Embalagens

28 de setembro de 2012

Setor de embalagens emite sinais de recuperação

Mais artigos por »
Publicado por: Antonio Carlos Santomauro
+(reset)-
Compartilhe esta página

    A produção física da indústria brasileira de embalagens deverá ser este ano 1% inferior àquela registrada em 2011, prevê a mais recente edição do Estudo Macroeconômico da Embalagem, realizado em parceria entre a Associação Brasileira de Embalagem (Abre) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). No início deste ano, as entidades projetavam crescimento de 1,6%.

    Na primeira metade do ano, revela o estudo, essa produção diminuiu 3,49% (comparativamente ao mesmo período de 2011) – simultaneamente, a produção industrial no país decresceu 3,81%. Já realizados os ajustes sazonais, o volume produzido pela indústria de embalagens foi reduzido em três dos últimos cinco trimestres, em comparação com os períodos de três meses imediatamente anteriores, enquanto a produção industrial brasileira se contrai há cinco trimestres consecutivos (Tabela 1).

    Há, porém, notícias animadoras. Uma delas, obtida do gráfico Indicador de Tendências, com o qual, com base nas informações anteriores, o estudo Abre/ FGV tenta antecipar movimentos futuros desse setor: conforme mostra o Gráfico, em maio último se tornou ascendente a curva de evolução desse indicador; e isso pode sinalizar um processo de recuperação. “É um sinal ainda tímido, mas interessante se observarmos que esse indicador de tendências passou os últimos quatorze meses recuando”, observa Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, e responsável também pelo estudo.

    Essa possível recuperação pode estar sendo prenunciada também pelo registro, no segundo trimestre deste ano, de uma queda de produção inferior àquela verificada nos três meses iniciais deste ano: relativamente aos mesmos períodos de 2011, houve nesses dois trimestres, respectivamente, quedas de 2,55% e 4,41%.

    E, ao transformar uma queda de 8,42% no primeiro trimestre em crescimento de 1,27% nos três meses seguintes, o plástico aparece como segmento da indústria de embalagens na qual essa possível recuperação se manifesta de forma mais enfática (Tabela 2). Com exceção daquele composto por caixas, caixotes e engradados, cresceu no segundo trimestre, mostra a Tabela 3, a produção de praticamente todos os segmentos de embalagens confeccionadas com plástico.

     

     

    O plástico, prossegue o estudo Abre/ FGV, foi também fundamental para a atividade exportadora dessa indústria: respondeu no primeiro semestre por 39,25% das vendas de embalagens ao exterior, que nesse período – relativamente à primeira metade de 2011 – elevou-se 8,86%, e somou cerca de US$ 250 milhões.

    Expansão faz sentido – Na primeira metade deste ano, a indústria brasileira de embalagens registrou algo não assinalado nesse setor desde a crise de 2009: queda na quantidade de empregos em quatro dos seis primeiros meses do ano. Entre junho de 2012 e junho de 2011, diz o estudo, ela extinguiu cerca de oitocentos postos de trabalho, enquanto no mesmo período de doze meses imediatamente anteriores havia criado quase 8,3 mil novas vagas.

    Mas, embora com produção menor, os fabricantes de embalagens instalados no Brasil devem obter este ano uma receita

    Plástico, Setor de embalagens emite sinais de recuperação

    Quadros admite possibilidade de crescimento mais forte de 2013

    líquida de vendas de R$ 47 bilhões, pouco mais de 5% superior à registrada em 2011. Esse faturamento maior, observa Quadros, não deve ser consequência de aumentos nas margens de lucro, inconcebíveis no atual contexto mercadológico, tendo como causas mais prováveis os repasses de custos.

    Ele atribui contribuição significativa para a queda na produção de embalagens no primeiro semestre ao fraco desempenho da indústria alimentícia, extremamente relevante para os negócios do setor, que nesse período recuou 2,46%.

    Houve, porém, aumento no Nuci (Nível de Utilização da Capacidade Instalada) dessa indústria, que em agosto último avançou 0,3 ponto percentual sobre julho, e chegou a 84%. Esse valor supera a média dos últimos cinco anos: 83,7%.

    Esse é mais um indicador capaz de fundamentar a crença de Quadros na breve retomada do crescimento. Há outros, com uma pesquisa realizada pelos autores do estudo com 130 fabricantes de embalagens, cujo faturamento soma R$ 19,5 bilhões, que já perceberam, em julho último, ligeiro aquecimento na demanda. Além disso, após registrar variações de 0,2%, 0,1% e 0,1% nos três trimestres anteriores, no segundo trimestre deste ano o PIB nacional já avançou 0,4%.

    Para Quadros, embora o cenário internacional ainda preocupe, pode-se projetar a retomada de uma trajetória de expansão da atividade industrial brasileira também porque nos próximos meses a indústria nacional deve começar a reagir às medidas de estímulo implementadas pelo governo federal – que também autorizou financiamentos adicionais para os estados investirem em obras de infraestrutura –, e pela tendência de recuo na inadimplência do consumidor, com a consequente abertura de espaço para um novo ciclo de crédito.

    Na opinião de Quadros, “diante do que se viu no primeiro trimestre do ano, o cenário do segundo trimestre não deixa de constituir uma boa notícia para a indústria de embalagens”. E, segundo ele, “faz sentido prever uma expansão mais acelerada em 2013”.



    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *