Especial Máquinas: Interesse dos compradores aumenta e alimenta projeções otimistas para os negócios

Plástico Moderno, Especial Máquinas: Interesse dos compradores aumenta e alimenta projeções otimistas para os negócios

Os ventos gerados em Brasília continuam a ter forte influência no desempenho do setor de máquinas e equipamentos. No âmbito da indústria do plástico, a opinião entre os fabricantes brasileiros, com algumas exceções, segue toada quase unânime. O ano começou de forma razoável e as feiras realizadas em São Paulo no primeiro semestre, Feiplastic e Plástico Brasil, espalharam otimismo entre os representantes da indústria de base. Os negócios pareciam estar ganhando força.

Plástico Moderno, Paulucci: parque transformador nacional precisa de renovação
Paulucci: parque transformador nacional precisa de renovação

Aí veio o escândalo proporcionado pelas denúncias envolvendo a JBS e assustou os investidores. Daqui até o final do ano, a torcida é para que o clima político não gere sobressaltos e a economia volte a se recuperar, ainda que em patamares bastante tímidos. “No momento, o telefone está querendo a voltar a tocar. Estão começando a aparecer os pedidos de orçamento”, resume Gino Paulucci, presidente da Câmara Setorial de Plástico da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Não existem números específicos sobre os fabricantes de máquinas e equipamentos brasileiros. O quadro anual pode ser analisado a partir dos dados oferecidos pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) sobre o desempenho do setor de bens de capital mecânico como um todo. No mercado interno, no período de janeiro a julho, as vendas apresentaram recuo de 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita total de janeiro a julho foi de R$ 37.879,51 milhões, valor 5,6% inferior ao do ano passado.

Avaliando-se os resultados mais recentes, a tendência parece ser a de manutenção dos índices atuais dos negócios, pelo menos em curto prazo. A receita líquida total obtida pelas empresas do setor no mês de julho foi de R$ 5,8 bilhões, valor 1,7% superior em relação ao mesmo mês de 2016. O nível de atividade, no entanto, continua tímido. A receita de julho é 42,2% menor do que nos meses de julho no período pré-crise (2010/2013).

Em termos de tecnologia, as empresas nacionais têm se esforçado para fazer a lição de casa, a despeito dos recursos limitados para desenvolver novos projetos. Prova disso foi dada nas feiras realizadas no primeiro semestre. Foram lançados ou aperfeiçoados modelos de máquinas as mais diversas, novidades cujo foco sempre foi melhorar a produtividade. Hoje a indústria brasileira de equipamentos para plástico oferece opções com bom desempenho para os transformadores ligados aos mais diversos campos de atuação.

Indústria defasada – As vendas tímidas não são compatíveis com o grande interesse demonstrado pelos clientes em adquirir máquinas novas. Prova disso são as conversas ocorridas entre expositores e visitantes durante as realizações das duas feiras realizadas no primeiro semestre, que demonstram a vontade dos transformadores de renovar suas linhas de produção. “Os transformadores estão com equipamentos bastante envelhecidos, com idade média entre 20 e 25 anos”, explica Paulucci. Com o forte avanço tecnológico embarcado nos equipamentos nos últimos tempos, isso significa perda de competitividade. “As máquinas novas proporcionam maior produtividade, melhor qualidade das peças geradas e grande economia de energia elétrica”.

A demanda reprimida dá ao dirigente esperança de dias melhores. Para ele, caso a economia se reaqueça, o bom potencial do mercado deve ativar as vendas com vigor. Mesmo nos tempos bicudos atuais, ele vê algo positivo. “Acho que o pior já passou. O nível de atividade não deve cair muito mais em relação ao patamar atual. Mesmo que a procura por máquinas novas não se recupere no curto prazo, as empresas têm trabalho para manter o mercado de reposição de peças”.

As condições gerais da economia atrapalham. Estima-se, no caso de equipamentos nacionais para plástico, que o mercado hoje representa em torno de 50% do obtido em 2011, melhor ano do setor. Com o aumento progressivo do desemprego desde 2013, fator agravado no último ano, caiu o poder aquisitivo das famílias e a venda de produtos os mais diversos. “A existência de 14 milhões de desempregados prejudica o consumo, é um problema”.

Em agosto, houve pequena recuperação no consumo das famílias, de acordo com o IBGE. O fato surge como esperança, mas não se pode afirmar que ele tenha fôlego. A melhora é atribuída por muitos economistas à liberação dos fundos de garantia inativos, fenômeno que não se repetirá. Entre os principais clientes, o segmento em melhores condições é o de embalagens. A indústria automobilística ensaia pequena recuperação, com o lançamento de alguns novos modelos e exportações. A construção civil continua com as vendas represadas. O investimento em obras públicas, outro fator que poderia colaborar com o aquecimento da economia, permanece em marcha lenta.Com tal cenário, parte dos transformadores manifesta receio para investir. A exceção tem ficado por conta das empresas de maior porte, que produzem grandes volumes e têm fôlego para adquirir modelos capazes de proporcionar maior produtividade. “Existem empresas pequenas e médias que deveriam avaliar melhor sua estratégia. Muitas estão preferindo investir 200 para reformar um equipamento antigo, quando têm a opção de adquirir um novo por 400, financiado com as taxas de juros oferecidas pelo Finame”, ressalta Paulucci.

Exportações e importações – As exportações, alternativa excelente para a indústria de base se manter operante em tempos de baixa atividade econômica interna, enfrentam barreiras. Além da forte competitividade do mercado internacional, a grande queixa se concentra na taxa de câmbio. Depois da alta ocorrida no final de 2015, a moeda norte-americana voltou a se desvalorizar e está longe do nível competitivo estimado pelo segmento, estimado em R$ 3,90. “O dólar está nos prejudicando muito, encarece as exportações e colabora com a chegada de máquinas importadas”, enfatiza Paulucci.

Mais uma vez podemos nos socorrer dos dados da Abimaq sobre a indústria como um todo para avaliar a evolução das exportações de máquinas de plástico. Em abril do ano passado, com a alta do dólar e a baixa demanda do mercado interno, as exportações apresentaram evolução positiva com bons resultados nos meses seguintes. Em 2017 o valor do dólar caiu (ou o real se valorizou, como preferem alguns economistas), dificultando as vendas das empresas nacionais.

No período de janeiro a julho, as exportações alcançaram R$ 4,8 bilhões, com crescimento de 4,7%, reflexo ainda do bom momento vivido em 2016. A tendência para os próximos meses, caso a moeda brasileira continue valorizada, é de queda. Em julho, por exemplo, houve redução de 3,4% das vendas em relação ao mês anterior. No caso de máquinas para a indústria de transformação, que inclui as voltadas para a indústria do plástico, a redução no mês foi bem forte, ficou em 24,5%.

A situação dos fornecedores de equipamentos importados se assemelha à dos fabricantes nacionais. “Até abril, o ano estava de razoável para bom. Com o escândalo da JBS houve uma freada nos três meses seguintes. A partir do final de julho, com a queda da taxa Selic e do dólar, houve uma pequena melhora”, analisa Christopher Mendes, diretor responsável pelos equipamentos para a indústria de plástico da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos (Abimei).

No universo dos bens de capital como um todo, de acordo com a associação, foram vendidos US$ 7,271 bilhões de janeiro a julho, valor 27,6% inferior ao do ano passado, quando foram importados US$ 10,049 bilhões. O dirigente estima, na melhor das hipóteses, desempenho igual ao de 2016. Na pior, uma queda de 3,5%. A Abimei não fornece dados relativos ao segmento de plástico.

Entre as máquinas para transformação de plástico, as mais procuradas pelas empresas brasileiras são as injetoras, em especial as vindas da China, Taiwan e Alemanha. Mendes avalia que os preços vantajosos, principalmente das máquinas asiáticas, são o principal fator de atração dos compradores nacionais. A tecnologia de ponta, presente nas máquinas alemãs, chama a atenção dos compradores interessados em aplicações nas quais se exige alto desempenho. “Para dar uma ideia da retração de mercado ocorrida, eu diria que em relação a 2011 as importações caíram pela metade”.

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