Abief – Aposta no mercado externo sustenta estimativas de crescimento do setor

Plástico Moderno, Rogério Mani, presidente da Abief, Abief - Aposta no mercado externo sustenta estimativas de crescimento do setor
Mani propõe a implantação de um modelo exportador

Adotar um modelo exportador será o foco do mercado brasileiro de embalagens plásticas flexíveis nos próximos anos. A Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief) entende que, para crescer, o setor precisa explorar regiões fora do território nacional. A proposta soa ousada, pois a intenção é exportar 30% da sua capacidade produtiva, índice muito superior ao alcançado hoje. No entanto, consciente do panorama atual, para 2008, a previsão é de vender para o exterior 15% desse volume. Mudanças na configuração dessa indústria também tendem a emergir. A expectativa é de que haja um enxugamento do setor, por conta de fusões e até mesmo do fechamento de algumas empresas. De acordo com o presidente da Abief, Rogério Mani, as circunstâncias atuais impõem aos transformadores a necessidade de buscar mais competitividade. Ele prevê ser condição sine qua non para a sobrevivência a injeção de investimentos na capacitação profissional e na modernização do parque industrial. “Até porque o mercado não perdoa: se a indústria não oferecer produtos modernos e tecnologicamente compatíveis com a realidade internacional, ela é facilmente descartada como player”, diz Mani. Diagnóstico da Abief depõe contra o setor, pois aponta que 40% das máquinas estão obsoletas. A melhor qualificação também será abrangente, pois deve contemplar não só a mão-de-obra operacional, mas também a gerencial. “É preciso mudar o modelo da empresa que tem dono, para a que tem gestão”, propõe. Para ele, essas são duas frentes de trabalho a caminhar juntas. “Não adianta dar uma Ferrari para quem não sabe dirigir”, brinca.

Problemas à vista – Os novos rumos da indústria de flexíveis incitam apreensão. “O primeiro semestre será conturbado”, antevê Mani. O anúncio do possível aumento do preço das resinas mexeu no cerne das projeções do setor. O reflexo desse reajuste – está previsto acréscimo de até US$ 100 – somado à possibilidade de uma nova crise energética, preocupa Mani. “Com o petróleo a cem dólares o barril, o ano será difícil”, diagnostica. Responsáveis por cerca de 70% dos custos, as resinas têm forte influência no rumo da indústria de embalagens flexíveis. Um entrave, de acordo com Mani, é a impossibilidade de diminuir as margens ainda mais. “Em 2007, as margens estiveram minúsculas”, aponta. Por isso, a revisão de custos e a prática de uma política de preços condizente com a realidade do mercado devem ser palavras de ordem para os transformadores. Para este ano, ele prevê mudanças. “Precisamos fazer a lição de casa, pois devemos gerar lucros e crescer”, diz. Em suma, a preocupação da associação é tornar o setor competitivo para ter condições de exportar seus produtos e assim efetivamente expandir-se. Nos últimos anos, o setor se viu às voltas com o aumento das importações e a estagnação das exportações. Esse quadro tende a se modificar, pois se assim continuar o transformador brasileiro poderá se tornar um simples distribuidor de produtos importados.

No caso da importação das resinas, ele propõe a redução das taxas, hoje de 14%. O ideal seria a isenção, porém, como tem consciência de sua inviabilidade, a Abief se esforça para tentar reduzir à metade. A idéia é ampliar as possibilidades dos transformadores, sobretudo porque com a reestruturação o setor petroquímico nacional ficou reduzido a dois grupos: Braskem e Unipar. Além de tentar facilitar a importação das resinas, os transformadores precisarão, segundo Mani, se envolver nessa reorganização setorial. “Como estaremos dependentes de apenas duas empresas, precisamos nos assegurar que os reflexos positivos dessa união se estenderão para a terceira geração. É preciso garantir que não haverá um ‘duopólio’”, afirma.

Foco no transformador – No entanto, de alguma maneira, 2008 será o ano da terceira geração, na previsão de Mani. Assim como os anos anteriores contemplaram a primeira e a segunda geração, agora a bola da vez serão os transformadores. Não será, no entanto, um período necessariamente positivo, mas deve ser um ano em que muitas mudanças estruturais acometerão o setor. A terceira geração estará na berlinda. “Prevemos que haverá uma redução no número de empresas. Muitas ficarão no meio do caminho e outras irão se fundir”, diz. Ao assumir como base de comparação as previsões internacionais, a Abief vislumbra projeções positivas para o mercado nacional de embalagens plásticas flexíveis. Otimista, Mani afirma que as perspectivas são animadoras. Para ele, no Brasil, o setor irá crescer cerca de 20% até 2009 (no acumulado). Essa expectativa supera o crescimento esperado para a América do Sul. Nessa região, está previsto um aumento do consumo de 7%, no período de 2004 a 2010. De acordo com a Pira International – responsável por estudo no qual a Abief se pauta –, no mundo, a demanda das embalagens plásticas flexíveis aumentará 30% até 2010. O ano de referência é o de 2004, quando o consumo foi de 12,3 milhões de toneladas. No âmbito global, a China é um dos países que encabeça o crescimento do setor. Até 2010, o consumo chinês será de 1,7 milhão de toneladas.

Alimento lidera – Em 2007, o crescimento de dois dígitos, previsto para o período, ficou aquém das perspectivas apontadas pela Abief. O ano em questão começou sob o prenúncio de que o setor avançaria no mínimo 10%. No entanto, na prática, em volume, esse índice chegou ao redor de 5% e, em faturamento, 8%. Independentemente dos números, para a associação, houve um aumento significativo em participação de mercado, sobretudo no segmento alimentício. “Apresentamos soluções mais econômicas e ergonômicas”, afirma Mani. Outro ponto de relevância diz respeito ao fato de as embalagens estarem cada vez mais leves. As matérias-primas e os equipamentos se muniram de tecnologia de ponta e assim ofereceram ao transformador a possibilidade de fabricar embalagens com menor peso. Essa novidade teve impacto direto no volume produzido pelo mercado.

No quesito leveza, a previsão é de estagnação. “Chegamos ao limite. Não sou a favor de reduzir mais o peso das embalagens”, enfatiza. No entendimento do presidente da Abief, as indústrias não devem mais diminuir o peso, pois comprometeria a qualidade do produto. As sacolas plásticas são uma exceção. A entidade se propõe a analisar uma espessura mínima dessa categoria de produtos, a fim de normalizar essa área. Por tradição, no Brasil, os principais usuários de embalagens flexíveis são as indústrias de biscoitos, fumo, café, balas e doces, rações, higiene pessoal, chocolate, massa alimentícia, carne processada e snacks, nessa ordem. Essa estrutura deve se manter em 2008. A diferença pode estar na migração de alguns percentuais do segmento de alimentos, que responde por cerca de 90 mil toneladas do consumo total de flexíveis, para áreas em expansão, como a de cosméticos e a de higiene pessoal. Apesar dessas categorias de produtos estarem em evidência, a participação dos flexíveis no mercado de alimentos é imbatível, pois tem avançado em média, em volume, 10% ao ano. “Essa área cresce mais do que as outras e sempre puxará o aumento do mercado de flexíveis”, afirma Mani.

As indústrias brasileiras de produtos de higiene pessoal, limpeza e cosméticos são um caso à parte. Além de representarem um dos mercados mais importantes no cenário nacional e internacional, contribuem, cada vez mais, para o avanço da demanda de flexíveis plásticos. Segundo Mani, a entrada das classes C e D na composição do consumo tem beneficiado o mercado dos flexíveis. Esse público passou a adquirir mais produtos de higiene pessoal e cosméticos e assim consolidou a preferência por embalagens mais econômicas, como as de plástico flexível. Para 2008, ele prevê que a inserção no consumo nacional de classes menos favorecidas pode aumentar, alavancando ainda mais as vendas.

Em relação a novos conceitos, as embalagens apontam para a praticidade e a conveniência, passando pela segurança, o estilo de vida e a preocupação com a saúde. A necessidade de produtos mais seguros refere-se, basicamente, à proteção a roubos e falsificação. Os hábitos da população também ditam regras. Análise da Abief sugere que as embalagens devem transmitir conceitos de indulgência, relaxamento, prazer e beleza. Em meio a todas essas questões, é fundamental não perder de vista o meio ambiente. Mani fala de uma preocupação real com o descarte e a reciclagem das embalagens, assim como o crescente uso de matérias-primas de fontes renováveis. Na prática, Mani vislumbra para o transformador o desafio de desenvolver produtos com novas barreiras e inovadores sistemas de abertura e fechamento. O design, as cores, as texturas e a transparência também devem ser diferenciados. Ele prevê ainda uma forte tendência de customização e sofisticação das embalagens, o que embute outra disposição da indústria: a de combinar materiais.

Para o presidente da Abief, o mercado brasileiro de embalagens plásticas flexíveis está apto a adotar esses parâmetros e mostra-se cada vez mais competitivo e preparado para brigar, nas mesmas condições, com outros países. O que falta, por enquanto, é um modelo exportador. Por isso, hoje, este se caracteriza como prioridade em 2008.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios