SISTEMA   DE   RECICLAGEM

Esse tipo de produto tem agradado. No ano passado, a BGM comercializou 248 equipamentos, ou seja, vendeu um modelo produzido a cada dia útil. Cavallieri destaca uma particularidade por trás desse volume. Os pedidos hoje se dividem entre os recicladores e as grandes indústrias de masterbatches e compostos, ao contrário do que ocorria no passado, quando a procura se restringia ao segundo grupo de clientes.

Otimizar os processos tem sido primordial nos desenvolvimentos. Por isso, a ADL Automação Industrial, de Botucatu-SP, traz em seu portfólio o corte na cabeça para microgrão. “Com a baixa granulometria que conseguimos alcançar em nossos equipamentos, já é possível utilizar o material produzido na rotomoldagem, sem a necessidade de passar por um micronizador, economizando uma etapa do processo”, explica Danilo Correia, diretor da empresa. A ADL atende três tipos de clientes: os recicladores propriamente ditos, os transformadores que reciclam seu próprio material e também os fabricantes de compostos e masterbatches. Sua atuação foca as áreas de extrusão e peletização, ou seja, etapas finais do processo de reciclagem, segmento responsável por 70% do seu faturamento.

Entre os equipamentos voltados para a área de reciclagem da Pallmann, de São Paulo, um destaque fica por conta do sistema de aglomeração modelo PFV. Composto por unidades modulares compactas, o Plast-Aglomeração produz granulados que, segundo o fabricante, são de ótima fluidez e alta densidade aparente. O coração do sistema é o aglomerador com seu silo de alimentação, e este por sua vez é equipado com agitadores e rosca de extração, para garantir alimentação constante de material ao aglomerador. O silo também possui porta de acesso ao seu interior, equipada com chaves de segurança. “No PET garantimos 100% de cristalização”, afirma o engenheiro de vendas da Pallmann, Miguel Fiot. A fabricante lançou também o sistema Palltruder, que conta com partida automática. Sem necessidade de preaquecimento, permite gerar umidade residual do produto final abaixo de 1%, além de mínima degradação térmica dos materiais aglomerados, entre outras características. O equipamento opera com o plástico reciclado e o descarte da indústria madeireira.

Energia na berlinda – Reduzir o gasto energético das máquinas e equipamentos ronda todos os ramos da indústria, no caso do mercado de reciclagem não seria diferente; sobretudo porque para esse negócio compensar, segundo estimativa de profissionais dessa área, o preço do material reciclado deve ser 80% mais barato do que o do virgem. Aproveitando essa brecha, a Metalúrgica Parra, de São Paulo, fabricante de extrusoras para reciclagem, busca oferecer tecnologia para gerar maior rendimento na produção por KW/h utilizado. Esse é o caso da Parra Cônica, modelo desenvolvido para capacidade de produção de até 900 kg/h, e baixo consumo de energia. Na ADL, essa preocupação se nota na utilização em seus equipamentos de capas térmicas especiais que otimizam o funcionamento das resistências elétricas.

No entanto, a energia empregada nos processos merece um adendo. Cada etapa da reciclagem mecânica tem suas especificações. Por exemplo, nas linhas de moagem, o ponto crucial se refere ao gasto de água, enquanto é na peletização que a energia passa a ser prejudicial, por conta dos custos elevados. “A Ability tenta priorizar a maior produtividade para que assim o custo unitário seja mais acessível”, afirma Wilson de Almeida, diretor-comercial da empresa. Transformar sucata pós-consumo ou pós-industrial em matéria-prima também é tarefa da Ability, de Americana-SP, fabricante de equipamentos como moinhos, extrusoras, lavadoras, secadoras, aglutinadores, entre outros. O carro-chefe de vendas é o conjunto para fabricação de tubos de esgoto de PET, com capacidade de produção de até 70 toneladas de tubos por mês.

A secagem é uma etapa crítica para qualquer linha de produção de plásticos, tanto virgem como pós-consumo. De acordo com o engenheiro Marco Vezzani, da Vomm, de São Paulo, o pior contaminante para o plástico reciclado é a água, porque a umidade residual provoca microbolhas durante a transformação. Para atender a essa necessidade, a Vomm desenvolveu a Turbo-Tecnologia, recurso com o qual consegue eliminar as últimas frações de umidade, sem interferir nas propriedades da resina. A ideia é oferecer uma opção ao reciclador, que utiliza os chamados “aglutinadores” para a secagem do plástico. “Quando comparado aos aglutinadores, a economia no consumo de energia, mantendo-se a produção diária, passa de 90%”, afirma Vezzani.

Saldo no azul – O investimento dos fabricantes de máquinas e equipamentos em tecnologia não tem sido em vão. Com capacidade para abastecer o mercado com doze linhas completas de reciclagem por ano, a Seibt está otimista quanto ao desempenho do setor. A empresa, para 2010, promete crescimento e estima aumento do faturamento de 20% sobre o registrado em 2009. A perspectiva faz Pinto prever operar à plena capacidade neste ano. Os países que compõem o Mercosul têm incrementado a carteira de pedidos da fabricante. Cerca de 25% da produção de 2009 foi para essa região, sobretudo porque ela carece de bons fornecedores. “O Brasil tem os melhores processos para reciclagem na América Latina. Estamos bem adiantados em relação aos outros países daqui”, exemplifica Pinto.

A fabricante Wortex se autointitula líder nesse segmento de sistemas de reciclagem e mantém uma política arrojada de desenvolvimentos. Talvez, por isso, a crise econômica de 2009 tenha passado longe dos portões da sua planta, localizada em Campinas-SP. Com a tradição de crescer ao ano cerca de 10%, em 2009 não foi diferente. Mas esse desempenho não se deu à toa. A empresa chegou a investir entre o ano passado e este 3 milhões de dólares em equipamentos e mais 2 milhões de dólares em infraestrutura. “Compramos um centro de usinagem e estamos terminando uma máquina para furar cilindro de até dez metros”, exemplifica Filippis.

Na Kie, em 2009, houve queda nas vendas de 20% se comparado ao ano anterior. Mas a retomada virá em breve. Para este ano, a fabricante projeta crescer até 15% em relação aos índices de 2008. Em média, a empresa comercializa quinze sistemas completos por ano, além de equipamentos avulsos para reposição.

Novos rumos – As perspectivas positivas refletem que o mercado está tentando ser mais profissional e com foco no aspecto comercial da reciclagem. Se há dez anos, o setor funcionava por tentativa e erro, hoje está pautado em planos de negócio. Além de mais qualificação, esse tipo de indústria avança em quantidade. Segundo estimativas de especialistas, em uma década, o mercado quadruplicou seu tamanho e, agora, após acomodação, deve crescer 100% nos próximos três ou quatro anos.

Esse cenário está ligado aos índices de reciclagem do país. De acordo com a mais recente pesquisa da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, divulgada em 2008, a reciclagem cresceu 13,7% ao ano, no período de 2003 a 2007. A rentabilidade do setor e seu tamanho também evoluíram. O faturamento total era de R$ 1,2 bilhão (em 2003) passando para R$ 1,8 bilhão (em 2007) e a quantidade de empresas recicladoras saltou de 492 para 780 levantadas.

No caso específico do PET, também houve avanços. O 5º Censo da Reciclagem do PET no Brasil, realizado pela Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), mostrou que em 2008 em relação ao ano anterior houve aumento de 9,5% na quantidade de embalagens de PET recicladas; o índice passou de 231 mil toneladas para 253 mil toneladas, porém não foi o suficiente. De acordo com a associação, a indústria da reciclagem do PET apresenta uma ociosidade em torno de 20%. Esse universo compreende mais de 500 empresas em todo o Brasil, que geram um faturamento de R$ 1,09 bilhão.

Sabe-se que no país a indústria da reciclagem é muito nova e ainda oferece muitas oportunidades para industriais interessados em investir. Com a experiência de quem está no mercado de reciclagem há vinte anos, o consultor José Carlos Froes, do Portal Recicláveis, aposta na lucratividade do setor. Mais do que transitar no campo minado de boas intenções ou se somar à exaustiva e manjada discussão sobre os benefícios do desenvolvimento sustentável, ele aponta que o reciclador tem muito a explorar e lucrar.

Independentemente da realidade de cada empresa, as linhas de financiamentos têm ajudado a engordar os números desse mercado. E mais, os sistemas de reciclagem, cada vez mais, exigem investimentos compatíveis com a tecnologia empregada. Um sistema da Kie, por exemplo, para revalorizar 150 mil toneladas/mês de PET, absorve investimento inicial de R$ 250 mil. Segundo Didone, para abrir uma fábrica, o montante pode chegar a R$ 600 mil, por conta da infraestrutura.

Dados do Portal Recicláveis revelam que para adquirir um sistema com capacidade de revalorizar entre 300 kg/h a 400 kg/h de PP/PE, o investimento pode ir de R$ 80 mil a R$ 400 mil. A fase de granulação, que envolve a extrusora, requer valores entre R$ 100 mil e R$ 300 mil. “O que muda muito é o perfil da rosca, a velocidade de operação, a temperatura, o sistema de controle, tudo isso interfere na qualidade e na segurança do equipamento”, completa Froes.

No entanto, por trás desse cenário, há um aspecto ainda obscuro: sua informalidade. Por se tratar de uma tecnologia acessível, a reciclagem mecânica dá vazão à entrada de empresários com pouca qualificação e muitas vezes não-idôneos. No caso da revalorização, outro viés negativo: os equipamentos envolvidos muitas vezes são rústicos, à exceção da extrusora. “Só uma parte da indústria está em linha com a automação, o baixo consumo de energia e o bom nível tecnológico”, avalia o consultor. Segundo Froes, o que emperra o setor, muitas vezes, é o fato de alguns fabricantes cometerem o erro de pensar que podem desenvolver esses acessórios em locais pouco sérios e com escassa capacitação. Essa última questão, aliás, revela mais uma restrição. Muitos profissionais, sobretudo os de chão de fábrica, não têm qualificação, o que dificulta a operação de máquinas mais modernas. “O ensino técnico no Brasil é muito superficial”, argumenta Filippis, da Wortex. O diretor chega a mencionar que está produzindo no limite da capacidade instalada, e só não produz mais porque faltam funcionários.

Em relação à quantidade de fabricantes que oferecem sistemas completos de reciclagem também há muito a avançar, pois esse universo é bem restrito. Apesar de não existirem estimativas fidedignas, especula-se que o número de fábricas capazes de oferecer todos os equipamentos necessários para uma linha é de no máximo cinco. Grande parte do setor se limita à oferta de equipamentos avulsos. Com a isenção de quem fabrica sistemas completos, Pinto, da Seibt, afirma que isso também tende a mudar, à medida que os recicladores percebam as vantagens de comprar de um único fabricante toda a linha. “Se forem muitos fornecedores, compromete-se a sinergia entre os equipamentos”, alega.

Essa falta de força para agir em prol de um mesmo propósito também acomete outros níveis do setor. De acordo com Froes, um grande empecilho hoje é a desunião, pois não há um órgão ou associação que reúna toda a cadeia da reciclagem, dando voz às suas necessidades. “Para o transformador e o revalorizador, o mercado está desprotegido”, conclui.

Da moagem à descontaminação

O mercado de sistemas de reciclagem pode ser dividido em três frentes: coleta e separação, revalorização (moagem, lavagem e descontaminação) e transformação. Em linhas gerais, no processo de revalorização, o material recebido vai para a esteira de entrada que alimenta o moinho, onde é moído para ir ao tanque através de rosca ou de esteira; a etapa seguinte consiste na descontaminação, para em seguida o material ir à fase de secagem e depois ser transportado ao silo para ser granulado.

No caso do PET, o resíduo chega em fardos que depois são desfeitos. Em seguida, o material vai para uma esteira de entrada, passa por uma peneira rotativa, em geral, com a utilização de água; depois, por uma esteira de separação para em seguida ser feita a primeira moagem, antes de ir aos tanques, onde são separados o rótulo e a tampa, e o produto é descontaminado. A etapa final consiste em uma segunda moagem, passando o material por um lavador e secador, antes de ir para o silo e estar pronto para ser granulado.

Fonte: Portal Recicláveis

 

 

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