Economia

Aços para moldes – Fornecedores querem vender fórmulas com maior valor agregado

Jose Paulo Sant Anna
22 de março de 2010
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    A ideia dos aços ecológicos tem feito sucesso. Hoje, esses produtos representam 70% das vendas da Açoespecial. A empresa calcula ter fatia de 17% do mercado de aços para moldes no Brasil e com a estratégia pretende chegar a 22% no prazo de um ano. Por falar em vendas, o ano de 2009, para a empresa, não foi dos melhores. A perspectiva para esse ano é de recuperação. A principal fonte de otimismo são os lançamentos previstos pela indústria automobilística. Um problema grave, na visão de Ribeiro, é a falta de financiamento a juros competitivos para os compradores de moldes. “Aqui, na hora de descontar um título, as empresas pagam entre 5% e 6% do valor no prazo de 180 dias. Na Europa, os juros são de 6,5% ao ano”, compara.

    Duas marcas – O grupo sueco Böhler-Uddeholm é há anos tradicional fornecedor de aços para o mercado brasileiro. A empresa atua com duas marcas, Böhler e Uddeholm, e tem no mercado de moldes para injeção de plásticos um importante cliente. A empresa atende com regularidade fornecedores de moldes para o segmento automobilístico, de linha branca e de eletrodomésticos, entre outros. Um dos diferenciais da empresa, de acordo com José Roberto Capelletti, gerente nacional de vendas, é a assistência técnica oferecida aos compradores.

    Plástico Moderno, José Roberto Capelletti, Gerente nacional de vendas, Aços para moldes - Fornecedores querem vender fórmulas com maior valor agregado

    Capelletti: expectativa positiva com o lançamento de projetos

    Com a marca Böhler, está no mercado vasta gama de produtos, voltados para matrizes de injeção construídas para os mais diversos tipos de resinas, cargas e plásticos de engenharia. O mais procurado é o M238, nome do aço P20 da empresa, com índices de dureza entre 28 e 32 HRC. “É um produto no mercado há mais de quarenta anos. Seu diferencial se encontra na qualidade”, garante o gerente. Para durezas entre 34 e 36 HRC, a Böhler oferece o M261, indicado para ferramentas que trabalham em condições mais exigentes, como as de peças de grande superfície que não podem apresentar problemas de empenamento.

    Outra linha destacada por Capelletti é a de inoxidáveis. Entre os aços do gênero, destaque para o M310, usinado e depois submetido ao tratamento de têmpera para atingir a dureza desejada. O M333, além da resistência à corrosão, apresenta maior polibilidade e é indicado para moldes de peças que necessitam de aparência impecável. “O M340 é o aço inox com maior resistência à corrosão no mercado mundial. Sua estrutura é enriquecida com cromo”, diz. O top de linha da empresa é o M390 Microclean, produzido com pós, submetidos a altas temperaturas e pressões. “É indicado para moldes de altíssima produtividade”, revela.

    Com a marca Uddeholm, o produto mais vendido para o setor de plástico é o Nimax, com dureza de 40 HRC. “Ele tem alta tenacidade e elevada polibilidade”, diz. A liga também é facilmente retocável com solda e imune aos efeitos nocivos da eletroerosão. O mais sofisticado é o Elmax, produzido por processo de metalurgia do pó. Ele conta com altíssima resistência ao desgaste, permite alto polimento e boa resistência à corrosão.

    De acordo com Capelletti, o ano de 2009 não vai deixar saudades. “Houve queda de 40% nas vendas em razão da crise mundial”, informa. Para 2010, a expectativa é de recuperação. “Estamos esperando a retomada generalizada da demanda, com a reativação de projetos ‘engavetados’ e de outros novos”, avalia. A expectativa maior recai sobre os anunciados lançamentos da indústria automobilística.

    Plástico Moderno, Douglas de Paula e Silva, Gerente de vendas e marketing, Aços para moldes - Fornecedores querem vender fórmulas com maior valor agregado

    Silva: em 2010 a expectativa é de crescimento das vendas em torno de 20%

    O gerente reforça o coro, diz perceber forte e crescente preferência do mercado por aços de alto desempenho e qualidade, responsáveis por ganhos superiores de produtividade e rentabilidade. “Apesar de ter preços um pouco mais elevados quando comparados com os convencionais, asseguram relação custo/benefício extraordinariamente favorável na confecção da ferramenta”, avalia. Ele também nota crescente desapontamento com a importação de moldes de baixo custo. “Eles apresentam desempenho insatisfatório e baixa rentabilidade”, dispara. Sem falar na falta de suporte técnico e de acompanhamento pós-venda por parte dos fornecedores.

    Nicho importante – O nome é difícil de ser pronunciado, mas a empresa é bastante conhecida dentro do mercado de plásticos. A alemã Schmolz-Bickenbach, criada no início do século XX, tem escritório de vendas no Brasil desde 1998 – ela chegou com o nome de ThussenKrup, depois alterado para o atual. De acordo com o gerente de vendas e marketing Douglas de Paula e Silva, a área de plásticos é muito importante, corresponde a cerca de 20% do faturamento da empresa no Brasil.

    Os dois aços Schmolz mais vendidos no Brasil são o SF 2000 e o SF-5. A empresa utiliza a escala de dureza Brinell (HB) para classificar seus produtos. O SF 2000 é um P20 pré-tratado com características particulares em relação aos similares convencionais. “Ele tem boa usinabilidade e polibilidade, é soldável e pode ser texturizado com facilidade”, diz Silva. A matéria-prima conta com duas faixas de dureza, de 280 a 325 HB e de 310 a 355 HB e é oferecido em grandes blocos, com 1.500 mm de largura e acima de 400 mm de espessura.

    Alumínio leva vantagem no universo do sopro

    Plástico Moderno, Rodrigo Vanni, Gerente técnico da Moltec, Aços para moldes - Fornecedores querem vender fórmulas com maior valor agregado

    Vanni: ligas de alumínio são mais leves e conduzem melhor o calor em 98% dos moldes para sopro

    Os aços, de vez em quando, são utilizados na fabricação de moldes para sopro. Muito de vez em quando. “Em 98% dos casos usamos alumínio”, revela Rodrigo Vanni, gerente técnico da Moltec, empresa fabricante de moldes de injeção e de sopro. De acordo com Vanni, os aços só são utilizados quando as ferramentas trabalham em condições muito rigorosas. Um exemplo são as matrizes que fabricam peças com plásticos corrosivos, como o PVC. “Nesse caso, usamos aços inoxidáveis”, diz.

    Nos demais casos, o alumínio se mostra competitivo. O material é mais barato, mais leve e apresenta características que se adaptam perfeitamente à operação. Com faixas de dureza entre 120 e 200 HB, suficientes para a operação, eles apresentam melhor condutividade térmica, usinabilidade mais fácil e estabilidade dimensional adequada. “Com ele, o molde é resfriado de forma mais rápida e os ciclos são reduzidos”, diz.

    Quando o assunto recai para moldes de injeção, Vanni defende a seleção rigorosa do aço a ser utilizado. “Temos que utilizar uma liga com dureza adequada à operação do molde, com boas propriedades de processamento, que permita fácil usinagem e refrigeração rápida”, resume.

     

    “O SF-5 é um aço pré-beneficiado, desgaseificado a vácuo e com excelente usinabilidade e polibilidade”, garante. Com dureza na faixa entre 269 e 321 HB, é indicado para matrizes que não requeiram altíssimo acabamento e para estruturas ou bases para moldes. É oferecido em blocos com espessura abaixo dos 400 mm e largura de 1.650 mm. A empresa também comercializa a linha Formadur. O Formadur 2711, com dureza de 355 a 400 HB, tem como característica principal a maior resistência ao desgaste. Já o Formadur 2312, de 280 a 325 HB, é de fácil usinagem. “Além disso, contamos com linha completa de inoxidáveis, para moldes sujeitos à corrosão”, emenda o gerente.

    Silva também acredita na recuperação de vendas em 2010. Ele estima um crescimento de 20% em relação aos resultados do ano passado. “Acho que não vamos chegar aos resultados de 2008. No ano passado as empresas não investiram em moldes novos, a queda dos negócios ficou entre 23% e 24%”, informa. Ele se queixa da concorrência dos aços oriundos de países asiáticos, em especial da China. “São aços de qualidade duvidosa e boa penetração no mercado por conta do preço muito reduzido. Vivemos uma eterna briga por preço”, lamenta. O dólar desvalorizado ajuda. “Mas os importadores enfrentam elevados custos de importação”, ressalta.



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