Economia

12 de março de 2007

Rotomoldagem – Mercado discute adoção de normas para impulsionar negócios

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Publicado por: Rose de Moraes
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    Plástico Moderno, Rotomoldagem - Mercado discute adoção de normas para impulsionar negócios

    A qualidade dos rotomoldados produzidos no País vem arregimentando defensores em toda a cadeia. O interesse parte dos próprios rotomoldadores, que pretendem obter homologação para produtos já lançados e para novidades planejadas, mantidas ainda sob sigilo, e assim ter em mãos um passaporte liberando a sua participação em grandes projetos esperados há várias décadas, nas áreas de construção civil, saneamento básico, infra-estrutura e agricultura.

    A necessidade de produzir em conformidade com padrões técnicos adotados em várias partes do mundo ganha novos adeptos a cada dia. Respaldada por normas, a rotomoldagem poderá enveredar por campos ainda não explorados, como a armazenagem de combustíveis, além de aumentar sua participação nos mercados de caixas-d´água e de grandes reservatórios.

    Por isso, sobram discussões voltadas à fixação de normas. Os profissionais têm se empenhado ultimamente em discutir parâmetros de resistência, durabilidade e segurança para reservatórios de vários formatos e dimensões, prevendo diferentes tipos de instalação, como aéreas apoiadas sobre bases, em superfícies e até mesmo subterrâneas.

    Um dos pioneiros e mais consagrados frutos da rotomoldagem brasileira a contar com requisitos técnicos de desempenho especificados em norma foram as caixas-d’água, mercado no qual a rotomoldagem conta atualmente com mais de 40% de participação. Com parâmetros estabelecidos desde 2002 pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e com a participação ativa de vários produtores, os reservatórios de polietileno de 500 litros e 1.000 litros para água potável tomaram posição dianteira nas questões de normalização, contando com os requisitos da NBR 14799, que tanto servem de instrumento para pontuar a qualidade, como também podem produzir efeito moralizador sobre o mercado, uma vez estabelecida a prerrogativa de submeter a testes produtos suspeitos de infringir requisitos de qualidade.

    Embora o número de fabricantes, segundo estimam os próprios produtores, deva ser bem maior, apenas cinco conseguiram até o momento obter qualificação para as caixas-d’água fabricadas nos volumes previstos pela atual norma, comercializadas sob dez diferentes marcas.

    A Dalka do Brasil é um dos fabricantes que conta com qualificação para duas marcas: a Acqualimp e a Resistec Obra. A Precon Industrial e a Tigre Tubos e Conexões têm aprovação para as caixas-d’água produzidas sob as marcas Precon e Tigre, respectivamente. A Tinabrás oferece ao mercado quatro marcas de produtos qualificados: a Tinabras, a Tinabras Amanco, a Tinaplas e a Tinaplas Amanco. A essas, soma-se ainda a Torres, que também conta com qualificação para as marcas Fortlev e Fortplus.

    Quatro anos após ser aprovada, a NBR 14799 vem à tona novamente, e será alvo de revisão em 2007, sob vários aspectos técnicos, incluindo novas dimensões. De acordo com Rivaldo Renato Pereira, gerente-industrial da Torres e um dos membros do programa setorial da qualidade para reservatórios de água em poliolefinas, vinculado ao Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat, desenvolvido pelo Ministério das Cidades, que revisará a norma das caixas-d’água, há várias considerações merecendo maior atenção nessa revisão.

    Plástico Moderno, Rivaldo Renato Pereira, gerente-industrial da Torres, Rotomoldagem - Mercado discute adoção de normas para impulsionar negócios

    Pereira alerta para caixas-d’água de paredes muito finas

    Segundo ele, a NBR 14799, por exemplo, obriga o fabricante a atender aos requisitos da qualidade da água para consumo humano relativos à potabilidade (Portaria 1469, revogada pela 518, do Ministério da Saúde).

    “Muitos fabricantes também respeitam a resolução 105, da Anvisa, que estabelece requisitos aos materiais plásticos que entram em contato com alimentos”, diz Pereira.

    Para ele, a grande questão, contudo, é também fazer da norma um instrumento para coibir a fabricação de caixas-d’água com materiais reciclados, e especificações para que as resinas que entrarão em contato com a água contenham obrigatoriamente a classificação de grade alimentício (food-grade).

    Caixas-d’água fabricadas com materiais reciclados, encontradas em locais como Rio de Janeiro e Bahia, não teriam, segundo Pereira, as mínimas chances de comprovar padrões sanitários de preservação da potabilidade da água a ser ingerida pela população, pois muito provavelmente apresentariam metais pesados em sua composição.

    “Apesar da norma em vigor contemplar a necessidade de obediência aos dispositivos voltados a preservar a potabilidade da água, não está havendo controle sobre o seu cumprimento, o que não só prejudica a imagem dos rotomoldados brasileiros, como também coloca em risco a saúde da população.

    Outra preocupação do participante do grupo, que se reúne periodicamente em São Paulo, na sede da Tecnologia de Sistemas em Engenharia (Tesis), empresa especializada em consultoria e auditoria, contratada pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais e Equipamentos para Saneamento (Asfamas), é prever limites mínimos para a espessura de parede.

    “Os fabricantes não podem reduzir o peso das caixas-d’água aleatoriamente, como vem ocorrendo nos últimos anos. De 2003 para cá, observamos que o peso de muitas caixas-d’água foi reduzido em 20% e até 30% e, portanto, precisamos barrar essa economia desenfreada que pode comprometer a qualidade das caixas-d’água”, afirmou.

    A preocupação de Pereira assume maior importância perante a crescente oferta industrial de reservatórios cada vez maiores, comportando 5 mil litros, 10 mil litros, entre outros ainda de maior capacidade.


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