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Setor de embalagens supera crise e retoma
crescimento
A indústria de
embalagens deve registrar em 2010 seu melhor desempenho dos últimos quinze
anos, com crescimento entre 4,7% e 6,1% e receita de R$ 39 bilhões. Essa
previsão, do coordenador de análises econômicas da Fundação Getúlio Vargas,
Salomão Quadros, está pautada na receita de R$ 36,2 bilhões estimada para
2009, da qual o plástico representa 37,1%, o equivalente a R$ 13,4 bilhões.
“A crise é praticamente página virada, não há mais nada a recuperar”,
apontou. No primeiro mês deste ano, o setor operou com quase 90% de sua
capacidade, índice muito próximo ao de janeiro de 2008.
Esse cenário, traçado pelo estudo macroeconômico da Embalagem Abre/FGV, tem
relação direta com o mercado de embalagens de plástico. A produção física
dessa indústria avançou 5,56% no segundo semestre do ano passado, em relação
a igual período de 2008, configurando-se como o setor que menos comprometeu
negativamente o mercado de embalagens. No acumulado de 2009, no entanto,
todas as categorias de produtos tiveram queda: as embalagens de papel,
papelão e cartão recuaram 0,72%, as de plástico 0,84%, em relação a 2008,
enquanto que as de madeira registraram a maior baixa, de 19,57%. O vidro
sofreu retração de 14,35% e o metal, de 6,72%. Para Luciana Pellegrino,
diretora-executiva da Associação Brasileira de Embalagem, o plástico teve um
papel importante na recuperação do mercado de embalagens, sobretudo porque
configura um setor dinâmico, atento às inovações.
O setor de alimentos e bebidas foi fundamental no desempenho das
embalagens de plástico, pois em 2009 registrou aumento da produção de 1,41%,
comparado ao ano anterior. Essa categoria de produtos até o segundo semestre
apresentava índices negativos, mas a
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recuperação se deu já no terceiro semestre, ao contrário
do que ocorreu com outros segmentos, como o de sacos e sacolas, que
representou as maiores perdas, com queda de 5,03%. Os garrafões,
garrafas, frascos e artigos semelhantes também apresentaram variação
negativa, da ordem de 2,37%.
No quesito exportação, o plástico também favoreceu o mercado de
embalagens, representando o segmento com menor baixa – com retração de
5,08%, enquanto em outras áreas o recuo foi bem maior: as embalagens
metálicas apresentaram índice negativo de 61,25%; de madeira, 41,55%; de
vidro, 41,36%, e de papel/papelão |
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e cartão, 24,07%. Com as vendas externas, o setor de embalagens faturou
cerca de US$ 350 mil, em 2009, o equivalente a decréscimo de 35,69%, em
relação ao ano anterior. A parcela da indústria do plástico foi de pouco
mais de US$ 150 mil no mesmo período.
Geral – Como ocorreu em outras áreas da indústria brasileira, no ano
passado, houve demissões no mercado de embalagens. Em dezembro de 2008,
houve redução líquida de 3.692 postos de trabalho e, em 2009, de 1.350. No
entanto, para o próximo ano, a FGV projeta consolidar o patamar de 200 mil
ocupações, feito registrado em outubro de 2008.
Foram consecutivos os recuos sofridos pela indústria de embalagens durante
2009, a retomada só veio no quarto trimestre, quando a produção avançou
8,28%. Esse cenário refletiu o comportamento das indústrias de bens de
consumo. No ano passado, a desaceleração do mercado se deu como consequência
da fraca atuação dos setores de alimentos, fumo, vestuário e acessórios e
calçados e artigos de couro. Enquanto as indústrias farmacêutica; de
bebidas, de perfumaria e cosméticos, e de sabões, sabonetes, detergentes e
produtos de limpeza sustentaram índices positivos em 2009.
Nos últimos quatro anos, a receita líquida do mercado de embalagens
apresentou curva ascendente: em 2004, o valor das vendas foi de cerca de R$
28,1 bilhões ante R$ 36,2 bilhões de 2008. No ano passado, no entanto, esse
ciclo se reprimiu e a produção física da indústria de embalagens decresceu
3,79%, como reflexo das agruras sofridas por essa indústria já em dezembro
de 2008, quando a produção de embalagens caiu cerca de 10%. No entanto,
Quadros disse que não se trata de um bom parâmetro. “O que aconteceu não é o
padrão, foi um choque que não tende a se repetir”, comentou. Situação de
crise semelhante ocorreu em 2003. O ano em questão estava às voltas com o
retorno da inflação e o novo governo, o que freou a economia de forma
vertiginosa. “Há mais ou menos seis anos não se via retração parecida no
setor de embalagens”, apontou Quadros. Segundo o coordenador do estudo,
hoje, as condições são mais favoráveis, sobretudo porque o emprego e renda
do brasileiro devem se manter em elevação, além disso, as importações de
bens de consumo estarão em crescimento, apesar de ainda aquém do nível de
2008.
A produção física da indústria de embalagem plástica cresceu 0,59%, em 2008,
em relação ao ano anterior. Esse segmento e o das embalagens de papel – com
aumento de 2,06% – foram os únicos setores com índices positivos no período.
Renata Pachione
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