Aços   para   M O L D E S

Cuca Jorge

Blocos pré-usinados em formato de “U”, produto da Villares

Fornecedores querem vender
fórmulas com
maior valor agregado

José Paulo Sant’Anna

O bom desempenho da economia esperado para 2010 anima os fornecedores de aços para moldes de injeção. O otimismo se deve em especial à expectativa de lançamentos de novos modelos de produtos nos quais se encontram muitas peças de plástico. São os casos, por exemplo, dos automóveis e eletrodomésticos.

A melhora deve ajudar a recuperar as vendas, no ano passado em baixa. Um resumo ajuda a entender o que ocorreu em 2009. O ano começou com previsões sombrias, abalado pela crise econômica mundial. As vendas da indústria despencaram nos primeiros meses. No segundo semestre houve recuperação, os negócios passaram a crescer de forma consistente para fornecedores de muitos produtos. A melhora, no entanto, não favoreceu as empresas envolvidas com a produção de matrizes. O fantasma da recessão assombrou as empresas e adiou lançamentos. Não houve grande interesse pela aquisição de moldes novos.

O mercado de aços é marcado pela acirrada disputa entre fornecedores nacionais e importadores. Os nacionais, de acordo com estimativas de especialistas, detêm participação de 65% das vendas. A importação de moldes prontos, em especial dos feitos na China, incomoda a todos os representantes do setor, pois reduz o número de encomendas das ferramentarias nacionais. O dólar fraco ajuda os importadores. Por outro lado, a oscilação da moeda ocorrida no momento mais agudo da crise favoreceu os fabricantes locais.

Todos os fornecedores, independentemente de serem brasileiros ou não, têm uma preocupação em comum: comercializar produtos com maior valor agregado. Para justificar essa iniciativa, defendem ligas com características como usinabilidade acima da média, melhor possibilidade de acabamento e elevada capacidade de condutividade térmica. De acordo com as empresas do ramo, o preço inicial desses aços pode ser maior, mas eles proporcionam relação custo/benefício bastante vantajosa.

Com uma matéria-prima mais nobre, por exemplo, podem ser fabricadas placas com menor espessura. Dessa forma, se obtêm ferramentas mais leves e de menor dimensão, com a vantagem de poderem ser resfriadas em ciclos menores quando em operação nas injetoras. Também é reduzido o tempo de usinagem dos componentes dos moldes, operação feita com mão de obra especializada e em equipamentos de preço elevado.

Além disso, todos argumentam que o custo do aço na fabricação da ferramenta representa, em média, em torno de 15% a 20%. O restante é dividido entre as operações de projeto, fabricação das peças e a operação de montagem. Para os fornecedores, trata-se de porcentagem reduzida, que não justifica erros em nome de aparente economia na seleção do material.

A dureza é a propriedade mais importante a ser levada em conta no processo de seleção do aço. A matéria-prima pode ser dividida em quatro grandes grupos. Na escala de dureza até 30 HRC, encontram-se os aços de resistência menor, como o 1045. Eles compõem ferramentas para a confecção de peças cujas exigências das linhas de produção são menos rigorosas. Entre 30 e 34 HRC, encontram-se os P20, usados na grande maioria dos moldes nacionais. Na faixa entre 38 e 42 HRC são encontrados aços de maior resistência, voltados para matrizes que precisam suportar a abrasividade dos plásticos de engenharia ou dos compósitos enriquecidos com cargas. Acima de 42 HRC, encontram-se os aços chamados especiais, voltados para aplicações em que se exige resistência extrema.

Quanto maior a dureza, maior a polibilidade do aço. Elevados índices de polimento permitem a obtenção de peças com aparência impecável, como os faróis e lanternas dos automóveis. Moldes com sistemas de resfriamento que usam quantidades de água abundantes ou que trabalham com resinas corrosivas exigem aços inoxidáveis. São os casos dos voltados para a produção de grandes volumes de peças de paredes finas, como potes de embalagens, por exemplo. Outra propriedade cobrada em determinados casos é a soldabilidade, útil em ferramentas nas quais são realizadas operações de solda durante sua construção.

Linha diversificada – A Villares Metals, fabricante líder entre os fornecedores nacionais, conta com linha bastante diversificada. Um dos destaques da empresa é o aço VP 100, cujo lançamento oficial se deu durante a última edição da Brasilplast, em 2009. A matéria-prima compete com as ligas 1045 e também com o P20 no mercado de moldes menores. “O VP 100 conta com propriedades mecânicas muito homogêneas, uniformidade de dureza. Permite ótima soldabilidade, apresenta superior condutividade térmica e maior facilidade de usinagem por eletroerosão”, garante Giovani Verdi Cappucio, assessor técnico do centro de distribuição.

O aço mais vendido da Villares Metals é o VP20ISO, com dureza na faixa entre 30 e 34 HRC. “O processo de fabricação tornou o nosso P20 mais fácil de ser usinado do que os concorrentes”, diz Cappucio. De acordo com ele, os convencionais desgastam o flanco de uma ferramenta de usinagem durante o processo de corte em de 17 a 18 minutos. O da empresa eleva esse tempo para 26 minutos. “Temos um ganho de 77% no volume removido por ferramenta. É um número significativo em especial nos moldes de grandes dimensões, em que são comuns blocos de 18 a 20 toneladas serem desbastados até chegarem à metade de seu peso”, explica.

No nicho de aços com dureza entre 38 e 42 HRC, a Villares Metals conta com duas opções, o N2711M e o VP50IM. O primeiro apresenta características similares aos encontrados no mercado com essas propriedades. O segundo permite maior usinabilidade e polibilidade. Na linha dos especiais, a empresa oferece opções com durezas que chegam a 50 HRC. Entre elas, o aço sinterizado Sinter 22. “Ele é usado em raríssimas aplicações, caso de peças feitas de plásticos altamente abrasivos ou de tamanho muito pequeno”, diz. Uma alternativa oferecida aos clientes é a possibilidade de adquirir blocos pré-usinados, em formato de “U”. “Esse formato permite aos ferramenteiros economizar tempo de uso de máquinas-ferramenta”, explica.

Cappucio não tem muitas queixas em relação ao mercado no ano passado. “Mesmo com a crise mundial, que atingiu todos os setores da indústria, nossas vendas no ano passado foram próximas às de 2008”, informa. Para ele, o ano de 2010 será ainda oscilante. “Os volumes de venda, porém, não devem ser inferiores aos de 2009”, estima.

De acordo com o assessor técnico, a empresa tem apostado em investimentos em equipamentos e melhorias do processo para elevar sua competitividade. “O dólar desvalorizado tem elevado artificialmente a competitividade dos importadores, mas temos feito o nosso dever de casa, no sentido de ofertar cada vez mais produtos atraentes ao mercado.”

Ele defende a tese de que o preço não deve ser levado em conta como principal critério de escolha do aço a ser

Cuca Jorge

Cappucio: apesar da crise, vendas não decepcionaram no ano passado

usado em um molde. “Em um prazo reduzido, a escolha de um material inferior pode comprometer a imagem e a lucratividade do fabricante de moldes. Há sinais evidentes de fechamento de empresas que basearam sua competitividade na compra de aços asiáticos”, defende.

Aço ecológico – A Açoespecial está no mercado há 24 anos como distribuidora de aços. Com a abertura do mercado, no final do século passado, a empresa passou a representar no Brasil marcas internacionais, casos da francesa Industeel, da alemã Dillinger Hütte e da italiana Lucchini. Há sete anos, patrocina estudos para o desenvolvimento de fórmulas diferenciadas. A ideia é desenvolver ligas com características especiais, cuja fabricação é terceirizada por parceiros brasileiros.

A empresa utiliza a ecologia como arma de marketing, tema muito em voga nos últimos tempos. Paulo Sergio Ribeiro, diretor de engenharia de materiais, explica a estratégia. A operação de fabricação do aço é bastante poluente. Ele compara tal poluição a um metro cúbico de areia. Para diminuir esse “estrago”, grandes fabricantes mundiais tentam modernizar os processos. Esse não é o foco da Açoespecial. Ela procura atuar incentivando a venda de aços com desempenho mais amigável à natureza. “Tentamos economizar alguns grãos de areia”, explica.

Ribeiro enumera algumas vantagens oferecidas por aços mais sofisticados. Eles permitem melhor usinabilidade, economizando o uso de máquinas-ferramenta e energia. Contam com menor presença de elementos de liga em suas formulações, podem ser reciclados com maior facilidade e ainda têm boa resistência mecânica, proporcionam maior durabilidade e possibilidade de reparos aos moldes. Além disso, apresentam melhor condutividade térmica, permitindo às ferramentas fabricar peças plásticas em ciclos mais curtos. “Também há uma economia de energia na etapa de transformação do plástico”, explica.

 

 

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