Máquinas e Equipamentos

29 de dezembro de 2008

Robôs – Cultura da automação cresce entre usuários e anima fornecedores a enfrentar a crise

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    As vendas se encontravam em patamar para lá de satisfatório até o mês de outubro. A crise econômica internacional provocou um arrefecimento na demanda. Os principais fornecedores de robôs de três eixos, voltados para a automação das máquinas injetoras, da mesma forma que representantes de todos os demais segmentos da economia, não sabem ao certo o que vai acontecer.

     

    Plástico Moderno, Roberto Eiji Kimura, Diretor da Star Seiki, Robôs - Cultura da automação cresce entre usuários e anima fornecedores a enfrentar a crise

    Kimura: empresas japonesas ajudam as vendas

    O quadro não está claro, mas existe pelo menos um bom motivo para se manter o otimismo. A percepção é unânime: os investimentos em automação parecem ser irreversíveis para os transformadores interessados em se manter competitivos no mercado. E o índice de automação da indústria brasileira ainda é bastante reduzido. O potencial do mercado é enorme e as vendas devem voltar em breve a um nível satisfatório, a não ser que ocorra uma catástrofe econômica nos próximos meses.

    Das três principais fornecedoras de robôs – Dal Maschio, Star Seiki e Wittmann –, uma tem motivo extra para demonstrar maior otimismo. É a Dal Maschio, de origem italiana, única a manter fábrica no Brasil, localizada em Diadema, na Grande São Paulo. De acordo com o diretor José Luiz Galvão Gomes, esse fato dá para a empresa a vantagem de contar com maior liberdade do que as concorrentes quando o assunto é o valor do câmbio. A forte desvalorização do real nas últimas semanas proporciona maior competitividade aos robôs produzidos por aqui.

    Os concorrentes, no entanto, também apresentam seus trunfos. A Star Seiki, com escritório de representação na capital paulista, aposta na consolidação no Brasil das montadoras japonesas e de suas respectivas fornecedoras de autopeças. Sem falar nos produtores de eletroeletrônicos japoneses que estão fazendo sucesso por aqui. “Marcas como Honda, Toyota, LG e Samsung dão preferência aos parceiros que mantêm no exterior. Nossa perspectiva é de crescimento das vendas em 2009”, afirma Roberto Eiji Kimura, diretor da empresa.

    Plástico Moderno, Reinaldo Carmo Milito, Diretor, Robôs - Cultura da automação cresce entre usuários e anima fornecedores a enfrentar a crise

    Milito: Wittmann quer agregar valor às vendas

     

    O grupo austríaco Wittmann, especializado em equipamentos para automação de linhas de injeção de plástico, concretizou no primeiro semestre do ano passado a compra da fabricante alemã de injetoras Battenfeld. A aquisição é uma carta guardada na manga pela Wittmann. Para Reinaldo Carmo Milito, diretor do escritório de vendas de Campinas-SP, ela permite à empresa oferecer aos transformadores pacotes de equipamentos  completos para determinada operação. Por um lado, ganham os clientes, que podem montar uma célula de  produção consultando um único fornecedor. Por outro lado, ganha a Wittmann, que tem a possibilidade de agregar valor às suas vendas.

    Números – Os fornecedores de robôs conseguiram resultados excepcionais no ano de 2007. Em 2008, o crescimento não foi significativo, mas o fato das vendas terem permanecido perto dos níveis do ano passado já contentou os representantes das empresas. A Dal Maschio, no ano passado, vendeu 95 unidades, contra 45 em 2006. “Esse ano esperamos crescer 10%, número por nós considerado excelente”, diz Gomes. Satisfeito com o resultado, o diretor explica que a forte oscilação no valor do dólar nas últimas semanas fez com que vários clientes antecipassem as compras. “Estamos com a carteira fechada até fevereiro. Por enquanto, a crise não tem nos incomodado”, comemora.

    Plástico Moderno, José Luiz Galvão Gomes, Diretor, Robôs - Cultura da automação cresce entre usuários e anima fornecedores a enfrentar a crise

    Gomes: carteira fechada até fevereiro

    A Star Seiki, em 2007, havia crescido 50%. Ao todo, vendeu no ano passado 150 unidades de robôs. Com a crise mundial detonada em outubro, Kimura avalia que esse ano as vendas devem se estabilizar no mesmo patamar do ano passado. O número é considerado positivo. Caso sejam confirmados os investimentos previstos pelas empresas japonesas por aqui, a meta para 2009 é ambiciosa. “Queremos vender 200 unidades no próximo ano”, conta o gerente.

    A Wittmann também pretende manter nesse ano o mesmo nível das vendas alcançado em 2007, apontado como o melhor de todos no Brasil, quando a empresa vendeu 75 robôs, contra 32 em 2006. “Esse ano estávamos superando os resultados do ano passado até outubro, mas a crise fez os nossos clientes diminuírem o ritmo das compras. Alguns projetos foram suspensos até que se definam com maior clareza os rumos da economia”, diz Milito.

    Otimismo dos executivos à parte, há motivos para preocupações. Um deles é o desempenho das vendas de veículos. As três empresas admitem que nos últimos anos as montadoras e a indústria de autopeças foram os principais compradores de robôs. O resultado se deve ao fato da indústria automobilística ter apresentado desempenho excepcional no Brasil.


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