Plástico

A importância da informação sobre os plásticos – Plastivida

Miguel Bahiense Neto
5 de maio de 2020
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    Plástico Moderno -

    Temos vivenciado uma onda de ataque aos plásticos de proporções inéditas e globais, que nos provoca cotidianamente a dialogar com os mais diversos públicos – poder público, indústria, varejo, formadores de opinião e sociedade em geral – para que a percepção sobre as características positivas dos plásticos possam suplantar questões que na realidade dizem menos sobre o produto e mais sobre hábitos e rotinas de consumo e descarte.

    O que aconteceu no dia 1º de janeiro, depois das comemorações do Reveillon? As imagens do lixo de todo tipo jogado nas praias e nas ruas – mesmo nas cidades que contam com a proibição sobre os plásticos chamados de uso único – deixaram claro que leis de banimento não despertam a consciência quanto à preservação do ambiente.

    Os produtos plásticos foram criados a partir de pesquisa, desenvolvimento e tecnologia, para atender a demandas da população por praticidade, excelente custo-benefício, higiene, entre outros benefícios em cada um desses produtos. Quando há proibição desvinculada de um trabalho sério de educação ambiental e de gestão de resíduos, o resultado é que, em vez de uma solução, teremos diversas outras no mercado, feitas de materiais que nem sempre proverão a mesma higiene, nem sempre serão recicláveis e, além disso, serão consumidos excessivamente e descartado irresponsavelmente da mesma forma.

    Proibir canudo, copo plástico ou qualquer outro produto tido como de uso único não educa a população a consumir menos e com responsabilidade. É a nossa consciência ambiental que permite definir o que é um produto de uso único, pois podemos, por exemplo, usar o mesmo canudo para várias bebidas na mesma noite ou o copo plástico várias vezes durante o dia. De que adianta usar um canudo de metal ou um copo retornável que precisam ser lavados após cada uso? Nada, pois o consumo de água e detergente será excessivo e no final das contas teremos prejuízo ambiental.

    A carência da informação correta e os modismos aumentam a velocidade da propagação de notícias falsas relacionadas com o “meio ambiente” e o suposto vilanismo do plástico só agravam o quadro. A vilanização de um determinado produto não promove a mudança no hábito das pessoas no que diz respeito ao consumo responsável e ao descarte correto. O que faz isso é a educação ambiental.

    Proibir também não sensibiliza os estabelecimentos comerciais (comércio, bares, restaurantes e outros) a separarem os resíduos para a reciclagem. Não incentiva o poder público a ampliar a capilaridade dos serviços de coleta seletiva para que os recicláveis cheguem às cooperativas e recicladoras, setores que geram emprego, renda e tributos. Destaque-se que hoje a indústria de reciclagem de plásticos atua com ociosidade por falta de material a ser reciclado.

    Ou seja, todos perdem.

    As questões sobre a preservação ambiental precisam ser encaradas, com maturidade e responsabilidade, por todos os atores envolvidos – cidadãos, indústria, varejo, poder público, formadores de opinião, ONGs – para que se fuja dos modismos e se busque transformações perenes no comportamento social. E isso se dá por meio da informação e da educação ambiental.

    Munidas da informação correta sobre os produtos, do impacto que geram no ambiente desde sua fabricação até seu descarte, de como podem ser usados, reutilizados e, depois disso, se podem ou não ser reciclados, as pessoas conseguem mudar a sua relação com esses produtos, escolher melhor o que consumir, não desperdiçar, reduzir seus resíduos e dar a destinação correta a eles.

    Plástico Moderno -Apoiadas por uma gestão adequada do lixo urbano, que ainda é extremamente precária nas cidades pelo País e que é necessária para que o trabalho de coleta e separação dos materiais não seja em vão, essas pessoas passam a ser agentes da preservação ambiental sem ter que se privar dos benefícios dos produtos, sejam eles feitos de plástico ou não.

    A introdução dos princípios da Economia Circular, que preconizam a reinserção dos resíduos pós-consumo na economia por meio do reaproveitamento e da reciclagem, é um processo no desenvolvimento social. Enquanto as atenções se mantiverem voltadas à proibição de produtos, não avançaremos em nossos propósitos sustentáveis.

    Miguel Bahiense é graduado em Engenharia Química (UFRJ), pós-graduado em Comunicação Empresarial (FAAP/SP) e é presidente da Plastivida – Instituto Socioambiental dos Plásticos.

    Texto: Miguel Bahiense 



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