Tubos

29 de agosto de 2007

Tubos – Plásticos sucedem os metais em segmento de alta pressão

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Publicado por: Domingos Zaparolli
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    O plástico, cada vez mais, está se credenciando no País como uma atraente alternativa ao uso de metais na produção de tubos para transporte de fluidos. A Suzano Petroquímica lançou em maio deste ano duas novas especialidades em polipropileno voltadas para a confecção de tubos, uma para atender o mercado de construção civil e outra para o segmento de prospecção de petróleo offshore.

    No ano passado, a Ipiranga iniciou a produção no País da resina PE-100, que amplia o leque de aplicações de polietileno de alta densidade (PEAD) na produção de tubos.

    Por outro lado, ganha espaço no Brasil a adoção do PRFV, o compósito formado por resinas plásticas termofixas e fibra de vidro em tubos de saneamento, irrigação e em aplicações industriais. E já há empresas que estudam a produção local de tubos elaborados utilizando a resina epóxi com fibras de vidro, voltados para a produção de tubulações altamente resistentes à corrosão, empregadas pela indústria petrolífera.

    “O plástico é altamente competitivo em dutos com pressão abaixo de 30 kg”, diz Adriano Meirelles, presidente da Associação Brasileira de Tubos Poliolefínicos e Sistemas (ABPE). O material, segundo ele, apresenta uma série de vantagens, entre elas: leveza, durabilidade e uma tecnologia de soldagem automatizada.

    Esse conjunto de vantagens levou, nos últimos anos, a um grande salto no uso de materiais plásticos em tubulações. Em 1990, segundo a ABPE, a demanda de tubos de plástico no mundo foi de 2 milhões de km. O consumo levou doze anos para dobrar de tamanho e chegar a 4 milhões de km em 2002. Mas outros 2 milhões de km foram incorporados em apenas quatro anos, chegando a uma demanda de quase 6 milhões de km em 2006. Europa e América do Norte lideram o uso do material em tubulações, mas as vendas na América do Sul estão entre as que, proporcionalmente, mais crescem.

    Plástico Moderno, Adriano Meirelles, presidente da Associação Brasileira de Tubos Poliolefínicos e Sistemas (ABPE), Tubos - Plásticos sucedem os metais em segmento de alta pressão

    Meirelles: evolução das resinas favoreceu o avanço do mercado

    Meirelles associa o aumento de demanda ao desenvolvimento tecnológico das resinas plásticas, que permitiram, nos últimos anos, a produção de tubos que suportam graus mais elevados de pressão ou a confecção de tubos com paredes mais finas, gerando economia de material e aumentando a competitividade do plástico em relação aos metais.

    Um exemplo é o que ocorre com o PEAD. A resina de polietileno tradicional para a confecção de tubos é a PE 80, que permite o uso, dependendo do fluido a ser carregado, em tubulações com pressão de até 20 bar. Nos últimos anos, chegou ao mercado a PE 100, capaz de atender a pressões de até 25 bar. Mantendo-se o uso da tubulação na mesma pressão, a resina permite uma economia de
    material na produção da parede de até 25%. Os dados são da ABPE. Em breve, uma nova resina deve chegar ao mercado, a PE 125, que promete agüentar até 30 bar de pressão. A resina já está em fase de testes nos laboratórios das petroquímicas internacionais.

    A conseqüência dessa evolução constante pode ser acompanhada nos dados mundiais de consumo da resina em tubulações, que passaram de 1,5 milhão de toneladas em 1998 para 3,5 milhões de toneladas em 2006. No Brasil, informa Meirelles, o uso da resina em tubulações lisas subiu, em um prazo de dois anos, de 20 mil toneladas/ano para 25 mil toneladas, alcançadas em 2006. Os principais mercados de destino são tubulações para água, gás, mineração, irrigação e telecomunicações.

    A produção de PE 100 no Brasil é recente, teve início em 2006 por meio da Ipiranga Petroquímica. Segundo Fábio Pinheiro Franck, responsável pelo Departamento de Mercados Especiais da Ipiranga Petroquímica, a resina, entre produção local e importação, já foi responsável por 30% das vendas
    de PEAD para tubos no ano passado. A expectativa de evolução do mercado é promissora. “Em um cenário conservador, de poucos investimentos em infra-estrutura, o crescimento esperado é de 100% em cinco anos”, diz o executivo.

    Franck acredita que hoje o avanço do PEAD no mercado de tubos depende mais da conscientização dos usuários, sejam eles, empresas de saneamento, construtoras, engenheiros e mesmo empresas produtoras de tubos, do que da evolução tecnológica. As resinas PEADs, informa o executivo, garantem flexibilidade, resistências química, à abrasão e à propagação de fissuras, além de
    baixos índices de perda nos efluentes transportados. “Um tubo em conjunto com um sistema de conexões em PE 100, permite a obtenção de perda zero em sistemas de distribuição de fluidos”, afirma.

    O setor de distribuição de gás é um que vislumbrou as qualidades do PEAD e migrou para a solução nas tubulações das redes urbanas de distribuição. Segundo o técnico da Congás, Carlos Bratfisch, em países como EUA, França e Inglaterra, não se utilizam mais tubulações para redes até média pressão que não sejam de polietileno. “É um material que veio para ficar, passando das redes nas
    ruas, para redes internas de indústrias e redes de instalações prediais em breve”, diz o técnico.

    Plástico Moderno, Edson Cruz, gerente-comercial da Brastubo, Tubos - Plásticos sucedem os metais em segmento de alta pressão

    Cruz considera o polietileno mais vantajoso e econômico

    No Brasil, informa Bratfisch, o uso do PE em redes de gás está no início, em virtude da baixa participação do gás natural na matriz energética do País e também da pequena rede de gás canalizado para usuários urbanos, limitada basicamente a São Paulo e Rio de Janeiro.

    As normas ABNT permitem o uso do PE na distribuição de gás no Brasil em redes que operam com pressão de até 4 bar, para o PE 80, ou 7 bar, para o PE 100, com espessura SDR 11. O técnico informa, porém, que a avaliação de redes em PE 100 está em fase final de estudos em vários países, com a perspectiva de uma grande mudança nas normas.


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