essa tecnologia trabalha em processo contínuo, produzindo uma chapa única posteriormente cortada nas dimensões desejadas.

Ela exige espaços muito grandes, mas, de acordo com Duarte, reduz praticamente a zero as variações na espessura da chapas. “Com menor variação na espessura, as chapas tornam muito mais precisa a montagem de peças que exijam colagem, encaixe ou moldagem”, destaca Duarte.

Além de gerar chapas, o acrílico é utilizado também na forma de resinas (que, pelas estimativas de Vian, do Indac, no Brasil consomem quantidades de acrílico similar às das chapas). Até por sua escala, o setor automobilístico é o principal usuário dessas resinas, empregadas ainda nas indústrias náutica e a aeronáutica, e na fabricação de utilidades domésticas como copos, pratos e jarras.

A indústria aeronáutica vem recebendo investimentos crescentes da multinacional Evonik, que anunciou o início da operação, no começo do próximo ano, de uma planta de produção de acrílico específica para esse setor, que utiliza esse plástico em janelas de cabines e cockpits de aviões e helicópteros. Na nova planta, em Weiterstadt, na Alemanha, a Evonik poderá produzir, em grandes dimensões, chapas tipo stretched, que podem ser entendidas, em linhas gerais, como chapas cast submetidas a uma espécie de esticamento, com o qual elas adquirem maior resistência química e a impactos, para se adequarem aos rígidos requisitos dos fabricantes de aeronaves.

Já na indústria automobilística, resinas de PMMA são injetadas por empresas como a Arteb para produzir lanternas traseiras, difusores de lanternas de leitura e lanternas de placa de identificação dos veículos.

Jarbas Enzenberg, gerente executivo de processos da Arteb, elogia a evolução registrada nos últimos anos por esse termoplástico em quesitos como processabilidade, resistência térmica e resistência ao impacto. “Nas lanternas traseiras, o acrílico não tem concorrente direto, devendo manter-se como material de maior aplicação para as lentes”, prevê Enzenberg.

 

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