Exposição concentra
novidades voltadas
à produção mais limpa


Texto de Rose de Moraes e
fotos de Cuca Jorge

A
nova legislação vigente na Comunidade Europeia desde 1º de janeiro deste ano (Diretiva 2005/69/EC) trouxe novos ares à 9ª Expobor – Feira Internacional de Tecnologia, Máquinas e Artefatos de Borracha, realizada de 13 a 16 de abril, no Expo Center Norte,

em São Paulo, pela Francal Feiras. Os novos paradigmas ecológicos, de respeito ao meio ambiente, e suas implicações tecnológicas para a produção de pneumáticos e de artefatos de borracha, puderam ser conferidos em boa parte dos estandes. As restrições de uso de algumas matérias-primas apresentaram efeitos positivos mostrando que existem alternativas às produções mais limpas e que os novos percursos para a produção podem ser trilhados sem gerar grandes traumas.

Portanto, mais do que ostentar números de visitação – 10 mil pessoas –, ou extensão de área reservada – 16 mil m2 –, a Expobor deste ano, prestigiada por 105 expositores, alcançou grande repercussão por trazer à tona matérias-primas, processos e tecnologias desenvolvidos para oferecer maior sustentabilidade às atividades industriais no campo das borrachas.

Alinhada com esses ditames, a quantiQ vem concentrando esforços na oferta da linha de óleos amigáveis com o meio ambiente, denominada Flex NBS. Além de atender às exigências técnicas da Diretiva Europeia, esses óleos, considerados heavy naftênicos de última geração, possuem propriedades que permitem grande compatibilidade com elastômeros de estireno-butadieno (SBR), amplamente utilizados nas indústrias de pneus.

“Hoje, as indústrias de pneumáticos encontram algumas alternativas para substituir os óleos aromáticos na composição dos pneus, sendo a mais viável por razões de custo e de disponibilidade o uso de óleos naftênicos”, informou Ricardo José Fernandes Verona, gerente da unidade de negócios borrachas e termoplásticos da quantiQ. Os óleos heavy naftênicos apresentam excelente resistência à abrasão, propriedade muito interessante para a indústria de pneus e de solados, e resistem a altas temperaturas de processamento, até 286ºC, como é o caso dos óleos da linha NBS, segundo ele.

Sílicas em micropérolas – Com consumo estimado em torno de 50 mil toneladas/ano, o Brasil reúne boas chances de ser incluído na lista dos mercados atrativos para abrigar produções locais de sílicas de mais alto desempenho, principalmente visando criar maiores facilidades de oferta às indústrias aqui instaladas para se adequarem às novas exigências da Comunidade Europeia, obrigando fabricantes de pneus, a partir de 2012, a estamparem etiquetas contendo informações sobre eficiência energética e consumo de combustíveis nos pneus.

A informação é confirmada pela Rhodia que antecipou durante a Expobor a intenção de programar investimentos futuros na produção local de sílicas precipitadas em micropérolas, as sílicas de alta performance da companhia, empregadas na produção de pneus “verdes” e também em boa soma de artefatos devido à sua grande facilidade de dispersão, sem poluir os ambientes.

Desenvolvidas por meio de processo patenteado pela empresa, as sílicas em micropérolas atendem principalmente o mercado de bandas de rodagem para pneus. Nessa aplicação específica, calcula-se que já tenham abocanhado pelo menos 30% de participação no mercado global, concorrendo com os tradicionais negros-de-fumo.

As possibilidades das sílicas precipitadas em micropérolas, porém, vão mais além de sua utilização nas tradicionais borrachas de SBR e de polibutadieno, estendendo-se à fabricação de ampla gama de artefatos com emprego no setor automotivo, como correias de transmissão para motores de policloropreno, mangueiras de fluidos confeccionadas com borrachas nitrílicas, mangueiras de ar de SBR, perfis de EPDM, anéis de vedação de SBR, incluindo revestimentos de cilindros para impressão fabricados com nitrílicas.

Ao substituir negros-de-fumo por sílicas precipitadas em pneus, consegue-se auferir, segundo o gerente de Pesquisa & Desenvolvimento da Rhodia, Paulo Garbelotto, ganhos substanciais na resistência ao rolamento, além de importantes reduções no consumo de combustíveis, entre 5% e 10%. Pertencentes à família Zeosil 1165MP, as sílicas em micropérolas da Rhodia, segundo ele, tornaram-se referência mundial também porque não geram poeira nas atmosferas de trabalho.

Além das sílicas em micropérolas, a empresa também divulgou outras sílicas da família Zeosil, como a 185GR, a 125GR e a Zeosil Premium 200MP. A 185GR, segundo a empresa, oferece desempenho e translucidez para aplicações de reforço em borrachas. Trata-se de sílica


Garbelotto: micropérolas de silica melhoram o desempenho dos pneus

granulada, desenvolvida nos laboratórios da Rhodia no Brasil, e que tem conquistado especialmente o mercado de solados para calçados esportivos.

A 125GR, também desenvolvida localmente, pode substituir com vantagens tecnológicas e econômicas, segundo a empresa, outros insumos derivados do petróleo que são utilizados na produção de peças técnicas de borracha, como cabos, mangueiras e perfis de borracha. Já a Premium 200MP representa inovação para emprego principalmente na fabricação de pneus.

Para difundir os benefícios decorrentes do uso de sílicas precipitadas não só nos mercados de pneus e de peças técnicas, para os quais oferecem facilidade de dispersão e grande funcionalidade de uso, como cargas reforçantes, Garbelotto chamou a atenção para o emprego dessas matérias-primas também no mercado das borrachas termoplásticas, notadamente de compostos termoplásticos do tipo soft touch em base SEBS (estireno-etileno-butileno-estireno), com vantagens relacionadas com a processabilidade e a reciclabilidade.

“As sílicas precipitadas, enfim, oferecem inúmeros benefícios, destacando-se também na formulação de compostos de borracha com baixo DPC (deformação permanente à compressão), constituindo matérias-primas menos dependentes do petróleo do que os negros-de-fumo, estando, portanto, alinhadas com as atuais tendências de desenvolvimento sustentável”, concluiu Garbelotto, que, além de gerente da Rhodia, também é o atual presidente da Associação Brasileira de Tecnologias da Borracha (ABTB).

Processar sem óleos – A DSM Elastomers do Brasil marcou presença na Expobor deste ano destacando novas tecnologias para o campo das borrachas. Uma delas é a borracha de EPM

(etileno e propileno) Keltan 1200 A. Fabricada por extrusão reativa, essa borracha tem como diferencial a baixíssima viscosidade (2.5 UM-Mooney), caracterizando-se por apresentar alta fluidez. É apropriada para o mercado de plastificantes poliméricos, e ocorre em compostos de EPDM. “Nessa aplicação, o grande objetivo é proporcionar melhorias de processo com formulações de EPDM nas quais é inconveniente o uso de óleos plastificantes, como na fabricação de componentes de freios automotivos, como diafragmas e cubetas, e de anéis de vedação de tubos condutores de água potável, podendo atender nesse último caso às normas do setor relativas às exigências de baixa extração de componentes da fórmula em hexano”, informou Marie Rose Damiani, gerente técnica da DSM Elastomers do Brasil.


Marie Rose indica novo produto para formulação sem óleos plastificantes

Essa borracha torna processáveis os compostos de EPDM, sem a presença de óleos plastificantes, que podem gerar, segundo frisou Marie, contaminações da água potável, oferecendo maior segurança aos fabricantes de tubos para redes de abastecimento.

Outra inovação em borracha destacada pela empresa foi a Keltan Ace 8270. Produzida com a tecnologia Advanced Catalisys Elastomers (Ace), trata-se de novo grade de EPDM para cura por peróxidos. Outra grande vantagem associada a esse grade é oferecer resistência térmica superior em trabalhos contínuos, suportando 160ºC, tendo em vista o grau de resistência das borrachas de EPDM convencionais, que não ultrapassa os 150ºC.

Expansões de capacidade – A Lanxess também marcou presença nesta edição da Expobor, ao divulgar expansões de capacidade na produção de borrachas de alto desempenho em unidades da Alemanha, Estados Unidos e Brasil, somando investimentos totais de 20 milhões de euros.

De acordo com comunicado divulgado na feira, a expansão da capacidade global será levada a efeito na linha de borrachas de polibutadieno, produzida com catalisador de neomídio (Nd-PBR), em unidades localizadas em Dormagen (Alemanha), Orange (EUA) e no Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, Brasil, proporcionando incremento de 50 mil toneladas por ano.

A capacidade adicional visa a atender à crescente demanda global por borrachas de polibutadieno, estimada em cerca de 10% nos próximos anos, principalmente por parte das indústrias de pneumáticos e de reforma de pneus, mas também incluindo as indústrias de solados para calçados, segundo assinalou Humberto Lovisi, head of marketing para a América Latina da unidade de negócios PBR (performance butadiene rubbers) da Lanxess Elastômeros do Brasil.

Na oportunidade, a empresa também divulgou planos voltados à construção de nova unidade de borrachas butílicas em Cingapura, prevista para entrar em operação no primeiro trimestre de 2013. Com capacidade para produzir


Lovisi anunciou projetos de expansão de capacidade para o polibutadieno

100 mil toneladas/ano, a fábrica, instalada na ilha de Jurong, demandará investimentos da ordem de 400 milhões de euros. “Estamos entusiasmados com a retomada desse projeto, que criará a planta mais moderna do mundo de borracha butílica”, afirmou Axel C. Heitmann, chairman do Conselho de Administração da Lanxess.

Em junho de 2009, a empresa havia adiado o início da produção nessa planta para 2014, em virtude dos efeitos da crise econômica global. Isso levou, segundo a empresa, a um período de redução de estoques e de alta volatilidade nos pedidos feitos pelos clientes. No entanto, com a estabilização da demanda ocorrida nos últimos seis meses, a expectativa é a de que o mercado de borrachas butílicas cresça novamente em média mais de 3% ao ano, nos próximos anos, e que as vendas globais de pneus retornem aos níveis pré-crise em 2011 à medida que os níveis de mercado de substituição e de produção de veículos novos forem se recuperando gradualmente. Também foi programada para 2010, a transferência da sede global da unidade de negócios Butyl Rubber, de Fribourg, na Suíça, para Cingapura, tendo a finalidade de melhor atender os aumentos de demanda na Ásia. Atualmente, mais da metade das vendas de borrachas butílicas da empresa é gerada na região asiática, sendo as taxas mais significativas de crescimento observadas principalmente na China, Índia e Coreia do Sul.

De acordo com informações técnicas divulgadas pela Lanxess, as borrachas butílicas possuem alta impermeabilidade ao ar, e são produzidas tendo por base as matérias-primas isobuteno e isopreno. A maior aplicação das butílicas ocorre na fabricação de revestimentos internos e de câmaras para pneus. A indústria de pneus utiliza o halobutil como revestimento interno para pneus de automóveis, caminhões, ônibus e aviões. Já o butil convencional é utilizado em câmaras para pneus e em bolas esportivas. As aplicações especiais incluem vestimentas de proteção, tampas para produtos farmacêuticos, e até gomas de mascar.

A Lanxess também deu destaque na feira ao desenvolvimento de preparados de substâncias ativas e especialidades químicas, como aceleradores, peptizantes, desmoldantes, antiozonantes e agentes de fluxo, e à mais nova geração de borrachas sintéticas (ESBR estendidas), com baixo teor de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP), a fim de atender aos requisitos da legislação ambiental europeia.

“Os produtos Buna Se 1712 Te e Buna Se 1721 Te são polímeros estendidos em óleo Trae, produzido pela Petrobras, enquanto os grades Buna Se 1712 Hn e Buna Se 1721 Hn são estendidos em óleo altamente naftênico, produzido pela quantiQ, estando esses quatro tipos de ESBR disponíveis para o mercado, e sendo comercializados em larga escala para os principais fabricantes de pneus e bandas”, informou Humberto Lovisi.

Com a adoção dos novos óleos, a empresa proporcionará à indústria mundial de pneus e de bandas alternativas viáveis para a produção também de compostos e de artefatos de borracha.

Hidrogenadas de alto desempenho – A nova família de borrachas nitrílicas hidrogenadas da Zeon (Zetpol HNBR), destinada à fabricação de retentores, gaxetas e vedações em geral, também ganhou posição de destaque na exposição. Desenvolvida para processos de injeção de peças com perfis detalhados, essa nova família apresenta, segundo a gerente-geral da Zeon do Brasil, Claudia Maria de Souza, excelente fluidez, facilitando o preenchimento das cavidades dos moldes, e também evita eventuais emendas frias e delaminações.

Mangueiras de uso automotivo, do tipo TDI (turbo diesel injection), também podem contar com as borrachas poliacrílicas da linha HyTemp, concebidas para aplicações que exigem desempenho otimizado, a longo prazo, em ambientes e temperaturas mais severos, além de resistência elevada a óleos, apresentando ainda baixíssima deformação permanente.

Outro destaque ficou por conta das borrachas de epicloridrina (Hydrin), oferecidas ao mercado para substituir as borrachas clorosulfonadas (Hypalon CSM). “Nesse caso, disponibilizamos uma ampla variedade de tipos, para as mais diversas necessidades em termos de resistência a combustíveis, óleos e ozônio, abrangendo aplicações automotivas e industriais”, acrescentou Claudia.

Como ocorre habitualmente nas participações da Zeon na Expobor, o público inscrito no XIII Congresso Brasileiro de Tecnologia da Borracha, evento realizado em paralelo à exposição pela ABTB, também pôde acompanhar duas palestras sobre temas inovadores. A primeira delas, ministrada por Joshua Kelley, químico de aplicações, abordou The Compounding of Polyacrylate Elastomers for Ultimate Performance. O segundo tema versou sobre Innovation in HNBR Elastomers – Improved Performance and Processing e foi apresentado por Mark Jones, cientista de aplicações para as borrachas nitrílicas hidrogenadas Zetpol HNBR.

Preparativos para a alta na demanda – A Itatex também apresentou várias inovações em especialidades minerais para aplicações em borrachas. Uma delas é a carga compósita entre sílica natural amorfa e silicato de alumínio, denominada Itazil 700A, que confere maior amortecimento às borrachas, aumentando, sob outro aspecto, a sua dureza e a sua resiliência, ou seja, elevando sua capacidade de resistir a fissuras.

“A indústria automotiva havia algum tempo requeria esse tipo de desenvolvimento para a fabricação de autopeças, particularmente útil por ter a capacidade de absorver as vibrações, e que pode integrar, por exemplo, os sistemas de suspensão, amortecendo as vibrações do chassi”, informou o engenheiro Antonio Alonso Ribeiro, diretor-presidente da Itatex, de Campinas-SP.

Considerada potente no reforço de artefatos, a nova carga também é especialmente útil em aplicações voltadas a coxins e buchas, peças que estarão livres de sofrer deformações permanentes com o seu emprego e que, antes do seu advento, apenas podiam recorrer às cargas genéricas, como carbonatos de cálcio e caulins.


Ribeiro: ampliação da fábrica atende maior demanda e avanço tecnológico

Há outras inovações em fase de pré-lançamento: Itagel, Itasac 200 Z Plus P e Itamox. A primeira é uma carga mineral compósita de alta tecnologia, que agrega uma matéria-prima orgânica que atua na própria carga, transformando-a em nanopartícula, para aplicações em borrachas, plásticos e tintas. “Seu principal benefício é conferir maior uniformidade aos compostos de borracha e, consequentemente, melhorar as propriedades finais dos artefatos”, afirmou Ribeiro.

O Itasac 200 Z Plus P foi desenvolvido para facilitar a retirada de pós de silos verticais que atuam por gravidade. Trata-se de um caulim calcinado free-flowing que impede a obstrução do fluxo dos materiais em pó, permitindo ganhos de produtividade. No caso de compostos elastoméricos, esse caulim calcinado irá propiciar boas propriedades dielétricas, atuando como barreira térmica, ou como carga de semirreforço, e também como agente fosqueante.
 

Elastômero de silicone busca mercados

Silicones transparentes, apresentados na forma líquida, prometem abrir novos campos de aplicação técnica para as borrachas. A inovação mundial é da Momentive e foi apresentada 

pela primeira vez ao mercado brasileiro na 9ª Expobor. “Trata-se de grade especial deelastômero de silicone (LSR – Liquid Silicone Rubber), na versão transparente (7000), e já patenteado pela empresa, com resistência térmica de 175ºC para uso contínuo, e com propriedades hidrofílicas, e que oferece às indústrias alto grau de pureza e transparência, dispensando qualquer tipo de aditivo”, informou Alexandre Pontes, gerente de vendas de elastômeros da Momentive Performance Materials, de Itatiba-SP.


Pontes (esq.) e Franssen prospectam aplicações técnicas para o produto, que suporta até 175°C

A primeira aplicação do novo silicone surgiu três anos atrás. Oliver Franssen, gerente global de marketing de elastômeros para o setor automotivo, explica que, originalmente, o material foi empregado como componente interno de leds (light emiting diode), sistemas inteligentes de iluminação (fontes de luz), instalados em telefones celulares fabricados em países asiáticos. Nessa aplicação, o componente fabricado com silicone transparente, denominado luz-guia ou difusor de luz, substituiu peças de policarbonatos e acrílicos, com várias vantagens.

A primeira delas está no grau de transparência, comparável ao do vidro, mas muito mais leve. A segunda grande vantagem está na flexibilidade do material para moldagens, não exigindo excessiva preocupação dos transformadores com a tolerância dimensional das peças. Por ser inquebrável, ter baixo módulo, e ser totalmente flexível, pode adaptar-se a diferentes tolerâncias de montagem, segundo Pontes.

“Por muito tempo, o vidro, os acrílicos e os policarbonatos têm sido utilizados para aplicações ópticas, mas as vantagens do silicone transparente LSR7000 residem na combinação de propriedades típicas dos silicones LSR, como alta estabilidade à temperatura, e excelente estabilidade à luz UV e azul, facilidade para processar, com um grau de 95% de transparência, apresentando-se por esses motivos como forte candidato para a produção de lentes e dutos de luz para leds de alta potência para automóveis, para a iluminação de ambientes, entre outras aplicações”, afirmou Pontes.

O novo silicone transparente suscita inúmeras possibilidades de aplicação. Ao percorrer várias partes do mundo para apresentar o novo silicone, Oliver Franssen vem participando de conferências técnicas na Ásia, Europa, América do Norte e também, agora, no Brasil.
Várias aplicações comerciais do novo silicone, como máscaras para mergulho, lentes ópticas, dutos de luz etc., já foram introduzidas na Coreia, China, Itália, Alemanha e Áustria, e novas aplicações surgem a todo momento em outros países, segundo Franssen.

A nova plataforma de elastômeros de silicone da Momentive é ainda mais ampla. A empresa apresentou também na exposição silicones que podem ser curados pela simples exposição à luz UV. “Normalmente, os elastômeros de silicone de alta consistência são vulcanizados com peróxidos pela exposição ao calor. Porém, essa nova tecnologia é composta de catalisador de platina ativado pela exposição à luz UV”, explicou Pontes.

A nova tecnologia permite, portanto, reduzir drasticamente o tempo de cura de peças produzidas por extrusão. “A cura por UV propicia reduzir o consumo de energia e aumentar a velocidade de extrusão, sem detrimento das características físicas dos elastômeros de silicone, não sendo observadas expansões nem contrações térmicas e, portanto, resultando em maior estabilidade dimensional das peças”, informou Pontes.

O tempo de exposição à luz UV para cura pode ser a partir de 0,5 segundos, dependendo da peça, da velocidade do processo e da intensidade da fonte UV. A cura por radiação UV independe do diâmetro e da espessura da peça. Com isso, é possível obter alta velocidade de extrusão, mesmo em se tratando de peças espessas, sem o risco de cura incompleta. Como a cura por UV ocorre na temperatura ambiente, existe a possibilidade de se realizar a coextrusão desse silicone com materiais de baixa resistência à temperatura, como é o caso de poliolefinas e elastômeros termoplásticos. “A nova linha curada por UV representa solução inédita para perfis com secção transversal e formatos complexos, e também para perfis e tubos com grande espessura de parede”, afirmou Pontes.

Outra inovação apresentada na Expobor deste ano trouxe solução mais adequada aos elastômeros de silicone empregados na fabricação de componentes e peças de uso na área médica por afastar o risco de pacientes contrairem infecções hospitalares. Trata-se de nova família de silicones aditivada com compostos antibacterianos com prata. Denominados elastômeros StatSil, estão disponíveis em durezas na faixa entre 20 Shore A e 80 Shore A e trazem várias vantagens: a tecnologia baseada em prata apresenta potente ação antibacteriana e não afeta a processabilidade do material; os requisitos do FDA (Food and Drug Administration) para contato com alimentos também foram atendidos e os testes de biocompatibilidade indicaram o atendimento dos requisitos de órgãos reguladores da área médico-hospitalar, como USP, classe VI, ISO10933, BfR e FDA.

O último (Itamox) teve suas propriedades aprimoradas, especialmente para atender às necessidades do setor das borrachas. Óxido de magnésio altamente reativo, atua como aceptor de ácidos comumente presentes no processamento de borrachas halogenadas, como halobutílicas, fluoradas e cloradas, e como estabilizante térmico. Em algumas composições, como em base EPDM, pode ser empregado no lugar dos óxidos de zinco, oferecendo a vantagem de reduzir o peso do composto final em cerca de 5%.

Outros produtos destacados pela empresa na oportunidade foram o Itasil 2115, o 2115 A, o 2115 D e o 2250 A. O primeiro agrega características importantes às borrachas vulcanizáveis com peróxidos orgânicos: “Proporciona reforço mecânico, por via química, e atua como agente “anti-tack” nos cilindros, notadamente em composições em base EPDM não plastificadas”, informou o diretor.

Os 2115 A e 2115 D também atuam de forma sinérgica com peróxidos orgânicos, enquanto o 2250 A constitui um antichama silanizado, não-halogenado, à base de hidróxido de alumínio e com características free-flowing.

A Itatex também anunciou um novo plano de expansão de capacidade, e que prevê a produção de 2.500 toneladas/mês de especialidades minerais, representando um incremento de 500 toneladas/mês.

“A concorrência externa está forte e nos deparamos a todo momento com as facilidades de importação, mas o mundo todo está exportando e não deveremos permanecer por muito tempo na corrente contrária. O grande trunfo das tecnologias nacionais é saber que são elaboradas com processos e matérias-primas especiais. Temos cargas super-reforçantes, e revestidas com materiais nobres como orgasilanos e silicatos, que tornam as borrachas hidrofóbicas e muito mais resistentes aos esforços mecânicos – dez vezes mais resistentes. O plano de expansão prepara nossa fábrica para acompanhar os avanços tecnológicos e os aumentos previsíveis de demanda por especialidades minerais em vários setores, incluindo borrachas”, declarou Ribeiro.

Ásia em alta – Tecnologias de Taiwan voltadas à injeção e à prensagem de elastômeros foram os principais destaques dessa feira em equipamentos. Totalmente automática, a injetora vertical Pan Stone, projetada com o sistema runnerless – first in-first out (FIFO), produziu durante o evento vedações técnicas em silicone, demonstrando capacidade para injetar simultaneamente em todas as cavidades, sem perda de canais de distribuição (galhos).

Segundo Victor Weng, diretor da Elabor, representante da Pan Stone no mercado brasileiro, com escritório em Mogi das Cruzes-SP, a nova injetora vertical, por operar com multipontos de injeção frios para cada cavidade e ter baixo custo do molde em relação ao bloco frio, propicia economia no uso da borracha e contribui para a produção limpa.

Injetora Pan Stone embute sistema Fifo

Prensa da Nhieho opera com insertos

“A injeção pelo sistema FIFO evita aquecimento pelo excesso de atrito na carga para a câmara de injeção, e também a pré-vulcanização, promovendo a injeção de borrachas de baixa fluidez”, informou Weng. O sistema em demonstração na feira operava com cem cavidades, mas pode comportar moldes com força de fechamento de 1.200 toneladas, segundo o representante.

Outro sistema em demonstração oferecia a concepção de injeção horizontal, ao produzir anéis para vedação. Trata-se da injetora automática para elastômeros, com força de fechamento de 300 toneladas que não requer operador para a alimentação e nem para a extração das peças, fabricada pela Tiekang, e representada no Brasil pela Maximus Italian.

“O projeto dessa máquina, única representante do sistema horizontal em exibição na feira, foi totalmente produzido na Itália, pela Rutil, e a fabricação foi feita em Taiwan, pela Tiekang, por isso, conciliamos a qualidade europeia com custo mais acessível”, observou Massimiliano Protasoni, diretor da Maximus Italian.

Outro equipamento que chamou a atenção do público foi a prensa com 200 toneladas de força de fechamento, para vulcanização a vácuo, concebida especialmente para prensagens com insertos metálicos. Com CLP programável, platô nas dimensões de 510 mm x 510 mm, a máquina oferece a grande vantagem de incorporar sistema automático para a operação de duas prensas.

“Outra qualidade apresentada por esse novo sistema a vácuo é prensar artefatos técnicos, como anéis de vedação e gaxetas, sem porosidades e com alta precisão dimensional, uma vez que o ar presente internamente é totalmente removido”, explicou Giancarlo Cardello, gerente da MagMa-Mix, representante da Nhieho Machinery Factory, de Taiwan, fabricante da máquina.

A Polimate também apresentou inovações de suas representadas. Uma delas foi a máquina para testes de fadiga para análises de crescimento de falhas em compostos de borracha, com tecnologia Metravib. As outras novidades ficaram por conta do analisador mecânico dinâmico DMA 25, também fabricado pela Metravib, que permite a realização de ampla variedade de testes de caracterização de materiais viscoelásticos. Além desses dois, o durômetro Digi-Test, da marca Bareiss, também foi apresentado na feira com destaque. “Trata-se de durômetro modular e microcomputadorizado que permite procedimentos de teste totalmente automáticos, eliminando qualquer influência do operador, e que oferece grande precisão nas medições”, informou o engenheiro Eduardo Soviero, gerente de tecnologia da Polimate.

Extrudados de alto desempenho – Com produção local de negros-de-fumo suficiente para atender à demanda interna e também exportar, a Evonik apresentou produtos desenhados para o mercado das borrachas. O principal destaque ficou por conta dos negros-de-fumo da linha Purex, como o HS 25.

Fabricado pelo processo de fornalha, caracterizado por alta pureza, esse negro-de-fumo combina baixa área superficial com alta estrutura. Tal combinação permite alta dispersabilidade, reduz o tempo de mistura e melhora a sua eficiência. Em muitos casos, compostos de EPDM com alto teor de carga podem ser misturados em uma única etapa.

Segundo Gustavo Pinto, gerente de logística, qualidade e mercado técnico da Evonik, de Paulínia-SP, os negros-de-fumo podem ser avaliados por conta de algumas características relacionadas com a sua área superficial e com o tamanho da estrutura do material.

“Os negros-de-fumo com baixa área superficial em comparação com os negros-de-fumo com mais alta área superficial oferecem maiores benefícios relacionados com sua maior capacidade de dispersão nos compostos de borracha, melhor resistividade elétrica, melhor processamento do composto pela fluidez, seja por extrusão ou injeção, reduzindo a geração de calor no composto final, bem como as sujidades no molde e não gerando rebarbas”, enumerou Gustavo Pinto.

Todos esses atributos foram comprovados com a realização de vários testes direcionados a diversas peças extrudadas de alto desempenho, como mangueiras para refrigeração


Pinto: negros-de-fumo de baixa área superficial garantem maior dispersão

automotiva, perfis de guarnições de veículos, e também peças prensadas que requerem maior fluidez do composto em razão da existência de muitas cavidades no molde de prensagem.

Além da linha Purex, a empresa também destacou negros-de-fumo da linha Ecorax, e as sílicas da marca Ultrasil. Recomendados para aplicações em pneus de caminhões e ônibus, os primeiros também pertencem à família com nanoestrutura, possuem superfície rugosa e promovem interação superior entre cargas e elastômeros. Já as sílicas, com seus vários grades, são voltadas à fabricação de pneus, camelbacks, artefatos técnicos, cabos, solados em geral e compostos de EVA.

Os silanos produzidos pela Momentive também ganharam destaque no Congresso. O gerente de marketing da área de silanos da Momentive para a América Latina, André Victor Danc, levou ao conhecimento do público em conferência as características do novo silano livre de etanol, desenvolvido para a fabricação de compostos de EVA expandido para solados.

Por muito tempo, segundo Danc, os fabricantes de solados recorreram aos silanos para melhorar a resistência à abrasão de compostos de EVA expandido para aplicações em solados. Mais recentemente, porém, a fim de atender aos requisitos de redução das emissões na atmosfera durante a utilização de silanos, a empresa intensificou esforços para encontrar materiais alternativos para a formulação de compostos baseados em elastômeros e borrachas.

“Assim, a Momentive chegou ao novo silano, registrado sob a marca e-free 172, e que atua como agente de acoplamento vinil funcional, promovendo a adesão de polímeros e elastômeros a substratos inorgânicos, incluindo sílica, silicatos e outros óxidos metálicos e, para atender aos requisitos de minimizar as emissões para a atmosfera, esse desenvolvimento contém pouco ou nenhum etanol e não contém metil cellosolve”, informou Danc.

Como iniciativa inédita no setor, a Cya Soluções Químicas patrocinou e promoveu a distribuição gratuita na feira da obra “Borrachas e seus aditivos”. Escrita por Elyo Caetano Grison, e com a colaboração de Emilton Juarez Becker e André Francisco Sartori, a obra descreve elastômeros, tipos de aditivos e relaciona produtos, suas respectivas características, fornecedores, marcas atuais e originais, e aplicações, servindo de guia de informações de grande utilidade para a área de elastômeros.