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P L A S T I C U L
T U R A |
O engenheiro agrônomo Gilberto J. B. de Figueiredo, da Casa de Agricultura
de Guararema, um braço da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati),
extensão rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de
São Paulo, testemunha avanço significativo da utilização de plástico nos
últimos anos no Alto Tietê (região de Mogi das Cruzes), principalmente
mulching no cultivo de hortaliças e telados para fruticultura, o caqui em
especial. “Não tenho o volume de crescimento, mas com certeza é algo em
torno de 20% ao ano, no mínimo”, diz. Também os ganhos de produtividade e
qualidade motivam os produtores, que se tornam empresários rurais.
“Percebo que no estado de São Paulo vem aumentando o interesse dos
produtores, principalmente de hortaliças, por essa técnica, por causa do
número crescente de consultas de colegas de outras regiões do estado sobre
o assunto”, conta.
A Cati já desempenhou importante papel na divulgação dos benefícios dos
agrofilmes, com comissões técnicas de plasticultura e especialistas
sediados nas casas de agricultura. Por falta de recursos financeiros,
porém, esse trabalho minguou até cessar anos atrás. Agora, sinaliza uma
retomada. Segundo Figueiredo, a Cati está reorganizando a comissão técnica
para o fomento da atividade.
Pouco divulgada, uma linha de financiamento por meio do Feap – Fundo de
Expansão do Agronegócio Paulista/Banagro, disponibilizado pela Secretaria
de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, contempla, entre
outros empreendimentos, a utilização do plástico no agronegócio. “Existe,
mas o produtor não sabe”, lamenta Bliska.
Com taxas de juros de 3% ao ano, podem pleitear o empréstimo diferenciado
produtores rurais pessoas físicas com renda agropecuária anual de até R$
400 mil, considerados como classe média rural. O agricultor deve procurar
a Casa de Agricultura do seu município, que orienta na organização do
pedido e dá entrada na agência mais próxima do Banco Nossa Caixa. A linha
de crédito ainda contempla produtores rurais pessoas jurídicas,
associações e cooperativas de produtores rurais (consulte mais informações
no site
www.agricultura.sp.gov.br/linhasdefinanciamento.asp).
Outra opção, mais indicada para os pequenos agricultores, fica por conta
da linha de crédito oferecida pelo Programa Nacional de Fortalecimento da
Agricultura Familiar (Pronaf Mais Alimentos), que destina recursos para a
infraestrutura da propriedade rural. O programa atende agricultores com
renda bruta familiar anual de até R$ 110 mil e abrange variados itens,
entre os quais a implantação de estufas, irrigação e armazenagem de
diversas culturas. O financiamento pode ser pago em até dez anos, com três
de carência e juros de 2% ao ano.
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Atraído pela oportunidade de aumentar a sua
produtividade, Sérgio Mitsuaki Maejima, proprietário do sítio que leva
o seu sobrenome na região de Mogi das Cruzes, decidiu investir pela
primeira vez na tecnologia. A conversa com produtores conhecidos e
usuários do cultivo protegido o convenceu dos seus benefícios. O
investimento de quase R$ 50 mil, totalmente financiado pelo Pronaf
Mais Alimentos, reverteu em uma estufa de 1.260 m², onde ele já colheu
pepino japonês e agora cultiva pimentões. Satisfeito com os
resultados, está cotando |
Cuca Jorge

Maejima provou, aprovou e investe em mais estufas |
orçamentos para implementar uma nova estufa, na qual pretende plantar
pepinos japoneses. Suas culturas também empregam mulching. “Consegui
reduzir o uso de agroquímicos em torno de 35% e acredito que vou diminuir
mais ainda”, diz animado.
A propósito, o uso de estufas e de mulching acompanha uma constante de
crescimento no cultivo de pimentão. No entorno de Brasília, a produção de
uma cooperativa segue de vento em popa, em
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mais de 30 hectares. Na fruticultura, o uso da
cobertura plástica de solo já favorece além dos morangos. Melão e
abacaxi também descobriram o quanto seu uso pode ser benéfico. E até
mesmo os morangos têm elevado a escala de uso do plástico, aplicado em
novas regiões de cultivo, como o sul de Minas, nada tradicional nessa
área. Segundo Bliska, esses produtores adotaram o modelo de minitúneis
e mulching. A propósito, entre as principais culturas usuárias dos
mulchings estão as frutas, plantações de pimentão, tomate, pepino,
alface e fumo. |
Divulgação

Plantações de abacaxi se rendem às
benesses do mulching |
Cuidado com a reputação – A comercialização de filmes de
qualidade ruim, tanto para cobertura de estufas como de solo, denegriu a
técnica e manchou por muito tempo a imagem do uso de plásticos na
agricultura. No caso do mulching, a proliferação de filmes processados com
material reciclado, além de não conferir ao agricultor os benefícios
esperados, dificultou a disseminação de avanços tecnológicos, como os
filmes de dupla face.
O esforço para reverter esse quadro culminou em 2008 com a homologação de
normas técnicas. Desde então, as produções de filmes agrícolas para
cobertura de estufas e de solo devem seguir padrão de certificação
estabelecido por normas publicadas pela Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT).
A ABNT NBR 15560-1 “Filmes Plásticos Agrícolas para Cultivo Protegido –
Parte 1: Cobertura de estufas” demandou três anos até a sua conclusão e a
elaboração de seu texto envolveu uma comissão de estudo com representantes
de toda a cadeia (até mesmo de agricultores), que se baseou em uma norma
já existente e amplamente utilizada na Europa (a UNE-EM 13206:2002).
A norma brasileira padroniza requisitos e métodos de ensaio de desempenho
físico e mecânico dos agrofilmes plásticos de polietileno e/ou copolímeros
de etileno para cobertura de estufas (durabilidade, espessura, largura,
tração, resistência ao impacto por queda de dardo e haze) e visa a
uniformizar a qualidade desses filmes, assegurando produtos mais duráveis
para o agricultor.
A segunda parte da norma, a NBR 15560-2, trata dos filmes do tipo mulching
(de polietileno e/ou copolímeros de etileno), especificando
características físicas e mecânicas e os métodos de ensaio para películas
monocamadas ou coextrudadas, em cores únicas ou em combinação de duas
cores (preto/branco, preto/prata).
“A normatização foi extremamente positiva. Deu uma chacoalhada nos
fabricantes, que passaram a se preocupar com essas especificações, a fim
de zelar pelo seu nome”, comemora Bliska. Há ainda outros textos em
desenvolvimento acerca dos filmes plásticos agrícolas no Organismo de
Normalização Setorial de Embalagem e Acondicionamento Plástico (ABNT/ONS-51),
abrigado no Instituto Nacional do Plástico. De acordo com a representante
do organismo, Marília Tarantino, o projeto 51:002.04-001-3 “Filmes
Plásticos Agrícolas para Cultivo Protegido – Requisitos e métodos de
ensaio – Parte 3: Telas para sombreamento e proteção” estabelece os
requisitos de desempenho, incluindo a identificação de acordo com o fator
de cobertura, ou seja, a porcentagem da área coberta pela tela. Entre
outros quesitos, o projeto prevê parâmetros de resistência à tração e
alongamento, bem como marcações e identificações (tais como nome ou
logotipo do fabricante etc.).
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Marília destaca ainda outro projeto que envolve a
normatização do setor. O 51:002.05-001 “Filmes Plásticos (lonas
plásticas) para Silagem – Requisitos e métodos de ensaio” visa à
especificação de características físicas e mecânicas e ainda aos
métodos de ensaio.
Segundo ela, a norma deve estabelecer parâmetros de qualidade
(resistência à tração e alongamento; ao impacto; ao rasgo e à
perfuração e ainda à transmissão de luz) para lonas para silagem de
polietileno e/ou |
Divulgação

Silos-Bolsas despertam grande interesse no setor |
copolímeros de etileno, com durabilidade de seis meses ou um ano. O
projeto também prevê marcações e identificação do material de acordo com a
ABNT NBR 13230 com o propósito de auxiliar na separação e posterior
reciclagem.
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Mesmo com a padronização, o setor agrícola ainda
convive com plásticos fora das especificações. Edilio Sganzerla, à
frente da Poliagro, empresa dedicada à produção de filmes agrícolas,
chama esse mercado de “submundo dos filmes agrícolas”, comercializados
por atacadistas mais preocupados em oferecer preços baixos. Segundo
ele, geralmente são os pequenos agricultores, sem conhecimento da
tecnologia, que compram esses produtos nas lojas agrícolas, achando
que plástico é tudo igual. No entanto, esses filmes com espessura
menor que a declarada e meia aditivação, por sua baixa eficiência,
frustram os usuários e freiam o desenvolvimento da plasticultura. |
Divulgação

Sganzerla: filme ruim ainda atrapalha
os negócios |
Referências nacionais – Há cerca de quatro fabricantes nacionais
renomados no mercado dos filmes agrícolas: Poliagro e Plastisul, ambas no
sul do país; e as paulistas Nortene e Electro Plastic. Edilio Sganzerla
acumula longa experiência na plasticultura e aponta vários gargalos para o
deslanche da técnica. Um deles é a diversidade de climas. “Quando é
inverno no Sul, planta-se no Sudeste; quando chove muito no Sudeste, surge
a safra do Centro-Oeste”, diz ele. Essa flexibilidade dificulta a
propagação da plasticultura, que tem o controle climático e a plantação
durante o ano todo como seus principais pilares.
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