ABRE – Indústria embala projeções de crescimento de demanda

Plástico Moderno, Luciana Pellegrino, diretora-executiva da ABRE, ABRE - Indústria embala projeções de crescimento de demanda
Luciana comemora prêmios às embalagens brasileiras

Bem-aventurados podem ser os resultados financeiros das indústrias de embalagens em 2007 e boas novas surpresas estão sendo preparadas para 2008. Os aumentos das demandas internas de bens de consumo, materiais de construção e insumos agropecuários, previstos pela Associação Brasileira de Embalagem, a ABRE, não só se confirmaram, mas superaram, e muito, as expectativas dos empresários. Segundo a previsão, o setor alcançaria crescimento de 1,8% em 2007. Este percentual se baseou em faturamento de R$ 31,5 bilhões, o que já representaria fatia em torno de 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto), e repetiria o mesmo patamar alcançado em 2006.

Mas não foram exatamente esses os números estimados em dezembro último pela ABRE. Após refazer suas análises, a entidade calculou fechar o ano de 2007 com faturamento de R$ 33 bilhões, montante 2,5% superior ao de 2006. Na comemoração dos quarenta anos de atividades, realizada em almoço em São Paulo, reunindo boa parte de seus trezentos associados, além de entidades e personalidades parceiras, e que contou com patrocínios da Braskem, Fispal, Henkel e Polibrasil, a entidade confirmou as expectativas otimistas de seus associados e as perspectivas igualmente alentadoras que deveriam pairar em relação a 2008 à luz de um cenário macroeconômico positivo traçado pelo economista Octavio de Barros, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, convidado a antecipar tendências para o bom planejamento do nível de atividade do setor. Na opinião de Barros, a economia nacional passa por um momento único de crescimento e o mundo corporativo está “dando as costas para a crise internacional”, e continue fazendo planos ambiciosos. Segundo ele, o mundo está vivendo o maior ciclo de crescimento dos últimos anos e 2008 será extremamente positivo, apresentando crescimento do PIB nacional e mundial. Dados levados ao conhecimento da platéia naquela oportunidade também revelaram que a economia dos países emergentes já corresponde a 50% do PIB do planeta e que os países que continuarão nessa trajetória de crescimento são: China, Índia, Brasil e Rússia.

Ao concordar com as informações apresentadas pelo economista, Luciana Pellegrino, diretora-executiva da ABRE, destacou que o Brasil é o país com maior diversidade de commodities do mundo, contando atualmente com cerca de vinte, e também possui a mais diversificada indústria, superando nesse setor até mesmo a China. “Aproximadamente 80% de todos os capitais que entram no país são para negócios e, particularmente, no setor de embalagens, 2007 foi o melhor ano dos últimos cinco anos, pois constatamos nível de crescimento de 2,5% em relação a 2006,” ressaltou Luciana. Outro aspecto favorável ao Brasil é a grande confiança dos investidores externos em virtude da baixa inflação, estabilidade do câmbio e democracia. Com isso, as estimativas dão conta de que o PIB poderá alcançar a casa dos 4,4%, e a taxa de juros deverá cair gradualmente no decorrer de 2008.

Plásticas premiadas – No topo das inovações mundiais, as embalagens plásticas brasileiras são outro motivo de orgulho para o país, pois vêm angariando boa reputação internacional pela sua qualidade, originalidade e criatividade, incluindo mais recentemente a salutar preocupação das indústrias em tornar auto-sustentáveis as produções, para reduzir o impacto das embalagens pós-consumo sobre a natureza. Em 2007, entre as 291 embalagens inscritas no WorldStar Packaging Award 2007, uma espécie de “Oscar” que contempla as melhores criações do setor, doze embalagens nacionais foram agraciadas com o prêmio em cerimônia realizada em outubro, em Atenas, na Grécia. Graças às iniciativas da Abre, as embalagens brasileiras estão se tornando conhecidas em várias partes do mundo, independentemente das exportações. Só em 2007, uma amostra das embalagens made in Brazil pôde ser vista na Argentina, e em Chicago e Miami, nos Estados Unidos. “Estamos trabalhando em prol do desenvolvimento da indústria nacional de embalagens até na Bolívia e em Moçambique”, informou Luciana. “O resultado de 2007 foi muito bom para o Brasil. Há sete anos, estamos recebendo elevado número de prêmios em reconhecimento à qualidade e à criatividade das embalagens produzidas aqui, não só tendo como material o plástico, como todos os demais representados pela Associação, incluindo vidro, papel, madeira, papelão/papel-cartão e metal”, comentou a diretora. Ao participar do júri de 2007, Luciana votou ao lado de 21 profissionais representantes das maiores instituições de embalagens de seus respectivos países. Premiadas com troféus, várias embalagens plásticas se destacaram. Nesse rol, esteve inclusa uma nova versão da embalagem do Comfort Classic Essence, amaciante concentrado para roupas, produzido pela Unilever Brasil, marca líder de mercado em sua categoria. Outra embalagem plástica inovadora foi criada para a linha Ekos, de óleos trifásicos vegetais, produzidos pela Natura.

Os óleos vegetais trifásicos ainda levantaram no WorldStar Packaging Award 2007 a bandeira mundial em prol da preservação do meio ambiente, pois as embalagens da linha Ekos são confeccionadas com PET reciclado. Outro grande diferencial dessa linha é permitir ao consumidor ter conhecimento sobre os produtos e as embalagens que serão adquiridos por meio de sistema denominado “rotulagem ambiental”, e que prevê o acesso a informações muito importantes, como conhecer a origem vegetal do produto. Na “rotulagem ambiental”, o consumidor ainda terá acesso à certificação de origem do produto e aos percentuais de materiais reciclados utilizados na fabricação das embalagens, sendo informado também sobre o percentual de reciclabilidade da embalagem em questão. “Desde que criamos o prêmio nacional Abre de design & embalagem, hoje em sétima edição, temos levado às exposições internacionais as embalagens que mais se destacam no Brasil, demonstrando ao público de vários países a constante evolução das indústrias locais e sua permanente busca pela diferenciação, criação de designs inovadores, qualidade dos materiais e por novas tecnologias de processo”, acrescentou Luciana. Assim, a premiação nacional, concebida nos módulos Design, Tecnologia de Embalagem e Estudante, com o apoio da União Latino-Americana de Embalagem (ULADE) e do Programa Brasileiro de Design do Ministério de Desenvolvimento da Indústria e Comércio, vem contando com repercussão internacional porque a Abre expõe as embalagens vencedoras nas mais importantes feiras mundiais do setor, como a Pack Expo e a Package Design, e ainda as inscreve em prêmios do porte do WorldStar.

Iniciativas às micros – Em 2007, a premiação promovida pela Abre passou a incluir com grande sucesso duas novas categorias: Embalagens para Micro e Pequenas Empresas e Embalagens para Perfumes; nesse último caso, abrangendo todas as faixas de público infantil, adolescente, masculino e feminino. Em 2008, a entidade espera repetir os resultados alcançados em 2007, sem descartar a chance de superá-los. “O prêmio Abre tem incentivado o desenvolvimento da embalagem nacional, além de propiciar o crescimento de todos os elos dessa cadeia produtiva, estimular o interesse da indústria em investir em novos projetos, reconhecendo as empresas que investem no aprimoramento das embalagens e divulgando as inovações em design e as novas soluções tecnológicas que vêm sendo adotadas”, afirmou Luciana. A idéia de incluir na premiação nacional também as embalagens produzidas para micros e pequenas empresas teve a intenção de divulgar maiores conhecimentos em relação a embalagens, materiais, designs e processos de fabricação. Nessa direção, e com o apoio da Abre, foi criado um comitê de fornecedores associados que oferece os alicerces necessários para o desenvolvimento de embalagens interessantes para micro e pequenas empresas. Na realidade, esse comitê atua como facilitador de informações para capacitá-las, e garantir seu acesso às tecnologias e soluções mais modernas de embalagem. Para participar, os interessados só precisam assinar o convênio Design de Embalagem para Micros e Pequenas Empresas, estabelecido no âmbito da Abre e do Sebrae e, a partir desse ponto, passarão a contar com o apoio de técnicos e especialistas e com o subsídio de 70% sobre o valor dos serviços que possam ser prestados. Iniciativas desse tipo têm oferecido resultados muito positivos não só à imagem da entidade, como também ao melhor desempenho das micros e pequenas empresas perante um mercado tão competitivo quanto o de embalagens. Segundo Luciana, mais de duzentas micro e pequenas empresas já participaram do convênio Abre/Sebrae, e que resultou até agora na criação de mais de mil novas embalagens.

Com participação restrita a empresas associadas, a entidade também criou vários comitês de estudos e pesquisas interessantes. Um deles se dedica à segurança alimentar, e visa a promover aos associados o melhor entendimento das legislações pertinentes às embalagens que entram em contato direto com os alimentos, mantendo-os ainda informados sobre as atuais exigências e demandas internacionais relacionadas a esse tema. Outro trabalho interessante realizado pelo comitê de toxicologia, que informa às indústrias quais matérias-primas e demais ingredientes devem ser excluídos da fabricação de tintas de impressão e de materiais correlatos, como solventes, diluentes, plastificantes, secantes e outros, considerando as aplicações em embalagens de alimentos. Também há um comitê dedicado aos assuntos de meio ambiente e de sustentabilidade da produção que, além de promover constante acompanhamento dos projetos de leis estaduais e federais que possam interferir nas condutas e responsabilidades dos fabricantes, divulga novas tecnologias e promove cursos e seminários sobre gestão ambiental. Como não poderia deixar de ficar atenta aos novos hábitos de consumo e comportamento dos consumidores perante as embalagens, a associação também tem revelado preocupação em levantar e levar ao conhecimento de seus associados os resultados de pesquisas sobre tendências mundiais observadas no setor. Uma delas, a pesquisa Roper Reportes Worldwide, que avalia tendências globais desde 1995, levantando opiniões de consumidores em mais de trinta países – em cada um deles, cerca de trinta mil entrevistados – trouxe à tona dados colhidos em um universo de mais de um bilhão de consumidores. As conclusões e tendências, além de importantes para a condução dos negócios das empresas, ensejam muitas oportunidades, principalmente para aquelas que souberem entender e atender às necessidades dos consumidores. Uma delas e talvez uma das mais importantes sob o ponto de vista das embalagens aponta que 80% das decisões tomadas quanto à escolha da marca de um produto a ser comprado são feitas no próprio ponto-de-venda. Esse fato confere às embalagens poder de influência muito grande nas tomadas de decisão dos consumidores.

A pesquisa também destacou a importância dada pelos consumidores à autenticidade dos produtos e à sua contribuição para uma vida mais saudável. O envelhecimento populacional foi outro aspecto levantado pela pesquisa. Segundo as projeções feitas por especialistas, em 2025, consumidores com mais de cinqüenta anos representarão 50% dessa população total na Itália, enquanto na Alemanha e Japão esses percentuais seriam de 48% e 49%, respectivamente. Nos países emergentes, a população com mais de cinqüenta anos também estaria aumentando e chegaria em 2025 a representar 29% dos consumidores brasileiros, 22% dos indianos e 36% dos chineses. Segundo a Abre, esses dados apontam para a necessidade de criação de designs de embalagens mais apropriados às populações idosas, bem como a apresentação de informações sobre os produtos e embalagens em letras e caracteres maiores, para facilitar a leitura. Outra tendência apontou a simplicidade como aspecto resgatado e valorizado pelos atuais consumidores. Desse modo, caberia às embalagens apresentar designs mais simples e com mensagens mais claras e diretas aos consumidores.

Apoio aos usuários – Uma das mais importantes iniciativas da Abre em 2007 certamente foi lançar a campanha Embalagem, Tá na Cara que é Bom, tendo por destinatário final o consumidor de produtos embalados, mas também para oferecer maior apoio aos fabricantes e usuários de embalagens. O objetivo da campanha é esclarecer dúvidas, informar ao público os benefícios na preservação dos produtos, suas principais características e ganhos logísticos decorrentes de seu uso, além de particularidades referentes aos vários materiais empregados, e diferentes tecnologias de fabricação e de reciclagem. “A embalagem tem papel fundamental de proteção, mas também é um meio de informação e de personalizar o produto”, considerou Luciana. A campanha pode ser conhecida melhor pelo site www.tanacaraqueebom.com.br, o qual aborda desde a história das embalagens até um glossário de termos mais utilizados no setor, incluindo informações técnicas sobre as embalagens, explicações sobre as reciclagens dos diferentes materiais e também sobre como oferecer maior sustentabilidade às produções. Entre os conteúdos abordados estão os cursos e recursos oferecidos no Brasil para a formação no setor de embalagens. Embora ainda não exista no país um curso de graduação específico em Engenharia de Embalagem, sendo essa área compartilhada por profissionais com diferentes formações, como engenharia de alimentos, engenharia química, farmácia e bioquímica, design, desenho industrial e similares, o Instituto Mauá de Tecnologia, de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, promove, desde 1998, curso de pós-graduação em Engenharia de Embalagem, contando com convênios firmados com importantes instituições, como a Michigan State University, nos Estados Unidos, com o Centro de Tecnologia de Embalagens de Alimentos do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Cetea-Ital), de Campinas-SP, e com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), por intermédio das unidades instaladas em vários estados.

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