Plástico

12 de janeiro de 2012

SIRESP – Setor supera crise mundial com otimismo e sinais de avanço

Mais artigos por »
Publicado por: Plastico Moderno
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Se o ano de 2011 apresentou grandes desafios a serem superados pela indústria de resinas no Brasil e no mundo, 2012 não deve ser muito diferente, ainda que seja envolvido em aspectos distintos dos que enfrentamos neste ano. Ainda assim, como em 2011, temos motivos para estarmos otimistas com o ano que se inicia.

    2011 foi um ano complexo para toda a cadeia do plástico. Foi um período de turbulência na economia mundial e, ainda que o Brasil não tenha sido afetado profundamente por isso, foi explícito o recuo em alguns segmentos da economia e, consequentemente, no ritmo de crescimento.

    Os dados de produção e consumo de 2011 ainda não foram publicados, mas é certo que a tradicional elasticidade da demanda de resinas em relação ao PIB desta vez não se confirmará. Houve, no primeiro semestre, uma frustração do crescimento gerada pela desestocagem de toda a cadeia. Este fenômeno deixou de existir no segundo semestre.

    Mas o ano também teve notícias positivas para o setor como um todo. O marco foi o lançamento do programa Brasil Maior, que deu um primeiro passo na Política Brasileira de Apoio à Indústria. Essa iniciativa foi importante para incentivar as indústrias a manter os níveis de produção.

    Em 2011 também pudemos verificar que as atividades de pesquisa e desenvolvimento na cadeia do plástico apresentaram evoluções significativas. O esforço em inovação está voltado principalmente à diferenciação das resinas e

    Plástico, SIRESP - Setor supera crise mundial com otimismo e sinais de avanço

    * Rui Chammas é diretor do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp)

    ao desenvolvimento de novas aplicações, promovendo o aumento da competitividade e da sustentabilidade da cadeia do plástico, por meio da redução de peso, espessura, consumo de energia elétrica e aumento da produtividade nos processos de transformação.

    Evoluções que também passam pela questão socioambiental do plástico e a busca pela sustentabilidade. Demonstrando a sua vocação para a inovação, o setor também tem investido em novos produtos que coloquem em valor a potencialidade da biomassa brasileira, com a pesquisa e desenvolvimento de polímeros à base de fontes renováveis, como é o caso da cana-de-açúcar. Estes avanços colocam nossa indústria no papel de uma das líderes globais da Química Verde. Com o fomento das pesquisas em tecnologia “verde”, o país será cada vez mais reconhecido internacionalmente como uma referência nesta área.

    Entramos em 2012 com expectativa otimista no setor de resinas, apesar de alguns aspectos exigirem cautela. Ainda que a economia mundial permaneça em estado de alerta, causando insegurança em alguns mercados, e que alguns gargalos ainda precisem ser resolvidos, a perspectiva é positiva: o Brasil seguirá crescendo e, com o desenvolvimento da política industrial que se iniciou com o programa Brasil Maior, percebemos um ano em que avançaremos como indústria e cadeia.

    Outro fator contribui para o otimismo do setor. Com o crescimento do PIB e da classe C, cria-se um cenário potencial de crescimento enorme; e este fenômeno deve ser ainda potencializado com o aumento previsto para o salário mínimo e pela queda da taxa de juros indicada pelo mercado. Com o poder de compra elevado, a demanda do mercado cresce na mesma proporção e mantém a indústria aquecida em vários segmentos.

    O setor automobilístico está entre os mercados mais promissores, pois cresce a uma taxa média de 4,5% ao ano, com expectativa de fechar 2011 com a produção de 3,7 milhões de unidades. Estima-se que esse mercado, que atualmente consome em média 40 kg de poliolefinas (PP e PE) por unidade, possa atingir o patamar de 45 kg já em 2015. Isso se traduz em um crescimento de 34% em volume consumido de resina, passando de 148 kt para 198 kt em cinco anos.

    Construção civil é outra área com grande potencial. A oferta de crédito habitacional e os eventos Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016 já sinalizam demandas importantes para PVC, PP e PE, em aplicações como coberturas flexíveis para arenas, sanitários químicos, assentos esportivos e tubos para água quente, entre outros. Além disso, o déficit habitacional no país é de aproximadamente 8 milhões de moradias (dados do IBGE), sendo que uma casa popular utiliza em média de 80 kg a 100 kg de PVC, entre tubos de água, esgoto e eletrodutos, traduzindo-se em uma grande oportunidade de crescimento do uso do plástico.

    O ganho de poder de compra da classe C também tem reflexo nos bens de consumo. Com mais capacidade de compra, cresce a demanda por produtos como alimentos, cosméticos, eletroeletrônicos e de higiene e limpeza. E com a perspectiva de crescimento do Brasil, a tendência é que a demanda por bens de consumo siga o mesmo ritmo, exigindo maior oferta dos produtores e transformadores.

    Vale reforçar também que a indústria brasileira é uma das mais diversificadas do mundo, o que traz a oportunidade de inovação. Além disto, tem um grande número de empresas espalhadas pelo país com capacidade de atender à demanda de proximidade de produtos de vários segmentos.

    Apesar do cenário positivo e promissor, algumas medidas se mostram fundamentais e essenciais para que a perspectiva de crescimento possa se concretizar. Uma iniciativa que se mostra urgente de ser tomada é em relação aos benefícios fiscais e portos incentivados, já que isso estimula a importação e é uma das causas da chamada desindustrialização na economia brasileira.

    Existem atualmente benefícios dados à importação (fenômeno conhecido como guerra dos portos) que dão descontos da ordem de 10% aos produtos importados que chegam ao Brasil. Para se ter uma ideia, isso é do tamanho da margem de algumas operações de nossos clientes. Essa prática deve ser eliminada por ser fonte de eliminação de empregos e riqueza. Deve-se entender que a questão da desindustrialização ataca todas as cadeias produtivas, incluindo a cadeia da transformação plástica, enfraquecendo o tecido industrial de nosso país.

    Para que superemos os desafios que encontraremos em 2012, temos de seguir, como cadeia, trabalhando em produtividade, crescimento e inovação. O crescimento ocorrerá e, para que ganhemos como cadeia, a busca de produtividade nos processos atuais e o desenvolvimento de novas capacidades mais produtivas serão pilares essenciais na conquista das novas demandas. Somo a isso a inovação, que sempre servirá de fator de diferenciação no nosso mercado no processo de conquista dos clientes finais mais exigentes.

    É importante reforçar que os associados do Siresp têm um papel essencial nesta cadeia e têm atuado em todas as dimensões. Fortalecer a cadeia do plástico é o nosso objetivo e trabalhamos todos os dias para isso.



    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *