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Setor se empenha na busca de fluidos mais
amigos do ambiente
Simone Ferro
Depois
de erradicar a produção dos clorofluorcarbonos (CFCs), o desafio das
indústrias do setor tem sido o de oferecer substitutos eficientes e
competitivos para os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs). Menos agressivos à
camada de ozônio, os HCFCs surgiram como opção aos CFCs, mas estão com os
seus dias, ou melhor, anos contados.
As restrições atingem diretamente os importadores de substâncias HCFCs,
que trabalham com cotas desde 2009, e também os usuários de fluidos
refrigerantes, entre eles os fabricantes de chillers, destinados a
resfriar água e demais fluidos empregados na moldagem de resinas
plásticas.
Atinge também os fabricantes de componentes para essas máquinas. Em média,
os resfriadores têm dez anos de vida útil, e podem demandar a troca do gás
refrigerante durante esse período. Por isso, os equipamentos precisam de
sistemas que permitam e até simplifiquem a substituição dos fluidos,
quando necessário. Além da eficiência, o custo e a disponibilidade dos
componentes no mercado nacional também pesam na decisão das indústrias do
setor no momento de definir o refrigerante a ser adotado, e talvez
representem um dos principais gargalos.
Afinal, os fluidos devem atender às características de operação dos
compressores. A compatibilidade evita perdas de eficiência e o consumo
excessivo de energia elétrica, duas questões tão relevantes para o debate
ambiental quanto a eliminação dos clorados.
O diretor-industrial da Refrisat, Carlos Pereira, exemplifica bem essa
situação. Segundo ele, a empresa está capacitada a atualizar a totalidade
da sua linha de produtos, mas, por limitações de disponibilidade de
componentes entre os fornecedores mundiais, ainda não é possível a
fabricação rápida de alguns modelos ou com a mesma agilidade dos modelos
atuais. Muitas vezes essa é uma linha de corte, fazendo com que alguns
clientes optem por equipamentos abastecidos por HCFCs, em razão da
facilidade de estoque e manutenção de peças.
O R-22 ainda é o HCFC mais empregado pela indústria nacional de chillers.
Seu índice de degradação da camada de ozônio é vinte vezes menor que o do
CFC R-12, mas possui alto poder de aquecimento global. A contribuição dos
gases refrigerantes para o efeito estufa se tornou outro parâmetro
importante na avaliação do desempenho dos fluidos e equipamentos, e um dos
temas debatidos entre cientistas, especialistas do setor e ambientalistas.
“O R-22, principal alternativa na substituição dos CFCs, por apresentar
boas propriedades técnicas foi amplamente utilizado”, afirma o gerente de
negócios da DuPont Fluorquímicos para a América Latina, Maurício Xavier
Na avaliação de Xavier, aos poucos o mercado está tomando consciência da
necessidade de substituir o R-22 por outros fluidos “ambientalmente
aceitáveis”, segundo definiu. Nessa categoria estão enquadrados os
hidrocarbonetos, CO2, assim como os halogenados compostos por
hidrofluorcarbonos (HFCs).
A procura por substitutos eficientes aos refrigerantes clorados ganhou
força com a assinatura do Protocolo de Montreal, em 1987. Desde então,
surgiram novas promessas intituladas ecológicas, como os HFCs já citados.
O R-134a faz parte dessa categoria, que substitui o R-12 em geladeiras; e
o R-404a, alternativa para o R-502, mais utilizado em freezers.
Na indústria de chillers, destacam-se algumas opções como o R-407c, R-410
e o R-134a. “Basicamente, todo o mercado utiliza R-22 porque ainda há
dificuldades de disponibilidade imediata de componentes importados
específicos para R-407c ou R-410. Além disso, preço e desempenho também
pesam na decisão”, explica o vice-presidente para a América Latina da
Piovan, Ricardo Prado.
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Na avaliação de Prado, a exemplo do que ocorreu na
extinção do R-12, o tempo de vida dos HCFCs, em especial o R-22,
depende muito das indústrias de componentes. “Se uma quantidade
expressiva de fabricantes oferecer componentes para o R-410 haverá
maior interesse neste fluido, ocasionando redução dos seus preços e
aumento dos custos do R-22.” A Piovan utiliza o R-407c e R-22 nos
equipamentos de produção local, e o R-407c, R-410 e R-134 nos
importados.
O R-407c é uma mistura de três fluidos refrigerantes à base de HFC.
“Foi desenvolvido para a substituição do R-22, em equipamentos novos
de média e alta |
Cuca Jorge

Para Prado, tempo de vida dos HCFCs depende das indústrias de
componentes |
temperatura de expansão. Também pode ser uma opção para retrofit”, diz
Xavier. Outra opção para a substituição do HCFC e retrofit em resfriadores
com condensação a água e expansão direta é o R-422D.
Entre as vantagens, Xavier cita menor temperatura de descarga,
possibilitando o aumento da vida útil do compressor; não oferece potencial
de degradação da camada de ozônio e permite a utilização contínua do
equipamento existente. “Além disso, não são tóxicos nem inflamáveis.”
Segundo Xavier, um fator relevante na seleção do produto ideal é a
facilidade de substituição proporcionada pelo mesmo.

Segundo ele, alguns substitutos exigem a modificação do projeto dos
equipamentos ou mesmo a utilização de uma nova tecnologia, ao passo que
outros fluidos, como os halogenados, permitem uma substituição mais
simples com base na tecnologia existente. “Alguns produtos desta categoria
permitem que seja realizado retrofit com praticamente nenhuma modificação
do sistema original.”
Além do protocolo – Algumas batalhas importantes já foram vencidas
no período pós-protocolo. O banimento dos CFCs é a principal delas. Mas
ainda resta o trabalho de manejo do passivo dessas substâncias, que inclui
recolhimento, reciclagem e regeneração.
Outra vitória se refere à antecipação dos prazos estipulados pelo
Protocolo de Montreal, em muitos países signatários. No Brasil, algumas
ações preparatórias, como a elaboração da Instrução Normativa Ibama nº
207, de 19 de novembro de 2008, já em vigor, estabelece limites para as
importações de HCFCs.
Trata ainda das diretrizes para a elaboração do Programa Brasileiro para
Eliminação dos HCFCs, cujo objetivo é definir a forma como esses
compromissos serão cumpridos. O projeto iniciado em 2002 deverá ser
concluído em agosto deste ano. “No Brasil, foram estipulados prazos mais
rígidos se comparados ao Protocolo de Montreal, com o objetivo de
restringir as importações de substâncias HCFCs”, diz Xavier.
Em janeiro de 2009, foram definidas cotas de importação apenas para as
empresas que já haviam importado tais fluidos durante os anos de 2005 a
2008. A cota de importação teve como base a quantidade importada no ano de
maior consumo de HCFC, considerando o período de 2006 a 2008. “No Brasil
não há produção de substâncias HCFCs, apenas importação.”
A partir de 2010 e até 2012, a cota de importação deverá ser igual ao
consumo efetivo do ano anterior, corrigido pela taxa de variação do PIB.
“Para o período de 2013 a 2040, podemos considerar os prazos estabelecidos
pelo Protocolo de Montreal.” Em 2013, o congelamento das importações terá
como base o consumo médio de 2009 e 2010.
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