Máquinas e Equipamentos

20 de abril de 2009

Sopradoras – Fabricantes quebram paradigma para garantir competitividade e criam novo cenário para o setor

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Publicado por: Renata Pachione
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    A 12ª Brasilplast refletirá nos corredores do Anhembi-SP os novos rumos da indústria de sopradoras. Quem espera ver mais do mesmo, irá se decepcionar. Paradigmas foram quebrados, levando por terra algumas tradições características do setor. No sopro convencional, como faz há anos, a Pavan Zanetti lá estará, no entanto, sob uma configuração diferente: mostrará parcerias com empresas estrangeiras e sua aptidão para as pré-formas de PET. Uma baixa importante se trata da Bekum do Brasil, considerada, até o ano passado, a segunda maior do setor em máquinas vendidas no país. A companhia não participará desta edição, pois passa por um processo de reorganização do grupo. Mas, em contrapartida, a J.A.C. Metalúrgica Industrial agora vem com uma roupagem mais sofisticada, a cargo da gigante da injeção Indústrias Romi, hoje também interessada no mercado de sopro de PET. Os modelos asiáticos, por sua vez, aportarão com mais força, na tentativa de convencer o visitante a valorizar o desempenho dos equipamentos, sem considerar apenas sua procedência.

    O último trimestre do ano passado foi bastante árduo para a indústria, de forma geral, e o setor não passou incólume a isso. No entanto, na Romi, de Santa Bárbara D´Oeste-SP, tenta-se olhar somente para frente. De acordo com o diretor de comercialização de máquinas para plástico, Fabio Seabra, o passado ficou para trás. “O grande desafio está em 2009, o mercado ainda não se recuperou, temos de mostrar nossas virtudes e confiança no setor”, comentou. Na avaliação de Hans Lüters, da Kal Internacional, responsável pela representação, no Brasil, das máquinas da marca norte-americana Jomar, os projetos começaram a minguar em outubro do ano passado e desde então a recuperação está sendo aguardada. Apesar desse cenário pouco entusiástico, as expectativas são otimistas. “Há uma boa quantidade de novos projetos não somente no Brasil, mas também em outros países da América Latina”, anunciou Lüters.

    Para o gerente-comercial da Meggaplástico, Marcelo Pruaño, os bens de capital, obviamente, sentem os reflexos da crise, no entanto, ele percebe maior impacto em produtos de varejo. Na sua avaliação, no ano passado, houve uma acomodação entre a oferta e a demanda, no mercado de embalagens sopradas, mas sem efeitos negativos na venda de máquinas voltadas para peças técnicas. A empresa, de São Paulo, registrou aumento de 30% nas vendas, em 2008, na área do sopro, comparado ao ano anterior.

    Plástico Moderno, Sérgio Pintarelli, diretor-técnico da Pintarelli Industrial, Sopradoras - Fabricantes quebram paradigma para garantir competitividade e criam novo cenário para o setor

    Pintarelli confia na recuperação do mercado

    Em 2007, o mercado se preparava para a 11ª Brasilplast, em meio à calmaria. O ano anterior para os fabricantes de sopradoras havia sido regular e o evento, assim sendo, apenas consolidou um período de bons resultados. Nesta nova edição, o cenário é completamente outro, mas mesmo assim ninguém admite estagnação no setor. Pelo contrário, os fabricantes apostam na lenta e gradual retomada dos investimentos. “Nosso planejamento indica um índice de crescimento de vendas, em 2009, menor do que o registrado em 2008, mas trabalhamos com perspectiva de crescimento”, argumentou o diretor-técnico Sérgio Pintarelli, da Pintarelli Industrial, de Blumenau-SC. A empresa não fugiu à regra e também sentiu redução nos negócios em outubro do ano passado, porém se pautou na conta: equipamento diferenciado e preço competitivo mais carteira antiga de clientes igual a saldo no azul.

    A transformação brasileira na área de sopro convencional absorve, em média, entre 220 e 250 máquinas, ao ano, segundo estimativas dos fabricantes. O diretor da Pavan Zanetti, Newton Zanetti, projeta que em 2008 foram comercializadas no máximo 200 máquinas de extrusão contínua ou por acumulação. Para ele, caso as vendas continuem no ritmo dos últimos meses, esse volume será ainda menor neste ano. “Teremos uma redução, que será preocupante”, anunciou.

    O dado embute ainda outra questão: uma quantidade significativa de modelos está obsoleta. Muitas sopradoras do parque industrial transformador têm mais de dez anos, quer dizer, são fortes candidatas à substituição por exemplares mais produtivos, com custo de operação mais baixo e alto índice de automação. Ou seja, potencial para renovação existe, o que falta é um cenário propício para os fabricantes emplacarem seus novos desenvolvimentos. Lüters endossa o coro. Segundo ele, apesar de avanços significativos – há pouco tempo, conforme comentou, o Brasil consumia entre 160 e 180 máquinas por ano –, o volume deveria ter crescido muito mais, por causa do alto índice de sopradoras antigas.

    Considerada líder no mercado nacional de sopradoras convencionais, a Pavan Zanetti, de Americana-SP, acredita que o evento poderá ser uma forte e eficiente ferramenta para abrandar os efeitos da crise. “Achamos que 2009 será de baixas vendas, como se prenuncia. Mas esperamos com essa feira enfrentar e reduzir essa queda”, completou Zanetti. Em relação ao volume de vendas, a diminuição foi grande na fábrica de Americana e preocupa o industrial. Sem revelar dados exatos, o diretor disse que um problema atual é a falta de capital de giro, o que impede novos investimentos. Outro empecilho apontado por ele se refere aos financiamentos, cada vez menores. Na opinião do diretor, os agentes financeiros têm se mostrado seletivos e receosos quanto à inadimplência, paralisando, em certa medida, a liberação de verba para a compra das máquinas.


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