A História do Plástico em 50 anos da Revista Plástico Moderno: Informação de Qualidade há meio Século

Revista leva informação de qualidade à cadeia do plástico há meio século e reafirma sua missão

História da Revista do Plástico no Brasil.

Revista nasceu na década de 1970, na esteira do início da produção local de resinas e do avanço da transformação. Hoje, apoia a adaptação do setor às demandas da Indústria 4.0 e Economia Circular.

O potencial de negócios da indústria do plástico no início da década de 70 chamava a atenção. O surgimento de novas resinas abria um leque de oportunidades para transformadores e fabricantes de equipamentos.

Em 1972 estava prevista a entrada em funcionamento da Petroquímica União, a primeira indústria petroquímica de porte do país, o que ampliaria muito a oferta dos insumos básicos para a fabricação de resinas.

O ambiente favorável influenciou os dirigentes da Editora Abril, que em maio de 1971 lançou a revista Plásticos & Borracha. Era o início de uma história que agora completa 50 anos. Durante esse período, a publicação passou por algumas etapas.

Em abril de 1973 passou a se chamar Plásticos & Embalagem, adaptação explicada pelo enorme progresso do setor de embalagens na época.

No mês de agosto de 1976, com o desinteresse da Editora Abril em continuar a publicar revistas técnicas, os títulos Química & Derivados e Plásticos e Embalagem passaram a ser publicados pela então recém-criada Editora QD.

Plástico Moderno - 50 anos de Plástico Moderno: informação de qualidade há meio século ©QD Foto: iStockPhoto
A revista adotou o nome de Plásticos & Embalagem em abril de 1973

A nova empresa, dada as dificuldades resultantes da transição, fez com que os dois títulos passassem a circular em edição unificada.

Em novembro de 1982, mês que coincidiu com a inauguração do Polo Petroquímico de Triunfo-RS, elas voltaram a ser independentes.

No mesmo mês, a revista dedicada ao setor ganhou o nome de Plástico Moderno.

As fortes emoções provocadas pelos diversos cenários da política e economia se sucederam em velocidade desconcertante e afetaram o desempenho das empresas do setor do plástico neste meio século.

Alguns fatos marcantes podem ser apontados.

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Curso de embalagem marcou a 1ª. edição da Editora QD Ltda, em agosto de 1976

No campo da política, por exemplo, houve a transição do poder dos militares para os civis e, posteriormente, dois processos de impeachment de presidentes da república.

No campo da economia, durante o regime militar, o país viveu do período do milagre econômico à fase da hiperinflação.

Com os civis, vivemos uma sucessão de planos econômicos fracassados para domar a inflação e o lançamento do plano Real, em 1994, que devolveu a estabilidade da moeda.

Acontecimentos mundiais também influenciaram a economia e, é claro, a indústria do plástico.

Só para lembrar alguns fatos marcantes, podemos citar as crises mundiais do petróleo da década de 70, os atentados nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 e a crise de 2008, resultante do apuro vivido por instituições financeiras norte-americanas.

O vírus da Covid 19, surgido no ano passado, provocou e ainda provoca pandemônio na vida de toda a população mundial.

Em períodos alvissareiros ou de crise, o setor do plástico sempre conta com um diferencial para se sobressair, a versatilidade das resinas.

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Reciclagem é tema recorrente, como atesta a edição de outubro de 2014

Apoiado com o forte investimento em pesquisa e desenvolvimento de gigantes da indústria química, as várias fórmulas oferecidas ao mercado, de polímeros puros a compostos enriquecidos com cargas as mais distintas, passaram a substituir outros materiais, como aço, madeira ou vidro, em aplicações outrora imagináveis. Isso com a ajuda de máquinas e equipamentos dotados com tecnologia de ponta.

Com isso, o consumo per capita do plástico deu um enorme salto.

No Brasil, dos cerca de 2 kg/ano verificado em 1970, hoje se encontra próximo dos 33 kg/ano, de acordo com dados fornecidos pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

Outras informações fornecidas pela associação apontam a pujança atual do setor. Em 2019 havia 11.974 empresas transformadoras no país.

A produção física no território nacional, no ano passado, ficou na casa dos 7,3 milhões de toneladas, com consumo aparente de 7,7 milhões de toneladas. O faturamento foi de R$ 90,8 bilhões.

Toda essa história foi acompanhada de perto pela revista.

Em suas páginas, um retrato da busca constante para cumprir a promessa do editorial escrito no primeiro número.

A de que o veículo nascia para ser uma ponte entre fabricantes de matérias-primas, transformadores e fornecedores de equipamentos, no intercâmbio de interesses comuns.

A seguir, vamos lembrar alguns fatos marcantes que marcaram a trajetória do setor e foram reportadas pela revista.

História do Plástico: Década de 70

A grande notícia do começo da década no setor foi o início das operações, em 1972, da Petroquímica União.

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Plásticos avançam em tubos para uso severo e ocupam a capa de junho de 2018

A inauguração representou o incremento da capacidade de produção de 930 mil t/ano de produtos químicos de base, o que iria aliviar de forma importante a grande escassez de matérias-primas nacionais verificada na época.

A entrada em operação do Polo Petroquímico de Camaçari-BA, em 1978, reforçou bastante a oferta de insumos importantes para o setor.

Em maio de 1972, a revista dedicou 44 páginas para falar sobre as resinas oferecidas ao mercado e suas especificações técnicas.

O objetivo era orientar de forma didática os técnicos da época, ainda pouco afeitos ao tema.

Como curiosidade, vamos relembrar como o polipropileno foi apresentado: “É fornecido em grânulos e pode ser moldado por várias técnicas, até por extrusão de filamentos. Esse material resiste ao calor, tem boas características mecânicas e dielétricas, é quimicamente inerte e insolúvel em temperatura ambiente, resistente ao apodrecimento e mofo, além de ter flexibilidade ilimitada”.

Um segmento muito importante para o desenvolvimento do setor à época foi o de brinquedos.

Em matéria publicada em agosto de 1971, dirigentes do setor estimavam existir 330 fabricantes no Brasil.

As matérias-primas mais usadas na confecção de brinquedos naquele ano – a maioria delas importada – eram o polietileno (brinquedos inquebráveis), poliestireno (brinquedos mecânicos rígidos), PVC (cabeças de bonecas, bichinhos e bolas), ABS (usado nas bases de autopistas e brinquedos similares) e poliamida.

A edição de março de 1972 foi a primeira dedicada a um tema que até hoje rende reportagens sobre importantes avanços tecnológicos, a do uso dos plásticos em automóveis.

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No Brasil, na época, se consumia em média 15 kg de plástico por automóvel.

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Edição de outubro de 2017 registra o uso crescente dos polímeros avançados

A meta era reduzir a distância do uso verificado em outros países. Nos EUA, a média era de 50 kg por automóvel.

Um exemplo da tecnologia de ponta da época por aqui eram as lanternas traseiras de acrílico em duas cores, fabricadas pelo processo de dupla injeção.

Elas substituíram a lanterna injetada em uma cor que depois eram pintadas.

A edição de dezembro de 1971 chamava a atenção dos fabricantes de embalagens sobre as vantagens do uso dos plásticos.

Entre elas, a versatilidade das cores, formatos e a possibilidade de redução de custos de produção.

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Edição de novembro de 2014 registra o avanço do stand up pouch nos alimentos

A matéria-prima mais utilizada para essa aplicação era o polietileno.

O setor consumia em torno de 65% da produção nacional da resina, que estava na casa das 70 mil toneladas por ano.

Em setembro de 1971 circulou a primeira edição da revista voltada para traçar um perfil do setor de máquinas e equipamentos.

Estão presentes nas reportagens marcas que fizeram sucesso durante muitos anos e deixaram de existir.

Podemos citar nomes como Ferbate, Mecânica Oriente, Mom, Petersen e Semeraro (injetoras); Gerst, Santa Bárbara e Pugliese (extrusoras); e Dugin, Rusa, Rogeflex e Rosvel (sopradoras).

Algumas sobreviveram. A fabricante de extrusoras Carnevalli é um exemplo.

Naquela edição, a empresa apresentava novo modelo.

Veja o texto publicado: “O mais recente lançamento é a extrusora para ráfia – ela extruda o polipropileno em filme, faz o filamento, estira-o e embobina. O equipamento produz até 12 mil kg/mês e custa entre Cr$ 160 mil e Cr$ 200 mil, conforme o número de fusos que se destinam ao embobinamento”.

História do Plástico: Década de 80

Em meio a momentos de expansão e contração da economia, marcados em especial por planos econômicos frustrados que tentavam domar a hiperinflação, a indústria do plástico ganhou espaço por conta do avanço da tecnologia.

Não é exagero dizer que foi uma década revolucionária. Muitas das tendências que vemos hoje começaram a ganhar corpo naqueles anos.

Uma ideia da evolução da produção de matérias primas pode ser conferida em edição especial publicada em setembro de 1987.

Os números eram incrivelmente superiores aos do início dos anos 70.

Dizia a revista: “O setor petroquímico nacional possui hoje capacidade para produzir 1,83 milhão de toneladas por ano das principais resinas termoplásticas – PEAD, PEBD, PP, PS e PVC”.

Em tempo: os plásticos de engenharia, entre eles poliamidas, policarbonato e PBT, se consolidaram ao longo dos anos 80 como excelentes alternativas para substituir outros materiais em aplicações nobres.

As previsões eram otimistas.

“Até 1995, esse volume poderá sofrer acréscimo de 1,33 milhão de toneladas por ano, caso seja cumprido à risca o Programa Nacional de Petroquímica (PNP), aprovado pelo governo federal no último dia 3 de agosto”.

Vale lembrar alguns nomes de empresas fabricantes de resinas na época. Os produtores de PEAD eram Eletro Cloro, Polialden e Polisul.

Os de PEBD, Union Carbide, Poliolefinas, Politeno e Triunfo. Polibrasil, Polipropileno e PPH dividiam o mercado de polipropileno.

“O dia de trabalho transcorre pacato dentro da fábrica. De repente, entre dezenas de máquinas, um ruído estranho acusa a quebra de uma injetora. No mesmo instante, numa confortável cabine com ar condicionado, o chefe de engenharia de produção – com total controle sobre tudo o que acontece na planta – recebe o alerta de um computador, identifica o problema e aciona a equipe de manutenção. O dano é logo reparado e rapidamente as coisas retornam à normalidade”.

Em novembro de 1987, quando o texto foi publicado em uma edição da revista cuja capa foi dedicada a automação, a situação parecia um sonho. Hoje, o cenário ainda é perseguido por muitos transformadores nacionais.

Não foram poucos os lançamentos de produtos fabricados em plástico que marcaram época.

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Revista sobreviveu a várias aplicações, como dvds, em alta em outubro de 1997

Em 1982, o compact disc trouxe às gravações qualidade sonora muito superior à obtida pelos antigos long plays.

A novidade foi lançada pela Philips e Sony e atraiu a atenção de europeus, norte-americanos e japoneses.

A globalização da economia engatinhava e o pequeno disco chegou ao mercado nacional alguns anos depois.

A novidade foi capa da edição de maio de 1988, em reportagem cujo principal protagonista foi a Microservice, pioneira no país na fabricação do produto.

Coube a Caetano Veloso a honra de gravar o primeiro CD brasileiro.

As garrafas PET usadas em embalagens de refrigerantes chegaram ao Brasil em meados de 1988, graças aos investimentos de milhões de dólares feitos por um punhado de empresas.

O sopro das primeiras unidades no território nacional foi documentado pela revista Plástico Moderno na edição de julho de 1988.

A operação aconteceu em Osasco- SP, na fábrica brasileira da Battenfeld Ferbate, responsável pelo fornecimento dos equipamentos importados da Alemanha.

A fábrica pioneira das embalagens foi a Scarpack, sediada em Campinas-SP.

Em agosto de 1981, a IBM impressionou o mundo com o lançamento mundial do computador pessoal, conhecido como PC.

Os computadores deixaram de ser equipamentos gigantescos usados por grandes corporações e ganharam versões caseiras. A indústria do plástico se deu bem com a novidade.

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Em julho de 2018, automação e robôs preparam terreno para a indústria 4.0

Transformadores passaram a ser fornecedores de peças as mais distintas, casos dos gabinetes das telas, teclados, cápsulas de circuitos integrados, placas de circuitos impressos e outros componentes.

O tema gerou várias reportagens.

Além de fornecedora da indústria de computadores, o setor do plástico virou cliente.

Um exemplo: uma novidade começava a mudar a rotina dos designers de peças e ferramentas.

De forma incipiente, começavam a entrar no Brasil em escala comercial as estações de trabalho de CAE/CAD/CAM.

Uma matéria de capa na edição de março de 1988 falava sobre a futura aposentadoria de pranchetas, lápis e papel para efetuar essa operação.

A busca por soluções tecnológicas capazes de melhorar o desempenho das máquinas deu um salto.

Uma reportagem da edição de outubro de 1987 chamou a atenção do avanço dos controles presentes nas injetoras.

Eles passavam a ser projetados para controlar todos os parâmetros da operação, como cursos, pressões, velocidades, tempos e temperaturas, além de memorizar dados de regulagens.

Na mesma época se iniciava o uso dos servomotores nessas máquinas.

Também na década de 80, um tema muito atual começou a ser discutido de forma mais constante pelas várias empresas do setor: a reciclagem.

Em junho de 1988, o assunto foi trazido em reportagem que mostrava novidades oferecidas pelos fabricantes de extrusoras para a operação.

A História do Plástico: Anos 90

Os ventos soprados pela economia influenciaram muito o desempenho do setor de plástico na década de 90.

Já nos primeiros dias do período ocorreu grande choque. Foi lançado, logo no início de 1990, o Plano Collor. A inflação não recuou como o esperado pelos idealizadores do plano.

Em compensação, o país entrou em um dos maiores períodos recessivos de sua história.

O lançamento do Plano Real, em 1994, melhorou o ambiente econômico na segunda metade da década.

Quando a revista Plástico Moderno completou um quarto de século, em maio de 1996, publicou um balanço de como estavam as coisas na época. “Nos últimos 25 anos, o brasileiro sextuplicou o seu consumo anual de plástico, chegando aos 14,1 kg”, dizia o texto.

O avanço não significou aproximação do consumo brasileiro dos índices atingidos pelos países desenvolvidos, na época na casa dos 80 kg/ano.

A expectativa era de que a oferta de resinas poderia quase dobrar de tamanho, passando das 2,6 milhões de toneladas produzidas em 1995 para 4,6 milhões de toneladas nos anos seguintes.

O automóvel popular, com motor de menor potência e mais acessível à população de baixa renda, foi lançado com sucesso nos primeiros anos da década.

Esses modelos, nos quais a presença do plástico se acentuou em relação aos automóveis das gerações anteriores, impulsionaram os negócios dos transformadores especializados em autopeças.

Em julho de 1994, a revista resumia o sucesso do projeto.

No texto, a Abiplast informava que no primeiro semestre daquele ano houve 3,5% de crescimento no volume de peças plásticas e previsão de faturamento de 2% acima sobre o mesmo período de 1993.

Setor para lá de importante para a indústria do plástico é o da construção civil. Em novembro de 1997 uma nova etapa se iniciava.

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Construção ganha produtividade com uso dos plásticos, em junho de 2019

Dizia o texto da revista: “A construção civil brasileira caminha de um estágio de produção artesanal para a industrial, em que começam a predominar partes pré-fabricadas”.

Polímeros como PVC, PP e EPS começavam a participar desde a concepção estrutural das obras até a obtenção de arrojados efeitos arquitetônicos.

O setor consumia cerca de 500 mil toneladas por ano desses materiais, dos quais 80% eram de PVC, usado na fabricação de tubos e conexões, entre outras aplicações.

Algumas linhas de produção, pelo grande volume de produção demandada pelo mercado, são complexas.

Nos anos 90 o fenômeno ganhou força, por exemplo, a produção das tampinhas de garrafas, impulso devido em grande parte ao avanço do uso de garrafas PET.

Apesar de aparentar ser simples, a produção das tampinhas exige alta tecnologia.

Edição de setembro de 1998 falava da chegada ao Brasil de importantes empresas estrangeiras interessadas em suprir essa demanda, como Bericap, Sonoco For-Plas e Alcoa.

Os filmes multicamadas ganharam força no nicho de embalagens na segunda metade dos anos 90.

Com propriedades como barreiras a gases, vapor d’água, aromas ou luz, eles passaram a ser usados para acondicionar produtos como carnes, massas frescas, produtos desidratados semiacabados, vegetais, frutas e outros produtos.

O tema foi capa da edição de maio de 1995.

A História do Plástico: Anos 2000: Virada do Século

O atentado de 11 de setembro de 2001 não ajudou em nada a economia mundial.

Em 2008, estourou outra crise internacional, gerada pelas dificuldades do sistema financeiro norte-americano. Foram acontecimentos que provocaram reflexos na economia nacional.

Mas os resultados da indústria nacional do plástico foram positivos.

No ano 2000, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o consumo aparente das resinas no país foi de 3,8 milhões de toneladas.

Em 2008, esse número saltou para 5,2 milhões. Em 2009, a crise mundial do ano anterior fez esse o consumo aparente cair para 4,9 milhões.

Em agosto de 2002 ocorre um fato histórico para o setor.

Os grupos Odebrecht e Mariani integraram seus ativos petroquímicos, que controlavam desde 2001, a Copene, antiga central de matérias-primas petroquímicas do polo de Camaçari-BA.

Ao se unirem, os dois grupos passaram a ser a primeira empresa do ramo integrada no país, com linhas de produção combinadas da primeira e da segunda geração da cadeia produtiva do plástico.

Hoje a Braskem, depois de integrar as operações de todas as antigas centrais petroquímicas do país e comprar negócios de concorrentes globais, tornou-se potência mundial.

Conta com 29 unidades industriais no território nacional, cinco nos Estados Unidos, quatro no México e duas na Alemanha.

Em seu amplo portfólio de produtos, oferece inédita linha de polímeros derivados da cana de açúcar.

Grandes fornecedores não pouparam esforços para obter resinas com maior desempenho mecânico, resistência térmica, condutividade elétrica e outras propriedades.

Também ganhou força o uso de compósitos.

O tema foi capa da edição de agosto de 2003. “Nem mesmo os plásticos de alto desempenho, caracterizados por propriedades excepcionais, chegam puros aos equipamentos de transformação. Por melhor que seja o polímero, sempre é possível melhorar suas propriedades adicionando reforços, aditivos e cargas minerais”, dizia o texto.

Em meados da década, ganharam corpo as pesquisas voltadas para o desenvolvimento de compostos nanométricos, nos quais os polímeros são enriquecidos com cargas com partículas com diâmetros na casa do bilionésimo do metro – em torno de 100 mil vezes inferior ao diâmetro de um fio de cabelo.

A experiência foi relatada pela revista em junho de 2005.

Empresas como Bayer, Basell, Honeywell, DuPont, Dow e Basf não economizavam em pesquisas. Universidades brasileiras também desenvolviam estudos.

Uma experiência pioneira, fruto de uma parceria entre General Motors e Basell, resultou em peças para automóveis feitas de poliolefina termoplástica enriquecida com nanopartículas de argila.

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No campo das aplicações, o plástico ganhou espaço em aplicações as mais diversas, dos aros de óculos aos aviões.

Os dois exemplos mencionados, aliás, ganharam reportagens de capa. “É um objeto ao alcance dos olhos de qualquer um. Poucos enxergam, no entanto, a complexidade da fabricação dos óculos”, dizia um dos textos.

“O trocadilho não é dos mais engraçados, mas traduz uma realidade inegável. Nos últimos anos, a presença de polímeros e compósitos nos aviões decolou”, dizia o outro.

A História do Plástico em 2010

De 2010 a … – As evoluções dos últimos anos estão frescas na memória da grande maioria dos profissionais do ramo.

Elas ocorreram em paralelo a um período bastante conturbado da história do Brasil. A crise que culminou em 2016 no impeachment de Dilma Rousseff veio acompanhada de forte recessão, superada com muito esforço no biênio comandado por Michel Temer.

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Abril de 2020: cadeia do plástico entra na guerra contra a covid-19

Sem falar no grande estrago proporcionado pela pandemia do coronavírus. Mais uma vez o plástico ganha fôlego com o avanço da tecnologia e o surgimento de novas aplicações.

O tema apontado por muitos como o de maior impacto na atualidade é a indústria 4.0, presente em várias reportagens nos últimos anos.

Ela pode ser definida como o uso das informações recolhidas pelos controles de todas as máquinas ligadas às linhas de fabricação de um produto para o contínuo aprimoramento do processo.

Tais informações são trocadas, transmitidas via internet das coisas.

O processo envolve a estrutura de equipamentos presentes no transformador (informações chamadas de verticais) e também nas dos fornecedores do transformador e empresas destinatárias dos produtos, passando pelos responsáveis pela logística de distribuição (informações horizontais).

O aprimoramento do processo utilizado nas linhas de produção ocorre por meio, entre outros recursos, do uso de inteligência artificial.

Não por acaso o nome indústria 4.0 foi dado por esta evolução representar, de acordo com especialistas, a quarta revolução industrial.

  • A primeira ocorreu a partir de 1712, com o surgimento das máquinas a vapor.
  • A segunda em 1879, com o surgimento dos motores elétricos.
  • A terceira em 1969, com o início da automatização de várias operações.
  • Ela é considerada fenômeno sem volta, assim como ocorreu com os acontecimentos que resultaram nas revoluções anteriores.

No Brasil, a indústria 4.0 vem sendo alvo de vários investimentos entre as empresas de plástico de ponta, quaisquer que sejam as suas especialidades.

Falta muito, no entanto, para se disseminar de forma abrangente por todo o mercado com o destaque que merece.

Certamente ainda será tema de muitas reportagens nos próximos anos, ao lado de outro assunto que atrai atenção crescente: a proteção ao meio ambiente.

A Plástico Moderno se coloca ao lado da cadeia de produção e consumo dos plásticos para manter ativo o fluxo de informações e ideias, de modo a contribuir para o aperfeiçoamento e atualização das atividades.

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