BRASILPACK
Clima de otimismo marca semana
de feiras simultâneas no Anhembi

Mais de 30 mil visitantes acompanharam em São Paulo, de 22 a 26 de março, a grande e diversificada mostra de máquinas, equipamentos e serviços direcionados à produção de embalagens, representada pela 2ª Semana Internacional da Embalagem, Impressão e Logística, promovida pela Reed Exhibitions Alcantara Machado.

O contingente de público que compareceu ao pavilhão de exposições do Anhembi neste ano teve bons motivos para empreender a visitação e travar contato com mais de 340 empresas nacionais e 90 internacionais, pois pela segunda vez o evento reuniu cinco feiras simultâneas: a 7ª Brasilpack – Feira Internacional da Embalagem, a 20ª Fiepag – Feira Internacional do Papel e Indústria Gráfica, a 3ª Flexo Latino America – Feira Internacional de Flexografia, a 2ª BrasilScreen – Feira Internacional de Serigrafia e Impressão Digital e o 3º Salão Embala Inovação.

Atividade econômica das mais dinâmicas e seguidora de grandes tendências, a produção de embalagens no Brasil ostenta números bem significativos, tanto em faturamento – R$ 36,6 bilhões – quanto em novidades, respondendo por mais de 20 mil embalagens inovadoras lançadas só em 2009, 48% das quais direcionadas ao setor de alimentos.

Nesta edição, a Associação Brasileira Técnica de Flexografia (Abflexo) convidou o visitante a conhecer o Espaço Flexo Experience, espécie de showroom de embalagens impressas por flexografia, capitaneado por Julio Cezário da Silva Filho, consultor da entidade, e coordenador dessa mostra, e com mais duas centenas de embalagens expostas, principalmente do setor alimentício. Otimista em relação ao mercado, o consultor da Abflexo observou que a flexografia é um dos processos de impressão que mais vêm crescendo nos últimos anos, a taxas superiores a 5% ao ano, desde 2007, apresentando faturamento anual acima de R$ 16 bilhões.

Na opinião de vários representantes de entidades setoriais, o mercado brasileiro está favoravelmente comprador de máquinas e equipamentos, impulsionado pelas baixas taxas de juros praticadas por linhas de financiamento do BNDES, prorrogadas até o final deste ano, para estimular a renovação do parque industrial.

A informação é confirmada por dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), que observou alta no faturamento da indústria de máquinas para manufaturados plásticos de exatos 127,4% só nos dois primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de R$ 68,40 milhões para R$ 155,57 milhões.

De acordo com o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico da Abimaq, Wilson Miguel Carnevalli, a renovação do parque industrial de máquinas é mais do que bem-vinda, pois já estava na hora da indústria substituir equipamentos com entre dez e quinze anos de uso por máquinas mais novas e com concepções mais avançadas.

Para o ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Merheg Cachum, as perspectivas da indústria de transformação plástica também são otimistas e coerentes com as previsões de crescimento do PIB nacional, acima de 5%.

Qualidade e produtividade – A extrusão em máquinas do tipo balão, processo mais utilizado para produzir embalagens flexíveis, pode tornar-se bem mais produtiva e os filmes poderão contar com maior qualidade graças à instalação de novos cabeçotes nas máquinas, com duplo anel de ar, de acordo com o novo desenvolvimento lançado pela Carnevalli.

A refrigeração dos filmes realizada por duplo anel de ar pode elevar, segundo a empresa, até 40% a produção nas extrusoras desse tipo, em comparação com máquinas equipadas com anéis convencionais.

Além da maior produtividade, alcançada graças à menor incidência de perdas, as propriedades ópticas e mecânicas dos filmes também estarão aprimoradas em virtude da melhor estabilidade do balão, e também da menor variação de espessura transversal dos filmes.

Cuca Jorge

Carnevalli Neto promete produtividade até 40% maior com anel de ar duplo

Com patente já requerida, o novo cabeçote comercializado como opcional propicia o controle automático da espessura dos filmes por meio de um scanner que promove a leitura das especificações, transmitindo os dados para o anel, para que seja determinada a vazão de ar mais correta possível.

“Trata-se do único anel de ar duplo produzido no país e que representa o estado da arte da tecnologia de refrigeração de linhas de extrusão do tipo balão, visando oferecer ao mercado novas possibilidades em anéis de ar, com nova geometria interna e redesenho da forma dos lábios de maneira que permitam maior velocidade e volume no fluxo de ar na interface de resfriamento do balão, além de melhorias no caminho do fluxo aerodinâmico entre o ventilador, o manifold de distribuição e o anel de refrigeração”, explicou o diretor Antonio Carnevalli Neto.

A exposição de máquinas para embalagens também levou ao público inovações para sopro. Nesse segmento, a tecnologia da Romi pôde ser conferida no modelo Compacta 5TD.

Equipada com cabeçote quádruplo, essa máquina operou com oito cavidades de 500 ml, cada, em ciclos de 16 segundos, e produziu 1.800 garrafas/hora, resultado que permite considerá-la uma das mais produtivas entre as suas congêneres.

Como em outros modelos da empresa, o projeto da Compacta 5TD segue a concepção modular, e já sai de fábrica com sistema automático de rebarbação, visando alcançar maior uniformidade na espessura das paredes e no peso de embalagens até 10 litros.

Concepções avançadas para a impressão de filmes também foram conferidas no estande do grupo Furnax. Representante da Kuen Yun Machinery Engineering, de Taiwan, a empresa reservou

grande área de seu estande para apresentar uma impressora flexográfica sem engrenagens (gearless), única nessa categoria em exibição na feira. Trata-se do modelo Neoflex-8100GL, primeiro a ser comercializado para o mercado brasileiro, e que pode ser projetado com especificações para impressões de seis, oito e dez cores.

De acordo com Mery Hsieh Justiniano, representante de vendas da empresa taiwanesa, o modelo exposto pode alcançar velocidades de impressão até 300 metros/minuto, considerado um dos mais velozes já apresentados ao mercado brasileiro.

Cuca Jorge

Com 300 m/s, Neoflex 8100 GL é uma das impressoras mais rápidas no país

Outro ponto alto da exposição foi conferido no estande da Colorflex. A empresa exibiu modelo da flexográfica Practica, para impressão de seis cores. Equipada com tambor central e cilindros anilox em fibra de carbono gravados a laser, essa máquina pode apresentar larguras de impressão desde 800 mm até 1.200 mm e alcançar velocidade mecânica até 250 metros por minuto, segundo informou o gerente-industrial José Roberto Pierszajec.

“A Practica permite configurações e ajustes às condições dos clientes, podendo imprimir em faixas de alta e baixa definição até 56 linhas por cm2, atendendo às especificações inerentes aos sistemas de empacotamento automático e também de impressão de embalagens alimentícias que requerem menor gama de cores, como de arroz, açúcar e farinha”, exemplificou Pierszajec.

Prestes a concluir a última etapa de fabricação de seu primeiro projeto de máquina coextrusora, a Flexo Tech apresentou-se na feira destacando sua tradicional linha de impressoras de quatro, seis e oito

Cuca Jorge

Practica 1200 imprime em seis cores e se ajusta às condições dos clientes

cores, bem como seus desenvolvimentos em laminadoras e extrusoras, estas últimas produzidas desde 2008 para as indústrias de embalagens.

A Feva e a Flexopower também marcaram presença nesta edição da feira. A primeira divulgou ao público sua ampla linha de equipamentos, integrada por impressoras para oito cores, laminadoras de filmes flexíveis, montadoras de clichês, entre outros, enquanto a Flexopower destacou a impressora Beta, para oito cores, um dos seus mais aprimorados desenvolvimentos.

Gigante, mercado dos EUA dita tendências

Com suas concepções modernas e funcionais, designs arrojados e criativos, e apelos de sustentabilidade, as embalagens norte-americanas marcam tendências e apontam caminhos a seguir em centenas de outros países. Os Estados Unidos constituem o maior mercado mundial de embalagens. Movimentam US$ 127 milhões ao ano e lideram as estatísticas, guardando grande distância do segundo colocado, o Japão, mercado de US$ 57 milhões, bem como da China e da Alemanha, terceiro e quarto colocados, que respondem por US$ 52 milhões e US$ 27 milhões, respectivamente.

Com base em estudos de tendências de consumo apontadas pelo The Faith Popcorn, o Instituto de Embalagens presente à Brasilpack deste ano divulga no Brasil os resultados das principais pesquisas realizadas nos Estados Unidos no âmbito das embalagens, como a “The American Way of Packaging”, promovida em 2010.

Segundo a diretora do Instituto de Embalagens, Assunta Napolitano Camilo, conveniência, estilo, saúde, segurança e sustentabilidade são pilares importantes do atual estilo de vida que se reflete sobre o setor de embalagens. “Fazem parte das nossas principais preocupações, não importando se estamos nos Estados Unidos, China ou Brasil.”

Afetado por períodos de crise, o mercado de bens de consumo, porém, segundo a especialista, vem impondo a necessidade de adequação mais rápida das embalagens para atender os consumidores dentro de novos cenários. “As necessidades de conveniência também crescem, e já podemos contar com embalagens menores para consumo imediato”, observou Assunta. Tais embalagens comportam em geral uma única dose, desde 187 ml, no caso de vinhos, ou 250 ml e 355 ml, em se tratando de sucos e refrigerantes.

“A questão da sustentabilidade aflora em quase todas as embalagens. Todos os materiais contam com identificações em símbolos, para facilitar as reciclagens. As garrafas PET são muitas vezes retornáveis e possuem reembolso na sua devolução”, observou a diretora. Segundo ela, as embalagens retornáveis de PET constituem sistema praticado na Europa há mais de oito anos e mais recentemente também foram introduzidas nos EUA.

Difundido em supermercados norte-americanos, o reembolso financeiro das embalagens PET retornáveis é simples, prático e de alta eficiência, pois, além de poupar o meio ambiente, chega a pagar 0,5 centavos de dólar pela devolução de uma única embalagem. Na Alemanha, país onde as condutas em prol da preservação do meio ambiente já estão mais consolidadas, chegam a ser pagos 0,25 centavos de euro pela devolução de uma única embalagem PET, o que corresponde a quase um real.

Talvez em decorrência dos tempos mais bicudos e da praticidade para altos consumos, um novo conceito foi implantado para a venda de águas nos supermercados norte-americanos, do tipo “sirva-se você mesmo”. Trata-se da venda feita por meio do envase de água em galões vazios levados pelos consumidores aos supermercados onde há um sistema provido de medidor de vazão acoplado a um reservatório de água mineral de grande capacidade.

As embalagens de água também adotam novos conceitos em tampas. “As tampas são cobertas por segurança e higiene, com rótulos do tipo roll label de BOPP transparente, oferecendo a aparência de um rótulo autoadesivo do tipo label look.” A propósito, a maior parte da água comercializada nos EUA é envasada em galões de PEAD de 3,6 litros.

Em se tratando de leite, a preferência é pelos pasteurizados envasados em garrafões de 2,5 litros e 3,6 litros de PEAD. Quanto aos isotônicos, as novas tampas do Gatorade apresentam-se bastante diferenciadas em duas peças, duas cores, do tipo twist e vêm oferecendo aos consumidores maior área de contato com os lábios. “Os rótulos, agora, são termoencolhíveis, do tipo half e também apostam em cores transparentes. As garrafas têm novo formato, mais alto e com textura grip, de fácil aderência às mãos.

Os sucos também vêm contando com espaços mais amplos nas gôndolas dos supermercados dos EUA. “Os sucos da marca Tropicana, um dos ícones do setor, oferecem ao consumidor a opção de embalagens assépticas. As embalagens para bebidas pasteurizadas estão em garrafas PET, com rótulo termoencolhível, que ampliam a proteção contra a luz. Já os sucos da marca Minute Maid chegam em embalagens em novo formato, que pretendem transmitir a ideia de que a fruta acabou de ser espremida.”

As bebidas orgânicas estão cada vez mais populares. Nesse segmento, os sucos da marca Naked tornaram-se referência. “As embalagens com rótulos verdes cítricos têm formato simples, praticamente standard, mas lançaram a maior novidade em relação à tecnologia dos materiais. Os fabricantes alegam ser os primeiros a fazer uso da primeira garrafa cem por cento produzida com PET reciclado”, informou Assunta.

As embalagens para cosméticos, segundo Assunta, são encontradas em várias apresentações. Os batons da marca Sally Hansen trazem uma bisnaga dentro da outra, para a dosagem entre cor e brilho. Já os novos batons da marca Maybeline apresentam tampa do tamanho dos batons, fabricadas com resinas translúcidas e em cores muito sofisticadas.

Os produtos da marca Coppertone Sport foram lançados em nova embalagem up side down. Os desodorantes da marca Secret apostam em embalagens fabricadas com masterbatches especiais, oferecendo efeito perolescente, e apresentam tampas transparentes em formato de folha. A maior novidade, contudo, segundo a especialista, está na utilização de um segundo rótulo na parte interna, em composição com o rótulo principal no label look.        Rose de Moraes

Banda estreita – Os sistemas de impressão para banda estreita também foram destacados nessa edição da feira. A Etirama, de Sorocaba, divulgou o lançamento de novo modelo de flexográfica modular com qualidade comparável à das máquinas com tambor central.

Segundo o gerente Erivelton Camargo, trata-se da máquina FlexoWine UV. Concebida para impressão de rótulos e outros materiais em larguras até 250 mm, permite composição modular, podendo comportar até sete cabeçotes, sendo equipada com sistema de secagem UV, para alcançar velocidades de produção de 130 metros/minuto, com estágio de corte com três facas e controle de tensão tanto na entrada quanto na saída dos materiais.

A Reinaflex, de São Paulo, destacou modelos com tambor central em larguras entre 160 mm até 350 mm, que podem alcançar velocidades de trabalho de 60 metros por minuto, para impressão de sete cores na frente e uma cor no verso ou seis cores na frente e duas cores no verso, de acordo com as especificações dos clientes.

A Reflexo, também de São Paulo, apresentou a Flexo 250. Provida de sistema de pré-secagem entre cores, essa máquina imprime seis cores na frente e uma cor no verso, alcançando produção máxima de 40 metros por minuto para trabalhos em dicromia.

A Resino, representando a Concordhitek, de Taiwan, apresentou uma inovação tecnológica para a impressão de rótulos. Trata-se da impressora letter press, com oito unidades de cor, equipamento que pode alcançar produções horárias de 8 mil etiquetas.

Outra máquina destacada no rol de impressoras para rótulos foi desenvolvida pela Ibirama. Equipada com contador de metros digital e sistema de parada programável, a impressora com tambor central, para larguras desde 160 mm até 250 mm, pode alcançar velocidades até 100 metros por minuto.

Gravação a laser – Uma das grandes novidades para gravação de clichês foi apresentada pela holandesa Stork Prints, empresa que mantém unidade em Piracicaba, no interior paulista. Trata-se de um sistema de gravação direta a laser (Direct Laser Engraving-DLE), sem tratamento pré-coating, de diferentes substratos, como chapas e camisas (sleeves), confeccionadas com EPDM, entre outros elastômeros, e polímeros, como BOPP e PE, para impressão por flexografia, dry offset, letter press e serigrafia, e que oferece aos usuários larguras de gravação desde 800 mm até 3 mil mm.

“Lançamos mundialmente a tecnologia de gravação direta a laser DLE na Áustria, como resultado da nossa preocupação com a qualidade de impressão e o meio ambiente”, informou Paulo Roberto Ruffini, gerente da divisão gráfica da Stork Prints Brasil.

A empresa ainda aproveita para expor a impressora DSI 4330L, de tecnologia digital, lançada mundialmente em setembro de 2009, na Label Expo, em Bruxelas. Segundo Ruffini, a impressora atende às necessidades do mercado de baixa tiragem, mas que trabalha com alta qualidade de impressão e busca flexibilidade e custo reduzido.

Concebida como um sistema modular, essa máquina alcança velocidades até 35 metros por minuto, e é passível de ser integrada a outros sistemas como flexografia, serigrafia, hot stamping, ou com linhas de impressão e corte.

Também presente, a Dupont destacou seu portfólio de chapas Cyrel de fotopolímeros para impressão flexográfica e as vantagens de utilização do sistema digital de gravação térmica a seco de clichês Cyrel Fast. “O nosso sistema, aplicável à impressão de etiquetas e filmes flexíveis, reconhecidamente gera maior produtividade em decorrência da eliminação da fase de secagem, reduzindo o tempo de gravação de clichês em até 300%”, comentou Rui Mariano dos Santos, gerente de negócios da área de Packaging Graphics da Dupont no Brasil.

A tecnologia japonesa da AsahiKasei, a mais nova representada no mercado brasileiro da Gutenberg, também aportou na exposição deste ano. Entre as várias novidades em chapas para impressão flexográfica, fabricadas em variadas espessuras e formatos, o representante destacou as linhas de chapas convencionais de alta, média e baixa durezas, com propriedades de alta durabilidade, alta resiliência, grande capacidade de transferência de tinta e total reprodução.

Camisas de alto desempenho – A exposição deste ano também abrigou o lançamento de camisas porta-clichês de alta performance para impressões flexográficas. Trata-se de nova versão de produtos da Laserflex Soluções para Flexografia, fabricada com materiais compostos à base de fibras estruturais de carbono e resina epóxi, e que tem entre os seus diferenciais apresentar alto módulo de rigidez, de 630 Gpa.

“Somos, agora, os únicos fabricantes locais de camisas de alta performance, denominadas camisas Carboflex de alto módulo, e que oferecem maior precisão dimensional, menor coeficiente de expansão térmica, menor peso – 30% mais leves –, e também maior capacidade para absorver vibrações”, informou o engenheiro Tito L. Ronconi, diretor-geral da Laserflex. São especialmente recomendadas para operações com máquinas de alta velocidade e com produções acima de 400 metros por minuto.

Juntamente com as camisas de alto desempenho, a empresa destacou outros produtos integrantes de sua linha, como as camisas emborrachadas para gravações a laser, tendo em vista as impressões flexográficas sem emendas e com melhores resultados, antes viáveis somente em rotogravura.

Inovações em tintas – Considerada líder mundial no fornecimento de tintas para embalagens de tabaco e segunda maior no mercado de embalagens flexíveis para produtos líquidos e rótulos para bebidas, a alemã Siegwerk marcou presença na exposição, destacando os feitos após sua instalação no Brasil, ocorrida em 2008, em Jandira, na grande São Paulo.

No rol da diversidade de tintas produzidas pela empresa, e que inclui tintas para embalagens flexíveis em base solvente e em base água, além de tintas com cura por energia, foram destacadas as linhas especiais para laminação, desenvolvidas para impressão por flexografia e rotogravura de substratos como PE, PP, BOPP, PET.

Especialmente na exposição, outros destaques da empresa ficaram por conta das tintas da linha NC, como as 191 e 239. As primeiras são consideradas multiuso e aplicam-se a impressões externas, apresentando alta resistência a químicos e à abrasão e também boa resistência à refrigeração. Já as tintas NC 239 são consideradas biocompostáveis e foram desenvolvidas para emprego em embalagens biodegradáveis.

Outras novidades foram as tintas da linha Sicura Plast SP e Sicura Plast LM. As primeiras são consideradas tintas de alta reatividade e pertencem à geração mais nova. Seu emprego é recomendado para sistemas e equipamentos de alta velocidade, servindo às impressões de substratos não-absorventes, como PP, PE, PET, PC, entre outros. Já a linha LM oferece a tecnologia de secagem UV, muito bem aceita nos últimos anos e principalmente destinada às embalagens de produtos alimentícios.

A italiana Easypack Solutions, reconhecida na fabricação de equipamentos para envase, presente à exposição por intermédio de seu representante E&E Consultoria, de Marília-SP, divulgou os atributos da máquina EasySnap BB3. Trata-se de equipamento com três pistas para envase de líquidos e produtos semidensos em embalagens tipo sachê em uma única dose, em porções que vão desde 1 ml até 30 ml.

O princípio de funcionamento dessa máquina é unir dois filmes: um flexível e outro semirrígido em multicamadas, resultando em embalagem que pode ser aberta com apenas uma das mãos. Além da funcionalidade, outro forte atrativo está na sua produção horária que alcança 130 sachês por minuto.

Cura por feixe de elétrons – No estande da Tupahue, vários convidados puderam acompanhar palestra proferida por Wilson Paduan, diretor-técnico da TechnoSolutions, empresa do grupo Antilhas – Soluções Integradas para Embalagem – sobre a cura de tintas de impressão pela tecnologia de feixes de elétrons EB (Electron Beam).

A impressão por EB, de acordo com Paduan, se caracteriza por ser um processo a frio, que promove a secagem do material impresso mediante a reordenação das cadeias moleculares, e que ocorre por meio da aplicação de feixes de elétrons sobre as tintas. Esse sistema dispensa o uso de fotoiniciadores, minimiza os odores residuais e apresenta excelentes índices de cura, independentemente da cor a ser curada, sendo adequado mesmo nos casos em que se requer cura em grande profundidade.

Segundo Paduan, o sistema de cura por EB, que já se encontra instalado no grupo Antilhas, é fabricado pela empresa Energy Sciences, líder mundial na produção de processadores do tipo Eletronic-Beam, energeticamente eficientes e compactos, e que contribuem para reduzir as emissões de compostos orgânicos voláteis pelas indústrias.

O processo apresenta forte apelo ambiental e possibilita grande economia de material, permitindo reduzir as perdas de substratos nos set ups, podendo-se ainda eliminar necessidades de laminação.

A tecnologia de cura por EB foi desenvolvida especialmente para a indústria de embalagens que opera com sistemas de impressão flexográficos e/ou offset, podendo ser utilizada também para realizar a cura de vernizes e tintas em ampla variedade de substratos, como polímeros, promovendo a cura instantânea em alta velocidade – 500 metros por minuto – também de adesivos e estruturas laminadas.

“As emissões de compostos orgânicos voláteis (voc) na atmosfera podem ser até quinze vezes menores em comparação com os sistemas de impressão que utilizam solventes”, informou Paduan.
“Para ampliarmos as vantagens oferecidas pelo processo de cura por EB, viabilizamos a pesquisa e o desenvolvimento de uma tinta especial para impressão flexográfica com cura por feixe de elétrons, para a qual já requeremos registro de patente internacional, denominada EasyRad, e que apresenta custo muito próximo ao das impressões com tintas em base solvente”, informou Paduan.

Diversidade em máquinas – A exposição desse ano também colocou na vitrine grande diversidade de máquinas, todas direcionadas ao setor de embalagens. A Hece levou ao público uma máquina automática para fabricação de sacos plásticos pelo processo Wicket, alimentada por filmes em larguras de 700 mm e que alcança produção de 250 cortes por minuto.

A Polimáquinas colocou em demonstração a Polisac CS, máquina de corte e solda universal. A Maqplas expôs vários equipamentos, destacando a máquina para corte, solda e blocagem de sacos, projetada com duas pistas e que dispensa mesa empilhadeira. No estande da Máquinas Santoro, o visitante pode melhor conhecer a CS-800, máquina de corte e solda da série digital.

A grande novidade no estande da Seibt foi o triturador para pré-moagem de peças reprovadas pelo controle de qualidade e também de borras e rebarbas que, opcionalmente, pode sair de fábrica com peneiras.

Entre todas as tecnologias da Refrisat, o grande destaque ficou por conta da unidade de água gelada Sat-Ar, sistema de condensação a ar, com automação personalizada, comercializado com softwares exclusivos, e que opera por meio de controlador CLP universal.

Várias concepções de máquinas para vacuum forming também tomaram lugar de destaque na exposição. Atuando nesse setor, a Vacuum Machine destacou equipamento semiautomático que pode operar com chapas e bobinas, termoformando materiais em espessuras até 15 mm.

Soluções para degradar polímeros – Os aditivos para degradar filmes, produzidos pela americana Willow Ridge Plastics, para aplicações em polímeros, como PEAD, PEBD, PP e BOPP, também foram destacados na exposição pela empresa de importação e distribuição Skintech, de Maringá-PR, e Rivierplast, de São Paulo, fornecedora de filmes aditivados com tecnologias de degradação.

Um dos grades apresentados ao público foi o BDA II. Na forma de grânulos cilíndricos (na cor violeta), esse aditivo tendo por resina-base (veículo) o polietileno linear de baixa densidade, pode promover a degradação dos polímeros por dois métodos: oxidação e fotodegradação, sendo indicado para aplicações de alta densidade ou que requerem maior durabilidade (tempo de prateleira) entre o momento da produção e o descarte a ser feito pelo usuário final da embalagem.
Segundo Talitta Emanuela Silva, diretora da Skintech, um outro grade disponível, o PDQ-M (na cor âmbar), possui as mesmas características do BDA II, mas oferece a versatilidade de uso em polímeros de alta ou de baixa densidade, incluindo mix de polímeros e reciclados.

“Uma das grandes vantagens dos aditivos para degradação e biodegradação é permitir sua colocação no processo industrial sem requerer nenhuma adaptação especial nos equipamentos, fazendo com que o produto final passe a ter as características de oxibiodegradabilidade”, informou Talitta.

Rose de Moraes

Plástico da Dow e papel se unem em nova embalagem

A Dow, Ibema, Tradbor e ESPM se uniram e aproximaram dois oponentes, o plástico e o papel, para criar uma nova embalagem flexível, o PaperPouch. O desenvolvimento conjunto resultou em um tipo de stand up pouch em que a usual camada externa de PET foi substituída por uma camada de papel, com o objetivo de tornar a aparência do PaperPouch diferenciada aos olhos dos consumidores.

A grande maioria dos filmes multicamadas utilizados na produção de stand up pouches emprega o poliéster nas suas camadas exteriores em virtude de algumas propriedades interessantes do material

para a aplicação: o PET oferece a rigidez necessária para que as embalagens flexíveis se mantenham eretas na posição vertical, e também possui resistência mecânica suficiente para manter a integridade dos pouches no caso de choques mecânicos. No caso do Brasil, o PET também é escolhido em razão de seu brilho, um traço que exerce grande influência no consumidor local. Por essa peculiaridade do brasileiro, que também sente atração pelo colorido forte, as gôndolas dos supermercados nacionais estão apinhadas com embalagens flexíveis de aparência brilhante. A Dow e os seus parceiros, por outro lado, acreditam que o PaperPouch, com sua aparência opaca proporcionada pelo papel, pode se destacar nas gôndolas em meio ao brilho predominante, atraindo a atenção do consumidor.

Cuca Jorge

PaperPouch é alternativa ao domínio do brilho nas gôndolas de mercados

Dados levantados pela Nielsen, especialista em informações de mercado, citados por Bruno Rufato Pereira, gerente de marketing na área de plásticos básicos da Dow Brasil, mostram que 90% dos produtos lançados pela indústria não possuem nenhum tipo de apoio de comunicação. Eles nascem, são colocados nas gôndolas dos supermercados, e, a partir desse momento, contam apenas com as embalagens para se “comunicar” com os consumidores. Além disso, 80% dos novos produtos fracassam antes do segundo ano no mercado, e de acordo com a Associação Global para o Marketing no Varejo (POPAI), 81% das decisões por marcas são feitas no ponto de venda. A criação do PaperPouch, explica Pereira, acontece justamente com o intuito de influenciar positivamente esses números. “Acreditamos que o PaperPouch pode chamar a atenção de um jeito diferente para a mensagem do fabricante e fazer a diferença na decisão no ponto de venda”, diz o gerente. Embora a nova embalagem ainda não tenha sido submetida a testes nos supermercados, Pereira afirma que estudos mostram que o visual opaco é visto com valor pelos consumidores, e já se constitui em um fator de diferenciação na gôndola. “Sem dúvidas, o PaperPouch é uma embalagem diferente, e a probabilidade de uma pessoa olhar para ela naqueles segundos em que está observando a prateleira é muito grande”, afirma.

Parceria – O projeto para o desenvolvimento do novo stand up pouch começou em meados de agosto do ano passado, no Laboratório de Embalagem da ESPM. A Ibema, produtora de papel cartão e papéis especiais, foi a responsável pelo desenvolvimento do papel substituto do PET; a Tradbor, especialista em stand up pouches, ajustou o processo de formação do PaperPouch, um pouco mais complicado que o de um pouch inteiramente plástico, e à Dow (com ajuda da convertedora de embalagens Bazei) coube a definição dos três polietilenos da família Dowlex a serem utilizados no filme multicamadas, bem como acertos no processo de laminação sem solventes com o papel. “A substituição de PET por papel não é tão simples. O papel e o processo de laminação são especiais. Sozinha, a Dow demoraria, no mínimo, uns dois anos para concluir esse projeto”, explica Pereira, ressaltando a importância da parceria para o tempo relativamente curto – cerca de seis meses – gasto no desenvolvimento.

Segundo Rosana Rosa, especialista técnica sênior na área de plásticos da Dow Brasil, o PaperPouch pode ser usado, a princípio, nos segmentos de produtos secos, como cereais, chás, molhos desidratados, biscoitos, sopas e até sabão em pó. O mercado de alimentação animal poderia ser outro alvo, nesse caso, mediante a adição de uma camada com barreira à gordura. Embora o primeiro protótipo do PaperPouch não possua essa habilidade, Rosana afirma que não há maior dificuldade para incorporar esse tipo de tecnologia, dada a ampla possibilidade de modificação do filme multicamadas de polietileno. Aliás, toda a linha de acessórios empregada em stand up pouches tradicionais, como mecanismos para abrir e fechar e bicos dosadores pode ser transplantada ao PaperPouch.

O potencial de sustentabilidade, no entanto, não parece ser o ponto mais forte da nova embalagem. Ela pode trazer benefícios ambientais, dependendo do tipo de embalagem que vier a substituir. Para Pereira, o gerente de marketing, a troca de uma embalagem mais pesada pelo PaperPouch provavelmente seria vantajosa para o meio ambiente. Mas o fato é que a combinação de materiais diferentes dificulta a reciclagem e, ao considerar o baixo peso do novo pouch e as características da cadeia de reciclagem brasileira, Pereira prevê que ela não será reciclada – pelo menos na modalidade mecânica de reciclagem. A reciclagem energética seria a alternativa viável, mas ela ainda não é empregada em larga escala no Brasil.

Crescimento – Segundo as informações de Bruno Pereira, o mercado mundial de stand up pouches rondava 2 a 3 bilhões de unidades por volta de 1993, e hoje já superou a casa dos 30 bilhões. O crescimento anual do mercado, entre 93 e 2002, foi de 18,2%, enquanto, no mesmo período, a indústria de embalagens, como um todo, experimentou taxas bem mais modestas, entre 3% e 4%.

O Japão está entre os maiores produtores e consumidores de stand up pouches, seguido pelos Estados Unidos e Europa. Na América Latina, a Argentina se destaca como um mercado importante, à frente do Brasil, que ainda está em posição muito tímida ante os números mundiais. Muito dessa situação, no país, é explicado pelo alto custo de implementação da embalagem e pelo medo da rejeição no mercado.

A adoção de stand up pouches costuma estar associada à utilização da tecnologia form-fill-seal (ou formar-encher-fechar), a uma altíssima escala de produção e a grandes investimentos em maquinário. Pereira, no entanto, acredita que os produtores de embalagens deveriam começar a considerar a hipótese de produção de pouches por intermédio de máquinas do tipo fill-seal.

Quando opta pelo processo form-fill-seal, o fabricante de produtos de consumo adquire um equipamento alimentado por bobinas de filme plástico, que conforma a embalagem, para depois preenchê-la com o produto a ser embalado e em seguida fecha a embalagem. Ao optar por um processo fill-seal, no entanto, o fabricante recebe as embalagens já formadas, realizando em sua fábrica apenas os processos de enchimento e fechamento das embalagens. Na hipótese de realização de um teste de mercado, Pereira afirma que essas operações de fill-seal podem ser feitas até manualmente, sem a necessidade do investimento em máquinas especializadas na tarefa. O custo dos testes, desse modo, seria reduzido quase a zero. Testado o mercado e feita a opção pelos stand up pouches, o fabricante de produtos de consumo teria à sua disposição diversos equipamentos de fill-seal nacionais e importados, mais simples e baratos que as máquinas adequadas ao form-fill-seal.

O gerente de marketing também avalia que a velocidade de produção das máquinas de form-fill-seal não evoluiu tanto quanto a velocidade das máquinas de fill-seal. “Para quem tem grandes quantidades de stand up pouches para encher, é mais interessante crescer no fill-seal e deixar a formação do pouch para quem sabe fazer isso, com máquinas de maior velocidade, e que requerem maior investimento. Você tira a dor de cabeça de formar o stand up pouch na sua casa”, recomenda Pereira. Para uma empresa como a Fugini, a pioneira dos stand up pouches no país, com os atomatados, até faz sentido utilizar o processo de form-fill-seal, pois a linha é ajustada para um único produto, ou para poucos produtos, e não há necessidades de novas mudanças. Mas como fica uma empresa como a Kraft, cuja diversidade de produtos é muito maior? Nesse caso, vale mais apostar no fill-seal, pois as diferentes embalagens são recebidas prontas e processadas sem maiores tempos de ajuste, ensejando a viabilidade econômica. Essa é a quebra de paradigma que, na visão do gerente de marketing, pode mudar a história do stand up pouch no Brasil.

Márcio Azevedo

Polo gaúcho ganha programa
para crescer e se modernizar

Com o propósito de consolidar o segmento de transformação de plásticos do Rio Grande do Sul, como polo competitivo e de excelência, foi lançado em 30 de março o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Plásticos. O evento ocorreu na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre. O programa está sustentado em cinco pilares: capacitação técnica e empresarial, estudos sobre pesquisa, prospecção, conquista de novos mercados, inovação e articulação institucional.

Entre as atividades que serão realizadas, destacam-se os cursos de capacitação e liderança, gestão básica e avançada, empreendedorismo, gestão por indicadores e de projetos, além de sucessão familiar, uma vez que, segundo pesquisa do Sebrae, entidade que encabeça o projeto, a grande maioria dos transformadores gaúchos opera em razões sociais familiares e eles ainda precisam conhecer os modelos mais avançados de administração e gestão. Das mais de 1.200 empresas de transformação de plástico no estado, 95% são pequenos negócios.

O Sebrae/RS atuará por meio de dois projetos. Um deles na região metropolitana de Porto Alegre e outro na Serra Gaúcha. A meta é aumentar a participação das empresas no mercado nacional e internacional, estimulando a inovação e criando condições para o desenvolvimento de produtos e processos de alta qualidade.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Nordeste Gaúcho, Orlando Marin, o principal objetivo do programa é aumentar a participação das empresas da indústria gaúcha de transformação do plástico no mercado nacional e internacional, estimulando a inovação e criando condições para o desenvolvimento de produtos e processos de alta qualidade, com valorização do capital humano e da gestão empresarial.

Os principais polos do setor no estado estão localizados na região metropolitana, muito atuante no segmento de embalagens, região do Vale dos Sinos, focada no segmento de componentes para calçados, e Serra Gaúcha, reconhecida como polo de produção de componentes técnicos. Atualmente, a indústria gaúcha participa com 8% do total produzido no Brasil, sendo o quarto maior estado, atrás de São Paulo, Santa Catarina e Paraná, nessa ordem.

Aproximadamente 2,8% da produção estadual é exportada, 51% das vendas ocorrem dentro do Rio Grande do Sul e os restantes 46,2% são vendidos para outros estados do país. O Programa de Desenvolvimento da Indústria de Plásticos é uma iniciativa conjunta do Sebrae/RS, dos Sindicatos das Indústrias de Material Plástico do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS), do Nordeste Gaúcho (Simplás) e do Vale dos Vinhedos (Simplavi) e da Braskem.

O projeto também conta com apoio do governo do Estado, por meio das secretarias de Ciência e Tecnologia (SCT) e do Desenvolvimento e Assuntos Internacionais (Sedai). São parceiros do programa a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), a Universidade de Caxias do Sul (UCS) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul).

Fernando C. de Castro

Balança de flexíveis entra em déficit depois da crise

O tsunami da crise financeira mundial, deflagrada no último trimestre de 2008, chegou com menos força no Brasil que o esperado. Mas a “marola” foi danosa o suficiente para balançar os números da indústria nacional de embalagens flexíveis no primeiro semestre de 2009 e prejudicar o desempenho do ano como um todo. O consumo aparente de embalagens plásticas flexíveis caiu, o faturamento da indústria também, e a balança comercial do segmento, que vinha registrando superávits nos últimos anos, se tornou deficitária.

Os efeitos da crise foram apontados em um levantamento da MaxiQuim Assessoria de Mercado, a pedido da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief). Os dados obtidos pela empresa de consultoria mostram que, em 2008, o consumo aparente brasileiro de PEBD, PEBDL, PEAD e PP atingiu 3,222 milhões de toneladas. Quase metade desse volume, 49,5%, foi utilizado na produção de embalagens plásticas flexíveis, totalizando um consumo aparente de 1,596 milhão de toneladas. Já em 2009, o consumo aparente das quatro resinas caiu para 3,173 milhões de toneladas. Uma fração um pouco menor do volume de resinas, 47,7%, foi utilizada na produção de embalagens plásticas flexíveis, que somou 1,514 milhão de toneladas.

A queda de 5,1% no consumo aparente de embalagens plásticas flexíveis foi atribuída à crise pelo presidente da Abief, Alfredo Schmitt. “A crise começou no último trimestre de 2008, se estendeu fortemente para o primeiro semestre de 2009 e, a partir da metade do segundo trimestre de 2009, começou a inversão da tendência ruim. As políticas anticíclicas do governo ajudaram na reversão, mas a indústria pagou a crise”, disse o presidente.

A queda no consumo aparente de embalagens plásticas flexíveis reverteu uma tendência positiva que vinha se configurando a alguns anos no setor. O mesmo ocorreu com o faturamento, que atingiu R$ 9,02 bilhões em 2009, e caiu quase 13%, em relação a 2008, quando o faturamento chegou a R$ 10,31 bilhões. A queda foi explicada por Schmitt como consequência da perda de 5,1% na produção, combinada a um preço médio 7,8% inferior.

O dado que parece ter causado maior preocupação ao presidente da Abief, no entanto, foi a deterioração da balança comercial do segmento. Computada em toneladas, ela vinha se mantendo superavitária desde 2005 – isto é, o volume de embalagens exportadas era maior que o volume de embalagens importadas. A observação da série de dados, entretanto, revela que o saldo da operação (exportações e importações), mesmo positivo, vinha caindo, pois as importações cresciam mais rapidamente que as exportações. De 2008 para 2009, porém, a situação se modificou: enquanto as importações se mantiveram estáveis, no patamar de 77 mil toneladas, as importações se retraíram, de 80 mil toneladas, em 2008, para 65 mil toneladas em 2009, ocasionando um déficit de 13 mil toneladas. “A balança comercial veio perdendo fôlego até passarmos a importador líquido de embalagens plásticas flexíveis”, disse Schmitt.

A perda de fôlego foi ainda mais pronunciada sob o ponto de vista financeiro. Em dólares, o déficit vinha se acumulando desde 2005, e chegou a US$ 165 milhões, no ano passado. “A perda é muito maior em dinheiro do que em tonelagem. Isso significa que, além de importar mais produtos, em volumes, importamos produtos com maior valor agregado, superior ao valor agregado dos produtos que exportamos”, analisou o presidente. Para ele, o Brasil ainda é um grande exportador de commodities, sendo o BOPP um dos principais itens da pauta de exportação do setor, e esse material possui preço relativamente baixo. As importações, por outro lado, buscam atender a um aumento da demanda por maior valor agregado que não pode ser satisfeito apenas com a produção nacional. Desse modo, as compras no exterior trazem ao país embalagens impressas, com várias camadas e um nível de tecnologia maior. Seu preço, consequentemente, também é mais elevado. Por conta dessa situação, e de uma fraca cultura exportadora na transformação brasileira, o presidente da Abief acredita que o déficit da balança comercial levará alguns anos para ser revertido. Em sua bola de cristal, ele “vê” as exportações brasileiras, em 2010, retomando ao patamar de 2008, mas sem superávit comercial.

Sacolas – Schmitt também demonstrou incômodo com o anúncio, por parte da rede varejista Carrefour, do fim da distribuição gratuita da sacola do tipo camiseta em suas lojas. No lugar da sacolinha de plástico tradicional, a empresa francesa passará a disponibilizar sacos de lixo plástico reciclado a preços subsidiados. “A questão das sacolinhas está ligada a um marketing ambiental oportunista”, acusou o presidente. O anúncio da Carrefour, na visão dele, confirma uma desconfiança que a indústria do plástico sustentou quieta durante muito tempo, por não poder confirmar suas suspeitas: o varejo intenciona repassar o custo da sacola para o consumidor, travestindo em política ambiental uma política comercial ardilosa. “O consumidor terá que comprar algo que antes recebia de graça. O saco de lixo reciclado é tão plástico quanto a sacolinha. Aquilo que se achava a muito tempo se descortinou: a real intenção é vender o saco plástico”, cravou Schmitt.

Na defesa da indústria do plástico, o presidente da Abief lembrou que as sacolas do tipo camiseta, cujo peso é de 4 gramas, podem transportar até 6 kg, desde que estejam em conformidade com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). “Não existe outra embalagem que consiga transportar 1.500 vezes seu peso”, afirmou. Apesar da comprovação científica dessa afirmação, no entanto, o consumidor sente na pele o problema de qualidade da maioria das sacolinhas distribuídas no mercado brasileiro, pois – a própria Abief reconhece – apenas 30% delas são produzidas segundo os preceitos das normas da ABNT.

Márcio Azevedo

Grades de Stat-Loy reduzem custo para combater estática

A Sabic Innovative Plastics apresentou para o mercado de dispositivos médicos de inalação novos grades do composto especial LNP Stat-Loy. Disponíveis em três sistemas de resinas transparentes: acrilonitrila-butadieno-estireno (ABS); polimetilmetacrilato/acrílico (PMMA); e Xylex, uma liga de policarbonato (PC)/poliéster, os materiais contam com propriedades antiestáticas permanentes.

A eletricidade estática é o maior desafio para o uso eficiente de dispositivos de inalação, pois faz com que minúsculas partículas do medicamento acumulem carga eletrostática e se prendam ao dispositivo, em vez de serem administradas diretamente ao paciente. Os antigos inaladores utilizavam camadas de revestimento para controlar cargas estáticas, enquanto as propriedades antiestáticas inerentes aos compostos Stat-Loy evitam a necessidade de operações secundárias dispendiosas.

Os compostos também visam a garantir a repetitividade na dosagem dos remédios, além de apresentar resistência a impacto e facilidade de limpeza. Outro benefício se refere à possibilidade de administrar de maneira mais eficiente doses completas de pó ou de aerossol ao paciente.

A transparência tem a função de garantir a visibilidade do conteúdo dos dispositivos, além de oferecer boas propriedades estéticas. Os materiais podem ser desenvolvidos em diversas cores para aparência mais agradável e identificação do medicamento. Os compostos LNP Stat-Loy também estão disponíveis em resinas opacas, como poliamida 6, tereftalato de polibutileno (PBT), polioximetileno (POM) e polipropileno (PP). Os fabricantes têm a opção de combinar componentes opacos e transparentes para fins estéticos ou funcionais.

Esses novos grades são previamente avaliados quanto à biocompatibilidade, de acordo com a ISO 10993, e contribuem para que os fabricantes agilizem a conformidade e o tempo de colocação do produto no mercado.

Renata Pachione

Novo presidente da Abiplast critica preços da Petrobras

O presidente da Vitopel, José Ricardo Roriz Coelho, é o novo presidente eleito da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) para o período 2010-2014. Merheg Cachum permanece como presidente-executivo da associação.

O principal objetivo da gestão de Coelho, declinado na cerimônia da posse, será aumentar a competitividade da indústria de transformação brasileira. Enquadra-se nessa meta a redução do déficit na balança comercial do setor, superior aos US$ 2 bilhões, em 2009, pelo estímulo das exportações. “Embora nosso setor represente quase 5% dos empregos da indústria de transformação brasileira, exportamos menos de 0,9% de todos os produtos transformados do Brasil”, disse o presidente recém-empossado. Ele também deu uma estocada na Petrobras, lembrando que ela é a “empresa dos brasileiros” nos momentos convenientes, mas tem uma política de preços das mais agressivas. “Onde está a vantagem de ser autossuficiente em petróleo?”, questionou, recebendo os aplausos da plateia. “A Petrobras precisa reconhecer que as nossas referências de preços de matérias-primas não representam mais a realidade de quem já é autossuficiente e vai se tornar um grande exportador de petróleo”, avaliou.

Márcio Azevedo