Reciclagem

24 de fevereiro de 2010

Sistema de reciclagem – Procura por processos eficientes e controlados muda perfil do setor

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Publicado por: Renata Pachione
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    Plástico Moderno, Sistema de reciclagem - Procura por processos eficientes e controlados muda perfil do setor

    Seibt desenvolve sistemas completos para recuperação de termoplásticos

    Os fabricantes de máquinas e equipamentos para sistemas de reciclagem começam a vislumbrar um novo perfil para o setor. A evolução tecnológica desponta nesse universo, hoje ainda marcado pela falta de capacitação da mão-de-obra e por certa informalidade. Mas o aumento da procura por processos mais eficientes e controlados tende a mudar esse enredo. No final das contas, as indústrias querem mesmo é lucrar mais com a venda de produtos de melhor qualidade, e acabar com o estigma de que o reciclado deve se restringir a nichos de pouco valor comercial.

    Plástico Moderno, Walner Cavallieri, Diretor da BGM, Sistema de reciclagem - Procura por processos eficientes e controlados muda perfil do setor

    Cavallieri vislumbra demanda para equipamento automáticos

    “O que o indivíduo criou não deve ser transformado em algo necessariamente subvalorizado”, afirma Paolo de Filippis, diretor da Wortex Máquinas. O ponto-chave de sua afirmação está no fato de que o material reciclado passa a ser visto sob uma ótica mais nobre, o que reflete a proposta do fabricante de munir o reciclador de tecnologia para produzir com mais qualidade, ou seja, grãos homogêneos, uniformes, isentos de umidade e com a mínima degradação.

    As características do transformado têm sido encaradas como fator primordial nos projetos dos principais fabricantes de máquinas e equipamentos do país. Esse conceito é relativamente novo e sugere uma perspectiva positiva, configurando-se assim um mercado com mais tecnologia. “Os clientes têm constatado que o investimento em equipamentos de melhor desempenho representa garantia de produtividade e qualidade do produto final”, afirma Adão Braga Pinto, do departamento comercial da Seibt. Isso quer dizer que os custos de produção tornaram-se fortes argumentos de venda. “Agora o reciclador já não compra mais pelo preço, pensa na economia do tempo de fabricação e da mão-de-obra”, completa Walner Cavallieri, diretor da BGM.

    Evandro Didone, diretor da Kie, concorda em parte. Para ele, apesar dessa consciência, ainda há uma grande parcela do mercado que opta por modelos mais baratos. “Há coisas que poderíamos fazer e não fazemos porque não há demanda”, comenta. Um exemplo poderia ser o moinho; se o cliente estivesse disposto a pagar mais, este poderia oferecer níveis mais baixos de ruídos. A matéria-prima empregada também acaba encarecendo o equipamento, na visão do reciclador. No portfólio da Kie, a procura se dá por tanques de aço carbono, em vez de aço inox, apesar de este último ter durabilidade superior comprovada.

    Plástico Moderno, Wilson Carnevalli Filho, Diretor-comercial, Sistema de reciclagem - Procura por processos eficientes e controlados muda perfil do setor

    Carnevalli aposta em máquinas modernas para elevar as vendas

    Em busca de diferenciação – Esse cenário ainda dúbio, no entanto, não compromete o desenvolvimento de linhas mais modernas, leia-se de maior produção e menor custo operacional. Esse é o caso da Carnevalli. A empresa está em fase de desenvolvimento de máquinas com dupla-rosca, dotadas de sistemas de degasagem com bomba de vácuo de alta eficiência. “Novas linhas poderão ser construídas com o sistema de cascata, sendo composta por duas extrusoras que possibilitam a retirada dos gases de forma mais eficiente”, explica o diretor-comercial Wilson Carnevalli Filho.

    O carro-chefe da marca trata-se da série CR. A linha traz como mote a possibilidade de gerar grãos com qualidade e sem a degradação do material. De acordo com a fabricante, é possível manter as propriedades das resinas, mesmo em processos de alta produção. “A linha CR 90 é construída com os melhores componentes do mercado, sendo uma máquina confiável e duradoura, com produção elevada e sem que o material perca suas características originais”, afirma o diretor.

    Tradicional no ramo de extrusoras para filmes, a Carnevalli, de Guarulhos-SP, mantém uma linha de máquinas para reciclagem, que representa 10% do faturamento total da empresa. “Esses modelos são muito importantes, pois complementam nosso portfólio de extrusoras e impressoras”, diz Carnevalli. A tendência é ampliar sua penetração na área, pois a fabricante projeta crescer em torno de 20% entre os recicladores.

    Mas para emplacar esse tipo de novidade a indústria da reciclagem precisa se profissionalizar mais. Na opinião de Carnevalli, o setor ainda absorve extrusoras com o sistema convencional, espaguete e banheira. No entanto, mudanças virão; basta o reciclador entender que apesar dos preços convidativos, as linhas mais antigas comprometem a qualidade dos grãos e têm elevado custo de produção, sobretudo no quesito energia elétrica.

    A Wortex Máquinas, até mesmo por ser forte no segmento de equipamentos para resíduo pós-industrial, aposta no poder de compra de seus clientes, e também não economiza em recursos. Nesse sentido, a fabricante apresenta sua linha Challenger Recycler, uma extrusora monorrosca, com um sistema de dupla degasagem (bomba de vácuo que retira todos os gases eliminados no processo de extrusão, inclusive vapor), que, segundo Filippis, confere total confiabilidade sobre a remoção dos gases. “Provamos, na Brasilplast do ano passado, que nosso processo, na média, é quatro vezes mais eficiente do que outros do mercado”, orgulha-se o diretor. O consumo energético, de acordo com o fabricante, chega a ser também até quatro vezes mais baixo, se comparado ao de um sistema convencional.


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