|
|

 |
BRASILPACK
Clima de otimismo marca semana
de feiras simultâneas no Anhembi |
Mais de 30 mil
visitantes acompanharam em São Paulo, de 22 a 26 de março, a grande e
diversificada mostra de máquinas, equipamentos e serviços direcionados à
produção de embalagens, representada pela 2ª Semana Internacional da
Embalagem, Impressão e Logística, promovida pela Reed Exhibitions
Alcantara Machado.
O contingente de público que compareceu ao pavilhão de exposições do
Anhembi neste ano teve bons motivos para empreender a visitação e travar
contato com mais de 340 empresas nacionais e 90 internacionais, pois pela
segunda vez o evento reuniu cinco feiras simultâneas: a 7ª Brasilpack –
Feira Internacional da Embalagem, a 20ª Fiepag – Feira Internacional do
Papel e Indústria Gráfica, a 3ª Flexo Latino America – Feira Internacional
de Flexografia, a 2ª BrasilScreen – Feira Internacional de Serigrafia e
Impressão Digital e o 3º Salão Embala Inovação.
Atividade econômica das mais dinâmicas e seguidora de grandes tendências,
a produção de embalagens no Brasil ostenta números bem significativos,
tanto em faturamento – R$ 36,6 bilhões – quanto em novidades, respondendo
por mais de 20 mil embalagens inovadoras lançadas só em 2009, 48% das
quais direcionadas ao setor de alimentos.
Nesta edição, a Associação Brasileira Técnica de Flexografia (Abflexo)
convidou o visitante a conhecer o Espaço Flexo Experience, espécie de
showroom de embalagens impressas por flexografia, capitaneado por Julio
Cezário da Silva Filho, consultor da entidade, e coordenador dessa mostra,
e com mais duas centenas de embalagens expostas, principalmente do setor
alimentício. Otimista em relação ao mercado, o consultor da Abflexo
observou que a flexografia é um dos processos de impressão que mais vêm
crescendo nos últimos anos, a taxas superiores a 5% ao ano, desde 2007,
apresentando faturamento anual acima de R$ 16 bilhões.
Na opinião de vários representantes de entidades setoriais, o mercado
brasileiro está favoravelmente comprador de máquinas e equipamentos,
impulsionado pelas baixas taxas de juros praticadas por linhas de
financiamento do BNDES, prorrogadas até o final deste ano, para estimular
a renovação do parque industrial.
A informação é confirmada por dados da Associação Brasileira da Indústria
de Máquinas (Abimaq), que observou alta no faturamento da indústria de
máquinas para manufaturados plásticos de exatos 127,4% só nos dois
primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano anterior,
passando de R$ 68,40 milhões para R$ 155,57 milhões.
De acordo com o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios
para a Indústria do Plástico da Abimaq, Wilson Miguel Carnevalli, a
renovação do parque industrial de máquinas é mais do que bem-vinda, pois
já estava na hora da indústria substituir equipamentos com entre dez e
quinze anos de uso por máquinas mais novas e com concepções mais
avançadas.
Para o ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast),
Merheg Cachum, as perspectivas da indústria de transformação plástica
também são otimistas e coerentes com as previsões de crescimento do PIB
nacional, acima de 5%.
Qualidade e produtividade – A extrusão em máquinas do tipo balão,
processo mais utilizado para produzir embalagens flexíveis, pode tornar-se
bem mais produtiva e os filmes poderão contar com maior qualidade graças à
instalação de novos cabeçotes nas máquinas, com duplo anel de ar, de
acordo com o novo desenvolvimento lançado pela Carnevalli.
|
A refrigeração dos filmes realizada por duplo anel de
ar pode elevar, segundo a empresa, até 40% a produção nas extrusoras
desse tipo, em comparação com máquinas equipadas com anéis
convencionais.
Além da maior produtividade, alcançada graças à menor incidência de
perdas, as propriedades ópticas e mecânicas dos filmes também estarão
aprimoradas em virtude da melhor estabilidade do balão, e também da
menor variação de espessura transversal dos filmes. |
Cuca Jorge

Carnevalli Neto promete produtividade até 40% maior com anel de ar
duplo |
Com patente já requerida, o novo cabeçote comercializado como opcional
propicia o controle automático da espessura dos filmes por meio de um
scanner que promove a leitura das especificações, transmitindo os dados
para o anel, para que seja determinada a vazão de ar mais correta
possível.
“Trata-se do único anel de ar duplo produzido no país e que representa o
estado da arte da tecnologia de refrigeração de linhas de extrusão do tipo
balão, visando oferecer ao mercado novas possibilidades em anéis de ar,
com nova geometria interna e redesenho da forma dos lábios de maneira que
permitam maior velocidade e volume no fluxo de ar na interface de
resfriamento do balão, além de melhorias no caminho do fluxo aerodinâmico
entre o ventilador, o manifold de distribuição e o anel de refrigeração”,
explicou o diretor Antonio Carnevalli Neto.
A exposição de máquinas para embalagens também levou ao público inovações
para sopro. Nesse segmento, a tecnologia da Romi pôde ser conferida no
modelo Compacta 5TD.
Equipada com cabeçote quádruplo, essa máquina operou com oito cavidades de
500 ml, cada, em ciclos de 16 segundos, e produziu 1.800 garrafas/hora,
resultado que permite considerá-la uma das mais produtivas entre as suas
congêneres.
Como em outros modelos da empresa, o projeto da Compacta 5TD segue a
concepção modular, e já sai de fábrica com sistema automático de
rebarbação, visando alcançar maior uniformidade na espessura das paredes e
no peso de embalagens até 10 litros.
Concepções avançadas para a impressão de filmes também foram conferidas no
estande do grupo Furnax. Representante da Kuen Yun Machinery Engineering,
de Taiwan, a empresa reservou
|
grande área de seu estande para apresentar uma
impressora flexográfica sem engrenagens (gearless), única nessa
categoria em exibição na feira. Trata-se do modelo Neoflex-8100GL,
primeiro a ser comercializado para o mercado brasileiro, e que pode
ser projetado com especificações para impressões de seis, oito e dez
cores.
De acordo com Mery Hsieh Justiniano, representante de vendas da
empresa taiwanesa, o modelo exposto pode alcançar velocidades de
impressão até 300 metros/minuto, considerado um dos mais velozes já
apresentados ao mercado brasileiro. |
Cuca Jorge

Com 300 m/s, Neoflex 8100 GL é uma das impressoras mais rápidas no
país |
Outro ponto alto da exposição foi conferido no estande da Colorflex. A
empresa exibiu modelo da flexográfica Practica, para impressão de seis
cores. Equipada com tambor central e cilindros anilox em fibra de carbono
gravados a laser, essa máquina pode apresentar larguras de impressão desde
800 mm até 1.200 mm e alcançar velocidade mecânica até 250 metros por
minuto, segundo informou o gerente-industrial José Roberto Pierszajec.
|
“A Practica permite configurações e ajustes às
condições dos clientes, podendo imprimir em faixas de alta e baixa
definição até 56 linhas por cm2, atendendo às especificações inerentes
aos sistemas de empacotamento automático e também de impressão de
embalagens alimentícias que requerem menor gama de cores, como de
arroz, açúcar e farinha”, exemplificou Pierszajec.
Prestes a concluir a última etapa de fabricação de seu primeiro
projeto de máquina coextrusora, a Flexo Tech apresentou-se na feira
destacando sua tradicional linha de impressoras de quatro, seis e oito
|
Cuca Jorge

Practica 1200 imprime em seis cores e se ajusta às condições dos
clientes |
cores, bem como seus desenvolvimentos em laminadoras e extrusoras, estas
últimas produzidas desde 2008 para as indústrias de embalagens.
A Feva e a Flexopower também marcaram presença nesta edição da feira. A
primeira divulgou ao público sua ampla linha de equipamentos, integrada
por impressoras para oito cores, laminadoras de filmes flexíveis,
montadoras de clichês, entre outros, enquanto a Flexopower destacou a
impressora Beta, para oito cores, um dos seus mais aprimorados
desenvolvimentos.
|
Gigante, mercado dos EUA dita
tendências |
|
Com suas concepções modernas e funcionais, designs
arrojados e criativos, e apelos de sustentabilidade, as embalagens
norte-americanas marcam tendências e apontam caminhos a seguir em
centenas de outros países. Os Estados Unidos constituem o maior
mercado mundial de embalagens. Movimentam US$ 127 milhões ao ano e
lideram as estatísticas, guardando grande distância do segundo
colocado, o Japão, mercado de US$ 57 milhões, bem como da China e da
Alemanha, terceiro e quarto colocados, que respondem por US$ 52
milhões e US$ 27 milhões, respectivamente.
Com base em estudos de tendências de consumo apontadas pelo The Faith
Popcorn, o Instituto de Embalagens presente à Brasilpack deste ano
divulga no Brasil os resultados das principais pesquisas realizadas
nos Estados Unidos no âmbito das embalagens, como a “The American Way
of Packaging”, promovida em 2010.
Segundo a diretora do Instituto de Embalagens, Assunta Napolitano
Camilo, conveniência, estilo, saúde, segurança e sustentabilidade são
pilares importantes do atual estilo de vida que se reflete sobre o
setor de embalagens. “Fazem parte das nossas principais preocupações,
não importando se estamos nos Estados Unidos, China ou Brasil.”
Afetado por períodos de crise, o mercado de bens de consumo, porém,
segundo a especialista, vem impondo a necessidade de adequação mais
rápida das embalagens para atender os consumidores dentro de novos
cenários. “As necessidades de conveniência também crescem, e já
podemos contar com embalagens menores para consumo imediato”, observou
Assunta. Tais embalagens comportam em geral uma única dose, desde 187
ml, no caso de vinhos, ou 250 ml e 355 ml, em se tratando de sucos e
refrigerantes.
“A questão da sustentabilidade aflora em quase todas as embalagens.
Todos os materiais contam com identificações em símbolos, para
facilitar as reciclagens. As garrafas PET são muitas vezes retornáveis
e possuem reembolso na sua devolução”, observou a diretora. Segundo
ela, as embalagens retornáveis de PET constituem sistema praticado na
Europa há mais de oito anos e mais recentemente também foram
introduzidas nos EUA.
Difundido em supermercados norte-americanos, o reembolso financeiro
das embalagens PET retornáveis é simples, prático e de alta
eficiência, pois, além de poupar o meio ambiente, chega a pagar 0,5
centavos de dólar pela devolução de uma única embalagem. Na Alemanha,
país onde as condutas em prol da preservação do meio ambiente já estão
mais consolidadas, chegam a ser pagos 0,25 centavos de euro pela
devolução de uma única embalagem PET, o que corresponde a quase um
real.
Talvez em decorrência dos tempos mais bicudos e da praticidade para
altos consumos, um novo conceito foi implantado para a venda de águas
nos supermercados norte-americanos, do tipo “sirva-se você mesmo”.
Trata-se da venda feita por meio do envase de água em galões vazios
levados pelos consumidores aos supermercados onde há um sistema
provido de medidor de vazão acoplado a um reservatório de água mineral
de grande capacidade.
As embalagens de água também adotam novos conceitos em tampas. “As
tampas são cobertas por segurança e higiene, com rótulos do tipo roll
label de BOPP transparente, oferecendo a aparência de um rótulo
autoadesivo do tipo label look.” A propósito, a maior parte da água
comercializada nos EUA é envasada em galões de PEAD de 3,6 litros.
Em se tratando de leite, a preferência é pelos pasteurizados envasados
em garrafões de 2,5 litros e 3,6 litros de PEAD. Quanto aos
isotônicos, as novas tampas do Gatorade apresentam-se bastante
diferenciadas em duas peças, duas cores, do tipo twist e vêm
oferecendo aos consumidores maior área de contato com os lábios. “Os
rótulos, agora, são termoencolhíveis, do tipo half e também apostam em
cores transparentes. As garrafas têm novo formato, mais alto e com
textura grip, de fácil aderência às mãos.
Os sucos também vêm contando com espaços mais amplos nas gôndolas dos
supermercados dos EUA. “Os sucos da marca Tropicana, um dos ícones do
setor, oferecem ao consumidor a opção de embalagens assépticas. As
embalagens para bebidas pasteurizadas estão em garrafas PET, com
rótulo termoencolhível, que ampliam a proteção contra a luz. Já os
sucos da marca Minute Maid chegam em embalagens em novo formato, que
pretendem transmitir a ideia de que a fruta acabou de ser espremida.”
As bebidas orgânicas estão cada vez mais populares. Nesse segmento, os
sucos da marca Naked tornaram-se referência. “As embalagens com
rótulos verdes cítricos têm formato simples, praticamente standard,
mas lançaram a maior novidade em relação à tecnologia dos materiais.
Os fabricantes alegam ser os primeiros a fazer uso da primeira garrafa
cem por cento produzida com PET reciclado”, informou Assunta.
As embalagens para cosméticos, segundo Assunta, são encontradas em
várias apresentações. Os batons da marca Sally Hansen trazem uma
bisnaga dentro da outra, para a dosagem entre cor e brilho. Já os
novos batons da marca Maybeline apresentam tampa do tamanho dos
batons, fabricadas com resinas translúcidas e em cores muito
sofisticadas.
Os produtos da marca Coppertone Sport foram lançados em nova embalagem
up side down. Os desodorantes da marca Secret apostam em embalagens
fabricadas com masterbatches especiais, oferecendo efeito perolescente,
e apresentam tampas transparentes em formato de folha. A maior
novidade, contudo, segundo a especialista, está na utilização de um
segundo rótulo na parte interna, em composição com o rótulo principal
no label look.
Rose de Moraes |
Banda estreita – Os sistemas de impressão para banda estreita
também foram destacados nessa edição da feira. A Etirama, de Sorocaba,
divulgou o lançamento de novo modelo de flexográfica modular com qualidade
comparável à das máquinas com tambor central.
Segundo o gerente Erivelton Camargo, trata-se da máquina FlexoWine UV.
Concebida para impressão de rótulos e outros materiais em larguras até 250
mm, permite composição modular, podendo comportar até sete cabeçotes,
sendo equipada com sistema de secagem UV, para alcançar velocidades de
produção de 130 metros/minuto, com estágio de corte com três facas e
controle de tensão tanto na entrada quanto na saída dos materiais.
A Reinaflex, de São Paulo, destacou modelos com tambor central em larguras
entre 160 mm até 350 mm, que podem alcançar velocidades de trabalho de 60
metros por minuto, para impressão de sete cores na frente e uma cor no
verso ou seis cores na frente e duas cores no verso, de acordo com as
especificações dos clientes.
A Reflexo, também de São Paulo, apresentou a Flexo 250. Provida de sistema
de pré-secagem entre cores, essa máquina imprime seis cores na frente e
uma cor no verso, alcançando produção máxima de 40 metros por minuto para
trabalhos em dicromia.
A Resino, representando a Concordhitek, de Taiwan, apresentou uma inovação
tecnológica para a impressão de rótulos. Trata-se da impressora letter
press, com oito unidades de cor, equipamento que pode alcançar produções
horárias de 8 mil etiquetas.
Outra máquina destacada no rol de impressoras para rótulos foi
desenvolvida pela Ibirama. Equipada com contador de metros digital e
sistema de parada programável, a impressora com tambor central, para
larguras desde 160 mm até 250 mm, pode alcançar velocidades até 100 metros
por minuto.
Gravação a laser – Uma das grandes novidades para gravação de
clichês foi apresentada pela holandesa Stork Prints, empresa que mantém
unidade em Piracicaba, no interior paulista. Trata-se de um sistema de
gravação direta a laser (Direct Laser Engraving-DLE), sem tratamento
pré-coating, de diferentes substratos, como chapas e camisas (sleeves),
confeccionadas com EPDM, entre outros elastômeros, e polímeros, como BOPP
e PE, para impressão por flexografia, dry offset, letter press e
serigrafia, e que oferece aos usuários larguras de gravação desde 800 mm
até 3 mil mm.
“Lançamos mundialmente a tecnologia de gravação direta a laser DLE na
Áustria, como resultado da nossa preocupação com a qualidade de impressão
e o meio ambiente”, informou Paulo Roberto Ruffini, gerente da divisão
gráfica da Stork Prints Brasil.
A empresa ainda aproveita para expor a impressora DSI 4330L, de tecnologia
digital, lançada mundialmente em setembro de 2009, na Label Expo, em
Bruxelas. Segundo Ruffini, a impressora atende às necessidades do mercado
de baixa tiragem, mas que trabalha com alta qualidade de impressão e busca
flexibilidade e custo reduzido.
Concebida como um sistema modular, essa máquina alcança velocidades até 35
metros por minuto, e é passível de ser integrada a outros sistemas como
flexografia, serigrafia, hot stamping, ou com linhas de impressão e corte.
Também presente, a Dupont destacou seu portfólio de chapas Cyrel de
fotopolímeros para impressão flexográfica e as vantagens de utilização do
sistema digital de gravação térmica a seco de clichês Cyrel Fast. “O nosso
sistema, aplicável à impressão de etiquetas e filmes flexíveis,
reconhecidamente gera maior produtividade em decorrência da eliminação da
fase de secagem, reduzindo o tempo de gravação de clichês em até 300%”,
comentou Rui Mariano dos Santos, gerente de negócios da área de Packaging
Graphics da Dupont no Brasil.
A tecnologia japonesa da AsahiKasei, a mais nova representada no mercado
brasileiro da Gutenberg, também aportou na exposição deste ano. Entre as
várias novidades em chapas para impressão flexográfica, fabricadas em
variadas espessuras e formatos, o representante destacou as linhas de
chapas convencionais de alta, média e baixa durezas, com propriedades de
alta durabilidade, alta resiliência, grande capacidade de transferência de
tinta e total reprodução.
Camisas de alto desempenho – A exposição deste ano também abrigou o
lançamento de camisas porta-clichês de alta performance para impressões
flexográficas. Trata-se de nova versão de produtos da Laserflex Soluções
para Flexografia, fabricada com materiais compostos à base de fibras
estruturais de carbono e resina epóxi, e que tem entre os seus
diferenciais apresentar alto módulo de rigidez, de 630 Gpa.
“Somos, agora, os únicos fabricantes locais de camisas de alta
performance, denominadas camisas Carboflex de alto módulo, e que oferecem
maior precisão dimensional, menor coeficiente de expansão térmica, menor
peso – 30% mais leves –, e também maior capacidade para absorver
vibrações”, informou o engenheiro Tito L. Ronconi, diretor-geral da
Laserflex. São especialmente recomendadas para operações com máquinas de
alta velocidade e com produções acima de 400 metros por minuto.
Juntamente com as camisas de alto desempenho, a empresa destacou outros
produtos integrantes de sua linha, como as camisas emborrachadas para
gravações a laser, tendo em vista as impressões flexográficas sem emendas
e com melhores resultados, antes viáveis somente em rotogravura.
Inovações em tintas – Considerada líder mundial no fornecimento de
tintas para embalagens de tabaco e segunda maior no mercado de embalagens
flexíveis para produtos líquidos e rótulos para bebidas, a alemã Siegwerk
marcou presença na exposição, destacando os feitos após sua instalação no
Brasil, ocorrida em 2008, em Jandira, na grande São Paulo.
No rol da diversidade de tintas produzidas pela empresa, e que inclui
tintas para embalagens flexíveis em base solvente e em base água, além de
tintas com cura por energia, foram destacadas as linhas especiais para
laminação, desenvolvidas para impressão por flexografia e rotogravura de
substratos como PE, PP, BOPP, PET.
Especialmente na exposição, outros destaques da empresa ficaram por conta
das tintas da linha NC, como as 191 e 239. As primeiras são consideradas
multiuso e aplicam-se a impressões externas, apresentando alta resistência
a químicos e à abrasão e também boa resistência à refrigeração. Já as
tintas NC 239 são consideradas biocompostáveis e foram desenvolvidas para
emprego em embalagens biodegradáveis.
Outras novidades foram as tintas da linha Sicura Plast SP e Sicura Plast
LM. As primeiras são consideradas tintas de alta reatividade e pertencem à
geração mais nova. Seu emprego é recomendado para sistemas e equipamentos
de alta velocidade, servindo às impressões de substratos não-absorventes,
como PP, PE, PET, PC, entre outros. Já a linha LM oferece a tecnologia de
secagem UV, muito bem aceita nos últimos anos e principalmente destinada
às embalagens de produtos alimentícios.
A italiana Easypack Solutions, reconhecida na fabricação de equipamentos
para envase, presente à exposição por intermédio de seu representante E&E
Consultoria, de Marília-SP, divulgou os atributos da máquina EasySnap BB3.
Trata-se de equipamento com três pistas para envase de líquidos e produtos
semidensos em embalagens tipo sachê em uma única dose, em porções que vão
desde 1 ml até 30 ml.
O princípio de funcionamento dessa máquina é unir dois filmes: um flexível
e outro semirrígido em multicamadas, resultando em embalagem que pode ser
aberta com apenas uma das mãos. Além da funcionalidade, outro forte
atrativo está na sua produção horária que alcança 130 sachês por minuto.
Cura por feixe de elétrons – No estande da Tupahue, vários
convidados puderam acompanhar palestra proferida por Wilson Paduan,
diretor-técnico da TechnoSolutions, empresa do grupo Antilhas – Soluções
Integradas para Embalagem – sobre a cura de tintas de impressão pela
tecnologia de feixes de elétrons EB (Electron Beam).
A impressão por EB, de acordo com Paduan, se caracteriza por ser um
processo a frio, que promove a secagem do material impresso mediante a
reordenação das cadeias moleculares, e que ocorre por meio da aplicação de
feixes de elétrons sobre as tintas. Esse sistema dispensa o uso de
fotoiniciadores, minimiza os odores residuais e apresenta excelentes
índices de cura, independentemente da cor a ser curada, sendo adequado
mesmo nos casos em que se requer cura em grande profundidade.
Segundo Paduan, o sistema de cura por EB, que já se encontra instalado no
grupo Antilhas, é fabricado pela empresa Energy Sciences, líder mundial na
produção de processadores do tipo Eletronic-Beam, energeticamente
eficientes e compactos, e que contribuem para reduzir as emissões de
compostos orgânicos voláteis pelas indústrias.
O processo apresenta forte apelo ambiental e possibilita grande economia
de material, permitindo reduzir as perdas de substratos nos set ups,
podendo-se ainda eliminar necessidades de laminação.
A tecnologia de cura por EB foi desenvolvida especialmente para a
indústria de embalagens que opera com sistemas de impressão flexográficos
e/ou offset, podendo ser utilizada também para realizar a cura de vernizes
e tintas em ampla variedade de substratos, como polímeros, promovendo a
cura instantânea em alta velocidade – 500 metros por minuto – também de
adesivos e estruturas laminadas.
“As emissões de compostos orgânicos voláteis (voc) na atmosfera podem ser
até quinze vezes menores em comparação com os sistemas de impressão que
utilizam solventes”, informou Paduan.
“Para ampliarmos as vantagens oferecidas pelo processo de cura por EB,
viabilizamos a pesquisa e o desenvolvimento de uma tinta especial para
impressão flexográfica com cura por feixe de elétrons, para a qual já
requeremos registro de patente internacional, denominada EasyRad, e que
apresenta custo muito próximo ao das impressões com tintas em base
solvente”, informou Paduan.
Diversidade em máquinas – A exposição desse ano também colocou na
vitrine grande diversidade de máquinas, todas direcionadas ao setor de
embalagens. A Hece levou ao público uma máquina automática para fabricação
de sacos plásticos pelo processo Wicket, alimentada por filmes em larguras
de 700 mm e que alcança produção de 250 cortes por minuto.
A Polimáquinas colocou em demonstração a Polisac CS, máquina de corte e
solda universal. A Maqplas expôs vários equipamentos, destacando a máquina
para corte, solda e blocagem de sacos, projetada com duas pistas e que
dispensa mesa empilhadeira. No estande da Máquinas Santoro, o visitante
pode melhor conhecer a CS-800, máquina de corte e solda da série digital.
A grande novidade no estande da Seibt foi o triturador para pré-moagem de
peças reprovadas pelo controle de qualidade e também de borras e rebarbas
que, opcionalmente, pode sair de fábrica com peneiras.
Entre todas as tecnologias da Refrisat, o grande destaque ficou por conta
da unidade de água gelada Sat-Ar, sistema de condensação a ar, com
automação personalizada, comercializado com softwares exclusivos, e que
opera por meio de controlador CLP universal.
Várias concepções de máquinas para vacuum forming também tomaram lugar de
destaque na exposição. Atuando nesse setor, a Vacuum Machine destacou
equipamento semiautomático que pode operar com chapas e bobinas,
termoformando materiais em espessuras até 15 mm.
Soluções para degradar polímeros – Os aditivos para degradar
filmes, produzidos pela americana Willow Ridge Plastics, para aplicações
em polímeros, como PEAD, PEBD, PP e BOPP, também foram destacados na
exposição pela empresa de importação e distribuição Skintech, de
Maringá-PR, e Rivierplast, de São Paulo, fornecedora de filmes aditivados
com tecnologias de degradação.
Um dos grades apresentados ao público foi o BDA II. Na forma de grânulos
cilíndricos (na cor violeta), esse aditivo tendo por resina-base (veículo)
o polietileno linear de baixa densidade, pode promover a degradação dos
polímeros por dois métodos: oxidação e fotodegradação, sendo indicado para
aplicações de alta densidade ou que requerem maior durabilidade (tempo de
prateleira) entre o momento da produção e o descarte a ser feito pelo
usuário final da embalagem.
Segundo Talitta Emanuela Silva, diretora da Skintech, um outro grade
disponível, o PDQ-M (na cor âmbar), possui as mesmas características do
BDA II, mas oferece a versatilidade de uso em polímeros de alta ou de
baixa densidade, incluindo mix de polímeros e reciclados.
“Uma das grandes vantagens dos aditivos para degradação e biodegradação é
permitir sua colocação no processo industrial sem requerer nenhuma
adaptação especial nos equipamentos, fazendo com que o produto final passe
a ter as características de oxibiodegradabilidade”, informou Talitta.
Rose de Moraes
Plástico da Dow e papel se unem em nova embalagem
A Dow, Ibema, Tradbor
e ESPM se uniram e aproximaram dois oponentes, o plástico e o papel, para
criar uma nova embalagem flexível, o PaperPouch. O desenvolvimento
conjunto resultou em um tipo de stand up pouch em que a usual camada
externa de PET foi substituída por uma camada de papel, com o objetivo de
tornar a aparência do PaperPouch diferenciada aos olhos dos consumidores.
A grande maioria dos filmes multicamadas utilizados na produção de stand
up pouches emprega o poliéster nas suas camadas exteriores em virtude de
algumas propriedades interessantes do material
|
para a aplicação: o PET oferece a rigidez necessária
para que as embalagens flexíveis se mantenham eretas na posição
vertical, e também possui resistência mecânica suficiente para manter
a integridade dos pouches no caso de choques mecânicos. No caso do
Brasil, o PET também é escolhido em razão de seu brilho, um traço que
exerce grande influência no consumidor local. Por essa peculiaridade
do brasileiro, que também sente atração pelo colorido forte, as
gôndolas dos supermercados nacionais estão apinhadas com embalagens
flexíveis de aparência brilhante. A Dow e os seus parceiros, por outro
lado, acreditam que o PaperPouch, com sua aparência opaca
proporcionada pelo papel, pode se destacar nas gôndolas em meio ao
brilho predominante, atraindo a atenção do consumidor. |
Cuca Jorge

PaperPouch é alternativa ao domínio do brilho nas gôndolas de mercados |
Dados levantados pela Nielsen, especialista em informações de mercado,
citados por Bruno Rufato Pereira, gerente de marketing na área de
plásticos básicos da Dow Brasil, mostram que 90% dos produtos lançados
pela indústria não possuem nenhum tipo de apoio de comunicação. Eles
nascem, são colocados nas gôndolas dos supermercados, e, a partir desse
momento, contam apenas com as embalagens para se “comunicar” com os
consumidores. Além disso, 80% dos novos produtos fracassam antes do
segundo ano no mercado, e de acordo com a Associação Global para o
Marketing no Varejo (POPAI), 81% das decisões por marcas são feitas no
ponto de venda. A criação do PaperPouch, explica Pereira, acontece
justamente com o intuito de influenciar positivamente esses números.
“Acreditamos que o PaperPouch pode chamar a atenção de um jeito diferente
para a mensagem do fabricante e fazer a diferença na decisão no ponto de
venda”, diz o gerente. Embora a nova embalagem ainda não tenha sido
submetida a testes nos supermercados, Pereira afirma que estudos mostram
que o visual opaco é visto com valor pelos consumidores, e já se constitui
em um fator de diferenciação na gôndola. “Sem dúvidas, o PaperPouch é uma
embalagem diferente, e a probabilidade de uma pessoa olhar para ela
naqueles segundos em que está observando a prateleira é muito grande”,
afirma.
Parceria – O projeto para o desenvolvimento do novo stand up pouch
começou em meados de agosto do ano passado, no Laboratório de Embalagem da
ESPM. A Ibema, produtora de papel cartão e papéis especiais, foi a
responsável pelo desenvolvimento do papel substituto do PET; a Tradbor,
especialista em stand up pouches, ajustou o processo de formação do
PaperPouch, um pouco mais complicado que o de um pouch inteiramente
plástico, e à Dow (com ajuda da convertedora de embalagens Bazei) coube a
definição dos três polietilenos da família Dowlex a serem utilizados no
filme multicamadas, bem como acertos no processo de laminação sem
solventes com o papel. “A substituição de PET por papel não é tão simples.
O papel e o processo de laminação são especiais. Sozinha, a Dow demoraria,
no mínimo, uns dois anos para concluir esse projeto”, explica Pereira,
ressaltando a importância da parceria para o tempo relativamente curto –
cerca de seis meses – gasto no desenvolvimento.
Segundo Rosana Rosa, especialista técnica sênior na área de plásticos da
Dow Brasil, o PaperPouch pode ser usado, a princípio, nos segmentos de
produtos secos, como cereais, chás, molhos desidratados, biscoitos, sopas
e até sabão em pó. O mercado de alimentação animal poderia ser outro alvo,
nesse caso, mediante a adição de uma camada com barreira à gordura. Embora
o primeiro protótipo do PaperPouch não possua essa habilidade, Rosana
afirma que não há maior dificuldade para incorporar esse tipo de
tecnologia, dada a ampla possibilidade de modificação do filme
multicamadas de polietileno. Aliás, toda a linha de acessórios empregada
em stand up pouches tradicionais, como mecanismos para abrir e fechar e
bicos dosadores pode ser transplantada ao PaperPouch.
O potencial de sustentabilidade, no entanto, não parece ser o ponto mais
forte da nova embalagem. Ela pode trazer benefícios ambientais, dependendo
do tipo de embalagem que vier a substituir. Para Pereira, o gerente de
marketing, a troca de uma embalagem mais pesada pelo PaperPouch
provavelmente seria vantajosa para o meio ambiente. Mas o fato é que a
combinação de materiais diferentes dificulta a reciclagem e, ao considerar
o baixo peso do novo pouch e as características da cadeia de reciclagem
brasileira, Pereira prevê que ela não será reciclada – pelo menos na
modalidade mecânica de reciclagem. A reciclagem energética seria a
alternativa viável, mas ela ainda não é empregada em larga escala no
Brasil.
Crescimento – Segundo as informações de Bruno Pereira, o mercado
mundial de stand up pouches rondava 2 a 3 bilhões de unidades por volta de
1993, e hoje já superou a casa dos 30 bilhões. O crescimento anual do
mercado, entre 93 e 2002, foi de 18,2%, enquanto, no mesmo período, a
indústria de embalagens, como um todo, experimentou taxas bem mais
modestas, entre 3% e 4%.
O Japão está entre os maiores produtores e consumidores de stand up
pouches, seguido pelos Estados Unidos e Europa. Na América Latina, a
Argentina se destaca como um mercado importante, à frente do Brasil, que
ainda está em posição muito tímida ante os números mundiais. Muito dessa
situação, no país, é explicado pelo alto custo de implementação da
embalagem e pelo medo da rejeição no mercado.
A adoção de stand up pouches costuma estar associada à utilização da
tecnologia form-fill-seal (ou formar-encher-fechar), a uma altíssima
escala de produção e a grandes investimentos em maquinário. Pereira, no
entanto, acredita que os produtores de embalagens deveriam começar a
considerar a hipótese de produção de pouches por intermédio de máquinas do
tipo fill-seal.
Quando opta pelo processo form-fill-seal, o fabricante de produtos de
consumo adquire um equipamento alimentado por bobinas de filme plástico,
que conforma a embalagem, para depois preenchê-la com o produto a ser
embalado e em seguida fecha a embalagem. Ao optar por um processo
fill-seal, no entanto, o fabricante recebe as embalagens já formadas,
realizando em sua fábrica apenas os processos de enchimento e fechamento
das embalagens. Na hipótese de realização de um teste de mercado, Pereira
afirma que essas operações de fill-seal podem ser feitas até manualmente,
sem a necessidade do investimento em máquinas especializadas na tarefa. O
custo dos testes, desse modo, seria reduzido quase a zero. Testado o
mercado e feita a opção pelos stand up pouches, o fabricante de produtos
de consumo teria à sua disposição diversos equipamentos de fill-seal
nacionais e importados, mais simples e baratos que as máquinas adequadas
ao form-fill-seal.
O gerente de marketing também avalia que a velocidade de produção das
máquinas de form-fill-seal não evoluiu tanto quanto a velocidade das
máquinas de fill-seal. “Para quem tem grandes quantidades de stand up
pouches para encher, é mais interessante crescer no fill-seal e deixar a
formação do pouch para quem sabe fazer isso, com máquinas de maior
velocidade, e que requerem maior investimento. Você tira a dor de cabeça
de formar o stand up pouch na sua casa”, recomenda Pereira. Para uma
empresa como a Fugini, a pioneira dos stand up pouches no país, com os
atomatados, até faz sentido utilizar o processo de form-fill-seal, pois a
linha é ajustada para um único produto, ou para poucos produtos, e não há
necessidades de novas mudanças. Mas como fica uma empresa como a Kraft,
cuja diversidade de produtos é muito maior? Nesse caso, vale mais apostar
no fill-seal, pois as diferentes embalagens são recebidas prontas e
processadas sem maiores tempos de ajuste, ensejando a viabilidade
econômica. Essa é a quebra de paradigma que, na visão do gerente de
marketing, pode mudar a história do stand up pouch no Brasil.
Márcio Azevedo
Polo gaúcho ganha programa
para crescer e se modernizar
Com o propósito de
consolidar o segmento de transformação de plásticos do Rio Grande do Sul,
como polo competitivo e de excelência, foi lançado em 30 de março o
Programa de Desenvolvimento da Indústria de Plásticos. O evento ocorreu na
Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre. O
programa está sustentado em cinco pilares: capacitação técnica e
empresarial, estudos sobre pesquisa, prospecção, conquista de novos
mercados, inovação e articulação institucional.
Entre as atividades que serão realizadas, destacam-se os cursos de
capacitação e liderança, gestão básica e avançada, empreendedorismo,
gestão por indicadores e de projetos, além de sucessão familiar, uma vez
que, segundo pesquisa do Sebrae, entidade que encabeça o projeto, a grande
maioria dos transformadores gaúchos opera em razões sociais familiares e
eles ainda precisam conhecer os modelos mais avançados de administração e
gestão. Das mais de 1.200 empresas de transformação de plástico no estado,
95% são pequenos negócios.
O Sebrae/RS atuará por meio de dois projetos. Um deles na região
metropolitana de Porto Alegre e outro na Serra Gaúcha. A meta é aumentar a
participação das empresas no mercado nacional e internacional, estimulando
a inovação e criando condições para o desenvolvimento de produtos e
processos de alta qualidade.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do
Nordeste Gaúcho, Orlando Marin, o principal objetivo do programa é
aumentar a participação das empresas da indústria gaúcha de transformação
do plástico no mercado nacional e internacional, estimulando a inovação e
criando condições para o desenvolvimento de produtos e processos de alta
qualidade, com valorização do capital humano e da gestão empresarial.
Os principais polos do setor no estado estão localizados na região
metropolitana, muito atuante no segmento de embalagens, região do Vale dos
Sinos, focada no segmento de componentes para calçados, e Serra Gaúcha,
reconhecida como polo de produção de componentes técnicos. Atualmente, a
indústria gaúcha participa com 8% do total produzido no Brasil, sendo o
quarto maior estado, atrás de São Paulo, Santa Catarina e Paraná, nessa
ordem.
Aproximadamente 2,8% da produção estadual é exportada, 51% das vendas
ocorrem dentro do Rio Grande do Sul e os restantes 46,2% são vendidos para
outros estados do país. O Programa de Desenvolvimento da Indústria de
Plásticos é uma iniciativa conjunta do Sebrae/RS, dos Sindicatos das
Indústrias de Material Plástico do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS), do
Nordeste Gaúcho (Simplás) e do Vale dos Vinhedos (Simplavi) e da Braskem.
O projeto também conta com apoio do governo do Estado, por meio das
secretarias de Ciência e Tecnologia (SCT) e do Desenvolvimento e Assuntos
Internacionais (Sedai). São parceiros do programa a Federação das
Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), o Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial (Senai), a Universidade de Caxias do Sul (UCS) e o
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul).
Fernando C. de Castro
Balança de flexíveis entra em déficit depois da crise
O tsunami da crise
financeira mundial, deflagrada no último trimestre de 2008, chegou com
menos força no Brasil que o esperado. Mas a “marola” foi danosa o
suficiente para balançar os números da indústria nacional de embalagens
flexíveis no primeiro semestre de 2009 e prejudicar o desempenho do ano
como um todo. O consumo aparente de embalagens plásticas flexíveis caiu, o
faturamento da indústria também, e a balança comercial do segmento, que
vinha registrando superávits nos últimos anos, se tornou deficitária.
Os efeitos da crise foram apontados em um levantamento da MaxiQuim
Assessoria de Mercado, a pedido da Associação Brasileira da Indústria de
Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief). Os dados obtidos pela empresa de
consultoria mostram que, em 2008, o consumo aparente brasileiro de PEBD,
PEBDL, PEAD e PP atingiu 3,222 milhões de toneladas. Quase metade desse
volume, 49,5%, foi utilizado na produção de embalagens plásticas
flexíveis, totalizando um consumo aparente de 1,596 milhão de toneladas.
Já em 2009, o consumo aparente das quatro resinas caiu para 3,173 milhões
de toneladas. Uma fração um pouco menor do volume de resinas, 47,7%, foi
utilizada na produção de embalagens plásticas flexíveis, que somou 1,514
milhão de toneladas.
A queda de 5,1% no consumo aparente de embalagens plásticas flexíveis foi
atribuída à crise pelo presidente da Abief, Alfredo Schmitt. “A crise
começou no último trimestre de 2008, se estendeu fortemente para o
primeiro semestre de 2009 e, a partir da metade do segundo trimestre de
2009, começou a inversão da tendência ruim. As políticas anticíclicas do
governo ajudaram na reversão, mas a indústria pagou a crise”, disse o
presidente.
A queda no consumo aparente de embalagens plásticas flexíveis reverteu uma
tendência positiva que vinha se configurando a alguns anos no setor. O
mesmo ocorreu com o faturamento, que atingiu R$ 9,02 bilhões em 2009, e
caiu quase 13%, em relação a 2008, quando o faturamento chegou a R$ 10,31
bilhões. A queda foi explicada por Schmitt como consequência da perda de
5,1% na produção, combinada a um preço médio 7,8% inferior.
O dado que parece ter causado maior preocupação ao presidente da Abief, no
entanto, foi a deterioração da balança comercial do segmento. Computada em
toneladas, ela vinha se mantendo superavitária desde 2005 – isto é, o
volume de embalagens exportadas era maior que o volume de embalagens
importadas. A observação da série de dados, entretanto, revela que o saldo
da operação (exportações e importações), mesmo positivo, vinha caindo,
pois as importações cresciam mais rapidamente que as exportações. De 2008
para 2009, porém, a situação se modificou: enquanto as importações se
mantiveram estáveis, no patamar de 77 mil toneladas, as importações se
retraíram, de 80 mil toneladas, em 2008, para 65 mil toneladas em 2009,
ocasionando um déficit de 13 mil toneladas. “A balança comercial veio
perdendo fôlego até passarmos a importador líquido de embalagens plásticas
flexíveis”, disse Schmitt.
A perda de fôlego foi ainda mais pronunciada sob o ponto de vista
financeiro. Em dólares, o déficit vinha se acumulando desde 2005, e chegou
a US$ 165 milhões, no ano passado. “A perda é muito maior em dinheiro do
que em tonelagem. Isso significa que, além de importar mais produtos, em
volumes, importamos produtos com maior valor agregado, superior ao valor
agregado dos produtos que exportamos”, analisou o presidente. Para ele, o
Brasil ainda é um grande exportador de commodities, sendo o BOPP um dos
principais itens da pauta de exportação do setor, e esse material possui
preço relativamente baixo. As importações, por outro lado, buscam atender
a um aumento da demanda por maior valor agregado que não pode ser
satisfeito apenas com a produção nacional. Desse modo, as compras no
exterior trazem ao país embalagens impressas, com várias camadas e um
nível de tecnologia maior. Seu preço, consequentemente, também é mais
elevado. Por conta dessa situação, e de uma fraca cultura exportadora na
transformação brasileira, o presidente da Abief acredita que o déficit da
balança comercial levará alguns anos para ser revertido. Em sua bola de
cristal, ele “vê” as exportações brasileiras, em 2010, retomando ao
patamar de 2008, mas sem superávit comercial.
Sacolas – Schmitt também demonstrou incômodo com o anúncio, por
parte da rede varejista Carrefour, do fim da distribuição gratuita da
sacola do tipo camiseta em suas lojas. No lugar da sacolinha de plástico
tradicional, a empresa francesa passará a disponibilizar sacos de lixo
plástico reciclado a preços subsidiados. “A questão das sacolinhas está
ligada a um marketing ambiental oportunista”, acusou o presidente. O
anúncio da Carrefour, na visão dele, confirma uma desconfiança que a
indústria do plástico sustentou quieta durante muito tempo, por não poder
confirmar suas suspeitas: o varejo intenciona repassar o custo da sacola
para o consumidor, travestindo em política ambiental uma política
comercial ardilosa. “O consumidor terá que comprar algo que antes recebia
de graça. O saco de lixo reciclado é tão plástico quanto a sacolinha.
Aquilo que se achava a muito tempo se descortinou: a real intenção é
vender o saco plástico”, cravou Schmitt.
Na defesa da indústria do plástico, o presidente da Abief lembrou que as
sacolas do tipo camiseta, cujo peso é de 4 gramas, podem transportar até 6
kg, desde que estejam em conformidade com as normas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). “Não existe outra embalagem que
consiga transportar 1.500 vezes seu peso”, afirmou. Apesar da comprovação
científica dessa afirmação, no entanto, o consumidor sente na pele o
problema de qualidade da maioria das sacolinhas distribuídas no mercado
brasileiro, pois – a própria Abief reconhece – apenas 30% delas são
produzidas segundo os preceitos das normas da ABNT.
Márcio Azevedo
Grades de Stat-Loy reduzem custo para combater
estática
A Sabic Innovative
Plastics apresentou para o mercado de dispositivos médicos de inalação
novos grades do composto especial LNP Stat-Loy. Disponíveis em três
sistemas de resinas transparentes: acrilonitrila-butadieno-estireno (ABS);
polimetilmetacrilato/acrílico (PMMA); e Xylex, uma liga de policarbonato
(PC)/poliéster, os materiais contam com propriedades antiestáticas
permanentes.
A eletricidade estática é o maior desafio para o uso eficiente de
dispositivos de inalação, pois faz com que minúsculas partículas do
medicamento acumulem carga eletrostática e se prendam ao dispositivo, em
vez de serem administradas diretamente ao paciente. Os antigos inaladores
utilizavam camadas de revestimento para controlar cargas estáticas,
enquanto as propriedades antiestáticas inerentes aos compostos Stat-Loy
evitam a necessidade de operações secundárias dispendiosas.
Os compostos também visam a garantir a repetitividade na dosagem dos
remédios, além de apresentar resistência a impacto e facilidade de
limpeza. Outro benefício se refere à possibilidade de administrar de
maneira mais eficiente doses completas de pó ou de aerossol ao paciente.
A transparência tem a função de garantir a visibilidade do conteúdo dos
dispositivos, além de oferecer boas propriedades estéticas. Os materiais
podem ser desenvolvidos em diversas cores para aparência mais agradável e
identificação do medicamento. Os compostos LNP Stat-Loy também estão
disponíveis em resinas opacas, como poliamida 6, tereftalato de
polibutileno (PBT), polioximetileno (POM) e polipropileno (PP). Os
fabricantes têm a opção de combinar componentes opacos e transparentes
para fins estéticos ou funcionais.
Esses novos grades são previamente avaliados quanto à biocompatibilidade,
de acordo com a ISO 10993, e contribuem para que os fabricantes agilizem a
conformidade e o tempo de colocação do produto no mercado.
Renata Pachione
Novo presidente da Abiplast critica preços da Petrobras
O presidente da
Vitopel, José Ricardo Roriz Coelho, é o novo presidente eleito da
Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) para o período
2010-2014. Merheg Cachum permanece como presidente-executivo da
associação.
O principal objetivo da gestão de Coelho, declinado na cerimônia da posse,
será aumentar a competitividade da indústria de transformação brasileira.
Enquadra-se nessa meta a redução do déficit na balança comercial do setor,
superior aos US$ 2 bilhões, em 2009, pelo estímulo das exportações.
“Embora nosso setor represente quase 5% dos empregos da indústria de
transformação brasileira, exportamos menos de 0,9% de todos os produtos
transformados do Brasil”, disse o presidente recém-empossado. Ele também
deu uma estocada na Petrobras, lembrando que ela é a “empresa dos
brasileiros” nos momentos convenientes, mas tem uma política de preços das
mais agressivas. “Onde está a vantagem de ser autossuficiente em
petróleo?”, questionou, recebendo os aplausos da plateia. “A Petrobras
precisa reconhecer que as nossas referências de preços de matérias-primas
não representam mais a realidade de quem já é autossuficiente e vai se
tornar um grande exportador de petróleo”, avaliou.
Márcio Azevedo
|
|