ABTB – Indústria da borracha procura inibir avanço da concorrência internacional

Nas exportações, segundo a Abicalçados, registrou-se um pequeno crescimento em 2007. O faturamento passou de US$ 1,854 bilhão em 2006 para US$ 2,056 bilhões em 2007. Porém, está sendo projetada queda para US$ 1,95 bilhão em 2008. “Por esses motivos, o setor calçadista, tradicional usuário de borracha natural, SBR, polibutadieno, EVA e poliuretano, está buscando com o governo federal uma redução na carga tributária sobre a folha de pagamentos, fundamental à manutenção do nível de atividade do setor. E ao contrário do que se costuma propagar, o setor que menos vem sofrendo concorrência internacional é o de sandálias de borracha injetadas, o que derruba o mito de que as importações brasileiras estejam voltadas a suprir o mercado interno com produtos mais baratos, de menor valor agregado”, afirmou o presidente da ABTB.

Por sua vez, a indústria brasileira de pneumáticos, grande responsável pelo consumo de borrachas, com fatia avaliada em 80%, abrangendo borracha natural, SBR, polibutadieno, butil e halobutil, concluiu recentemente mais um ciclo de investimentos. No período entre 2004 e 2007 desembolsou US$ 1,2 bilhão em reformas e modernizações, gerando 30% de aumento na sua capacidade produtiva instalada. “Ocorre, porém, que o nível de ocupação nesse setor é de apenas 60% em relação à sua atual capacidade e os investimentos programados daqui pra frente deverão ser mais baixos”, informou Silva. No setor de borrachas termoplásticas, o crescimento previsto deverá ser contínuo, principalmente em aplicações de substituição de borrachas convencionais nas indústrias de calçados e automobilística. Os elastômeros termoplásticos vulcanizados também continuarão cumprindo escalada de crescimento. “Tanto os TPEs, como os TPVs crescem ao ritmo de 9% ao ano e são as categorias de elastômeros que contam com as melhores perspectivas de continuar galgando bons níveis de crescimento até pelo menos o ano de 2010”, considerou Tormento.

Recorde em pneumáticos – Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor, a indústria de pneus deverá fechar o ano de 2007 com recorde de produção, alcançando 55,5 milhões de unidades. Com esses volumes, deverá manter a posição brasileira de quinto maior produtor mundial de pneus para caminhões e sexto maior produtor mundial de pneus para automóveis, graças às produções de empresas como Pirelli, Goodyear, Bridgestone Firestone, Michelin, Continental, Maggion, Rinaldi e Levorin. Isso sem contar como certo ainda a entrada de um novo player nesse setor em 2008 ou 2009, segundo a ABTB, que seria a coreana Hankook.

Segundo Silva, a pujança da indústria de pneumáticos deve ser compreendida e analisada sob a ótica de três segmentos distintos, cada um deles dentro de sua própria realidade, abrangendo pneus originais, pneus para exportação e pneus para reposição. “Os pneus originais representam entre 25% e 30% das vendas totais e, como se pode observar, existe um grande descompasso entre o ritmo da produção de automóveis e o de produção de pneus. Enquanto a indústria automobilística cresce a passos largos, somando percentuais de 10% até 12% ao ano, a indústria de pneus deverá crescer apenas 2% em 2007,” constatou o presidente. A grande responsável por essa situação, segundo analisou Silva, são as importações de pneus fabricados na China. “Os pneus asiáticos têm custo de produção entre 30% e 40% inferiores em relação aos pneus fabricados no Brasil, apesar de incidir sobre os importados a alíquota de imposto de 15%”, analisou. As exportações, por seu turno, representam entre 30% e 35% das vendas de pneus. “O câmbio em patamar bem mais depreciado freou as intenções mais ambiciosas dos fabricantes de pneus que poderiam já ter transformado o Brasil numa verdadeira base exportadora para o mundo todo”, afirmou.

Em curto prazo, portanto, as exportações deverão continuar alcançando o mesmo patamar, segundo Silva, basicamente por três motivos: pelos compromissos assumidos por força de contratos firmados intercompanies nos últimos anos; pelo fato de o Brasil figurar como base exportadora para outras unidades das companhias multinacionais instaladas no Brasil; e porque as fábricas canadenses e americanas estão operando no limite de sua capacidade, abastecendo-se da produção brasileira para as vendas no mercado interno. Segundo ele, o mercado de pneus para reposição, infelizmente, vem sendo corroído nos últimos anos. “Hoje, o mercado de reposição representa 40% das vendas de pneus, mas está sendo corroído porque o câmbio depreciado favorece a importação de pneus vindos da China.” As vendas de pneus remoldados também causam grande impacto sobre as vendas de pneus novos. “Apresentando aparência de novos, os remoldados oferecem preços muito mais atrativos.” No entender de Silva, a questão ambiental é outro fator limitante ao maior crescimento da indústria de pneus no Brasil. “A difícil eliminação dos pneus inservíveis e os danos que podem causar ao meio ambiente contribuem para que países em desenvolvimento importem pneus para reforma e reutilização. A situação ainda é agravada pelos incentivos concedidos pelos países europeus para a sua exportação. Isso faz com que cheguem ao seu destino com custos reduzidos para os importadores e possam ser comercializados ao equivalente a 60% do preço de um pneu novo”, informou.

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