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Exposição concentra
novidades voltadas
à produção mais limpa
Texto de Rose de Moraes e
fotos de Cuca Jorge
A nova legislação vigente na
Comunidade Europeia desde 1º de janeiro deste ano (Diretiva 2005/69/EC)
trouxe novos ares à 9ª Expobor – Feira Internacional de Tecnologia,
Máquinas e Artefatos de Borracha, realizada de 13 a 16 de abril, no
Expo Center Norte, |
em São Paulo, pela Francal Feiras. Os novos paradigmas ecológicos, de
respeito ao meio ambiente, e suas implicações tecnológicas para a produção
de pneumáticos e de artefatos de borracha, puderam ser conferidos em boa
parte dos estandes. As restrições de uso de algumas matérias-primas
apresentaram efeitos positivos mostrando que existem alternativas às
produções mais limpas e que os novos percursos para a produção podem ser
trilhados sem gerar grandes traumas.
Portanto, mais do que ostentar números de visitação – 10 mil pessoas –, ou
extensão de área reservada – 16 mil m2 –, a Expobor deste ano, prestigiada
por 105 expositores, alcançou grande repercussão por trazer à tona
matérias-primas, processos e tecnologias desenvolvidos para oferecer maior
sustentabilidade às atividades industriais no campo das borrachas.
Alinhada com esses ditames, a quantiQ vem concentrando esforços na oferta
da linha de óleos amigáveis com o meio ambiente, denominada Flex NBS. Além
de atender às exigências técnicas da Diretiva Europeia, esses óleos,
considerados heavy naftênicos de última geração, possuem propriedades que
permitem grande compatibilidade com elastômeros de estireno-butadieno (SBR),
amplamente utilizados nas indústrias de pneus.
“Hoje, as indústrias de pneumáticos encontram algumas alternativas para
substituir os óleos aromáticos na composição dos pneus, sendo a mais
viável por razões de custo e de disponibilidade o uso de óleos naftênicos”,
informou Ricardo José Fernandes Verona, gerente da unidade de negócios
borrachas e termoplásticos da quantiQ. Os óleos heavy naftênicos
apresentam excelente resistência à abrasão, propriedade muito interessante
para a indústria de pneus e de solados, e resistem a altas temperaturas de
processamento, até 286ºC, como é o caso dos óleos da linha NBS, segundo
ele.
Sílicas em micropérolas – Com consumo estimado em torno de 50 mil
toneladas/ano, o Brasil reúne boas chances de ser incluído na lista dos
mercados atrativos para abrigar produções locais de sílicas de mais alto
desempenho, principalmente visando criar maiores facilidades de oferta às
indústrias aqui instaladas para se adequarem às novas exigências da
Comunidade Europeia, obrigando fabricantes de pneus, a partir de 2012, a
estamparem etiquetas contendo informações sobre eficiência energética e
consumo de combustíveis nos pneus.
A informação é confirmada pela Rhodia que antecipou durante a Expobor a
intenção de programar investimentos futuros na produção local de sílicas
precipitadas em micropérolas, as sílicas de alta performance da companhia,
empregadas na produção de pneus “verdes” e também em boa soma de artefatos
devido à sua grande facilidade de dispersão, sem poluir os ambientes.
Desenvolvidas por meio de processo patenteado pela empresa, as sílicas em
micropérolas atendem principalmente o mercado de bandas de rodagem para
pneus. Nessa aplicação específica, calcula-se que já tenham abocanhado
pelo menos 30% de participação no mercado global, concorrendo com os
tradicionais negros-de-fumo.
As possibilidades das sílicas precipitadas em micropérolas, porém, vão
mais além de sua utilização nas tradicionais borrachas de SBR e de
polibutadieno, estendendo-se à fabricação de ampla gama de artefatos com
emprego no setor automotivo, como correias de transmissão para motores de
policloropreno, mangueiras de fluidos confeccionadas com borrachas
nitrílicas, mangueiras de ar de SBR, perfis de EPDM, anéis de vedação de
SBR, incluindo revestimentos de cilindros para impressão fabricados com
nitrílicas.
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Ao substituir negros-de-fumo por sílicas precipitadas
em pneus, consegue-se auferir, segundo o gerente de Pesquisa &
Desenvolvimento da Rhodia, Paulo Garbelotto, ganhos substanciais na
resistência ao rolamento, além de importantes reduções no consumo de
combustíveis, entre 5% e 10%. Pertencentes à família Zeosil 1165MP, as
sílicas em micropérolas da Rhodia, segundo ele, tornaram-se referência
mundial também porque não geram poeira nas atmosferas de trabalho.
Além das sílicas em micropérolas, a empresa também divulgou outras
sílicas da família Zeosil, como a 185GR, a 125GR e a Zeosil Premium
200MP. A 185GR, segundo a empresa, oferece desempenho e translucidez
para aplicações de reforço em borrachas. Trata-se de sílica |

Garbelotto: micropérolas de silica melhoram o desempenho dos pneus |
granulada, desenvolvida nos laboratórios da Rhodia no Brasil, e que tem
conquistado especialmente o mercado de solados para calçados esportivos.
A 125GR, também desenvolvida localmente, pode substituir com vantagens
tecnológicas e econômicas, segundo a empresa, outros insumos derivados do
petróleo que são utilizados na produção de peças técnicas de borracha,
como cabos, mangueiras e perfis de borracha. Já a Premium 200MP representa
inovação para emprego principalmente na fabricação de pneus.
Para difundir os benefícios decorrentes do uso de sílicas precipitadas não
só nos mercados de pneus e de peças técnicas, para os quais oferecem
facilidade de dispersão e grande funcionalidade de uso, como cargas
reforçantes, Garbelotto chamou a atenção para o emprego dessas
matérias-primas também no mercado das borrachas termoplásticas,
notadamente de compostos termoplásticos do tipo soft touch em base SEBS (estireno-etileno-butileno-estireno),
com vantagens relacionadas com a processabilidade e a reciclabilidade.
“As sílicas precipitadas, enfim, oferecem inúmeros benefícios,
destacando-se também na formulação de compostos de borracha com baixo DPC
(deformação permanente à compressão), constituindo matérias-primas menos
dependentes do petróleo do que os negros-de-fumo, estando, portanto,
alinhadas com as atuais tendências de desenvolvimento sustentável”,
concluiu Garbelotto, que, além de gerente da Rhodia, também é o atual
presidente da Associação Brasileira de Tecnologias da Borracha (ABTB).
Processar sem óleos – A DSM Elastomers do Brasil marcou presença na
Expobor deste ano destacando novas tecnologias para o campo das borrachas.
Uma delas é a borracha de EPM
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(etileno e propileno) Keltan 1200 A. Fabricada por
extrusão reativa, essa borracha tem como diferencial a baixíssima
viscosidade (2.5 UM-Mooney), caracterizando-se por apresentar alta
fluidez. É apropriada para o mercado de plastificantes poliméricos, e
ocorre em compostos de EPDM. “Nessa aplicação, o grande objetivo é
proporcionar melhorias de processo com formulações de EPDM nas quais é
inconveniente o uso de óleos plastificantes, como na fabricação de
componentes de freios automotivos, como diafragmas e cubetas, e de
anéis de vedação de tubos condutores de água potável, podendo atender
nesse último caso às normas do setor relativas às exigências de baixa
extração de componentes da fórmula em hexano”, informou Marie Rose
Damiani, gerente técnica da DSM Elastomers do Brasil. |

Marie Rose indica novo produto para formulação sem óleos
plastificantes |
Essa borracha torna processáveis os compostos de EPDM, sem a presença de
óleos plastificantes, que podem gerar, segundo frisou Marie, contaminações
da água potável, oferecendo maior segurança aos fabricantes de tubos para
redes de abastecimento.
Outra inovação em borracha destacada pela empresa foi a Keltan Ace 8270.
Produzida com a tecnologia Advanced Catalisys Elastomers (Ace), trata-se
de novo grade de EPDM para cura por peróxidos. Outra grande vantagem
associada a esse grade é oferecer resistência térmica superior em
trabalhos contínuos, suportando 160ºC, tendo em vista o grau de
resistência das borrachas de EPDM convencionais, que não ultrapassa os
150ºC.
Expansões de capacidade – A Lanxess também marcou presença nesta
edição da Expobor, ao divulgar expansões de capacidade na produção de
borrachas de alto desempenho em unidades da Alemanha, Estados Unidos e
Brasil, somando investimentos totais de 20 milhões de euros.
De acordo com comunicado divulgado na feira, a expansão da capacidade
global será levada a efeito na linha de borrachas de polibutadieno,
produzida com catalisador de neomídio (Nd-PBR), em unidades localizadas em
Dormagen (Alemanha), Orange (EUA) e no Cabo de Santo Agostinho, em
Pernambuco, Brasil, proporcionando incremento de 50 mil toneladas por ano.
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A capacidade adicional visa a atender à crescente
demanda global por borrachas de polibutadieno, estimada em cerca de
10% nos próximos anos, principalmente por parte das indústrias de
pneumáticos e de reforma de pneus, mas também incluindo as indústrias
de solados para calçados, segundo assinalou Humberto Lovisi, head of
marketing para a América Latina da unidade de negócios PBR
(performance butadiene rubbers) da Lanxess Elastômeros do Brasil.
Na oportunidade, a empresa também divulgou planos voltados à
construção de nova unidade de borrachas butílicas em Cingapura,
prevista para entrar em operação no primeiro trimestre de 2013. Com
capacidade para produzir |

Lovisi anunciou projetos de expansão de capacidade para o
polibutadieno |
100 mil toneladas/ano, a fábrica, instalada na ilha de Jurong, demandará
investimentos da ordem de 400 milhões de euros. “Estamos entusiasmados com
a retomada desse projeto, que criará a planta mais moderna do mundo de
borracha butílica”, afirmou Axel C. Heitmann, chairman do Conselho de
Administração da Lanxess.
Em junho de 2009, a empresa havia adiado o início da produção nessa planta
para 2014, em virtude dos efeitos da crise econômica global. Isso levou,
segundo a empresa, a um período de redução de estoques e de alta
volatilidade nos pedidos feitos pelos clientes. No entanto, com a
estabilização da demanda ocorrida nos últimos seis meses, a expectativa é
a de que o mercado de borrachas butílicas cresça novamente em média mais
de 3% ao ano, nos próximos anos, e que as vendas globais de pneus retornem
aos níveis pré-crise em 2011 à medida que os níveis de mercado de
substituição e de produção de veículos novos forem se recuperando
gradualmente. Também foi programada para 2010, a transferência da sede
global da unidade de negócios Butyl Rubber, de Fribourg, na Suíça, para
Cingapura, tendo a finalidade de melhor atender os aumentos de demanda na
Ásia. Atualmente, mais da metade das vendas de borrachas butílicas da
empresa é gerada na região asiática, sendo as taxas mais significativas de
crescimento observadas principalmente na China, Índia e Coreia do Sul.
De acordo com informações técnicas divulgadas pela Lanxess, as borrachas
butílicas possuem alta impermeabilidade ao ar, e são produzidas tendo por
base as matérias-primas isobuteno e isopreno. A maior aplicação das
butílicas ocorre na fabricação de revestimentos internos e de câmaras para
pneus. A indústria de pneus utiliza o halobutil como revestimento interno
para pneus de automóveis, caminhões, ônibus e aviões. Já o butil
convencional é utilizado em câmaras para pneus e em bolas esportivas. As
aplicações especiais incluem vestimentas de proteção, tampas para produtos
farmacêuticos, e até gomas de mascar.
A Lanxess também deu destaque na feira ao desenvolvimento de preparados de
substâncias ativas e especialidades químicas, como aceleradores,
peptizantes, desmoldantes, antiozonantes e agentes de fluxo, e à mais nova
geração de borrachas sintéticas (ESBR estendidas), com baixo teor de
hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP), a fim de atender aos
requisitos da legislação ambiental europeia.
“Os produtos Buna Se 1712 Te e Buna Se 1721 Te são polímeros estendidos em
óleo Trae, produzido pela Petrobras, enquanto os grades Buna Se 1712 Hn e
Buna Se 1721 Hn são estendidos em óleo altamente naftênico, produzido pela
quantiQ, estando esses quatro tipos de ESBR disponíveis para o mercado, e
sendo comercializados em larga escala para os principais fabricantes de
pneus e bandas”, informou Humberto Lovisi.
Com a adoção dos novos óleos, a empresa proporcionará à indústria mundial
de pneus e de bandas alternativas viáveis para a produção também de
compostos e de artefatos de borracha.
Hidrogenadas de alto desempenho – A nova família de borrachas
nitrílicas hidrogenadas da Zeon (Zetpol HNBR), destinada à fabricação de
retentores, gaxetas e vedações em geral, também ganhou posição de destaque
na exposição. Desenvolvida para processos de injeção de peças com perfis
detalhados, essa nova família apresenta, segundo a gerente-geral da Zeon
do Brasil, Claudia Maria de Souza, excelente fluidez, facilitando o
preenchimento das cavidades dos moldes, e também evita eventuais emendas
frias e delaminações.
Mangueiras de uso automotivo, do tipo TDI (turbo diesel injection), também
podem contar com as borrachas poliacrílicas da linha HyTemp, concebidas
para aplicações que exigem desempenho otimizado, a longo prazo, em
ambientes e temperaturas mais severos, além de resistência elevada a
óleos, apresentando ainda baixíssima deformação permanente.
Outro destaque ficou por conta das borrachas de epicloridrina (Hydrin),
oferecidas ao mercado para substituir as borrachas clorosulfonadas (Hypalon
CSM). “Nesse caso, disponibilizamos uma ampla variedade de tipos, para as
mais diversas necessidades em termos de resistência a combustíveis, óleos
e ozônio, abrangendo aplicações automotivas e industriais”, acrescentou
Claudia.
Como ocorre habitualmente nas participações da Zeon na Expobor, o público
inscrito no XIII Congresso Brasileiro de Tecnologia da Borracha, evento
realizado em paralelo à exposição pela ABTB, também pôde acompanhar duas
palestras sobre temas inovadores. A primeira delas, ministrada por Joshua
Kelley, químico de aplicações, abordou The Compounding of Polyacrylate
Elastomers for Ultimate Performance. O segundo tema versou sobre
Innovation in HNBR Elastomers – Improved Performance and Processing e foi
apresentado por Mark Jones, cientista de aplicações para as borrachas
nitrílicas hidrogenadas Zetpol HNBR.
Preparativos para a alta na demanda – A Itatex também apresentou
várias inovações em especialidades minerais para aplicações em borrachas.
Uma delas é a carga compósita entre sílica natural amorfa e silicato de
alumínio, denominada Itazil 700A, que confere maior amortecimento às
borrachas, aumentando, sob outro aspecto, a sua dureza e a sua resiliência,
ou seja, elevando sua capacidade de resistir a fissuras.
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“A indústria automotiva havia algum tempo requeria
esse tipo de desenvolvimento para a fabricação de autopeças,
particularmente útil por ter a capacidade de absorver as vibrações, e
que pode integrar, por exemplo, os sistemas de suspensão, amortecendo
as vibrações do chassi”, informou o engenheiro Antonio Alonso Ribeiro,
diretor-presidente da Itatex, de Campinas-SP.
Considerada potente no reforço de artefatos, a nova carga também é
especialmente útil em aplicações voltadas a coxins e buchas, peças que
estarão livres de sofrer deformações permanentes com o seu emprego e
que, antes do seu advento, apenas podiam recorrer às cargas genéricas,
como carbonatos de cálcio e caulins. |

Ribeiro: ampliação da fábrica atende maior demanda e avanço
tecnológico |
Há outras inovações em fase de pré-lançamento: Itagel, Itasac 200 Z Plus P
e Itamox. A primeira é uma carga mineral compósita de alta tecnologia, que
agrega uma matéria-prima orgânica que atua na própria carga,
transformando-a em nanopartícula, para aplicações em borrachas, plásticos
e tintas. “Seu principal benefício é conferir maior uniformidade aos
compostos de borracha e, consequentemente, melhorar as propriedades finais
dos artefatos”, afirmou Ribeiro.
O Itasac 200 Z Plus P foi desenvolvido para facilitar a retirada de pós de
silos verticais que atuam por gravidade. Trata-se de um caulim calcinado
free-flowing que impede a obstrução do fluxo dos materiais em pó,
permitindo ganhos de produtividade. No caso de compostos elastoméricos,
esse caulim calcinado irá propiciar boas propriedades dielétricas, atuando
como barreira térmica, ou como carga de semirreforço, e também como agente
fosqueante.
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Elastômero de
silicone busca mercados |
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Silicones transparentes, apresentados na forma
líquida, prometem abrir novos campos de aplicação técnica para as
borrachas. A inovação mundial é da Momentive e foi apresentada
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pela primeira vez ao mercado brasileiro na 9ª
Expobor. “Trata-se de grade especial deelastômero de silicone (LSR
– Liquid Silicone Rubber), na versão transparente (7000), e já
patenteado pela empresa, com resistência térmica de 175ºC para uso
contínuo, e com propriedades hidrofílicas, e que oferece às
indústrias alto grau de pureza e transparência, dispensando
qualquer tipo de aditivo”, informou Alexandre Pontes, gerente de
vendas de elastômeros da Momentive Performance Materials, de
Itatiba-SP. |

Pontes (esq.) e Franssen prospectam aplicações técnicas
para o produto, que suporta até 175°C |
A primeira aplicação do novo silicone surgiu três anos
atrás. Oliver Franssen, gerente global de marketing de elastômeros
para o setor automotivo, explica que, originalmente, o material foi
empregado como componente interno de leds (light emiting diode),
sistemas inteligentes de iluminação (fontes de luz), instalados em
telefones celulares fabricados em países asiáticos. Nessa aplicação, o
componente fabricado com silicone transparente, denominado luz-guia ou
difusor de luz, substituiu peças de policarbonatos e acrílicos, com
várias vantagens.
A primeira delas está no grau de transparência, comparável ao do
vidro, mas muito mais leve. A segunda grande vantagem está na
flexibilidade do material para moldagens, não exigindo excessiva
preocupação dos transformadores com a tolerância dimensional das
peças. Por ser inquebrável, ter baixo módulo, e ser totalmente
flexível, pode adaptar-se a diferentes tolerâncias de montagem,
segundo Pontes.
“Por muito tempo, o vidro, os acrílicos e os policarbonatos têm sido
utilizados para aplicações ópticas, mas as vantagens do silicone
transparente LSR7000 residem na combinação de propriedades típicas dos
silicones LSR, como alta estabilidade à temperatura, e excelente
estabilidade à luz UV e azul, facilidade para processar, com um grau
de 95% de transparência, apresentando-se por esses motivos como forte
candidato para a produção de lentes e dutos de luz para leds de alta
potência para automóveis, para a iluminação de ambientes, entre outras
aplicações”, afirmou Pontes.
O novo silicone transparente suscita inúmeras possibilidades de
aplicação. Ao percorrer várias partes do mundo para apresentar o novo
silicone, Oliver Franssen vem participando de conferências técnicas na
Ásia, Europa, América do Norte e também, agora, no Brasil.
Várias aplicações comerciais do novo silicone, como máscaras para
mergulho, lentes ópticas, dutos de luz etc., já foram introduzidas na
Coreia, China, Itália, Alemanha e Áustria, e novas aplicações surgem a
todo momento em outros países, segundo Franssen.
A nova plataforma de elastômeros de silicone da Momentive é ainda mais
ampla. A empresa apresentou também na exposição silicones que podem
ser curados pela simples exposição à luz UV. “Normalmente, os
elastômeros de silicone de alta consistência são vulcanizados com
peróxidos pela exposição ao calor. Porém, essa nova tecnologia é
composta de catalisador de platina ativado pela exposição à luz UV”,
explicou Pontes.
A nova tecnologia permite, portanto, reduzir drasticamente o tempo de
cura de peças produzidas por extrusão. “A cura por UV propicia reduzir
o consumo de energia e aumentar a velocidade de extrusão, sem
detrimento das características físicas dos elastômeros de silicone,
não sendo observadas expansões nem contrações térmicas e, portanto,
resultando em maior estabilidade dimensional das peças”, informou
Pontes.
O tempo de exposição à luz UV para cura pode ser a partir de 0,5
segundos, dependendo da peça, da velocidade do processo e da
intensidade da fonte UV. A cura por radiação UV independe do diâmetro
e da espessura da peça. Com isso, é possível obter alta velocidade de
extrusão, mesmo em se tratando de peças espessas, sem o risco de cura
incompleta. Como a cura por UV ocorre na temperatura ambiente, existe
a possibilidade de se realizar a coextrusão desse silicone com
materiais de baixa resistência à temperatura, como é o caso de
poliolefinas e elastômeros termoplásticos. “A nova linha curada por UV
representa solução inédita para perfis com secção transversal e
formatos complexos, e também para perfis e tubos com grande espessura
de parede”, afirmou Pontes.
Outra inovação apresentada na Expobor deste ano trouxe solução mais
adequada aos elastômeros de silicone empregados na fabricação de
componentes e peças de uso na área médica por afastar o risco de
pacientes contrairem infecções hospitalares. Trata-se de nova família
de silicones aditivada com compostos antibacterianos com prata.
Denominados elastômeros StatSil, estão disponíveis em durezas na faixa
entre 20 Shore A e 80 Shore A e trazem várias vantagens: a tecnologia
baseada em prata apresenta potente ação antibacteriana e não afeta a
processabilidade do material; os requisitos do FDA (Food and Drug
Administration) para contato com alimentos também foram atendidos e os
testes de biocompatibilidade indicaram o atendimento dos requisitos de
órgãos reguladores da área médico-hospitalar, como USP, classe VI,
ISO10933, BfR e FDA. |
O último (Itamox) teve suas propriedades aprimoradas, especialmente para
atender às necessidades do setor das borrachas. Óxido de magnésio
altamente reativo, atua como aceptor de ácidos comumente presentes no
processamento de borrachas halogenadas, como halobutílicas, fluoradas e
cloradas, e como estabilizante térmico. Em algumas composições, como em
base EPDM, pode ser empregado no lugar dos óxidos de zinco, oferecendo a
vantagem de reduzir o peso do composto final em cerca de 5%.
Outros produtos destacados pela empresa na oportunidade foram o Itasil
2115, o 2115 A, o 2115 D e o 2250 A. O primeiro agrega características
importantes às borrachas vulcanizáveis com peróxidos orgânicos:
“Proporciona reforço mecânico, por via química, e atua como agente
“anti-tack” nos cilindros, notadamente em composições em base EPDM não
plastificadas”, informou o diretor.
Os 2115 A e 2115 D também atuam de forma sinérgica com peróxidos
orgânicos, enquanto o 2250 A constitui um antichama silanizado,
não-halogenado, à base de hidróxido de alumínio e com características
free-flowing.
A Itatex também anunciou um novo plano de expansão de capacidade, e que
prevê a produção de 2.500 toneladas/mês de especialidades minerais,
representando um incremento de 500 toneladas/mês.
“A concorrência externa está forte e nos deparamos a todo momento com as
facilidades de importação, mas o mundo todo está exportando e não
deveremos permanecer por muito tempo na corrente contrária. O grande
trunfo das tecnologias nacionais é saber que são elaboradas com processos
e matérias-primas especiais. Temos cargas super-reforçantes, e revestidas
com materiais nobres como orgasilanos e silicatos, que tornam as borrachas
hidrofóbicas e muito mais resistentes aos esforços mecânicos – dez vezes
mais resistentes. O plano de expansão prepara nossa fábrica para
acompanhar os avanços tecnológicos e os aumentos previsíveis de demanda
por especialidades minerais em vários setores, incluindo borrachas”,
declarou Ribeiro.
Ásia em alta – Tecnologias de Taiwan voltadas à injeção e à
prensagem de elastômeros foram os principais destaques dessa feira em
equipamentos. Totalmente automática, a injetora vertical Pan Stone,
projetada com o sistema runnerless – first in-first out (FIFO), produziu
durante o evento vedações técnicas em silicone, demonstrando capacidade
para injetar simultaneamente em todas as cavidades, sem perda de canais de
distribuição (galhos).
Segundo Victor Weng, diretor da Elabor, representante da Pan Stone no
mercado brasileiro, com escritório em Mogi das Cruzes-SP, a nova injetora
vertical, por operar com multipontos de injeção frios para cada cavidade e
ter baixo custo do molde em relação ao bloco frio, propicia economia no
uso da borracha e contribui para a produção limpa.
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Injetora Pan Stone embute sistema
Fifo |
Prensa da Nhieho opera com
insertos |
“A injeção pelo sistema FIFO evita aquecimento pelo excesso de atrito na
carga para a câmara de injeção, e também a pré-vulcanização, promovendo a
injeção de borrachas de baixa fluidez”, informou Weng. O sistema em
demonstração na feira operava com cem cavidades, mas pode comportar moldes
com força de fechamento de 1.200 toneladas, segundo o representante.
Outro sistema em demonstração oferecia a concepção de injeção horizontal,
ao produzir anéis para vedação. Trata-se da injetora automática para
elastômeros, com força de fechamento de 300 toneladas que não requer
operador para a alimentação e nem para a extração das peças, fabricada
pela Tiekang, e representada no Brasil pela Maximus Italian.
“O projeto dessa máquina, única representante do sistema horizontal em
exibição na feira, foi totalmente produzido na Itália, pela Rutil, e a
fabricação foi feita em Taiwan, pela Tiekang, por isso, conciliamos a
qualidade europeia com custo mais acessível”, observou Massimiliano
Protasoni, diretor da Maximus Italian.
Outro equipamento que chamou a atenção do público foi a prensa com 200
toneladas de força de fechamento, para vulcanização a vácuo, concebida
especialmente para prensagens com insertos metálicos. Com CLP programável,
platô nas dimensões de 510 mm x 510 mm, a máquina oferece a grande
vantagem de incorporar sistema automático para a operação de duas prensas.
“Outra qualidade apresentada por esse novo sistema a vácuo é prensar
artefatos técnicos, como anéis de vedação e gaxetas, sem porosidades e com
alta precisão dimensional, uma vez que o ar presente internamente é
totalmente removido”, explicou Giancarlo Cardello, gerente da MagMa-Mix,
representante da Nhieho Machinery Factory, de Taiwan, fabricante da
máquina.
A Polimate também apresentou inovações de suas representadas. Uma delas
foi a máquina para testes de fadiga para análises de crescimento de falhas
em compostos de borracha, com tecnologia Metravib. As outras novidades
ficaram por conta do analisador mecânico dinâmico DMA 25, também fabricado
pela Metravib, que permite a realização de ampla variedade de testes de
caracterização de materiais viscoelásticos. Além desses dois, o durômetro
Digi-Test, da marca Bareiss, também foi apresentado na feira com destaque.
“Trata-se de durômetro modular e microcomputadorizado que permite
procedimentos de teste totalmente automáticos, eliminando qualquer
influência do operador, e que oferece grande precisão nas medições”,
informou o engenheiro Eduardo Soviero, gerente de tecnologia da Polimate.
Extrudados de alto desempenho – Com produção local de
negros-de-fumo suficiente para atender à demanda interna e também
exportar, a Evonik apresentou produtos desenhados para o mercado das
borrachas. O principal destaque ficou por conta dos negros-de-fumo da
linha Purex, como o HS 25.
Fabricado pelo processo de fornalha, caracterizado por alta pureza, esse
negro-de-fumo combina baixa área superficial com alta estrutura. Tal
combinação permite alta dispersabilidade, reduz o tempo de mistura e
melhora a sua eficiência. Em muitos casos, compostos de EPDM com alto teor
de carga podem ser misturados em uma única etapa.
Segundo Gustavo Pinto, gerente de logística, qualidade e mercado técnico
da Evonik, de Paulínia-SP, os negros-de-fumo podem ser avaliados por conta
de algumas características relacionadas com a sua área superficial e com o
tamanho da estrutura do material.
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“Os negros-de-fumo com baixa área superficial em
comparação com os negros-de-fumo com mais alta área superficial
oferecem maiores benefícios relacionados com sua maior capacidade de
dispersão nos compostos de borracha, melhor resistividade elétrica,
melhor processamento do composto pela fluidez, seja por extrusão ou
injeção, reduzindo a geração de calor no composto final, bem como as
sujidades no molde e não gerando rebarbas”, enumerou Gustavo Pinto.
Todos esses atributos foram comprovados com a realização de vários
testes direcionados a diversas peças extrudadas de alto desempenho,
como mangueiras para refrigeração |

Pinto: negros-de-fumo de baixa área superficial garantem maior
dispersão |
automotiva, perfis de guarnições de veículos, e também peças prensadas que
requerem maior fluidez do composto em razão da existência de muitas
cavidades no molde de prensagem.
Além da linha Purex, a empresa também destacou negros-de-fumo da linha
Ecorax, e as sílicas da marca Ultrasil. Recomendados para aplicações em
pneus de caminhões e ônibus, os primeiros também pertencem à família com
nanoestrutura, possuem superfície rugosa e promovem interação superior
entre cargas e elastômeros. Já as sílicas, com seus vários grades, são
voltadas à fabricação de pneus, camelbacks, artefatos técnicos, cabos,
solados em geral e compostos de EVA.
Os silanos produzidos pela Momentive também ganharam destaque no
Congresso. O gerente de marketing da área de silanos da Momentive para a
América Latina, André Victor Danc, levou ao conhecimento do público em
conferência as características do novo silano livre de etanol,
desenvolvido para a fabricação de compostos de EVA expandido para solados.
Por muito tempo, segundo Danc, os fabricantes de solados recorreram aos
silanos para melhorar a resistência à abrasão de compostos de EVA
expandido para aplicações em solados. Mais recentemente, porém, a fim de
atender aos requisitos de redução das emissões na atmosfera durante a
utilização de silanos, a empresa intensificou esforços para encontrar
materiais alternativos para a formulação de compostos baseados em
elastômeros e borrachas.
“Assim, a Momentive chegou ao novo silano, registrado sob a marca e-free
172, e que atua como agente de acoplamento vinil funcional, promovendo a
adesão de polímeros e elastômeros a substratos inorgânicos, incluindo
sílica, silicatos e outros óxidos metálicos e, para atender aos requisitos
de minimizar as emissões para a atmosfera, esse desenvolvimento contém
pouco ou nenhum etanol e não contém metil cellosolve”, informou Danc.
Como iniciativa inédita no setor, a Cya Soluções Químicas patrocinou e
promoveu a distribuição gratuita na feira da obra “Borrachas e seus
aditivos”. Escrita por Elyo Caetano Grison, e com a colaboração de Emilton
Juarez Becker e André Francisco Sartori, a obra descreve elastômeros,
tipos de aditivos e relaciona produtos, suas respectivas características,
fornecedores, marcas atuais e originais, e aplicações, servindo de guia de
informações de grande utilidade para a área de elastômeros.
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