Máquinas e Equipamentos

30 de novembro de 2008

Sopradoras – Novos desenvolvimentos incorporam sofisticação aos processos e ampliam aceitação dos moldadores

Mais artigos por »
Publicado por: Renata Pachione
+(reset)-
Compartilhe esta página

    A transformação brasileira na área do sopro convencional absorve ao ano 220 máquinas, segundo estimativas do setor. Essa é a soma da produção das três mais importantes fabricantes nacionais: Pavan Zanetti, responsável por 130 sopradoras anuais; Bekum, 40; e as 50 restantes são da Indústrias Romi, que adquiriu a J.A.C. Metalúrgica Industrial, recentemente. Mas esse mercado vai além desses números; a tecnologia está cada vez mais sofisticada. Transformadores e fabricantes de máquinas têm falado a mesma língua, na medida em que se esmeram para o aumento da automação e da produtividade dos novos desenvolvimentos. As tendências anunciadas confirmam isso, pois seguem na direção dos modelos coex e das máquinas sem unidade hidráulica.

    O consumo de polietileno de alta densidade (PEAD) e do polipropileno (PP) é um bom indicador para configurar o mercado do sopro convencional. O diretor da Techne Technipack Brasil, Valdemar Salles Filho, divulgou dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e da petroquímica Braskem, segundo os quais o setor terá alguns motivos para apostar no seu avanço em volume, isso sem considerar, por enquanto, os efeitos do agravamento da crise mundial. As perspectivas apontam para o aumento do consumo aparente (soma da produção com as importações, menos as exportações) de PEAD de 805 mil t (previsão para este ano) para 833 mil t, em 2009. Em relação ao PP, também haverá incrementos: de 1.287 mil t para 1.336 mil t, no mesmo período de comparação.

    Para se ter uma idéia do reflexo desses números no bolso tanto do fabricante de máquinas quanto do transformador, vale lembrar que o sopro representa 40% do mercado do PEAD; no PP, o índice é inferior, no caso, de 6%, pois a injeção lidera, absorvendo 33% da demanda dessa resina.

    O sopro, como um todo, tem vivido um momento de importantes investimentos, voltados para o aumento de capacidade e a ampliação dos recursos aplicados às fábricas. Os novos desenvolvimentos têm incorporado melhorias no desempenho dos processos e dos transformados, com o objetivo de fabricar embalagens leves e ao mesmo tempo resistentes, além de tecnologia para elevar a produtividade e o controle sobre os resultados, sobretudo, com a adoção, cada vez maior, da automação, gerando processos mais limpos e menos agressivos ao ambiente.

    Ecológico – O conceito de sustentabilidade propagado na indústria à exaustão tem eco no mercado de sopradoras de outras maneiras também. As resinas recicladas ganham espaço a cada dia, a ponto de 70% da produção da empresa de transformação Loop, de Limeira-SP, resultar desse tipo de material. A maior aceitação se dá em aplicações específicas, em geral, aquelas destinadas para embalagens de fluidos de freio e de lubrificantes. De acordo com o diretor de marketing e negócios da Loop, Daniel Antonio Pereira, nos últimos cinco anos, muitos consumidores da resina virgem migraram para o reciclado, em virtude da alta dos preços das petroquímicas e da profissionalização da indústria de recuperação, agora, com mais qualidade. Em média, para o cliente, a embalagem feita de resina reciclada sai pela metade do preço da 100% virgem.

    O uso do material recuperado deverá crescer, e com ele a demanda pela tecnologia coex. Pelo menos essa é a aposta da fabricante de máquinas de origem alemã Bekum do Brasil, localizada em São Paulo. “Esse é o nosso mercado mais forte e é a próxima tendência do sopro”, avisou o gerente de vendas Wilson Salgueiro. Trata-se da fabricação de embalagens com mais de quatro camadas; variações ficam por conta dos tipos biex (duas camadas) e triex (três). A confiança da companhia está na procura por parte do setor automobilístico, na área de tanques de combustíveis. No exterior, exigem a co-extrusão para esta aplicação.

    O aumento do uso do reciclado seria a segunda razão do sucesso dessa tecnologia. Em um futuro próximo, as portas do setor para as máquinas coex e suas variações estarão abertas, ou melhor, segundo Salgueiro, escancaradas, para embalagens com a estrutura sanduíche, na qual se utiliza uma camada de resina reciclada entre dois materiais virgens. Essa seria a bola da vez, em tempos de conscientização ecológica e alta sucessiva do preço das resinas. Por isso, a Bekum vem trabalhando ainda mais no cabeçote de suas máquinas coex (fabricado hoje na Alemanha), pois este deve necessariamente ser diferenciado para processar a estrutura.

    Esse projeto não deverá esbarrar na falta de conhecimento técnico ou coisa que o valha. A preocupação recai no custo, ainda alto, por falta de escala. Há mais ou menos um ano e meio, o mercado começou a esboçar com mais afinco a intenção de consumir este tipo de máquina, mas a demanda nacional não instiga muitos transformadores a fazer investimentos na área.

    A Loop é um exemplo; fabrica apenas embalagens do tipo monocamada. A escolha tem a ver com a idéia de Pereira de que os produtos coex se voltam para um mercado seleto, pois a máquina, em média, custa o dobro de uma mono. Mas não é só este o empecilho: ainda há a capacidade ociosa para essa tecnologia no Brasil, ou seja, a escassa procura não justificaria o investimento. Pereira entende também esse tipo de tecnologia sob outra ótica, segundo sua estimativa, a coex gasta 30% de energia a mais, se comparada a um modelo tradicional.


    Página 1 de 612345...Última »

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *