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Cuca Jorge
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Inmetro entra em cena para assegurar cumprimento de norma e
garantir
qualidade dos copos de plástico
Márcio Azevedo
Sustentada pela recente expansão do poder de
compra do brasileiro, a demanda por produtos descartáveis de plástico
continua em crescimento no país. Os copos, símbolo emblemático do setor,
são utilizados diariamente na hora do cafezinho, do chá, da água e do
refrigerante pela sua praticidade, mas às vezes também ganham destaque por
uma busca incessante de diminuição de peso que levou a reduções exageradas
de espessura, em uma situação similar à que acontece com as sacolinhas,
ocasionando a utilização em dobro. Quem ainda não queimou os dedos tomando
café em um copo fino demais? O problema tem sido combatido desde o começo
da década, e novos eventos prestes a acontecer deverão tornar mais rígido
o controle sobre esse tipo de produto, que, é inegável, já melhorou de
qualidade desde os momentos mais dramáticos da economia com matéria-prima.
Antes de tudo é preciso lembrar que as embalagens não entram na conta dos
descartáveis. Descartável é o produto que é comprado para ser utilizado
uma única vez, como muitos copos, pratos e talheres plásticos. No Brasil,
quando se fala desse tipo de artigo, ainda se deve pensar muito em Santa
Catarina, onde começou e mais prosperou a produção de descartáveis no
país. O crescimento do setor, entretanto, levou à construção de fábricas
em outros estados, como em Minas Gerais e São Paulo, algumas delas
pertencentes aos próprios grupos empresariais catarinenses. O grande polo,
porém, ainda é o sul daquele pequeno estado, e basicamente, a região de
Criciúma. Segundo Otávio Carvalho, diretor da consultoria Maxiquim,
trata-se de um verdadeiro exemplo de cluster, onde se avizinharam
produtores de máquinas, resinas e moldes – tudo que gira em torno da
produção do descartável. “É uma cadeia completa”, diz Carvalho.
Pelas estimativas da Maxiquim, o setor de descartáveis do Brasil demandou
cerca de 100 mil toneladas de resinas em 2009. Não há uma pesquisa mais
profunda sobre a fatia da participação do cluster barriga verde na demanda
total do segmento no país, mas o diretor da consultoria arrisca algo
próximo a 60%. Em seu início, o polo consumia maciçamente o poliestireno
(PS), mas atualmente há uma fatia importante da demanda direcionada ao
polipropileno (PP), quase exclusiva para a produção dos copos. As duas
resinas praticamente monopolizam as aplicações. Ao considerarmos a demanda
total do polo, o PS ainda revela amplo domínio, respondendo por um consumo
de 73 mil toneladas em 2009, contra 28 mil de PP. Entre os copos, porém, o
consumo se divide igualmente entre as duas resinas. Muito desse avanço é
creditado a uma iniciativa da Braskem, há cerca de cinco anos, de oferecer
máquinas para o processamento de PP, em regime de comodato, aos produtores
catarinenses. Há também os que creem no melhor apelo da poliolefina entre
os consumidores, decorrente de melhores propriedades mecânicas. Carvalho
lembra que durante algum tempo o PP foi mais barato que o PS, mas o
investimento para a troca das máquinas requer um capital importante, e o
empurrão aconteceu com a possibilidade do comodato oferecido pela Braskem.
Mais renda, mais descartáveis – Mesmo sem o registro de séries
históricas para comprovar o desempenho das vendas de descartáveis no
Brasil, o diretor da Maxiquim explica que este segmento está bastante
ligado ao comportamento da renda nacional e do crescimento econômico. “Nós
vimos um crescimento importante da renda do trabalhador e a diminuição do
índice de desemprego, e esses fatores aumentam o consumo de produtos
plásticos, inclusive dos descartáveis. As vendas vêm em uma tendência de
crescimento, pois são produtos muito práticos, bastante utilizados em
pequenos eventos, como o famoso churrasquinho na laje”, exemplifica
Carvalho. O evento pode ser pequeno, mas a quantidade de pessoas
geralmente é maior que a de pratos de vidro disponíveis – e daí a
praticidade, pois em qualquer mercadinho da esquina é possível comprar
pratos, copos e talheres descartáveis. Grosso modo, é essa a lógica de
parte da demanda.
Os copos, sem dúvida, representam a maior fatia dos produtos descartáveis
de plástico. Fato que é de simples percepção: basta atentarmos para a
quantidade de locais onde se consome intensivamente água, café ou chá,
como escritórios, refeitórios, restaurantes e repartições públicas. Embora
os produtos descartáveis sejam essencialmente commodities, são daquelas
que “viajam muito mal”, como diz o diretor da Maxiquim. Há poucas chances
para o comércio internacional desse tipo de artigo. A logística é
desfavorável, pois os artefatos são muito leves, e muito ar acabaria sendo
“transportado” nas transações com o exterior. “Nós não percebemos muitos
movimentos de importação ou exportação desse tipo de produto”, avalia
Carvalho. Por isso, a competição no setor é sempre mais local, do que
regional ou internacional.
A crise financeira mundial, entre o último trimestre de 2008 e o primeiro
semestre de 2009, foi mais danosa aos produtos duráveis. Os descartáveis,
bens não-duráveis, não sentiram os problemas na mesma intensidade.
Carvalho pondera que a retração dos gastos com bens duráveis pode até ter
favorecido a realização do tal pequeno evento no quintal de casa que move
parte do setor.
Mais incômoda é a eterna discussão sobre o preço das matérias-primas. Mas
para os que já estão se armando para maldizer a Petrobras, o diretor
pondera que mesmo a estatal não tem muito poder para determinar o preço da
nafta petroquímica, pois embora o Brasil já seja autossuficiente em
petróleo, ainda importa o derivado. A situação tende a mudar, com a
construção de refinarias e a chegada do óleo do pré-sal ao mercado, mas
isso só aconteceria em um horizonte de no mínimo meia década. Até lá, não
é possível criar uma fórmula de preço made in Brazil, que só vingará com a
autossuficiência na produção dos derivados de petróleo. “Dificilmente
resolveremos essa questão um pouco complicada que é o alinhamento do preço
interno aos preços internacionais”, prevê Carvalho.
Do lado das resinas, embora a produção local supra o mercado, o país pode
precisar importar PP se a oferta não crescer no tempo adequado, como na
hipótese de um atraso na entrada em produção do complexo petroquímico
carioca, o Comperj. Aliás, mesmo hoje, sem falta do produto, já existe uma
importação de 15% a 20% do PP consumido nos descartáveis, movimento que se
deu simultaneamente à concentração na segunda geração, e que se mantém em
expansão. No PS, que ainda representa o grosso da demanda, a concentração
não é tão pronunciada. Há quatro fornecedores locais (Dow, Videolar,
Innova e Unigel, que adquiriu o antigo negócio da Basf) e um excedente
exportável, que desestimula as importações, além de uma oferta restrita do
material no mercado internacional.
Problema mesmo, no entanto, é o peso dos tributos. A carga tributária alta
gera o principal malefício que Carvalho vê ao setor: a informalidade e,
com ela, a competição desleal, o estabelecimento de uma referência de
preços artificialmente baixos e a baixa qualidade dos produtos. Esse
último item, por sinal, sempre é polêmico, em especial no tocante aos
copos. Muitos se quebram facilmente, outros são tão finos que, sem usar
dois deles, o café queima os dedos.
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Normatização – Para alterar essa situação, em
2002 foi criada a primeira norma técnica do país regulando os copos
descartáveis, a NBR 14865:02. “Foi a primeira do Brasil, e eu vou ser
atrevido: não existe outra norma para copos plásticos no mundo”, diz
Paulo Dacolina, diretor-superintendente do Instituto Nacional do
Plástico. O porquê dessa primazia? “Eu tenho uma coleção de copos
estrangeiros e eles dão de dez a zero nos copos brasileiros”, afirma
Dacolina, amparado por ensaios com copos oriundos do mundo ocidental
desenvolvido e da América Latina, que mostram que o brasileiro é o
pior deles. Em seguida, ele faz a defesa das duas únicas empresas que
a seu ver fabricam produtos em conformidade com a norma no Brasil:
Zanatta e Dixie Toga. |
Cuca Jorge

Dacolina, do INP, vê copo do país na lanterna da qualidade |
Sem uma outra norma internacional como base de comparação, exceto uma
expedida pelo exército americano, para copos de papel, na década de 40, o
INP buscou auxílio do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) para o
desenvolvimento de uma metodologia para o aferimento da qualidade dos
copos. O esforço levou à determinação das massas “razoáveis” para copos de
diversos volumes, intermediária entre o que seria a massa necessária a um
produto de ótima qualidade e a massa de um copo inutilizável. Essa massa
mínima, apenas aceitável na visão de Dacolina, foi a escolhida como o
padrão a ser exigido pela norma. Exemplificando: o copo de 300 ml deveria
ter massa mínima de 3,3 g; o de 200 ml, no mínimo 2,2 g.
O processo de elaboração da norma contou com a participação de diversos
transformadores, que aprovaram os limites. Apesar disso, e do esforço de
sensibilização do INP com os pouco mais de 20 produtores nacionais,
Dacolina afirma que apenas Zanatta e Dixie Toga haviam se adequado à
norma, dois anos após a sua criação.
Até então, o INP apenas avisava as empresas fora de conformidade, após
comprar copos no mercado e testá-los. Mas os avisos não tinham maior
efeito, e o problema foi levado ao ministério público de Santa Catarina,
onde se concentrava a produção. Dessa intervenção resultou um termo de
ajustamento de conduta (TAC) assinado pelos produtores catarinenses, e a
criação de um prazo para o adequamento à norma.
Esgotado o prazo, o INP constatou mais uma vez que a maior parte dos
produtores não havia se adequado, e os promotores catarinenses processaram
os produtores do estado, aplicando multas na casa dos milhões de reais.
Essa ofensiva do poder público provocou uma mudança de comportamento em
muitos dos fabricantes, que passaram a fabricar copos mais próximos do
preconizado pela norma, com qualidade melhor.
Em 2006, o ministério público federal em Goiás chamou os produtores para a
assinatura de novo TAC. Como, mais uma vez, a medida não foi suficiente
para regularizar o mercado, o INP e o Instituto Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) começaram um trabalho
conjunto com vistas à compulsoriedade do selo de qualidade do segundo nos
copos. Essa iniciativa foi concluída, e em breve será lançada uma portaria
de consulta nacional quanto ao assunto. Se ela for aprovada, todas as
empresas fabricantes deverão ser certificadas pelos organismos de
certificação de produtos credenciados do Inmetro. Para isso, deverão
possuir um sistema de gestão da qualidade (correspondente a cerca de um
terço do preconizado na ISO 9000) e laboratório de análise da própria
produção, aferido pelo Inmetro. Conquistada a certificação, o produtor
está habilitado a comprar o selo de qualidade do Inmetro, e só a partir
deste momento estará apto à fabricação. Aqueles que desrespeitarem a norma
estarão sujeitos à apreensão dos lotes em desconformidade e, no caso mais
drástico, ao fechamento da fábrica.
Se a portaria for aprovada, os produtores deverão ter um prazo para a
adaptação, e provavelmente mais outro para a venda dos estoques
existentes. Após esses períodos, Dacolina afirma que nenhum copo poderá
ser vendido no país sem que o fabricante seja certificado.
Cizânia – Desde que foram processados, em 2006, os produtores
catarinenses contestam a norma da ABNT. Dacolina rebate, dizendo que os
próprios produtores participaram da confecção da regra, e que mesmo o copo
produzido dentro do padrão da norma ainda é um copo de baixa qualidade, em
vista dos copos internacionais.
No próximo dia 18, ocorre a abertura do processo de revisão da norma da
ABNT. Dacolina crê que os transformadores tentarão baixar as massas
mínimas nessa revisão, mas acredita que faltam argumentos técnicos para a
decisão.
Visão oposta possui o diretor-comercial da Copobras e presidente do
Sindicato das Indústrias dos Descartáveis Plásticos do Estado de Santa
Catarina, Mário Schlickmann, que não está de acordo com as massas mínimas
previstas na NBR 14865:02. Ele invoca argumentos técnicos e cita
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levantamentos feitos em laboratório, segundo os quais
uma redução significativa na massa, de 25%, ainda permite produzir um
copo com resistência à compressão lateral e sem prejuízo de qualidade
ao consumidor. Na revisão que a norma sofrerá, a proposta de
Schlickmann será a da redução de um quarto. “Já está comprovado que o
copo com 25% a menos de massa atende ao requisito de resistência à
compressão lateral da norma. Mas o foco não pode ser apenas na massa”,
diz, referindo-se ao fato de que o transformador acaba utilizando
cargas de material reciclado na fabricação de copos que reduzem sua
resistência mecânica. “É melhor fazer um copo mais leve. Isso
impossibilita a utilização de reciclado, e com material virgem o copo
terá qualidade melhor”, acredita. |
Divulgação

Schlickmann: norma NBR não reflete
situação do mercado |
E quanto aos números do INP, mostrando o copo brasileiro como um dos mais
leves do mercado? Para o diretor-comercial da Copobras, há algumas
explicações: os fabricantes do Brasil, nos últimos dez anos, se
aprimoraram na produção; os copos locais são estriados, com melhor
resistência, e os internacionais não; e a norma, aos oito anos de idade,
já não reflete a evolução do transformador.
No entanto, fazer um copo com menor massa é também uma tarefa mais
complexa. Schlickmann acredita que os produtores catarinenses estão
preparados para tal, mas desde que a norma também se torne mais tolerante
no quesito margem de erro. “Não há condição de atender à norma da maneira
como ela está hoje. Para fazer isso, o produtor precisa elevar em 5% a
quantidade de resina para enquadrar-se no intervalo de variação aceito e
ele não vai se sujeitar a isso”, afirma, argumentando que o motivo pelo
qual muita gente fica de fora da norma é porque ela é restritiva demais.

A Copobras é a maior produtora de descartáveis do país. Ela fabrica cerca
de 2 mil toneladas mensais de copos, tampas, potes e pratos de PP, PS e
poliestireno expandido (EPS). A predominância é dos copos, com 80% da
produção, feitos de PP e PS. Até hoje, não são feitos copos de EPS, mas a
Copobras vai investir na resina e deverá colocar copos desse tipo no
mercado brasileiro a partir do ano que vem. Para o diretor-comercial da
Copobras, o EPS confere ao copo uma qualidade superior à proporcionada por
PP e PS, principalmente no quesito das propriedades térmicas. Como todo
material expandido, o EPS oferece maior isolamento ao fluxo térmico que as
duas outras resinas e mantém a temperatura do líquido por mais tempo, o
que o torna apropriado tanto para copos de bebidas quentes quanto de
geladas. “Com o crescimento do poder aquisitivo, as pessoas estão querendo
copos de maior qualidade”, diz o diretor.
A Copobras começou no negócio de copos como a maioria dos produtores,
transformando PS. Mas a mesma demanda mais exigente que poderá fazer o EPS
entrar nos copos foi a responsável pela ascensão do PP, cujo consumo no
segmento de copos descartáveis cresceu bastante desde a introdução da
resina há cerca de cinco anos. “O PP oferece uma qualidade melhor que o
PS, com o atrativo de sua alta transparência.”
Crescimento em aceleração – O setor de descartáveis tem crescido em
média 5% ao ano. Schlickmann, no entanto, acredita que essa taxa histórica
deverá ser superada, por conta de um crescimento do PIB brasileiro mais
acentuado e de maneira sustentada por um período de tempo maior que o
costumeiro. Esse crescimento da demanda virá basicamente do aumento da
renda do brasileiro, aliada à praticidade que o copo descartável
proporciona. Outro fator que Schlickmann aponta como favorável ao
crescimento do consumo de descartáveis é o advento da gripe suína. Ele
acredita que a doença fará crescer a rejeição ao emprego de copos
reutilizáveis, e aproveita a ocasião para apresentar o copo descartável
como um aliado da saúde pública.
Apesar desse panorama de crescimento mais acelerado, a tentativa da
Copobras de estabelecer uma base produtiva em São Paulo não vingou. O
motivo apontado, entretanto, não foi a falta de demanda para os produtos
descartáveis, mas dificuldades “operacionais”. Traduzindo: além de
incentivos mais interessantes oferecidos em Minas Gerais, a região
escolhida pela Copobras para a fábrica paulista se mostrou problemática em
termos de segurança. “Em dois meses, foram quatro assaltos à empresa. Esse
foi o grande problema.”
A Copobras não passou ao largo da crise financeira entre o final de 2008 e
o primeiro semestre de 2009, e também experimentou uma retração nos
negócios. Embora, de fato, a crise não tenha sido tão pronunciada no
Brasil como na Europa ou nos Estados Unidos, as vendas da Copobras caíram
cerca de 15% por conta da demanda em baixa. A reversão do cenário ruim
começou no segundo semestre do ano passado. Aliás, o segundo semestre,
historicamente, sempre é melhor para a indústria de descartáveis plásticos
que o primeiro, e não foi diferente em 2009, embora a primeira metade do
ano tenha oferecido uma base fraca para a comparação com a segunda.

Nem bem as vendas voltaram a se recuperar, porém, e a Copobras já precisou
lidar com os expressivos aumentos nos preços da resina nos primeiros meses
de 2010. “No momento em que esperávamos passar a vender mais, pois os
preços se encontravam estáveis, fomos surpreendidos com os aumentos.”
Schlickmann diz que, nesse panorama, a “luta” para realizar os negócios
está grande, pois a Copobras tem entre sua clientela grandes empresas
varejistas e atacadistas, cujo poder de barganha é reconhecidamente maior
que o do transformador de descartáveis. Não que os aumentos tenham sido
completamente absorvidos pelas empresas da terceira geração, mas o repasse
acontece aos poucos, em parcelas, causando dificuldades operacionais ao
setor. “O preço alto das resinas é hoje o grande problema para os
produtores de descartáveis, por causa de aumentos na faixa dos 25%”,
queixa-se o diretor da Copobras. Ele se junta ao coro dos descontentes com
as cotações das resinas nacionais, lembrando que, no caso do PS, a resina
importada chega a ser até 12% mais barata que a nacional. No entanto, ele
se diz esperançoso de que está para haver um alinhamento dos preços
internos com os internacionais.
O outro assunto que aflige os transformadores brasileiros, em geral, é o
Fisco, principalmente quando se fala do IPI. Como ele é um tributo
não-cumulativo, o montante do imposto embutido na compra de resina é
abatido do valor devido na venda do produto transformado. A cadeia do
plástico, até a segunda geração, paga 5% de IPI na compra e na venda, mas
a terceira compra resinas a 5% e fabrica artigos taxados com alíquota até
com 15%. A diferença é repassada pela transformação, pelos seus clientes,
e acaba no bolso do consumidor final, encarecendo os produtos. “Além
disso, a alíquota do IPI é uma grande incentivadora da sonegação fiscal”,
acrescenta.
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