Economia

12 de setembro de 2010

Robótica – Economia aquecida aumenta o interesse por automação

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Para alguns setores da economia, em determinados momentos, dois e dois são cinco. É o caso atual dos fornecedores de robôs de três eixos, usados pelos transformadores especializados na injeção de plásticos para retirar as peças e, eventualmente, fazer outras operações, como cortar galhos. A fase atual apresenta uma série de conjunções favoráveis. O bom momento da economia é o principal fator da bonança. Os transformadores de produtos plásticos, pressionados por trabalhar com capacidades ociosas mínimas, investem pesado na compra de equipamentos para agilizar a produção e atender o forte ritmo de encomendas. A pressão pelo aumento da produtividade provoca outro efeito favorável, a renovação do parque industrial. E hoje, na maior parte das vezes, quem compra injetora quase sempre acopla um robô no novo equipamento.

    Alguns dados reforçam a boa expectativa das empresas do ramo. De acordo com informações da japonesa Star Seiki, fabricante de robôs com escritório próprio de vendas no Brasil, o índice de automação das transformadoras de plástico no mercado nipônico se encontra entre 80% e 85%. Nos Estados Unidos e Europa, esse índice alcança 70%. No Brasil, onde operam de 30 mil a 35 mil máquinas, esse índice não chega a 15%. O potencial de crescimento, por aqui, é enorme.

    Plástico Moderno, Robótica - Economia aquecida aumenta o interesse por automação

    Mercado procura por modelos com maior custo/benefício

    Outra boa notícia. Há dois ou três anos, as vendas do setor eram encaminhadas, em grande parte, para os fabricantes de autopeças. Por influência das montadoras, acostumadas com o uso de robôs em outros países, esses transformadores eram intimados a investir na automação. Hoje, o setor automotivo continua na liderança. Mas a procura se espalhou para praticamente todos os segmentos da economia, com destaque para os fabricantes de peças para os eletrodomésticos de linha branca, de linha marrom, eletroeletrônicos, utensílios domésticos e embalagens.

    Os ventos favoráveis não param por aí. Há dois anos, os robôs mais procurados eram os conhecidos como “pegadores de galhos”. Ou seja, os dotados com movimentos feitos em três eixos movimentados com sistemas pneumáticos. Hoje, de acordo com os fornecedores, se intensificou a procura por modelos mais sofisticados, com três eixos movidos por meio de servomotores. Com maior valor agregado, eles permitem maior margem de manobra na programação das operações e proporcionam melhor relação custo/benefício.

    Plástico Moderno, José Luiz Galvão Gomes, Diretor da Dal Maschio, Robótica - Economia aquecida aumenta o interesse por automação

    Gomes: ter fábrica no Brasil é diferencial

    Por essas e por outras, em 2010, os especializados na oferta de robôs esperam quebrar seus recordes de faturamento. Alguns conseguiram atingir números para lá de satisfatórios nos primeiros meses de 2010. A única fabricante nacional é a multinacional de origem italiana Dal Maschio, também conhecida por DM, com fábrica instalada em Diadema-SP. Seus principais concorrentes no Brasil são fabricantes mundiais com escritórios de representação próprios por aqui. Podemos citar, além da Star Seik, a austríaca Wittmann e a francesa Sepro.

    Benefícios – Há dez anos, vender um robô no Brasil era uma operação bem mais complicada do que nos dias de hoje. Os transformadores não demonstravam muito entusiasmo pela ideia de adquirir essas máquinas. Os tempos mudaram. Hoje a indústria vê esses equipamentos como ótimo investimento. A mudança de cultura ocorre em paralelo com o desenvolvimento do uso. “Quem experimenta, dificilmente adquire nova injetora sem um robô para trabalhar acoplado”, garante José Luiz Galvão Gomes, diretor da Dal Maschio.

    Os benefícios oferecidos pelos equipamentos estão a cada dia se tornando mais claros na mente dos usuários. Muitas são as melhoras por eles proporcionadas às linhas de produção. Em tempos de economia aquecida, resultam em significativa melhora dos índices de produtividade. “Eles têm condições de trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana”, ressalta Roberto Eiji Kimura, gerente-geral da Star Seiki. A possibilidade de obtenção de repetidos ciclos de produção, nos quais as peças são fabricadas sem alterações nas suas características, é outra vantagem incontestável.

    Os robôs também são muito úteis no caso das peças com requerimento de ótima aparência. Eles reduzem a praticamente zero os índices de acidentes como quedas ou manuseio impróprio. “São muito indicados para linhas de produção com ciclos muito rápidos ou para peças de grande porte, caso de para-choques ou painéis de automóveis difíceis de serem transportados por seres humanos”, defende Reinaldo do Carmo Milito, diretor da Wittmann.

    “Em algumas situações, o uso dos robôs é imprescindível”, garante Oscar da Silva, gerente de vendas e serviços da Sepro do Brasil. Um exemplo é o da fabricação de peças plásticas com insertos de outros materiais. O uso de operadores humanos para efetuar o trabalho, em determinados casos, beira o impossível. Capas de aparelhos celulares, por exemplo, são injetadas com insertos de metal com tamanhos de até um milímetro.

    Outro caso no qual o equipamento é necessário é o da fabricação de embalagens projetadas pelo processo in mold label, pelo qual peças saem com imagens gravadas com a colocação de etiquetas nos moldes. O método vem ganhando espaço na indústria brasileira e a presença dos robôs se faz necessária, pois a operação utiliza forte descarga elétrica durante sua execução.

    A sensação de que os robôs “roubam” empregos em um país onde as condições sociais são desiguais hoje não provoca polêmicas como no passado. Para os fornecedores, a competitividade exigida pela economia globalizada impele as empresas a adotarem soluções diferenciadas. Além disso, a automação nem sempre dispensa a presença dos trabalhadores. Os operários muitas vezes recebem as peças e efetuam operações como corte de canaletas ou controle de qualidade.


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