Máquinas e Equipamentos

17 de abril de 2014

Sopro de peças técnicas: Indústria de automóveis investe no país e sinaliza alta nas vendas do setor

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Publicado por: Renata Pachione
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    O sopro de peças técnicas se configura um universo bastante particular, como o próprio nome sugere. Pequeno, invariavelmente, trata-se de um mercado para poucos, mas que de uns tempos pra cá tem atraído cada vez mais consumidores. Grandes montadoras incluíram o Brasil na rota de seus investimentos e preveem a ampliação ou a construção de unidades fabris por aqui, o que deve estimular a demanda pelos produtos soprados, que vão muito além da frascaria.

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    Sem dúvida alguma, o principal reduto desse tipo de produção é a indústria automotiva. Apesar de outros segmentos, como o hospitalar, o agroquímico, a construção civil e o alimentício, consumirem peças técnicas sopradas, os locais mais prováveis para encontrá-las são os automóveis. Os exemplos mais notórios ficam por conta dos tanques de combustível e dos dutos de ar, além dos reservatórios de água para para-brisa e para refrigeração.

    “Uma peça técnica soprada é um produto oco, normalmente de formato irregular e diferente de uma embalagem normal. Essas peças são, muitas vezes, cheias de curvas e detalhes como presilhas e alças”, explica Newton Zanetti, diretor comercial da Pavan Zanetti. A gerente de marketing da Bekum do Brasil, Romi Kuhlemann, complementa esta definição de uma maneira bastante simples. “Peça técnica é tudo aquilo que foge da frascaria tradicional”, resume.

    Outra maneira de visualizar esta categoria de produtos é sob a ótica do transformador. Neste elo da cadeia a definição do sopro técnico tem outro viés. Para Alex Valmir do Nascimento, gerente comercial e industrial da Soproval, pertencem a este segmento todos os produtos que demandam maior tempo de desenvolvimento, já que possuem características específicas, como resistência e precisão de medidas. Segundo Julcemar Dreher, supervisor de qualidade da Cipla, o alto grau de exigência dimensional do transformado, aliado à utilização de matérias-primas de alto desempenho, é determinante na caracterização da peça. “A necessidade de atendimento às características particulares de cada produto – muitos deles com geometrias complexas – torna este segmento ainda mais desafiador”, comenta Dreher.

    Aliás, além dos desafios intrínsecos ao setor, este se desenha também, em alguns casos, pelos elevados custos de desenvolvimento e produção. “O que pode inviabilizar os custos do cliente”, acrescenta Vailton Carlos Bonfim, diretor comercial da Unipac. Dito isso, fica fácil entender por que a indústria de automóveis sobressai em termos de volume. Os investimentos são altos. “O mercado automotivo está cada vez mais absorvendo produtos e tecnologias direcionadas para redução de peso dos veículos, exigindo produtos de alto desempenho”, comenta Bonfim. Mas ele faz uma ressalva: a área hospitalar talvez seja a que mais exija peças dessa natureza. “Este segmento possui níveis de exigência ainda maiores”, compara.

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    Nos autos – De qualquer maneira, são as montadoras estrangeiras (ver boxe) as responsáveis pelo aquecimento da demanda nacional do sopro de peças técnicas. “O segmento deve se consolidar nos próximos dois anos. Estão vindo muitas indústrias de automóveis para cá”, ratifica Romi. Não por acaso, na edição da Feiplastic de 2013, a Bekum destacou em sua apresentação um tanque de combustível de polietileno de alta densidade (PEAD) fabricado por sua sopradora BA-220. O artefato integrava o Fiat Cinquecento, novo modelo da montadora italiana. A ideia ali, além de mostrar o poderio tecnológico da máquina, era abrir o campo de atuação das sopradoras, evidenciando tudo aquilo que o processo pode desenvolver. “Muita gente não sabe que o sopro pode sair do tradicional”, observa.

    A aposta no setor tem um porquê: a alta nas vendas. No momento, os modelos capazes de soprar este tipo de peça são os mais requisitados pelos clientes da Bekum do Brasil. “O país nunca consumiu tanto estas máquinas como agora”, comenta Romi. Ela atribui esse fenômeno à avalanche de montadoras de automóveis dispostas a ampliar e a iniciar sua produção por aqui e em países da América do Sul. Em tempo, a unidade brasileira da Bekum faz negócios com essa região.

    As opções disponíveis pela fabricante alemã para atender a essa demanda são da linha BA. Trata-se dos modelos BA 220, BA 330 e BA 440. A diferença básica entre eles se refere somente à medida da peça soprada, sendo a 440 destinada a produtos maiores. Aliás, no Brasil, a sopradora mais vendida é justamente esta, enquanto, globalmente, o tamanho intermediário (BA 330) é o mais solicitado. A explicação passa pelo perfil de compra do transformador brasileiro. Aqui o industrial troca muito o molde, e a BA 440 permite que sejam sopradas peças menores também. “O equipamento é mais flexível. No Brasil, é necessário atender vários mercados com uma mesma máquina”, aponta Romi.


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