Plástico

Abiplast – Transformação enfrenta uma das piores crises de sua história

Domingos Zaparolli
17 de janeiro de 2008
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    Consumo em alta – Nem todos os itens da conjuntura, porém, são desfavoráveis aos transformadores plásticos. O principal fator, o consumo, aparenta ter fôlego para continuar em alta em 2008. Segundo a Abiplast, no ano passado, as vendas de artefatos plásticos obtiveram bom desempenho em praticamente todos os segmentos, mas dois setores foram os principais responsáveis pelo aumento da demanda: a construção civil e a indústria automobilística, que cada vez mais adota peças produzidas com materiais plásticos para reduzir o peso dos veículos e, como conseqüência, o consumo de combustível. Em 2007, conforme dados da Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea), foram produzidos no Brasil 2,97 milhões de veículos, um recorde que representou um crescimento na produção de 13,9%. E a expectativa entre os produtores de veículos é de que o bom desempenho continue em 2008. Assim como a previsão do SindusCon é de um crescimento de 10% na construção civil em 2008.

    A indústria de transformação do plástico, acredita Cachum, deve pegar uma carona no crescimento da economia brasileira, principalmente destes dois setores, e ainda ser beneficiada pelo fato de 2008 ser um ano eleitoral, situação que beneficia os fabricantes de plásticos com o aumento das encomendas de material de campanha. “Nossa previsão é de que o volume de consumo de artefatos plásticos deva crescer na casa de 10% em 2008”, diz o presidente da Abiplast. Cachum lembra que o potencial de crescimento da indústria do plástico no Brasil ainda é muito grande, em virtude do baixo consumo per capita do país. O consumo médio do brasileiro é de 24,23 quilos, enquanto que os africanos consumiram 25 kg em média em 2005 e os argentinos, no mesmo ano, 35 kg. Em um país europeu, o consumo é bem maior. Na Bélgica, em 2005, cada cidadão consumiu em média 181 kg de plástico. “Nosso consumo é baixo até para os padrões dos países menos desenvolvidos. Isso significa que há ainda muito espaço para a indústria de artefatos plásticos avançar no Brasil, fato que ocorrerá com o ganho de poder aquisitivo da população, o que já vem ocorrendo nos últimos anos”, afirma o executivo.

    Consumo responsável – Se por um lado o consumo médio de artefatos plásticos no Brasil ainda é baixo e tende a crescer, por outro, também é verdade que o momento em que esse crescimento começa a se tornar mais possível no país ocorre quando o consumo de plástico está sendo questionado em todo o mundo por cidadãos que querem reduzir o impacto ambiental de suas ações de consumo. O fabricante brasileiro pode, portanto, ter chego atrasado ao boom do consumo mundial do material. O principal alvo desse questionamento ecológico, no momento, são as sacolas plásticas.

    Segundo Cachum, a Abiplast está atenta a este movimento e tem procurado se posicionar a fim de reduzir os possíveis impactosambientais do consumo do plástico. No final de 2007, a associação participou de um evento realizado na Assembléia Legislativa de São Paulo para o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Uso Responsável de Sacolas Plásticas. Na ocasião, relata Cachum, a Abiplast apresentou uma nova sacola plástica voltada para o varejo. A sacola é bem mais resistente e possui dois modelos, com capacidade para 6 e 8 quilos, fabricados de acordo com os padrões técnicos estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O objetivo é desestimular o consumidor a usar duas ou três sacolas plásticas sobrepostas para evitar que se rompam. A Associação Brasileira de Supermercados assinou um termo de compromisso para o uso dessas sacolas plásticas mais resistentes e, conseqüentemente, mais caras, em substituição às sacolas usadas hoje. A meta é reduzir em 30% o consumo de sacolas plásticas.

    Plástico Moderno, Abiplast - Transformação enfrenta uma das piores crises de sua história

    Além disso, informa Cachum, a Abiplast iniciou negociações com o Instituto Italiano para o Comércio Exterior com o objetivo de desenvolver um projeto conjunto para a reciclagem do plástico. O projeto conta com o apoio do Ministério do Meio Ambiente da Itália, que se dispõe, conforme informa Cachum, a transferir know-how e tecnologia para a recuperação e reciclagem de matérias plásticas pós-consumo. Na avaliação do presidente da Abiplast, a concretização desse projeto daria um grande impulso à indústria brasileira da reciclagem do plástico, que atualmente abrange 512 empresas que faturam R$ 1,62 bilhão por ano.



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