Economia

Aços para moldes – Fornecedores querem vender fórmulas com maior valor agregado

Jose Paulo Sant Anna
22 de março de 2010
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    Plástico Moderno, Giovani Verdi Cappucio, Assessor técnico do centro de distribuição, Aços para moldes - Fornecedores querem vender fórmulas com maior valor agregado

    Cappucio: apesar da crise, vendas não decepcionaram no ano passado

    No nicho de aços com dureza entre 38 e 42 HRC, a Villares Metals conta com duas opções, o N2711M e o VP50IM. O primeiro apresenta características similares aos encontrados no mercado com essas propriedades. O segundo permite maior usinabilidade e polibilidade. Na linha dos especiais, a empresa oferece opções com durezas que chegam a 50 HRC. Entre elas, o aço sinterizado Sinter 22. “Ele é usado em raríssimas aplicações, caso de peças feitas de plásticos altamente abrasivos ou de tamanho muito pequeno”, diz. Uma alternativa oferecida aos clientes é a possibilidade de adquirir blocos pré-usinados, em formato de “U”. “Esse formato permite aos ferramenteiros economizar tempo de uso de máquinas-ferramenta”, explica.

    Cappucio não tem muitas queixas em relação ao mercado no ano passado. “Mesmo com a crise mundial, que atingiu todos os setores da indústria, nossas vendas no ano passado foram próximas às de 2008”, informa. Para ele, o ano de 2010 será ainda oscilante. “Os volumes de venda, porém, não devem ser inferiores aos de 2009”, estima.

    De acordo com o assessor técnico, a empresa tem apostado em investimentos em equipamentos e melhorias do processo para elevar sua competitividade. “O dólar desvalorizado tem elevado artificialmente a competitividade dos importadores, mas temos feito o nosso dever de casa, no sentido de ofertar cada vez mais produtos atraentes ao mercado.”

    Ele defende a tese de que o preço não deve ser levado em conta como principal critério de escolha do aço a ser usado em um molde. “Em um prazo reduzido, a escolha de um material inferior pode comprometer a imagem e a lucratividade do fabricante de moldes. Há sinais evidentes de fechamento de empresas que basearam sua competitividade na compra de aços asiáticos”, defende.

    Aço ecológico – A Açoespecial está no mercado há 24 anos como distribuidora de aços. Com a abertura do mercado, no final do século passado, a empresa passou a representar no Brasil marcas internacionais, casos da francesa Industeel, da alemã Dillinger Hütte e da italiana Lucchini. Há sete anos, patrocina estudos para o desenvolvimento de fórmulas diferenciadas. A ideia é desenvolver ligas com características especiais, cuja fabricação é terceirizada por parceiros brasileiros.

    A empresa utiliza a ecologia como arma de marketing, tema muito em voga nos últimos tempos. Paulo Sergio Ribeiro, diretor de engenharia de materiais, explica a estratégia. A operação de fabricação do aço é bastante poluente. Ele compara tal poluição a um metro cúbico de areia. Para diminuir esse “estrago”, grandes fabricantes mundiais tentam modernizar os processos. Esse não é o foco da Açoespecial. Ela procura atuar incentivando a venda de aços com desempenho mais amigável à natureza. “Tentamos economizar alguns grãos de areia”, explica.

    Ribeiro enumera algumas vantagens oferecidas por aços mais sofisticados. Eles permitem melhor usinabilidade, economizando o uso de máquinas-ferramenta e energia. Contam com menor presença de elementos de liga em suas formulações, podem ser reciclados com maior facilidade e ainda têm boa resistência mecânica, proporcionam maior durabilidade e possibilidade de reparos aos moldes. Além disso, apresentam melhor condutividade térmica, permitindo às ferramentas fabricar peças plásticas em ciclos mais curtos. “Também há uma economia de energia na etapa de transformação do plástico”, explica.

    Plástico Moderno, Paulo Sergio Ribeiro, Diretor de engenharia de materiais, Aços para moldes - Fornecedores querem vender fórmulas com maior valor agregado

    Ribeiro: ligas especiais têm ótima relação custo / benefício

    Com essas características, Ribeiro destaca dois produtos importados com a marca Industeel. Um deles é o SP300, com dureza na casa dos 32 HRC. “Ele substitui com inúmeras vantagens os aços DIN 1.2738, os mais famosos da família P20”, diz. Entre as vantagens, ele oferece excelente usinabilidade. “O material permite desgaste do flanco de corte da ferramenta em 41 minutos. O P20 com melhor usinagem fabricado no Brasil atinge 26 minutos”, dispara. Outra característica do SP300 é a possibilidade de obtenção de excelente acabamento superficial, ótima soldabilidade e condutividade térmica 20% superior à dos convencionais. O SP400, com dureza de até 40 HRC, substitui os aços DIN 1.2711. As vantagens da matéria-prima em relação aos concorrentes apontadas por Ribeiro são similares às do SP300.

    Um outro produto é o “xodó” da empresa. Trata-se do aço 1045 Ecofast Microligado, liga desenvolvida e patenteada pela própria Açoespecial e fabricada por terceiros com os quais a empresa tem acordo. Desenvolvido em parceria com importantes institutos de pesquisa e ensino, casos do Ipen, IPT e Universidade Mackenzie, o produto possui, de acordo com o diretor, usinabilidade e resistência mecânica superiores às dos convencionais. “Ele economiza até 60% das ferramentas de corte e tem dureza 20% superior à dos demais 1045”, informa.

    De acordo com Ribeiro, o custo desses produtos é semelhante ao dos oponentes, varia de (-) 5% a (+) 10%, dependendo da dimensão e disponibilidade. Também para o executivo, o preço inicial não deve ser levado tão a sério, mais importante é a relação custo/benefício. Para justificar sua tese, ele faz um cálculo. O custo do aço na fabricação de uma ferramenta, em média, fica na casa dos 15%, e a manufatura responde por de 40% a 50% do preço do molde. A economia pelo uso menor de máquinas-ferramenta proporcionada por esses aços pode pagar a mão de obra de uma a cada três ferramentas fabricadas. “A cada sete ferramentas, a oitava é inteiramente paga”, defende.



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