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p e r s p e c t i v a s
2010
ABMACO |
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Cuca Jorge

Gilmar Lima É presidente da
Associação Brasileira de Materiais Compósitos e
diretor-geral da MVC Plásticos. |
Compósitos vislumbram
oportunidades nas
áreas de transporte
e infraestrutura
Gilmar Lima
O setor brasileiro
de compósitos faturou R$ 2,24 bilhões em 2009, cifra 0,7% superior à
registrada no ano passado. A crise econômica, principalmente no
primeiro semestre, prejudicou o desempenho dos nossos principais
consumidores, caso da indústria de transportes. Mas a economia como um
todo se recuperou nos últimos meses e puxou para cima as nossas
vendas.
A demanda por materiais compósitos aumentou 28% no segundo semestre em
comparação ao primeiro, totalizando 102 mil toneladas. O número de
empregados, por sua vez, apresentou queda |
de 0,3%, com um total de 71.300 postos. Muito em razão da busca por maior
eficiência operacional e pela ascensão de processos mais automatizados.
Entre os principais segmentos consumidores, a construção civil reassumiu a
liderança perdida no ano passado para a indústria de transportes –
respondeu por 46% do total transformado. O mercado de energia, cujo maior
representante é a eólica, ficou em segundo lugar, com 31%. As
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montadoras, sobretudo as que fabricam ônibus,
caminhões e veículos agrícolas, caíram para a terceira posição do
ranking, com participação de 12%. A seguir, aparecem as aplicações do
material em ambientes corrosivos (4%), lazer (2%), náutico (2%),
eletroeletrônico (1%) e outros (2%).
Sob o ponto de vista do faturamento, contudo, o setor de transportes
ficou em primeiro lugar, com 33%, sucedido por energia (23%) e
construção civil (18%). Isso se deve ao maior valor agregado das peças
usadas em veículos – para-choques e capôs, por exemplo – bem como das
pás eólicas, em contraste às caixas-d’água, telhas e banheiras, três
das principais representantes dos compósitos nas lojas de material de
construção. |
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Em termos de processos de transformação, as tecnologias manuais (hand
lay-up e spray-up) continuam sendo as que mais consomem matérias-primas,
com 52% do total, seguidas por infusão (27%), RTM (11%) e enrolamento
filamentar (3%).
Ainda que o volume total consumido, de 182 mil toneladas, evidencie um
recuo de cerca de 1% em comparação ao resultado do ano passado, o
desempenho do nosso setor foi positivo. Porque crescer em receita com um
consumo menor significa que estamos gerando produtos de valor agregado
maior e com mais tecnologia. Vale lembrar também que viemos de uma taxa
recorde de crescimento em 2008 de 13,3%. E, ao contrário de outros
segmentos, não voltamos aos patamares de dois ou três anos atrás.
Para o próximo ano, devemos faturar 3% a mais do que em 2009, totalizando
R$ 2,3 bilhões, enquanto o número de empregos deve subir para 72.100.
Planos para 2010 – Uma das primeiras ações da Abmaco em 2010 será a
criação dos comitês focados na Copa do Mundo de 2014 e na Olimpíada de
2016. O nosso setor deve estar preparado para as oportunidades que
surgirão, tanto na área de transporte como na de infraestrutura. Outra
novidade ficará por conta do grupo de trabalho dedicado à substituição de
materiais tradicionais, como ferro, aço e madeira, pelos compósitos – no
mundo, há mais de 40 mil aplicações da combinação entre resina e fibra de
vidro. O Brasil, infelizmente, se beneficia muito pouco da resistência à
corrosão, leveza e versatilidade dos compósitos.
Ainda em relação aos comitês, a equipe da Abmaco dedicada ao mercado da
construção está preparando grandes surpresas para a Feira Internacional da
Construção Civil (Feicon) de 2010. Chamaremos a atenção do público com
soluções baseadas em design e inovação.
Novos programas de qualidade, atrelados à cessão de certificados Abmaco,
também fazem parte da nossa estratégia para o próximo ano. Em 2009,
criamos o Programa Abmaco de Qualidade (PAQ) – Telhas e contratamos o
Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para avaliar se os participantes
fabricam os produtos de acordo com a norma ABNT NBR 14.115. O programa
será concluído no primeiro semestre de 2010 e os aprovados receberão o
Selo de Qualidade Abmaco. Os reservatórios de água potável e as tubulações
devem ser os alvos dos próximos programas.
Já para aumentar a representatividade da indústria brasileira de
compósitos em Brasília, contrataremos uma assessoria política. Muitos dos
nossos pleitos não receberam a atenção devida ao longo dos últimos anos,
por isso decidimos recorrer a uma assessoria profissional. A redução do
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) das telhas de compósitos,
por exemplo, é um deles. Muito embora economizem energia elétrica – fruto
da translucidez –, as telhas de compósitos são taxadas em 15%, contra o
IPI de 5% que incide sobre as telhas de alumínio, matéria-prima que, além
de ser opaca, demanda elevada quantidade de energia durante seu
processamento.
Programa Nacional Abmaco de Reciclagem – A questão ambiental é a
principal bandeira da Abmaco. Quando a nossa chapa assumiu pela primeira
vez o comando da associação, já havia um esboço do Programa Nacional
Abmaco de Reciclagem, que, depois de uma série de ajustes, entrou em vigor
em dezembro de 2009. Trata-se, em linhas gerais, de uma associação entre
22 empresas investidoras – fornecedoras de matérias-primas e
transformadoras – e o IPT. Com o apoio da equipe técnica da Abmaco, o IPT
classificará as partículas que formam os resíduos de compósitos, para daí
indicar a melhor forma de reutilizá-los no próprio processo produtivo.
Para se ter uma ideia, geramos cerca de 13 mil toneladas de resíduos por
ano, o que corresponde a um desperdício aproximado de R$ 90 milhões.
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A estruturação do Programa Nacional Abmaco de Reciclagem avançou bastante
nos dois últimos anos. Iniciamos os contatos com o Ministério do Meio
Ambiente para inseri-lo nos programas oficiais do governo. Com isso, as
empresas participantes terão acesso a diversos benefícios fiscais. As
soluções técnicas desenvolvidas pela parceria entre a Abmaco e o IPT
poderão ser exploradas comercialmente pelas companhias que integram o
programa.
Antes mesmo de entrar em vigor, a iniciativa já deu resultados. Algumas
empresas, caso da MVC Plásticos, anunciaram que deixarão de adquirir
matérias-primas de companhias que não se cadastrarem no programa. Acredito
que toda a cadeia de compósitos irá seguir essa decisão. A cada dia,
empresas focadas em produtos e ações “verdes” terão mais incentivos
fiscais. Quem estiver fora, então, não terá condições de competir.
O treinamento do mercado também figurou entre as principais ações
desenvolvidas no nosso primeiro mandato. Pela primeira vez na sua
história, a Abmaco organizou seminários regionais. Foram oito encontros em
estados do Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste – as três primeiras
regiões, a propósito, passaram a contar com coordenadores locais. Também
aumentamos a quantidade de palestras feitas no Centro Tecnológico de
Compósitos (Cetecom) e dos cursos in company. Somando as duas atividades,
foram mais de 70 eventos entre 2008 e 2009, incluindo um curso in company
no Chile.
Os livros Compósitos 1 e Compósitos 2 – este último, lançado em 8 de
dezembro – ajudaram igualmente a fortalecer o papel da associação como
principal disseminadora de conhecimento acerca dos materiais compósitos.
Fora que investimos na divulgação constante de informações a respeito do
nosso segmento e do mercado em geral, principalmente no período mais agudo
da crise econômica.
Para consolidar o seu papel de central de conteúdo, a Abmaco contratou uma
consultoria que elaborou um inédito levantamento do setor. Dados
mercadológicos como esses nos ajudaram a ter mais credibilidade entre os
associados. Por último, elaboramos o Código de Conduta, outra ferramenta
que tornou as ações da entidade mais transparentes. Desde o primeiro dia,
trabalhamos para transformar a associação numa empresa. Contratamos
assessorias jurídica, financeira e de gestão, e implantamos um processo de
auditoria interna.
Os reflexos gerados por essa mudança de postura foram bastante positivos,
tanto é que o quadro da Abmaco saltou de 111 associados, no início de
2008, para os atuais 252. Mais do que o aumento do número de empresas,
devemos comemorar a qualidade daquelas que se associaram. É um grupo bem
diversificado e que representa toda a cadeia produtiva, sendo sete
companhias do exterior. Esperamos terminar o segundo mandato, em 2012, com
pouco mais de 300 associados.
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