Economia

14 de maio de 2015

Seca: Setor faz adaptações em processos para superar escassez de água

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Plástico Moderno, Seca: Setor faz adaptações em processos para superar escassez de água

    Para a indústria, a grande ameaça de racionamento de água em várias regiões do estado de São Paulo é motivo de preocupação. A intensidade com a qual cada empresa pode ser atingida depende do local onde está instalada, da capacidade dos reservatórios que as abastecem. As situações mais críticas são as das indústrias situadas na região da Grande São Paulo e atendidas pelo Sistema Cantareira, bem como a do polo industrial próximo dos municípios de Campinas e Piracicaba. Nesses pontos há grande possibilidade de colapso de atendimento e ameaça de adoção de rodízio bastante rigoroso nos próximos meses. De forma emergencial, o governo do Estado anunciou o investimento em obras para melhorar o sistema de abastecimento, mas os resultados dessa iniciativa só devem ser sentidos dentro de um a dois anos.

    Fábricas ligadas ao plástico se encontram nas localidades mais afetadas e estão atentas ao problema já há algum tempo. Para os transformadores, um aspecto favorável é o da atividade não ser hidrointensiva, a não ser em determinadas situações. O mesmo ocorre com o setor de equipamentos. Os piores casos envolvem os fornecedores de matérias primas e aditivos usados na produção de peças as mais variadas. Só para lembrar: estima-se que o consumo de água pelas indústrias responda por 40% do total fornecido.

    Plástico Moderno, Skaff: quem não se preparou corre o risco de paralisação

    Skaff: quem não se preparou corre o risco de paralisação

    Com problemas que afetem as linhas de produção ou não, a escassez de água sobre o desempenho das indústrias paulistas dificilmente deixará de ser sentido. Caso não ocorram chuvas significativas nas próximas semanas, a economia da região pode sofrer consequências graves, com forte desemprego – não só da indústria – e queda significativa do PIB do estado. Poucos se arriscam em falar sobre números.

    Os fabricantes de máquinas e equipamentos já começaram a sentir efeitos colaterais. Não bastasse o atual momento da economia do País, em época de crescimento muito baixo, a seca atrapalha os planos dos empreendedores. O problema é explicado por Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Hoje, a disponibilidade de água passou a ser item a ser considerado na hora de planejar qualquer projeto fabril em São Paulo. Essa expectativa gera insegurança, congela investimentos na instalação de novas plantas ou em ampliações nas regiões afetadas”, disse.

    De acordo com o presidente da Fiesp, essa preocupação não existia há pouco tempo. “Antes, as empresas pensavam apenas no mercado local, na infraestrutura existente, na possibilidade de se adotar a logística adequada para escoar sua produção”, disse. Para exemplificar, lembra o caso da Toyota, que iria implantar uma fábrica em Indaiatuba e deslocou o projeto para Sorocaba. “Felizmente para nós o empreendimento permaneceu no estado de São Paulo”, considerou.

    Crise anunciada – Desde 2004, quando surgiram os primeiros rumores que o sistema de abastecimento de água do estado de São Paulo corria riscos de não atender a demanda, a Fiesp tem procurado mobilizar seus associados a adotar práticas de conservação e reúso. As ações da entidade se intensificaram a partir do ano passado, quando a crise passou para a condição de quase irreversível. “Há dez anos temos realizado reuniões semanais com esse objetivo. Nós fizemos a lição de casa”.

    Além dos encontros voltados para a conscientização, foi lançada uma cartilha com recomendações úteis. O texto abrange vários aspectos, da economia de água usada nos processos industriais à voltada para o uso dos colaboradores (veja quadro). Outra iniciativa foi o lançamento do Prêmio Fiesp de Conservação e Reuso de Água, evento anual que em 2015 chega à sua décima edição. A ideia é homenagear as empresas que adotam medidas efetivas para a redução e desperdício de água. Entre as empresas com cases destacados ao longo dos anos, no segmento de plástico o destaque fica para a Braskem (veja o boxe).

    “Os resultados de nosso esforço têm sido positivos”, avalia Skaf. Na região de Piracicaba, por exemplo, o consumo industrial de água foi reduzido pela metade. Para o presidente da Fiesp, esse retorno é muito importante. “O problema será minimizado para quem se preocupou com a situação. Quem não se preparou corre o risco de sofrer sérios prejuízos, inclusive com a paralisação de linhas de produção”.

    Em paralelo, a federação vem mantendo diálogo constante com as autoridades para se chegar a uma fórmula que minimize os impactos da escassez de água nas indústrias. “É necessário cobrar responsabilidade das empresas fornecedoras, a transparência das informações ficou comprometida no ano passado”. Preocupa a situação de empresas hidrointensivas com contratos de benefícios assinados junto às empresas fornecedoras. A cobrança é pela manutenção dos compromissos firmados, a menos que ocorra quadro de emergência muito grave.


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