Máquinas e Equipamentos

3 de janeiro de 2017

Robôs: Aumento de produtividade e segurança ocupacional estimulam a investir

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Plástico Moderno, Equipamento de pedestal da linha Quantec, da Kuka Roboter

    Equipamento de pedestal da linha Quantec, da Kuka Roboter

    O momento econômico gera insegurança e adia os investimentos dirigidos à compra de bens de capital. A situação prejudica as vendas de robôs, menores de 2014 para cá do que nos primeiros anos da década. A produtividade gerada por esses equipamentos, no entanto, faz os fornecedores que trabalham no ramo sofrerem menos do que os de outros tipos de equipamentos. São os casos de empresas como Dal Maschio, Sepro, Wittman Battenfeld e Kuka.

    No momento, a chamada indústria 4.0 se encontra em pleno desenvolvimento em todo o mundo e faz crescer a percepção dos transformadores de plástico nacionais sobre o retorno favorável proporcionado pela automatização. E os robôs são essenciais para o sucesso do aperfeiçoamento das linhas de produção. A opinião está próxima da unanimidade. Um robô aumenta a produção de uma máquina em de 20% a 30%, em média. Também melhora a qualidade das peças produzidas e reduz refugos. Outra ajuda às empresas do setor é percebida pelo órgão mais sensível dos clientes: o bolso. De acordo com os fabricantes, os preços dos robôs têm caído ao longo dos últimos anos, fruto da popularização do equipamento e do barateamento dos componentes eletrônicos utilizados em seus comandos.

    A entrada em vigor da NR 12, que versa sobre a segurança do trabalhador nas fábricas, também pesa a favor desse tipo de investimento. Os robôs são capazes de executar tarefas que proporcionam riscos de acidentes aos operadores de máquinas. Por questões como essas, a sensação das empresas do ramo, apesar do momento atual não ajudar muito, é de ter em mãos um produto para lá de promissor, cujos negócios devem apresentar resultados bastante positivos quando houver a retomada da economia.

    No caso da indústria do plástico, esse mercado conta com características particulares. A grande maioria das vendas se concentra nos modelos de robôs cartesianos, cujos movimentos das garras percorre três direções (eixos x, y e z). De menor custo, eles são usados para retirar as peças das máquinas e colocá-las nos locais selecionados. Também efetuam operações secundárias, como recorte de rebarbas, colocação de insertos metálicos em determinadas peças ou de rótulos nos moldes de embalagens produzidas pelo sistema in mold label, entre outras tarefas.

    Entre os modelos mais sofisticados, os robôs orbitais – cujos movimentos se dão em seis eixos – são bem menos utilizados pelos transformadores. Os orbitais são modelos mais caros, fator forte o bastante para inibir a procura. Por serem mais sofisticados, exigem dos programadores melhor formação, nem sempre disponível no chão da fábrica. De maneira geral, eles são mais aproveitados para movimentar peças em operações automatizadas que envolvam duas ou mais máquinas de transformação, situações que no setor não acontecem em grande número no dia a dia. Tais interfaces ocorrem, por exemplo, em linhas de embalagens para alimentos que, para serem fabricadas, exigem duas injetoras e a limpeza do ambiente, estipulada a partir de normas rigorosas.

    A conscientização sobre as vantagens proporcionadas pelos robôs tem alterado o perfil das vendas dos fabricantes do ramo. No passado, a procura se concentrava muito entre os proprietários de máquinas de transformação de grande porte, casos, por exemplo, das injetoras acima de mil toneladas de força de fechamento. Esse nicho continua sendo muito bom, hoje é difícil encontrar injetoras com esse porte que não funcionem com robô acoplado. A novidade tem sido o aumento de interesse entre os proprietários de máquinas de menor porte.

    Outro aspecto a ser destacado: há alguns anos, o empreendedor quase sempre avaliava a possibilidade de acoplar um robô em sua célula de produção quando adquiria uma injetora nova. Para os fornecedores, isso significa que no passado a maior parte das vendas se concentrava entre os compradores de máquinas de transformação novas. O interesse entre os compradores de máquinas novas continua o mesmo. Mas tem crescido a demanda por parte de clientes proprietários de equipamentos mais antigos, interessados em incrementar sua produtividade.

    Flexibilidade – A empresa italiana Dal Maschio é a única fornecedora de robôs com fábrica no Brasil, instalada em São Bernardo do Campo-SP. Seus produtos são bastante dirigidos para a indústria do plástico e o carro-chefe é a venda de robôs cartesianos usados em máquinas injetoras. Quando necessário, importa robôs orbitais da matriz italiana. “O fato de contarmos com planta industrial no país nos permite desenhar e oferecer de forma ágil robôs com características adequadas às necessidades dos clientes”, explica José Luiz Galvão Gomes, diretor industrial.

    Plástico Moderno, Paletizador de fim de linha, fabricado pela Dal Maschio

    Paletizador de fim de linha, fabricado pela Dal Maschio

    As vendas não estão lá essas coisas. As dificuldades começaram em 2014 e foram se agravando com a crise política. “De 2010 a 2012 estava tudo muito bem, vivemos uma fase bacana”. Para o dirigente, nos últimos dois anos, a insegurança da indústria em geral foi crescendo e muitos empresários, mesmo os mais interessados em investir, estão adiando seus projetos. No primeiro semestre deste ano, os negócios foram muito fracos. De maio para cá surgiu uma esperança. “Senti a mudança de ânimo no mercado, o número de consultas começou a crescer”. Há projetos represados que o diretor acredita que possam sair do papel.

    Uma forma encontrada pela Dal Maschio para enfrentar os tempos bicudos foi investir na diversificação. “Passamos a nos dedicar mais ao projeto e comercialização de outros equipamentos voltados para a automação”. Para exemplificar, Gomes cita o caso dos dispositivos indicados para o final da linha, para operações como montagens, empacotamento e sistemas de inspeção.


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