Plástico

20 de abril de 2009

Transformação – Variações no preço praticado pela primeira e segunda geração freiam crescimento da indústria

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Publicado por: Simone Ferro
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    A expectativa de crescer entre 8% e 10% em volume não se confirmou. Dados preliminares da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) mostram que o consumo aparente de transformados avançou apenas 5,31% em 2008, no comparativo com o ano anterior, com faturamento estimado de R$ 40,2 bilhões. Culpa da crise econômica, dos ianques americanos, dos chineses ou, como sugeriu o presidente Lula, dos brancos de olhos azuis?

    Plástico Moderno, Merheg Cachum, presidente da Abiplast, Transformação - Variações no preço praticado pela primeira e segunda geração freiam crescimento da indústria

    Cachum aposta no bom desempenho da exposição

    Retóricas e crises à parte, a indústria de transformação de resinas plásticas, terceiro elo da cadeia petroquímica, enfrenta ano após ano as mesmas dificuldades que se constituem como fatores críticos para a elevação de sua competitividade e crescimento. Formado por mais de 11 mil empresas, das quais 72% empregam até 19 funcionários, o setor tem limitada capacidade de negociação e articulação com seus fornecedores, principalmente de insumos, sendo extremamente impactado pelas variações de preços dos dois outros elos da cadeia, a primeira e a segunda geração. E isso foi o que mais ocorreu em 2008.

    Tais números constam da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, e do Relatório de Acompanhamento Setorial – Transformados Plásticos (volume III), elaborado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e de Tecnologia do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

    O presidente da Abiplast, Merheg Cachum, não arrisca previsões para 2009. “Não temos como prever o desempenho do setor porque o cenário ainda está incerto”, afirma. Porém, manifesta otimismo em relação à recuperação da indústria automobilística, impulsionada pela redução do IPI, e das expectativas positivas da construção civil. Aposta ainda no bom desempenho da Brasilplast 2009, de 4 a 8 de maio, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo.

    Para Cachum, o setor brasileiro de transformação não ficou imune à crise, que afetou com mais intensidade as indústrias exportadoras. “No Brasil, a situação é diferente de outros países. Não foi uma marolinha e nem um tsunami, principalmente porque o nosso sistema financeiro é sólido.” Atribui ainda parte das dificuldades do setor industrial nacional à alta carga tributária. “O governo reduz a taxa de IPI, as montadoras vendem mais carros. Os planos que estão aí são bons e funcionam, mas precisamos de soluções definitivas e não temporárias.”

    Plástico Moderno, Transformação - Variações no preço praticado pela primeira e segunda geração freiam crescimento da indústriaRessalta ainda as preocupações de sempre: a concorrência com os produtos manufaturados asiáticos, em especial da China, e o descompasso da balança comercial. Segundo informações da Abiplast, em 2008, o déficit da balança comercial ficou em US$ 996 milhões em faturamento e 155 mil toneladas em volume.

    Balança comercial – As exportações totais de produtos transformados de plástico registraram mais de US$ 1,3 milhão (FOB), correspondentes a 332 mil toneladas, enquanto as importações totais nesse mesmo período alcançaram mais de US$ 2,3 milhões (FOB), ou 487 mil toneladas. “Comparando-se as importações totais com o ano anterior, houve um crescimento de 30,4% em valor e de 18,6% em peso”, analisa o gerente-executivo do programa Export Plastic, Marco Wydra.

    Já as exportações cresceram 17,5% em valor e caíram 0,2% em peso em relação a 2007. No comparativo entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, as exportações caíram mais de 31% e as importações menos de 1%. Por blocos econômicos, as vendas externas se concentram no Mercosul (33%), seguido dos demais países da Aladi (25%) e União Europeia (13%). Os principais mercados foram a Argentina (26%), Estados Unidos (14%), Chile (7%), Países Baixos (Holanda) (6%) e Venezuela (5%). As importações tiveram origem na União Europeia (30%), depois Ásia, excluindo Oriente Médio (27%) e Mercosul (19%).

    De acordo com a Abiplast, a participação da China no total das importações de transformados apresentou acentuado aumento em peso e faturamento nos últimos dez anos. “O crescimento mais acelerado ocorreu nos últimos cinco anos”, diz Cachum.

    Em 1998, as importações da China representavam 2,51% em valor e 4,75% em peso. Em 2007, esse percentual já atingia 11,26% em valor e 20,9% em peso. No primeiro semestre de 2008, o mercado registrou alta de 57,45% em valor e 25,54% em peso, no comparativo com o mesmo período de 2007.

    “Os números demonstram a forte ampliação da participação chinesa no mercado nacional, o que é extremamente preocupante”, avalia Cachum.

    O valor por tonelada importada nos últimos cinco anos também aumentou. Em 2003, era de aproximadamente US$ 1,2 mil a t. Em 2007, o valor médio foi de US$ 2,4 mil por t.
    De acordo com a Abiplast, os principais produtos importados são praticamente os mesmos desde o ano 2000: utilidades domésticas, fitas autoadesivas, objetos de ornamentação, artigos de higiene, estojos de CD, artigos de escritórios, sacos e chapas de PVC, bolas infláveis, escovas de dente, não-tecidos, tendas de fibras sintéticas, armações para óculos e redes para pesca.

    Setor aprova nota fiscal eletrônica

    Obrigatória para fabricantes e importadores de resinas termoplásticas desde o dia 1° de abril, a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) deve chegar ao mercado de transformação de plásticos em setembro. A novidade é vista desde já com expectativa positiva pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e pela Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas (Adirplast). “O mercado brasileiro ganha com a chegada da NF-e, que vai diminuir e enfraquecer a revenda não-oficial de resinas”, afirma o presidente da Adirplast, Wilson Donizetti Cataldi.

    Embora não seja obrigatória para o setor de distribuição, a entidade recomenda aos associados que passem a empregar o sistema. Na avaliação de Cataldi, o transformador responsável, e que preza pela idoneidade fiscal, certamente vai preferir comprar de uma distribuidora que forneça com NF-e. “O setor vai ganhar nova dinâmica.”

    Dessa opinião compartilha o presidente da Abiplast, Merheg Cachum, que espera que a novidade resulte em redução de custos e ampliação da eficiência logística na cadeia do plástico. “Sabemos que as ferramentas da automação das cadeias de suprimentos, fundamentais para a operacionalização da Nota Fiscal Eletrônica, também contribuem para a melhoria da interação entre fornecedores de insumos e a indústria. No caso dos plásticos, seria importante se houvesse uma redução de custos.”

    As vendas brasileiras para a China representam apenas 0,94% em valor e 2,11% em peso do total das exportações dos transformados de plástico. Os produtos mais exportados foram as aparas e resíduos para reciclagem e autopeças com valores reduzidos. O déficit comercial de produtos transformados de plástico com a China é de US$ 131 milhões (46 mil toneladas), de janeiro a junho de 2008. “Essa situação é extremamente preocupante.”

    Export Plastic

    O Export Plastic, programa de promoção internacional de produtos plásticos, mudou a estratégia de participação na Brasilplast e, este ano, priorizou as ações do XV Projeto Comprador. O evento vai reunir potenciais compradores internacionais com os transformadores brasileiros de plástico associados ao programa, de 6 a 8 de maio, no Hotel Holiday Inn Parque Anhembi, em São Paulo, ao lado do pavilhão de exposições onde ocorre a feira.

    De qualquer forma, o programa não deixará de marcar presença na mostra. “Será representado institucionalmente no estande do Instituto Nacional do Plástico, onde haverá um telão que transmitirá as rodadas de negócios em tempo real”, explica o gerente-executivo do Export Plastic, Marco Wydra.

    Está prevista a vinda de 15 compradores da Europa, Estados Unidos e América Latina, principais mercados-alvo do programa, dos segmentos de embalagens flexíveis e rígidas, utilidades domésticas, embalagens de ráfia, masterbatches, aditivos e compostos. Contará ainda com a presença de jornalistas de publicações internacionais especializadas no setor.

    No dia 6, acontecerão as rodadas de negócios. Os dias 7 e 8 estão destinados a visitas técnicas à Brasilplast e também às fábricas das empresas associadas. De acordo com Wydra, a escolha dos participantes internacionais teve como base uma consulta feita aos transformadores. “Os especialistas do Export Plastic realizam visitas prospectivas e sensibilizam os executivos estrangeiros a vir ao Brasil no intuito de realizar um primeiro contato com as empresas do setor e, num segundo momento, gerar negócios.”

    As despesas dos estrangeiros são custeadas pelo programa que tem o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e investimentos (Apex-Brasil) e da cadeia petroquímica. “As empresas associadas não pagam nenhum valor adicional para participar das rodadas.”

    Nas duas últimas edições da Brasilplast, o programa reuniu seus associados em um grande estande coletivo e realizou paralelamente as rodadas de negócios do Projeto Comprador. Segundo Wydra, na primeira participação, na edição de 2005, foram realizados negócios da ordem de US$ 20 mil. Em 2007, o volume negociado alcançou US$ 140 mil. “A expectativa do XV Projeto Comprador, durante a Brasilplast 2009, é de superar em 50% os resultados da última participação.”

    O programa tem atualmente 78 associados, dos quais 20 ingressaram no último ano. “Isso mostra que, apesar do cenário econômico adverso, o Export Plastic conseguiu sensibilizar o setor sobre a necessidade de pensar e agir globalmente”, afirma Wydra. A crise financeira desponta ainda como uma oportunidade para os transformadores brasileiros. “Compradores internacionais, como os europeus e americanos, têm buscado alternativas de fornecedores fora de seus países, por causa das dificuldades que já começam a se refletir nas empresas locais. Novos fornecedores que ofereçam, além de produtos de qualidade, preços competitivos e a garantia da continuidade das remessas têm a chance de se apresentar como solução.”

    Na avaliação de Wydra, a oportunidade é importante. “A imagem que os compradores internacionais têm do Brasil é favorável e o país vem sendo percebido no exterior como um relevante player mundial. Tem demonstrado um crescimento sustentado ao longo dos últimos anos e conquistou grau de investimento como reconhecimento de sua maturidade econômica. O Brasil também já é reconhecido pela capacidade de seu parque fabril. Este cenário abre novas portas para o produtor brasileiro.”

    Wydra ressalta ainda que este é o momento das empresas brasileiras se prepararem para levar ao comprador internacional o seu potencial competitivo, seus produtos de grande valor agregado e estruturas de exportação confiáveis, para que o mercado externo as reconheça como a melhor alternativa entre os concorrentes.

    De acordo com informações do programa, as 78 empresas associadas tiveram um aumento de 3,3% em peso e de 20,7% em valor no montante exportado, no comparativo entre 2008 e 2007. “Em 2009, as ações do Export Plastic seguem voltadas ao incentivo da participação das empresas brasileiras nas ações promovidas nos mercados-alvo do programa, para que os ganhos das associadas sejam diversificados e de longo prazo.”

    Entre as ações agendadas para este ano, destacam-se o Projeto Vendedor Home & Housewares 2009, de 22 a 24 de março, em Chicago, nos Estados Unidos; e a participação na Feira Ipack-Ima, de 24 a 28 de março, em Milão, na Itália (ver agenda de eventos). “Diante da desaceleração da demanda internacional e da falta de crédito para o exportador e o importador, é fundamental sensibilizar as empresas transformadoras de plástico para que continuem investindo no processo de exportação. As empresas que se mantêm no contexto internacional ganham competitividade e diversificam suas receitas”, defende Wydra.



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