Cuca Jorge

Processo da Amcor é eficiente no gasto energético

PET

Mercado adota práticas sustentáveis e ganha força
entre as embalagens


Renata Pachione

O mercado do polietileno tereftalato (PET) tem apostado no seu caráter sustentável para angariar, cada vez mais, participação entre as embalagens. Trata-se de um novo ponto de vista sobre um setor orçado em 3,4 bilhões de reais e capaz de avançar acima do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Interessados em inovações, os profissionais investem em tecnologia e estão se aprimorando, a fim de prover a sociedade com soluções não somente comerciais, mas sobretudo pautadas em práticas menos agressivas ao meio ambiente.

A resina apresenta fortes atributos sustentáveis e é esse o olhar de toda indústria sobre ela. Em outras palavras, o mercado percebeu que o PET vai muito além de suas propriedades de transparência e brilho. Nem mesmo a barreira a gases, que um dia abriu as portas para o setor de bebidas carbonatadas, tem o apelo de tempos atrás. “Agora a gente vê outras questões. A embalagem de PET é uma das mais amigáveis ao meio ambiente; por exemplo, é imbatível em relação ao efeito estufa e à economia de água, além de ser inerte e leve”, ressalta Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet).

A postura da líder na transformação do PET no Brasil, a Amcor Rigid Plastics, sinaliza o compromisso do setor em relação às práticas sustentáveis. A eficiência energética dos processos é uma das prioridades da companhia. Leia-se: produzir mais, com menos consumo de energia por unidade fabricada, a fim de reduzir as emissões de gases. Recentemente, a empresa comprou sopradoras e injetoras, priorizando essas questões. Clarissa Rodrigues de Medeiros, supervisora de sustentabilidade e relações externas da Amcor, explica que tudo isso tem um porquê. O cliente hoje solicita ao transformador não só um bom desempenho e baixo custo do produto. Segundo ela, a embalagem precisa ser ambientalmente aceita, sobretudo nos casos das companhias multinacionais.

De acordo com a supervisora, o aspecto sustentável do PET também se traduz na economia de água. “Há um benefício ambiental proporcionado pelo PET, o que garante que a prioridade da água seja efetivamente para o consumo humano”, reforça. Esse comprometimento se reflete em

outras ações da Amcor. A empresa, entre outros exemplos, criou um departamento exclusivo para lidar com a sustentabilidade e ainda possui uma planta dedicada à reciclagem do PET pós-industrial, na qual o refugo é recristalizado e reintroduzido ao processo.

A preocupação da Vonpar Bebidas, de Porto Alegre-RS, com o ambiente também é explícita. Todas as máquinas do seu parque industrial contam com sistemas de recuperação de ar. Além disso, todas as suas operações de processo e distribuição são monitoradas, a fim de causar menos impacto ambiental. Segundo Luis Wintter, gerente de instalações industriais da Vonpar, existem vários programas internos e ações que vão desde a racionalização do uso da água e da

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Parte da resina usada na garrafa é de fonte renovável

energia a projetos com comunidades em prol da reciclagem do PET. Uma amostra prática é vista no seu apoio à garrafa do refrigerante Coca-Cola PlantBottle. A embalagem traz em sua

composição 30% de resina PET produzida com etanol extraído da cana-de-açúcar. De acordo com o presidente da Coca-Cola Brasil, Xiemar Zarazúa, ao substituir o petróleo usando o etanol de fonte renovável, se inaugurou uma nova era para as embalagens plásticas. “Uma demonstração do cuidado com o meio ambiente e da sustentabilidade do PET se deu com o recente lançamento da PlantBottle”, reforça Wintter. A primeira etapa do projeto dessa garrafa prevê a comercialização, por aqui, do refrigerante nas versões de 500 ml e 600 ml. O Brasil representa o primeiro país da América Latina a adotar essa embalagem, que já é vendida na Dinamarca, Estados Unidos, Canadá e Japão.

Além dos transformadores, o fabricante da resina tem feito sua parte para fortalecer a imagem do PET como material

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Wintter: programas têm objetivo de reduzir impacto ambiental

pouco agressivo ao meio ambiente. Para Plinio Carvalho, assessor de comunicação da italiana Mossi & Ghisolfi, uma das resinas PET da companhia, a Cleartuf Max, por exemplo, permite a redução de 20% do consumo energético das sopradoras, em média. “Depende da máquina e da manutenção da mesma”, completa. Além disso, o produto é escuro, característica capaz de fazê-lo absorver mais calor, portanto, propiciando um processamento mais rápido e, por consequência, otimizado quanto ao gasto de energia.

Peso leve – A paulatina redução da gramatura das embalagens de PET também tem norteado os desenvolvimentos da indústria de refrigerantes, a maior consumidora da resina. Seguindo a proposta de economizar no uso do material e de ter ganhos logísticos no transporte, a Amcor Rigid Plastics implantou no país a produção das novas garrafas de Coca-Cola Light Weighting. O peso das embalagens de dois litros passou a ter quatro gramas a menos, enquanto a redução das

versões de 600 ml e de três litros foi de seis gramas. Segundo divulgou Wintter, da Vonpar, em linhas gerais, nos últimos anos, as garrafas de PET dessa marca de refrigerantes diminuíram seu peso entre 8% e 26%, dependendo do tamanho.

De acordo com Fausto Lopes Bernardino Júnior, superintendente comercial da Engepack Embalagens, ainda é possível reduzir mais a gramatura das pré-formas, pois esta é a tendência. “Quando começamos no mercado, a embalagem de dois litros da Coca-Cola pesava 58 gramas, agora pesa 46,6 gramas”, explica. Não por acaso, entre as novidades da Engepack está o desenvolvimento de pré-formas específicas para o envase de água mineral. Com o objetivo de reduzir o peso da embalagem, a empresa tem se esforçado para em 2011 apresentar uma pré-forma entre

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Bernardino aposta na tendência de redução do peso da pré-forma

11 e 12 gramas, para garrafas de 500 ml; hoje o modelo pesa 15 gramas. “É um processo complexo, temos investido nisso”, conta Bernardino.

Outro exemplo dessa disposição da indústria em diminuir o uso do material na confecção das garrafas de bebidas está no novo desenho para as embalagens do isotônico Gatorade de 500 ml: seu peso passou de 30,4 gramas para 27 gramas.

O presidente da Abipet concorda com este caminho já desenhado e sem volta, no entanto, faz uma ressalva. Para ele, é importante, sim, tornar a garrafa leve, por conta do ganho ambiental, mas sem perder de vista a função primordial da embalagem: de manter a integridade do produto envasado. “É preciso preservar a qualidade acima de tudo”, reforça.

Reciclagem – Além do apelo inerente às características da resina e dos esforços da indústria em tornar o material cada vez menos agressivo ao ambiente, há a reciclagem como fator determinante para entender esse novo olhar sobre a resina. Além do alumínio, a embalagem de PET é a que apresenta o maior índice de recuperação do país. Em 2008, 253 mil toneladas foram recicladas, representando um aumento de 9,5% em relação ao registrado no ano anterior. Esse índice configura uma taxa de recuperação de 54,8%. A título de comparação, a média europeia é de 46%, e a dos Estados Unidos, de 27%. Os números de 2009 ainda não foram finalizados, porém Marçon não aposta em grandes alterações.

A indústria do PET reciclado ainda esbarra na falta de coleta seletiva, o que contribui para uma capacidade ociosa superior a 30%. No entanto, tem a seu favor, o crescente número de aplicações do material recuperado. O segmento têxtil, como dita a tradição, continua o principal consumidor do produto, mas tem dividido a demanda com novas áreas, como as de fabricação de piscinas, caixas-d’água e bancadas de mármore sintético, assim como de cabines de caminhões. Além disso, outro exemplo fica por conta do detergente líquido, pois quase 100% das grandes marcas do produto estão em embalagens feitas com a resina reciclada.

Mais um exemplo fica por conta dos frascos para óleos trifásicos da linha Ekos da Natura, que utilizam 30% de PET reciclado na sua composição. Apesar desse cenário, o presidente da Abipet prevê potencial para o avanço dessa indústria, que faturou cerca de 1,1 bilhão de reais em 2008. “A qualidade do PET reciclado ainda pode melhorar”, observa.

Em crescimento – Os aperfeiçoamentos são bem-vindos não só na indústria do reciclado. Mas, de alguma maneira, não há muito a reclamar: o consumo aparente do PET cresceu 7,4% no ano passado em relação a 2008, totalizando 521,8 mil toneladas contra 485,7 mil toneladas. Esse tipo de avanço não é novidade: em 1994 o consumo era de 80 mil toneladas, saltando para 120 mil toneladas já no ano seguinte. E não parou por aí. Para se ter uma ideia, em dez anos, esse mercado mais do que dobrou de tamanho – em 2000, a demanda era de 255 mil toneladas. O consumo per capita do brasileiro acompanha esse crescimento. Hoje cada habitante consome 2,73 quilos da resina. Há quatro anos, o índice era de 2,04 kg/hab.

Esse sucesso se deve a alguns fatores inerentes ao Brasil dos dias atuais. O clima quente favorável ao consumo de bebidas e o aumento do poder aquisitivo das classes sociais C e D têm engordado as vendas dos fabricantes de garrafas de PET. Mas as características da resina, obviamente, também contribuem para essa aceitação. Esse polímero poliéster conta com propriedades capazes de conferir à peça transformada transparência, leveza e design diferenciado; e oferece ainda ao material processado alta resistência mecânica e química, além de barreira para gases e odores. Por tudo isso, o PET é considerado a escolha da indústria de bebida carbonatada. O primeiro desafio da resina foi, justamente, atender o mercado de refrigerantes, em substituição ao vidro. Combate vencido, o PET passou a encarar outras batalhas: ganhar o apreço dos produtores de óleo comestível, vinagre, suco, isotônico, condimento, cosmético e artigo de limpeza.

O reduto dessa resina é o mercado de rígidos. Os plásticos representam 54% desse universo, do qual o PET responde pelo consumo de 21% do total, enquanto as outras resinas são responsáveis por parcelas menores: polietileno (PE) 12%; poliestireno (PS) 11%; polipropileno (PP) 9%, e policloreto de vinila (PVC) 1%, segundo os dados mais recentes da Datamark Brasil. O restante do setor de rígidos se divide entre as latas, com 37%, e o vidro, 9%. “Existe potencial para o PET substituir outros plásticos e o vidro”, afirma Graham Wallis, diretor da Datamark Brasil.

Por tradição, as principais aplicações da resina são as embalagens de refrigerantes, de água mineral e de óleo comestível, nessa ordem. “A água mineral e o óleo comestível são os produtos de maior crescimento para o PET”, diz Carvalho, o assessor da M&G. Isso porque, de alguma forma, o mercado de bebidas carbonatadas já está acomodado. Segundo divulgou a Abipet, de todo o refrigerante envasado no país, 80% utiliza o PET. Mas essa configuração, cada vez mais, se abre para novas vertentes. A resina ampliou, ao longo dos anos, sua participação nos setores de sucos de frutas e isotônicos, além de ter penetrado em segmentos como o de lácteos e de produtos de limpeza.

Uma oportunidade para o mercado avançar, segundo Wallis, trata-se do segmento de água mineral. O potencial é enorme, sobretudo ao se considerar que de todos os líquidos consumidos no Brasil, a água de torneira, em 2008, correspondia a 45%. Apesar de o índice estar em queda, em 1990, representava 68%, e dez anos depois já havia caído para 59%; essa porcentagem ainda é alta se comparada à de outros países, como os Estados Unidos, onde é de 9%. “Fabricantes de refrigerantes entendem a missão de substituir a água de torneira por produtos de maior valor agregado”, considera Wallis. Para ele, o crescimento do PET na indústria de água mineral passou de 500 milhões de unidades em 1998 para 1,8 bilhão em 2008, e tem muito a evoluir.

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Wallis: PET pode avançar no mercado de água mineral

O óleo comestível também reforçou a curva ascendente da resina nos últimos anos. Em 2005, o PET tinha 7% de participação no segmento, e três anos depois, esse índice quase dobrou, passando para 13%. “Ganhamos espaço, por causa da transparência do PET”, atesta Marçon. De acordo com a associação, 80% desse mercado utiliza a resina. Os fabricantes de vinagre também se renderam à possibilidade de mostrar o produto ao consumidor – hoje o PET tem 95% de participação no segmento –, assim como os fabricantes de chá pronto para beber. “Esse produto está praticamente 60% em PET, e tem muito a evoluir com a presença do Sistema Coca-Cola”, ressalta Wallis.

Alguns profissionais atribuem aos aspectos melhorados da resina a sua crescente aceitação no mercado de embalagens. Os índices de viscosidade mais adequados às aplicações e o alívio no peso das pré-formas são alguns deles. Os menores teores de acetaldeído, por exemplo, impulsionaram sua penetração no segmento de água mineral. Esse é o caso da Cleartuf Turbo, um desenvolvimento da M&G, produzido no Brasil, México e Estados Unidos, com teor residual inferior a 1 p.p.m. e que oferece transparência e brilho às embalagens, segundo a fabricante. “A resina tem baixa absorção de energia e não altera as características da água”, destaca Carvalho, da M&G. A propósito, o acetaldeído interfere no sabor dos produtos envasados. Segundo dados da fabricante, praticamente todas as embalagens para água mineral no Brasil hoje são feitas com a Cleartuf Turbo.

A outra resina PET da M&G, a Cleartuf Max, por sua vez, é indicada para aplicações de bebidas carbonatadas. Fabricada em todas as plantas da companhia, a Cleartuf Max é um polímero de alto peso molecular, com viscosidade intrínseca de 0,84 dl/g. No seu desenvolvimento, a fabricante focou dois objetivos principais: a otimização da produção de garrafas e a redução no consumo de energia, durante o sopro em máquinas de dois estágios. “Os transformadores têm maior janela de operação na injetora”, explica Carvalho. Além do mercado de bebidas carbonatadas, a resina pode ser utilizada também nos segmentos de óleos comestíveis e sucos.

A primeira amostra do poliéster foi desenvolvida em 1941, porém a produção em larga escala do material começou só nos anos 50, em laboratórios dos Estados Unidos e Europa. Até chegar ao setor de embalagens foram alguns anos. A sua estreia no Brasil aconteceu em 1988 na área têxtil, e, em 1993, época em que a Rhodia-ster (hoje M&G) comprou a Celbrás, tornou-se filão do mercado de embalagens.

Hoje a italiana Mossi & Ghisolfi é a única produtora local de PET. Desde abril de 2009, com investimento de US$ 1,6 milhão, ampliou sua capacidade produtiva de 450 mil toneladas por ano para 550 mil toneladas por ano, confirmando a autossuficiência do país. Mas, desde que entrou em operação, em fevereiro de 2007, no Complexo Portuário e Industrial de Suape, em Pernambuco, já supria sozinha e com sobras toda a demanda brasileira da resina (nessa época, o consumo por aqui era de 432 mil toneladas). 

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Fábrica da M&G, em Pernambuco, produz
até 550 mil t/ano

A nova capacidade permite atender o Brasil todo, mas também embute a pretensão de exportar. “Esse aumento ocorreu sem descontinuidade de abastecimento do mercado interno, nem de aumento do custo fixo, e com redução dos custos de produção”, assegura Carvalho. Uma segunda etapa da ampliação, para 650 mil toneladas/ano, já está prevista. Segundo o assessor, esse incremento ocorrerá “quando houver demanda”. A unidade, com cerca de 40 mil m² de área construída, está equipada com reator único, que opera com uma tecnologia de polimerização exclusiva da fabricante, num sistema verticalizado, com base no ácido tereftálico purificado (PTA). (ver PM 392)

A sua história começou em 1953, em Tortona (Itália), quando Vittorio Ghisolfi montou uma fábrica de embalagens para detergentes e produtos de higiene pessoal. Nos anos 70, entrou no segmento de produtos PET e, em 2002, estendeu suas atividades ao Brasil ao comprar a Rhodia-ster. “O grupo é hoje o maior produtor do mundo de PET para aplicações em embalagens e um líder tecnológico no mercado de poliéster”, ressalta Carvalho. A companhia possui atividades industriais também no México, Itália e Estados Unidos, esses dois últimos contam também com centros de pesquisa e desenvolvimento.

Inovações – Dinâmico, o mercado de embalagens PET atua com margens apertadas e grandes volumes. Por isso, a inovação é palavra de ordem. Novas aplicações e processos diferenciados pautam os projetos dessa indústria. Versátil, a resina ao longo dos anos se transformou em commodity e hoje cada transformador busca, à sua maneira, um diferencial. Sendo assim, estar próximo ao cliente passa a ser questão de sobrevivência e não puramente de escolha do transformador. E é desse diálogo e da confiança entre esses dois elos que surgem ideias para novos usos do polímero.

Uma das apostas dos industriais se refere ao rentável mercado da beleza. Uma característica bastante convidativa do PET, além daquelas já amplamente divulgadas, diz respeito à possibilidade de garantir a não-oxidação da fragrância envasada, o que dá vazão para a resina se fortalecer na perfumaria. Esse polímero também, há algum tempo, esboça interesse em conquistar o mercado de cerveja no país. Restrição técnica já não existe mais, o que falta, na opinião de alguns profissionais da transformação, é a aceitação dos grandes players cervejeiros. Nem o hábito de consumo impediria sua adoção. Segundo Hermes Contesini, porta-voz da Abipet, a atual geração de consumidores está acostumada com os termoplásticos em seu cotidiano, e não teria motivos para rechaçar a resina no envase dessa bebida. “Eles cresceram tomando leite em mamadeira de plástico, e depois passaram a usar as embalagens de PET nos refrigerantes; por isso, não rejeitariam a cerveja”, observa.

Outra bebida alcoólica cada vez mais apreciada pelo brasileiro diz respeito ao vinho. No entanto, nesse caso, o PET teria mais dificuldade para penetrar, segundo especialistas. Para Bernardino, da Engepack, apesar de a empresa estar atenta a essa oportunidade, não iria muito além dos nichos. “Não acredito nesse conceito como um consumo de massa”, comenta. De acordo com o assessor da M&G, o vinho em embalagem de PET também se limitará a um mercado pequeno, o que já existe no sul do país. “Quanto à indústria da cerveja, a M&G atua na Europa e Ásia”, explica.

Apesar do potencial, o mercado desse polímero ultrapassa as fronteiras do setor de bebidas. Prova disso está nos mais recentes desenvolvimentos da Amcor Rigid Plastics. Trata-se dos lançamentos de embalagens para o antisséptico bucal da Oral B, e para os condicionadores da linha Baby, da Johnson & Johnson. Mais uma amostra da participação dessa resina em segmentos em que há pouca tradição se refere à embalagem de PET para o inseticida Baygon, da Ceras Johnson. “Realizamos investimentos nos negócios relacionados às áreas de alimento, higiene pessoal e cuidado doméstico”, exemplifica Clarissa. Outra novidade, fruto dessa estratégia da companhia, é o frasco para lava-roupas líquido, da marca Ariel, na versão três litros.

A empresa mostra sua vocação para ampliar o universo de aplicações do PET há algum tempo, como se vê no caso da maionese Hellmann’s, que saiu do vidro para o PET, no início dos anos 2000. “Foi uma quebra de paradigma na indústria”, comenta Clarissa. Para ela, essa iniciativa

pioneira da Unilever em parceria com a Amcor refletiu a necessidade do consumidor de ter uma embalagem mais segura, no manuseio das crianças. “Desenvolvemos uma tecnologia específica para viabilizar essa solução, que mais tarde foi seguida pelo mercado”, acrescenta a supervisora.

Penetrar em novos segmentos, no entanto, supera uma simples vontade, pois embute pesquisa e investimentos em aprimoramentos

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Clarissa destaca novas aplicações para o PET

tecnológicos. A Amcor, por exemplo, é referência em embalagens Heat Set, nas quais o envase ocorre num processo a quente, com temperaturas de até 85ºC, e tem o propósito de preservar as bebidas e os alimentos após envasados, além de manter as características da embalagem inalteradas. Na prática, essa tecnologia está empregada nos frascos do isotônico da marca Gatorade. “Temos ampla expertise em soluções de embalagens para envase a quente”, ressalta Clarissa. A companhia lançou recentemente nos Estados Unidos a tecnologia Active Hinge, com a qual é possível o envase a quente de embalagens mais leves. Vale destacar que conteúdos especiais, que requerem envase a quente, no passado, tinham restrições na embalagem PET.

No Brasil, a Amcor conta com oito plantas: duas operações de injeção (em Manaus – essa é a maior unidade da empresa no país –, e em Poços de Caldas), quatro de sopro (em Jundiaí, em Araguari e em Goiânia), sendo três in house, e duas de um estágio (em Louveira e em Diadema). Com a aquisição da Alcan Packaging, negócio concluído em fevereiro deste ano, a Amcor diversificou sua atuação, indo além do seu principal mercado: o de bebidas carbonatadas e não-carbonatadas. Dessa forma, reforçou sua participação na área intitulada “produtos diversificados”, leiam-se: as embalagens para alimentos, produtos de higiene pessoal e beleza, farmacêuticos e de cuidados domésticos. A Amcor Rigid Plastics é a nova denominação da antiga Amcor PET Packaging, unidade de negócios que responde pelas embalagens de PET e também de outras resinas como PP, PE e polietileno de alta densidade (PEAD). No Brasil, o PET representa o carro-chefe da Amcor, aliás, o Sistema Coca-Cola, líder no mercado de refrigerantes no Brasil, é o principal cliente da companhia no país.

Refrigerantes – Não por acaso, apesar de tantos novos mercados a serem explorados, o refrigerante ainda representa a principal aplicação do PET no país e tem muito a lucrar com isso. Pesquisa do Ministério da Saúde divulgada na mídia, recentemente, mostrou que o número de brasileiros que consomem regularmente refrigerantes e sucos artificiais aumentou 13,4% em um ano. Em 2008, 24,6% da população fazia uso das bebidas cinco ou mais vezes na semana. No ano passado, o índice subiu para 27,9%. Os negócios na Vonpar refletem esse avanço. Franqueada da Coca-Cola e distribuidora da Femsa Cerveja Brasil nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a companhia registrou crescimento de 11% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2009. Esse bom desempenho, de alguma maneira, resulta da política de investimentos adotada pela empresa, que culminou na aquisição de duas sopradoras Krones Contiform S14 e uma S10, para a fábrica de Porto Alegre, e de uma Sidel Universal de 16 cavidades, para a unidade de Antônio Carlos, em Santa Catarina.

Associada ao Sistema Coca-Cola Brasil desde 1963, para produzir refrigerantes, a Vonpar começou a operar in house em 1993. Quatro anos depois, verticalizou a produção, com a inauguração de uma fábrica em Porto Alegre. Hoje todas as operações são próprias, com capacidade para soprar 90 milhões de garrafas PET por mês, de várias capacidades, para atender os segmentos de refrigerantes e água mineral. A companhia detém franquia da Coca-Cola para atuação em 70% do estado do Rio Grande do Sul e 100% de Santa Catarina.

“O custo do PET é adequado a um mercado competitivo como o de refrigerantes”, atesta Bernardino, da Engepack Embalagens. Ele entende bem desse mercado. A companhia também é uma das principais fornecedoras de embalagens para o Sistema Coca-Cola. “A primeira garrafa de Coca-Cola em PET fomos nós que fizemos”, orgulha-se. Desde a criação da empresa, em 1987, sua atuação se pauta no pioneirismo. Foi também responsável pela introdução no país, em 1991, do modelo europeu de operações de sopro in house.

Mesmo com força na indústria de refrigerante, a Engepack estendeu seu portfólio com produtos para o mercado de óleo comestível; começou com pequenos volumes para embalar óleo de granola e, em seguida, partiu para grandes produções destinadas ao óleo de soja. Hoje é líder nesse segmento. Esse produto teve um pouco mais de dificuldade para migrar para o plástico, pois requer investimentos altos. “Não é possível usar a mesma enchedora do alumínio no PET, por isso, é preciso investir pesado na linha”, afirma Bernardino. Para se ter uma ideia, no refrigerante, a enchedora do vidro é a mesma utilizada na garrafa de PET.

No ano passado, a companhia modernizou seu parque industrial com a compra de injetoras da Husky, e sopradoras das marcas Sidel e Krones. Essa aquisição assegurou aumento da sua capacidade produtiva de 15%. Para este ano, continua com projetos de expansão, a fim de elevar sua produção em mais 20%. “O setor está aquecido, aposto no aumento do poder aquisitivo do consumidor”, diz Bernardino.

Essa confiança, de alguma forma, se baseia em um novo perfil de venda da bebida carbonatada. Antigamente, o consumo de refrigerantes era sazonal, mas isso mudou e tem se tornado cada vez mais constante. “Hoje as vendas caem só 20% do verão para o inverno”, comenta. A companhia conta com operação na Bahia e em Manaus, e não descarta a possibilidade de ter planta também em Suape, Pernambuco, onde há um movimento rumo à instalação, cada vez mais intensa, de diversas empresas de pré-formas, ao redor da M&G, fortalecendo o polo petroquímico do Complexo Industrial Portuário de Suape.

Os esforços para garantir o vigor do mercado do PET passam por todos os elos da cadeia. Recentemente, a Abipet criou em

Cuca Jorge

Segundo Marçon, setor evoluiu muito em tecnologia de processo

seu estatuto uma nova categoria de associados: dos fabricantes de máquinas e equipamentos, representando um grupo de tecnologia aplicada à resina. “Queremos enfatizar o aspecto tecnológico. O PET evoluiu muito em tecnologia de processo e queremos evidenciar isso também”, reforça Marçon.