Chapas e Perfis

27 de outubro de 2007

Roscas – Tipo universal tende a perder mercado para os perfis dedicados

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Publicado por: Simone Ferro
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    Para muitos fabricantes, rosca universal é utopia. Para alguns usuários, ainda representa um recurso bastante utilizado, mas que gradativamente tende a perder espaço para perfis dedicados, principalmente nos médios e grandes transformadores de plásticos. “Uma rosca pode trabalhar com mais de um material, mas não atenderá com máxima eficiência às condições necessárias para o processamento de todas as resinas”, afirma o diretor da Indústria de Máquinas Miotto, de São Bernardo do Campo-SP, Enrico Miotto.

    As cinco décadas de experiência na fabricação desse tipo de acessório sustentam a opinião do empresário, compartilhada por outros especialistas do setor. “Alterar a velocidade da rosca, mudar o perfil da temperatura e colocar várias telas no filtro são alguns artifícios utilizados. Porém, hoje, a maioria dos transformadores sabe que a rosca universal é uma utopia”, diz.

    As roscas têm a incumbência de transportar, plastificar, misturar e homogeneizar o plástico, sem comprometer as características químicas e físicas dos materiais a fim de obter produtos de alta qualidade. Mas podem ir além e melhorar o desempenho de extrusoras, injetoras e sopradoras, aumentando a produção e agilizando o set-up, entre outros recursos. Para isso, precisam estar em boas condições, com desenho correto e confeccionadas com os materiais apropriados para as resinas a serem processadas.

    Não raro, muitos transformadores deixam de ser rigorosos com esses aspectos da produção com o objetivo de conseguir uma aparente redução de custos. Porém, ao evitar o investimento em roscas especiais, acumulam prejuízos no consumo de energia elétrica e de termoplásticos. Podem ainda reduzir a produtividade e prejudicar a qualidade do produto final.

    O diretor da By Engenharia, de São Paulo, Antonio Azevedo Alves, também se manifesta contrário à cultura da rosca universal que, segundo ele, ainda existe no mercado brasileiro. A empresa representa a Xaloy Incorporated, dos Estados Unidos. “Acessórios especiais são mais usados no mercado de extrusão. O pessoal da injeção aceita melhor as soluções de materiais para maior durabilidade do que as voltadas para o desenho de rosca”, afirma.
    De acordo com Alves, a rosca sempre terá um desempenho melhor em uma resina específica. Mas, torna-se viável quando o cliente opera muito tempo com o mesmo tipo de formulação.

    No caso da aquisição de máquinas novas, o transformador paga apenas a diferença do valor para substituir a rosca convencional por um modelo especial. Na avaliação dos fabricantes de máquinas, de roscas e resinas, trata-se de um investimento que vale a pena em virtude dos benefícios agregados à produção.

    Roscas universais possuem passo constante e filete simples. “Alertamos o mercado de que esses parâmetros não bastam. Produtividade, desempenho e qualidade dependem do perfil e geometria da rosca que podem atender a famílias de materiais”, defende o gerente-comercial da Multi-União, de Nova Odessa-SP, Silvio Vieira.

    Plástico Moderno, Enrico Miotto, diretor da Indústria de Máquinas Miotto, Roscas - Tipo universal tende a perder mercado para os perfis dedicados

    Para Miotto, roscas para máquinas co-rotantes são velozes e de alta produção

    Projetos – O design dos perfis é extremamente importante para o projeto. Os perfis possuem filetes responsáveis pelo desempenho das etapas de fusão, homogeneização e transporte das resinas. Sendo assim, existem modelos adequados a cada tipo de resina, aditivo e carga.

    Basicamente, há três tipos de design adaptados às máquinas monorroscas: standard ou universal, dupla-barreira e especial. O primeiro tem filetes simples, dispostos em um perfil que trabalha com diversos materiais. As roscas dupla-barreira, como o nome já diz, têm filetes duplos que permitem a separação da resina fundida daquela que permanece sólida.

    Já os projetos especiais combinam filetes duplos, nos dois primeiros terços da rosca, com o perfil misturador posicionado no terço final, sendo mais indicados para resinas com elevadas porcentagens de cargas e aditivos.
    As máquinas dupla-roscas, empregadas em grandes volumes de produção, são equipadas com roscas contra-rotantes, que giram em sentido contrário; ou co-rotantes, cuja rotação ocorre no mesmo sentido. As primeiras atendem principalmente o mercado de PVC; as co-rotantes, a transformação de resinas de engenharia.

    Outros fatores que contribuem para o desempenho das roscas são os misturadores de pinos, de canais retos ou helicoidais, de barreiras e duplo-filete, entre outros.

    Na análise de Miotto, as dupla-roscas co-rotantes são os melhores modelos para a preparação de blendas, incorporação de compostos, fibras de vidros etc.

    “São roscas de alta produção e velocidade”, diz Miotto. A fabricação em módulos, com diversos desenhos, modelos e finalidades, facilita a mudança da geometria. “Permite ainda várias entradas para alimentação de aditivos ou saídas para degasagem.”

    A Miotto fabrica, com tecnologia nacional, vários tipos de roscas, desde mono, duplas paralelas ou cônicas às co-rotantes e contra-rotantes. “Desenvolvemos e executamos projetos da geometria dos perfis. Os testes ocorrem em nosso laboratório”, afirma Miotto. Segundo ele, as roscas têm vários tipos de relações LxD, sendo que recentes aumentos no comprimento melhoram consideravelmente a produtividade e a qualidade de plastificação dos termoplásticos.

    De acordo com Miotto, as melhorias nas linhas de produtos são contínuas, com o objetivo de aperfeiçoar o tratamento dos materiais, oferecer revestimentos adequados a cada tipo de resina, além de geometrias que beneficiem a produção, diminuam o desgaste ou necessitem de menor potência do motor. “Trata-se de desafio contínuo, que inclui ainda o uso de misturadores, barreiras, duplos e triplos filetes, passos variáveis, roscas com resfriamento ou aquecimento controlados.”


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