Ferramentaria Moderna

1 de dezembro de 2015

Transformação: Câmara quente exige qualificação

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Publicado por: Plastico Moderno
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    Plástico Moderno, Transformação: Câmara quente exige qualificação

    Alexandre Farhan

    Alexandre Farhan é técnico em plásticos pelo Senai-SP, com 30 anos de atuação no setor. Atualmente, é diretor da Escola LF, especializada na formação de profissionais para a indústria de transformação plástica pelos processos de injeção, sopro e extrusão. (www.escolalf.com.br e/ou alexandre@escolalf.com.br)

    Um sistema de câmara quente nada mais é que uma extensão do cilindro de plastificação de uma máquina injetora. É formado por componentes como manifolds, bicos, resistências elétricas e por um controlador de temperatura, sendo este um periférico essencial para a eficiência do sistema.

    Esses sistemas ficam alojados dentro dos moldes de injeção com o objetivo de eliminar total ou parcialmente os canais de alimentação (galhos). Em muitos casos é através deles que se obtém êxito na injeção de peças complexas e de difícil preenchimento, principalmente para peças técnicas com materiais de engenharia como PBT, PA, PC, blendas, etc. A complexidade e a dificuldade ficam ainda maiores quando às resinas se adicionam cargas e aditivos como fibra de vidro, talco, retardadores de chama e outros.

    Dentre os principais componentes citados, estão os manifolds, que têm como função principal distribuir e conduzir o material plástico que já vem aquecido do canhão da máquina injetora até as cavidades do molde. Esses componentes devem ser devidamente aquecidos por resistências elétricas que, por sua vez, precisam ser operados por eficientes controladores de temperatura, para garantir que o material plástico se mantenha aquecido e plastificado dentro do molde.

    Plástico Moderno, Transformação: Câmara quente exige qualificação

    Manifold com bicos e controlador de temperatura, ambos da Incoe

    O manifold é também o maior responsável pelo balanceamento no preenchimento das cavidades do molde, ou seja, ele deve proporcionar que elas sejam todas completadas ao mesmo tempo, para evitar que ocorram falhas e rebarbas nas peças injetadas.

    Esses sistemas ingressaram no Brasil há aproximadamente 30 anos, trazendo tecnologias oriundas de outros países, com um custo extremamente elevado, e desacompanhadas dos conhecimentos técnicos adequados para a regulagem do processo, manutenção e, principalmente, desenvolvimento dos moldes. Com isso, ocorriam vários problemas, tais como vazamentos, desperdícios, acidentes e outros prejuízos que eram resolvidos de maneiras provisórias.

    Para reduzir gastos, muitas empresas compravam – e ainda continuam comprando – resistências de baixo custo que não são indicadas para a devida aplicação. Outros percalços ainda são encontrados como, por exemplo, a falta de acompanhamento dos preparadores de máquinas, dos processistas e dos ferramenteiros no desenvolvimento dos projetos dos moldes, verificando-se, portanto, a falta de conhecimento do funcionamento e das particularidades de cada sistema, causando todos os problemas já citados. Com a necessidade de produzir peças de boa qualidade em um tempo reduzido, aliada à falta de conhecimentos técnicos, treinamentos e à pressão exercida pela gerência, acabam sendo provocados muitos prejuízos para a empresa e danos a esses sistemas.

    O grande índice de problemas relacionados com os moldes com câmara quente está na maioria das vezes relacionado com a falta de conhecimento dos operadores e preparadores de máquinas e com moldes mal desenvolvidos, levando a importantes vazamentos de material plástico. Por exemplo: caso um fabricante desenvolva um molde sem usar o tipo de aço mais adequado ao caso, ou os bicos e resistências, ou ainda não calcule corretamente os alojamentos e faça os balanceamento necessários, o transformador terá problemas para injetar, com a ocorrência de vazamentos e desperdícios.

    Plástico Moderno, Transformação: Câmara quente exige qualificação

    Manifold com bicos e controlador de temperatura, ambos da Incoe

    Alguns fabricantes, na tentativa de oferecer uma garantia da qualidade dos seus produtos e projetos, desenvolveram moldes com Hot Half. Trata-se de oferecer uma solução ao cliente (no caso, uma empresa de injeção ou ferramentaria) de forma que a parte fixa do molde seja entregue com o sistema de câmara quente totalmente pronto, já com as usinagens de alojamento, controle da procedência do aço e das dimensões nas alturas das placas do molde, garantindo a qualidade deste e, principalmente, de tudo que se refere aos pontos críticos capazes de provocar eventuais vazamentos de material plástico entre a câmara quente e o alojamento do molde.

    Uma expressão muito pronunciada pelos usuários é: “a câmara quente vazou”. Na maioria das vezes, o fenômeno se refere a detalhes de alojamento fora de especificação.


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