A Escalada dos Preços da Resina e as Expectativas de Curto Prazo

SIMPERJ

Todos nós esperávamos pelas mudanças que a virada do milênio nos reservava, mas só nos encontramos com as grandes mudanças no fim da segunda década desde novo milênio. 2020 foi um ano de grandes desafios para o mundo.

Uma ameaça invisível para toda a civilização surgiu, sem que soubéssemos muito bem como lidar com ela.

Com o susto inicial, toda a economia mundial parou, sem uma bússola para orientar quais caminhos a seguir adiante.

Neste período, o setor de plástico seguiu produzindo as embalagens dos produtos de limpeza, alimentos, higiene pessoal e medicamentos, que eram vendidos em supermercados e farmácias, além de se reinventarem com o fornecimento de produtos de proteção individual, como as face-shields e as caixas de higienização para produtos hospitalares.

No segundo semestre de 2020, com a injeção de recursos na economia – quer seja pelo auxílio emergencial, oferecido pelo governo federal, quer seja pelos saques autorizados do FGTS ou pela carência oferecida aos tomadores de empréstimos de crédito direto ao consumidor – o Brasil voltou a consumir e parecia ser a redenção para o setor industrial nacional.

Foi justamente neste momento que, em pequenas doses mensais, a matéria-prima dos produtos plásticos foi aumentando de preço e começou a faltar no mercado nacional.

Preços da Resina e as Expectativas: 50% de aumento total

Em um misto de justificativas, como o aumento do dólar, contratos de exportação assumidos durante a baixa de consumo na pandemia, preço internacional reagindo com o aumento do consumo, fomos sofrendo reajustes mensais que, até o final do ano, acumularam mais de 50% de aumento total, percentual difícil de justificar a um mercado que já se acostumou com indicies de inflação anual que, há muito, não chegam a dois dígitos.

Mais difícil ainda será quando esses reajustes alcançarem os consumidores finais, cujos últimos aumentos de salários também ficaram abaixo dos dois dígitos.

Havia uma expectativa, ou melhor, uma esperança de que em 2021 o mercado internacional se acomodasse, que o preço se estabilizasse e que, a partir do meio do ano, viéssemos a ter, inclusive, uma retração de valores do preço da resina.

Parecia que a expectativa se concretizava: em dezembro de 2020 e janeiro de 2021 não houve oscilações.

Resinas e Aditivos

Eis que no fim de janeiro uma série de outros fatores começou a movimentar novamente o mercado internacional de resinas.

O rigoroso inverno no centro/sul dos Estados Unidos congelou o principal centro de produção de resinas plásticas da América do Norte.

A Ásia voltou a demandar e consumir fortemente as resinas plásticas e as petroquímicas locais começaram a comprar todo o monômero disponível para produzir e atender quase exclusivamente o mercado consumidor asiático.

Com essa nova escassez no mercado internacional, uma tempestade perfeita se formara para pressionar por novos aumentos nos preços.

O resultado foi um reajuste em fevereiro, outro em março deste ano e, ao invés da esperada estabilidade, já se preveem novos aumentos para meses futuros.

Alcançamos perto de 100% de reajuste dos preços acumulados nos últimos 12 meses!

 

Por quanto tempo o mercado suportará essas variações?

Gladstone Santos Jr. é presidente do Simperj – Sindicato da Indústria de Materiais Plásticos do Estado do Rio de Janeiro Plástico Moderno - A escalada dos preços da resina e as expectativas de curto prazo - SIMPERJ ©QD Foto: iStockPhotos
Gladstone Santos Jr. é presidente do SIMPERJ – Sindicato da Indústria de Materiais Plásticos do Estado do Rio de Janeiro

Se o governo não alterar a política de importação, os fabricantes nacionais de resina plástica seguirão repassando a variação dos preços internacionais e a desvalorização da moeda brasileira, em um mercado com uma das mais caras taxas de importação, restando à indústria de transformação simplesmente pagar essa conta.

A indústria de pequeno e médio porte sofre ainda mais.

Sem conseguir acesso direto ao fabricante, adquirem a resina plástica de distribuidores que diante da escassez e baixa oferta de produtos praticam, neste momento, um dos maiores spreads da história.

Surgem alternativas criativas para a substituição de matérias-primas para a produção dos produtos plásticos, substituindo as mais caras e as mais escassas por aquelas que, ao final, apresentam melhor custo/benefício.

Outra alternativa que surge com força é a utilização de resinas recicladas, não só pelo apelo da sustentabilidade do meio ambiente, mas também em busca de redução de custos e autossuficiência na produção da própria matéria-prima.

Por mais otimistas que possamos ser, o cenário não é bom.

Temos pela frente um futuro cheio de incertezas.

Cautela com os próximos passos e atenção com o que ainda está por vir é o mais recomendável.

 

Leia Mais sobre o mercado de Resinas e suas Expectativas:

Plástico Moderno - O Plástico no Rio de Janeiro ©QD Foto: iStockPhoto

SIMPERJ – Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado do Rio de Janeiro.

  • O SIMPERJ tem como missão a representação das Empresas Transformadoras de Plástico do Estado do Rio de Janeiro junto às autoridades Federais, Estaduais e Municipais, Entidades Sindicais patronais e de trabalhadores e à Sociedade em geral.

 

Pesquisa de Preços da Resina e as Expectativas do setor você encontra na Revista Plástico Moderno

  • Todos os meses a revista Plástico Moderno apresenta em sua seção permanente MERCADO uma pesquisa com o valor de quase 100 matérias-primas comercializadas.
  • A pesquisa é feita diretamente com distribuidores e pretende busca informar, mês a mês, os valores das resinas, aditivos, químicos entre outros.
  • Para consultar basta acessar uma edição e procurar a matéria-prima desejada.
  • Encontre todas as edição da Revista Plástico Moderno.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios