Máquinas e Equipamentos

A reindustrialização no Brasil – ABIPLAST

Jose Ricardo R. Coelho
24 de agosto de 2020
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    Plástico Moderno -

    Dados recentes do Banco Mundial colocam China, Coreia do Sul e Japão entre os primeiros do ranking de industrialização do mundo. No Estado liderado por Xi Jiping, a indústria responde por 40,6% do PIB. Na Coreia do Sul, onde houve intensificação no desenvolvimento do setor a partir dos anos 1980, a taxa fica em 35,1%. Por fim, o Japão tem 29,1% de sua produção a cargo do segmento.

    Longe de mera coincidência, chineses, sul-coreanos e japoneses tiveram muito mais êxito no enfrentamento à Covid-19 na comparação a outras nações. As respostas extremamente rápidas às necessidades se mostraram eficientes. A contribuição do setor de transformação é evidente – em especial, claro, na produção de EPIs e utensílios médico-hospitalares, essenciais para o tratamento do novo coronavírus – respiradores, principalmente.

    Na contramão desse movimento está o Brasil. A partir de meados dos anos 1980, o país sofreu o mais profundo processo de desindustrialização do mundo. O estudo “Desenvolvimento industrial em perspectiva internacional comparada”, publicado pelo IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), coloca em paralelo 30 economias – que representam 90% da indústria de transformação no mundo – em um período de 48 anos (1970-2017).

    A análise conclui que a participação da indústria brasileira no PIB teve um recuo brutal no intervalo – de 21,4% para 12,6% (em 2018, atingimos 11,3%, patamar mais baixo em 70 anos de análise do índice). No mesmo período, a média dos outros países teve ganho, ou seja, o setor (exceto o Brasil) aumentou sua participação no Produto Interno Bruto – de 15,7% para 17,3%. Mesmo com a exclusão da China, há certa estabilidade no índice global – era 15,8% em 1971 e passou para 15,1% em 2017.

    Diante destes números, o estudo pontua a desindustrialização prematura do Brasil como “a mais grave do mundo”. A perda da influência da indústria no PIB é ainda mais séria, pois se iniciou antes que a renda per capita crescesse. A literatura econômica estabeleceu relação entre a participação da manufatura no PIB e a renda per capita dos países. Segundo o padrão, primeiro há um movimento ascendente na presença do segmento no total do Produto Interno Bruto. À medida que a renda per capita cresce, a curva da porcentagem da indústria do PIB cai.

    Plástico Moderno - José Ricardo Roriz Coelho é presidente da ABIPLAST

    José Ricardo Roriz Coelho é presidente da ABIPLAST

    Não foi o que se deu no Brasil. Assim, a crise sanitária encontrou um país sem capacidade de recorrer à própria indústria para se socorrer, ficando à mercê de importações, em especial da China. O resultado é a falta de EPIs e materiais fundamentais, como respiradores, ventiladores, entre outros, em hospitais, sobretudo na rede pública. A recente aprovação no Senado do novo marco legal do saneamento básico, tema de grande importância e intimamente ligado ao tópico central deste artigo, traz otimismo para que o Brasil transforme a realidade de milhões de pessoas.

    Ainda assim, o futuro é imprevisível. Dentro da indústria do plástico, em que a capacidade ociosa está na casa dos 40%, há ainda mais incertezas. É momento de planejar saídas para a nova grande crise que já nos afeta. Em abril, a produção industrial teve queda de 18,8%, na comparação com março. Segundo o IBGE, é o mais intenso declínio do setor desde o início da série histórica, em 2002.

    Por fim, há, ainda, um problema de importância equivalente ao seu tamanho: o famigerado Custo Brasil. É um grande nó para o desenvolvimento do país, como indicou estudo recente realizado pela Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec), liderada por Carlos Da Costa. O trabalho indica que o Custo Brasil hoje, se comparado à média dos países membros da OCDE, é superior a R$ 1,5 trilhão.

    Há enormes desafios à frente e é urgente que se faça o debate sobre a relevância da indústria forte. Para superar todos esses desafios, é preciso ressignificar o tamanho do setor dentro da economia. Um segmento que puxa a inovação, a criação de novas tecnologias e a produção de pesquisa científica. Reorganizar cadeias de valores, rever a lógica da escalada tarifária, privilegiar indústria de valor adicionado, renacionalizar empresas, reposicionar o estado e o investimento público na indústria já estão diante de nós. A indústria do plástico está pronta para seguir transformando a realidade do país, para que o setor conduza o desenvolvimento de toda a economia brasileira.

    José Ricardo Roriz Coelho é presidente da ABIPLAST – Associação Brasileira da Indústria do Plástico e do SINDIPLAST – Sindicato Indústria Material Plástico Estado São Paulo, e vice-presidente da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

    Plástico Moderno -

    Abiplast

    O setor nacional de transformados plásticos e reciclagem encontra representação e apoio, há mais de cinco décadas, na Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), desde que o segmento começou a se desenvolver no País. O trabalho iniciado em 1967 responde atualmente a um total de 12 mil empresas e 325 mil profissionais.
    Para manter forte essa representação, a entidade conta com o trabalho conjunto e colaborativo de 23 sindicatos estaduais, que fortalecem o setor regionalmente, e associações parceiras, que contribuem para reiterar a importância da nossa indústria.
    A entidade, mais que defender os interesses e prestar assistência à categoria por meio de diversos serviços e iniciativas, tem o papel de valorizar o plástico, promover o setor e sua competitividade, bem como os avanços tecnológicos com foco na sustentabilidade. Para o Brasil, o progresso dessa atividade industrial causa um efeito multiplicador e mostra-se importante por trazer inúmeros benefícios econômicos e socioambientais.
    Mais informações: http://www.abiplast.org.br/

     



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