Abmaco – Bom momento vivido pelo setor de compósitos nutre previsões otimistas

Novas aplicações – Convencer o mercado a aproveitar os compósitos em aplicações onde hoje reinam outros materiais é o grande desafio do setor para acelerar o ritmo de crescimento no Brasil. Para Ferraz, as propriedades dessas matérias-primas são muito competitivas e disseminá-las entre os potenciais clientes é fator de persuasão que precisa ser aproveitado de melhor maneira. Para exemplificar, o presidente da Abmaco lembra as vantagens dos termofixos reforçados sobre o aço. Ele reconhece que o custo inicial do compósito é mais elevado, mas ressalta que as peças fabricadas com o material não necessitam de manutenção. “Em ambientes que favorecem a corrosão dos metais, como o do litoral, o compósito resiste durante muitos anos”, exemplifica. Existem outros fatores favoráveis. “O compósito permite maior liberdade de conformação e a produção de peças com peso 30% menor. Além disso, não são condutores elétricos e apresentam menor coeficiente de dilatação térmica”, aponta. Vantagens similares são constatadas também quando o plástico reforçado é comparado a outras matérias-primas, como alumínio, madeira e concreto.Com essas características, várias aplicações podem impulsionar o mercado de compósitos no Brasil. Para Ferraz, a indústria náutica é uma das que subutilizam o material. “Aqui, os botes salva-vidas dos bombeiros são feitos de alumínio. A resina não corrói, é mais resistente a impactos e, em caso de tempestades, não apresenta o perigo de conduzir a eletricidade proveniente da queda de um raio”, exemplifica. Outros exemplos ocorrem no setor da construção civil. “No Brasil, as tubulações de água e esgoto da rede pública são feitas de aço ou cerâmica. O aço sofre corrosão e a cerâmica se rompe com maior facilidade”, defende. A substituição dos postes de iluminação pública de concreto já é uma realidade em países avançados. “Além de mais leves, o que facilita o transporte para áreas de difícil acesso, os postes feitos com compósitos não precisam contar com estruturas metálicas e são mais seguros para os motoristas em casos de acidentes de trânsito”, diz. Móveis, portas de residências e uma infinidade de outras aplicações hoje ainda pouco aproveitadas por aqui têm feito sucesso no exterior.

Reciclagem – Nos países avançados, em especial nos europeus, existem legislações que obrigam as empresas do setor de compósitos a investir em ações de reciclagem. No Brasil, por enquanto, as leis são omissas em relação a essa causa. O tema, no entanto, preocupa a Abmaco, que em 2006 firmou acordo de parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para desenvolver processos de reciclagem de compósitos no Brasil

O acordo está em uma fase inicial de levantamento de dados. A idéia é mapear com maior precisão as empresas envolvidas com o ramo. Uma segunda etapa prevê a montagem de um laboratório para pesquisas. “No exterior, como a reciclagem é obrigatória, nem sempre a operação traz retorno financeiro para as empresas”, revela Ferraz. Entre as técnicas desenvolvidas lá fora se encontram as de triturar e moer os rejeitos para reaproveitá-los em futuras operações ou utilizar os detritos como combustível de equipamentos de aquecimento. “Queremos desenvolver no Brasil processos que proporcionem lucros às empresas, o que fará com que elas se interessem mais em adotar os processos de recuperação”, diz.

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