Plástico

9 de janeiro de 2011

Siresp – Setor prevê adversidades, mas aposta em ciclo de alta

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Publicado por: Plastico Moderno
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    Um bom termômetro e excelente balizador para a cadeia de resinas termoplásticas encontra-se na Feira Brasilplast. A 12ª edição, ocorrida em 2009, foi grandiosa e marcada pela forte presença internacional: além de expositores globais, tivemos compradores de dez diferentes países, tanto das Américas do Sul, Central e Norte, como do continente asiático e Europa. Aquele foi um ano em que a produção brasileira de termoplásticos foi de 2% do total da produção mundial. A internacionalização já deixou de ser tendência para se traduzir em puro reflexo da globalização dos negócios petroquímicos – origem da cadeia de resinas –, além de uma constatação acerca da expansão das transações intercontinentais do setor.Plástico Moderno, Siresp - Setor prevê adversidades, mas aposta em ciclo de alta

    E não se deve esquecer que aquela edição da Feira ocorreu logo após o estouro de uma crise financeiro-econômica mundial sem precedentes, iniciada no último trimestre de 2008. Foi num momento em que todas as perspectivas e tendências tiveram que ser revistas, mas os pacotes de incentivos associados ao aporte dos governos mundiais estimularam a demanda, estabilizaram os mercados e iniciou-se uma trajetória de recuperação. No Brasil, os reflexos da crise foram menores: fomos um dos últimos a entrar na crise e um dos primeiros a dela sair. A estabilidade de nossa economia e o crescente poder aquisitivo da população brasileira, especialmente da classe média, permitiram alcançar as condições de uma demanda doméstica firme e crescente para as resinas termoplásticas, fator positivo experimentado ao longo de 2010. Outro fato marcante de 2010 foi a conclusão do processo de consolidação do setor petroquímico nacional, com a integração entre Quattor e Braskem, as duas fabricantes formadas com as alianças estratégicas com a Petrobras. Com isso, o setor nacional de petroquímicos básicos e de resinas termoplásticas amadureceu, ganhou porte e escala globais, características essenciais desse mercado.

    Para 2011, as margens operacionais podem ser pressionadas pela desvalorização do dólar e pela redução dos preços internacionais devido ao aumento de oferta, mas saberemos enfrentar as adversidades: o mercado brasileiro já desenvolveu bases sólidas para superar as turbulências, sejam elas de que naturezas forem. As expectativas para o mercado de resinas termoplásticas devem ser realistas. O mercado de polipropileno, que fechará 2010 com crescimento aproximado de 10%, deve ser impactado pela entrada de novas capacidades com vantagem competitiva, principalmente no Oriente Médio e Ásia, baseadas em tecnologias on purpose base gás.

    O aumento da sobrecapacidade global será de aproximadamente 7 milhões de toneladas, ou 14% sobre a demanda de 2010. O Brasil deverá ter um excedente de capacidade de polipropileno da ordem de 700 mil toneladas no próximo ano. Não estão previstos aumentos de capacidades no mercado latino-americano nos próximos dois anos.

    Quanto aos polietilenos, as entradas de capacidades no Oriente Médio e China devem gerar um desequilíbrio no curto prazo em todas as regiões. Os produtos do “Novo Golfo” têm como destino primário provável a Ásia e, num segundo momento, a Europa, em virtude de fatores logísticos e da demanda de cada região. A China, com seu projeto de se tornar autossuficiente em resinas, tende a reduzir as importações ao longo do período. Com isso, produtos hoje destinados aos mercados asiáticos devem ser paulatinamente deslocados para os mercados ocidentais e as plantas menos competitivas devem ser hibernadas. No Brasil, os números relativos ao ano de 2010 deverão indicar incremento de demanda de 12% no aglomerado dos polietilenos, com a entrada de capacidade da unidade Chevron-Phillips da Quattor, um cenário mais positivo que o global.

    Iremos superar o período de margens baixas da petroquímica mundial adotando comportamento mais racional e praticando nossa habitual capacidade de respostas rápidas e flexibilidade ante as eventuais adversidades. Além disso, o ano passa rápido: em meados de 2012 já passaremos a conviver com o novo ciclo de alta, após a estabilização dos mercados e melhoria da relação entre oferta e demanda.

    A consolidação e suas tendências – Assim como ocorreu com a primeira e segunda geração, a consolidação na terceira geração tende a se confirmar nos próximos anos. A expectativa é de que tenhamos transformadores maiores e mais fortes para competir internacionalmente, com capacidade de incremento tecnológico e de geração de empregos. Para o mercado doméstico, o impacto dessa consolidação é também claramente positivo: produtos melhores e a preços mais acessíveis.

    Os grandes players internacionais olham para o nosso país como terra de oportunidades, mercado em expansão e com possibilidades de investimento. E será essencial garantirmos a proximidade, o alinhamento e o trabalho integrado das três gerações da cadeia do plástico. O crescimento e o fortalecimento de todos os elos serão consequência natural. Bom para o Brasil, bom para o transformador nacional. Se olharmos comparativamente, outros setores de menor impacto no PIB brasileiro na geração de renda e emprego gozam de reconhecimento e apoio muito maiores por parte das autoridades e da sociedade. Aqui no Siresp temos a oportunidade de construir o pacto da indústria da transformação, a exemplo do que vem buscando a Abiquim, com o pacto nacional da indústria química. É nosso papel pensar na elaboração de uma política industrial de suporte ao setor, em caminhos para o desenvolvimento tecnológico da cadeia, e no apoio ao fomento de investimentos necessários à sua modernização.


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