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Estudo mostra perspectivas para o setor no
próximo ano
Em palestra na cidade de Caxias do Sul-RS, de
tema “O mercado brasileiro de resinas termoplásticas 2009-2010”, o sócio e
diretor da consultoria Maxiquim, João Luiz Zuñeda, apresentou as estimativas
de desempenho da cadeia produtiva petroquímica para o próximo ano. O evento
ocorreu no final de outubro e foi organizado pelo Sindicato das Indústrias
de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás). Os primeiros cálculos
parecem animadores.
A tendência examinada pela Maxiquim leva em
conta uma economia brasileira com crescimento de 5%. Para os
consultores, a Braskem irá consolidar a liderança entre as petroquímicas
do continente, abaixo dos Estados Unidos, e alcançará a meta de entrar
para o ranking das dez maiores do mundo. A Petrobrás como acionista
muito importante é outra tendência. De acordo com Zuñeda, o Complexo
Gasoquímico do Rio de Janeiro (Comperj) decola tranquilamente.
Com base no desempenho setorial dos últimos anos, a projeção do preço da
nafta no Brasil aponta para menos de US$ 500 nos primeiros meses de
2010. Para se ter uma ideia da queda do valor do produto, em janeiro de
2008 a nafta era comprada pela petroquímica a US$ 1.100,00 a tonelada.
Os polietilenos deverão custar 1,5 mil por tonelada em moeda
norte-americana, uma queda de mil dólares na comparação com o pico de
preço de 2007. O valor médio das resinas deverá ficar em US$ 1,5 mil por
tonelada, metade do preço em relação ao período de alta máxima de dois
anos atrás. |
Foto: Fernando C. de Castro
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| Zuñeda prevê a recuperação dos preços internacionais
das resinas |
Um aspecto assinalado na palestra foi a recuperação dos preços
internacionais das resinas prevista para o final de 2010. A alta das
exportações das matérias-primas de segunda geração, mesmo com o real
valorizado, deverá crescer 30%, como alternativa de caixa para as
petroquímicas. As importações irão ocorrer em menor escala, por conta dos
estoques encalhados em portos. Perderão importância na balança comercial.
O preço dos ativos já registrou recuperação no fechamento de 2009, mas a
economia melhora efetivamente apenas em 2010. O ciclo de rentabilidade será
baixo. A cotação do petróleo deve subir moderadamente até que a economia e a
demanda se recuperem. O gás de refinaria teve pico de US$ 13,00 por milhão
de BTUS, porém seu viés igualmente é de baixa para US$ 7 a unidade de medida
também até o final do próximo ano. Em janeiro de 2009 já estava em US$ 9 e
igualmente em tendência de queda. Na comparação entre gás e petróleo em
termos de mercado norte-americano, o primeiro fica a menos de US$ 9,00 por
milhão de BTU até 2012 enquanto que o WTI irá custar US$ 10,00. O cenário de
oferta de polietileno é de saturação da resina no mercado.
A produção de eteno pela rota do gás de refinaria na base das 200 mil
toneladas/ano está começando, mas os volumes irão repercutir em 2010. Mais
de 3 milhões de toneladas sairão dos crackers de nafta e 520 mil ficarão por
conta dos processos com gás natural. Em 2009, o país ficou superavitário em
matéria de propeno. Um milhão cento e quarenta mil toneladas saíram de
refinaria e o número se repete em 2010. Um milhão quinhentos e noventa e
oito mil saíram da rota petroquímica. E não cresce também no próximo ano.
Com a entrada da nova planta de polietileno linear e de alta da Quattor, o
volume produzido será de mais de 2,6 milhões de toneladas. A partida do
Comperj será em 2014 e representará 1,3 milhão de toneladas de resinas. Em
2011, entra em operação a planta de eteno pela rota alcoolquímica da Braskem
e daí saem mais 200 mil toneladas.
Até 2014, o Brasil terá mais 3,1 milhões de toneladas de petroquímicos
direcionados para a produção de resinas, incluídos os outros dois projetos
de polietileno da rota alcoolquímica, da Solvay Indupa e o da Dow Química
com a Cristalserv. As seis resinas mais consumidas em 2008, somadas,
atingiram 3,5 milhões de toneladas pela metodologia que mede o consumo
aparente, isto é: aquele volume que pode ser auditado por meio de
documentação legal como notas fiscais de transporte, volume de nafta
injetado no mercado, entre outros indicadores. Por essa medição, o
polietileno caiu 7,5% no biênio 2007/2008. No mesmo período, o linear
cresceu 8%, o que permite inferir que uma resina está substituindo a outra.
Da mesma forma, o PEAD cresceu praticamente 9%; e, na média, polietilenos
cresceram 3,6%. O polipropileno também tem índice positivo de 3,7% e o PS
encolheu 4,3%. O PVC ganhou 26% de mercado, o que evidencia uma reação
importante da construção civil.
No total, entre 2007 e 2008, o mercado de resinas cresceu 7,3% na média,
demonstrando que a cadeia petroquímica do país sempre sobe no mínimo 3%
acima do PIB geral. Por conta da crise, no entanto, entre 2008 e 2009, o
crescimento foi negativo em 0,37%.
Neste caso, o PVC ficou estagnado em 0%, o que coincide com a parada na
indústria da construção civil. As resinas com crescimento positivo foram o
polietileno linear (5,6%) e o PP, com 2,4%. PEAD, polietileno de baixa e
poliestireno registram -2,4%. As trocas de polietilenos com o exterior
continuarão intensas com forte vantagem para as exportações que subirão de
25% para 30% da resina produzida no país.
Sobre o segundo semestre de 2009, as estimativas dão conta de que a produção
total de polietileno de alta ficará em 2,2 milhões de capacidade instalada
em toneladas, com consumo aparente de 1,4 milhão e nível operacional
inferior a 80%. Da mesma forma, o polipropileno empregará uma capacidade
instalada de 2 milhões de toneladas para produzir 1,3 milhão com nível
operacional em torno de 78%.
Já as plantas de poliestireno irão ocupar 55% da capacidade de produção para
um consumo aparente de 330 mil toneladas. As tendências dos preços em 2010
apontam a perda da força do eteno como parâmetro de formação dos preços do
polietileno. Ao contrário, o propeno continuará a balizar o preço do
polipropileno e o poliestireno continuará sendo definido pela lei da oferta
e da procura dentro do mercado doméstico.
A sazonalidade indica reposição de preços no segundo semestre e os fatores
de influência sobre os preços ficam por conta do preço do petróleo, revisão
da fórmula de cálculo da nafta, diversificação de matérias-primas,
integração petroquímica, ciclo de baixa rentabilidade, queda das
importações, novas capacidades, crescimento da demanda, menos exportação e
consolidação petroquímica.
F.C.C.
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