P L A S T I C U L T U R A

Cuca Jorge

Sob o abrigo das poliolefinas, as plantas crescem mais sadias e belas

Plásticos propõem aos
agricultores explorar seus
benefícios além do simples
abrigo do tipo guarda-chuva


Maria Aparecida de Sino Reto

Disseminar no país o uso dos filmes agrícolas, considerados uma ferramenta de alta tecnologia e indutora de elevada produtividade no cultivo das

mais variadas culturas (flores, hortaliças, frutas, entre outras), exige um trabalho de formiguinha, mas a persistência de especialistas nessa área e de instituições como o Comitê Brasileiro de Desenvolvimento e Aplicação de Plásticos na Agricultura (Cobapla) contribui há anos para a evolução contínua e crescente desse mercado. Pelas estimativas do comitê, os agrofilmes destinados à cobertura de estufas consomem atualmente cerca de 20 mil toneladas/ano de poliolefinas e os filmes para mulching, outras 2.500 toneladas anuais. Especialistas avaliam o crescimento da plasticultura brasileira na casa dos 10% ao ano e consideram o nicho muito atraente e de forte potencial.

O cultivo protegido compensa por muitos aspectos além do resguardo das intempéries. Sob o abrigo dos agrofilmes, o agricultor consegue evadir a proliferação de vírus (por impedir o vetor de agir) e pragas, controlar a temperatura, a disseminação de luz e de calor, entre outras tantas variáveis climáticas. A cobertura plástica também protege o solo (mulching), contribuindo para restringir a aplicação de agroquímicos, (inibe o crescimento de ervas daninhas), impede a erosão, diminui a perda de adubo por lixiviação, retém água (reduz a perda de umidade por evaporação) e impede o contato de frutos e folhas com o solo – vantagens traduzidas em menor custo, maior produtividade e qualidade dos produtos.

O último levantamento de amplo espectro do setor data de cinco anos atrás. O mapeamento, elaborado pelo Cobapla, registra os gargalos da plasticultura brasileira e a dimensiona. As informações, colhidas ao longo de dois anos, detectaram à época mais de 13 mil hectares de produção sob estufas e acima de 7 mil hectares cultivados com a aplicação de plástico como cobertura de solo.

A carência de informações sobre a técnica e a falta de formação com foco na área explicam em boa parte porque o uso do plástico no cultivo protegido ainda não se disseminou em larga escala na agricultura brasileira. O estudo do Cobapla estima que de toda a resina processada no país apenas 2,5% corresponda ao consumo agrícola, mas o potencial de crescimento na área é alto e tende a

ser mais explorado nos próximos anos, também em outros braços da tecnologia, como a irrigação localizada (gotejamento e microaspersão) e nos silos-bags (ou silos-bolsas), só para mencionar alguns exemplos.

Para o vice-presidente do Cobapla, Antonio Bliska Júnior, as empresas estão encarando o setor agrícola como um bom negócio e buscando novos mercados – o que deve impulsionar a plasticultura. “Quando se envolve alta tecnologia, coloca-se plástico no meio produtor rural”, pontua.

Prova da maior anuência dos agricultores brasileiros às benesses da plasticultura está na demanda crescente de uma nova tecnologia: os silos-bags, bolsas gigantes e flexíveis para acondicionamento e armazenamento de grãos.

Cuca Jorge

Para Bliska, quem busca alta tecnologia, opta pelos plásticos

Ainda pouco explorada no Brasil, embora muito difundida em outros países da América do Sul, como Argentina, a novidade começa a despertar interesse nos usuários e a encorajar os fabricantes nacionais de agrofilmes a investir na nacionalização dos silos-bolsas. Por ora, os argentinos alimentam a maior parte da demanda brasileira.

Nome tradicional no ramo brasileiro de agrofilmes, a Nortene descobriu o filão e comercializa produto que leva o nome da DuPont, que já fabricou silo-bag no passado, mas declinou do

negócio, hoje continuado por uma de suas parceiras, terceirizada, que manufatura os silos com as especificações determinadas pela multinacional renomada. Jair A. de Oliveira, gestor de carteira de clientes, responsável pelos negócios dos agrofilmes da Nortene, admite o interesse da empresa em negociar com a DuPont o uso da tecnologia para produzir os silos, com vistas a nacionalizar o produto até 2011.

 “Um filão muito grande de mercado.” É assim que Oliveira avalia a oportunidade de fabricar as bolsas armazenadoras de grãos. A empolgação se sustenta nos negócios realizados no país. Só no ano passado, ele vendeu 20 mil unidades. “Esperamos atingir 30 mil neste ano”, enseja. Há cerca de cinco anos no negócio, a Nortene acredita deter, atualmente, 40% do mercado.

Cuca Jorge

Silos-bolsas vendem bem e Oliveira já admite a sua nacionalização

A variedade de silos-bolsas ofertada pela Nortene alimenta duas áreas: a de silagem e a de acondicionamento de grãos. Os produtos direcionados à primeira medem cerca 1,5 m de diâmetro por 60 metros de comprimento e dispõem de capacidade entre 90 e 100 toneladas. Para o segundo segmento, comportam até 180 toneladas, ou 3 mil sacos, e medem 60 metros de comprimento por 2,75 m de largura.

Outro nome de peso dos agrofilmes nacionais, a Electro Plastic engrossa o rol das pretendentes a introduzir os silos-bolsas à sua linha produtiva. A intenção se inclui nos projetos de investimentos idealizados para expandir as vendas da empresa no mercado do agronegócio (hoje da ordem de 30% das atividades) e também envolve a aquisição de novas máquinas, como atesta o gerente de marketing da Electro Plastic, Nelson M. Iida. Segundo ele, os planos de expansão contemplam filmes para mulching, cobertura de estufas e

Cuca Jorge

Anúncios de expansão de Nelson Iida também contemplam os silos

também inserem os silos-bags. Os projetos, porém, de longo prazo se estendem para os próximos dez anos. “A produção dos silos-bolsas envolve a união de forças tecnológicas, não basta ter equipamento, é preciso ter tecnologia”, justifica.

Fartura e qualidade – O sucesso do modelo de cultivo de flores em ambientes de estufa contamina cada vez mais produtores de hortaliças, legumes e frutas interessados em plantar ao longo de todo o ano, mesmo em condições climáticas desfavoráveis, e melhorar a rentabilidade de suas lavouras.

Segundo Bliska, como se mostrou bem-sucedida, a tecnologia dos plásticos empregada na produção de flores em Holambra, em São Paulo, agora se estende também às plantações de

hortaliças da região. Entre as flores, o crescimento anual dos agroplásticos oscila de 10% a 15%. Holambra serve de referência em cultivo protegido, mas, em âmbito nacional, as estufas abrigam apenas 25% das plantações de flores.

Baseada nos resultados da cidade-modelo, a implantação de floricultura coberta no Ceará, com sucesso até mesmo nas exportações diretas, tem incentivado estados como Piauí, Rio Grande doNorte e Maranhão a ingressar também no campo da plasticultura, como pontua o estudo do Cobapla.

Cuca Jorge

Plantação de flores deu o pontapé inicial para o avanço do cultivo protegido

Ainda há, porém, 75% de plantio em campo aberto. A conversão para o modelo protegido abriria uma oportunidade ímpar para aumentar as exportações. Bom exemplo são as flores tropicais. Segundo observações de Bliska, essas variedades têm grande aceitação no exterior e com o apoio do Ministério da Agricultura, capacitação para a tecnologia e financiamento, seria possível atingir volumes de produção em escalas capazes de atender ao interesse crescente do mercado internacional por essas flores.

As chuvas atípicas que castigaram diversas regiões do país também redundaram em incentivo à adoção dos agroplásticos no cultivo de hortaliças e legumes. Foi assim com muitos donos de plantações em campo aberto no cinturão verde de São Paulo. Prejudicados com o excesso de água e granizo, muitos produtores decidiram pesar as vantagens e investir no plantio sob estufas. Por conta disso, o cultivo protegido deve avançar acima de 10% no campo das hortaliças, que tradicionalmente evolui a taxas de 5% ao ano.

 

 

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