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Sabic quer ver setor médico crescer
As perspectivas de crescimento para o segmento médico-hospitalar em vários
mercados do mundo, e no brasileiro, inclusive, despertaram a atenção da Sabic Innovative Plastics, que pretende intensificar seus esforços para
participar com mais ênfase na expansão dessa demanda.
De acordo com informações do diretor-comercial de especialidades da empresa
no Brasil, Newton Coelho, o mercado médico e de saúde mundial é de US$ 207
bilhões anuais, em termos de equipamentos, componentes, embalagens e outros
produtos. Metade do mercado global está nas Américas, e 90% desse montante
provém dos EUA. O Brasil responde por apenas 2% do mercado mundial, mas
mesmo com essa pequena fatia, configura-se uma importante oportunidade de
negócios, pois o segmento de equipamentos médico-hospitalares, globalmente,
vem crescendo em um ritmo de 5% a 6% ao ano. “Aparelhos como os medidores
para diabetes, por exemplo, não existiam há cinco anos. É um mercado que
realmente está crescendo por conta de métodos de diagnósticos mais simples e
menos invasivos, e de tecnologias que estão se tornando mais baratas”,
afirma o diretor-comercial.
As macrotendências populacionais também contribuem para as matizes desse
quadro. Segundo dados apresentados por Coelho, a população mundial será de 7
bilhões de pessoas em 2012, das quais um bilhão terá mais de 60 anos. Como a
expectativa de vida é crescente, a necessidade por prevenção e cuidados
também crescerá, em particular no campo dos três principais problemas de
saúde mundiais: diabetes, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias.
Trata-se de uma configuração perfeita para manter saudáveis as vendas da
indústria: macrotendências positivas – há mais pessoas envelhecendo, pois a
expectativa de vida é maior – e maior necessidade de investimentos em saúde,
equipamentos, prevenção e tratamento.
Outro fato que se soma à conjuntura positiva é a mudança de tendências em
equipamentos médicos, caso do advento dos dispositivos portáteis, por conta
do aumento do homecare (o anglicismo tem sido cunhado, no vernáculo, como
cuidado em domicílio, e se refere ao tratamento do paciente em seu próprio
lar). O cuidado em domicílio cresce no mesmo ritmo do mercado
médico-hospitalar, e constitui uma forte tendência do segmento. Além disso,
o projeto de equipamentos médicos tem sido modificado em decorrência de
novos requisitos técnicos, mas também ambientais, como a preocupação com o
descarte dos equipamentos. Coelho cita o caso do acidente radiológico de
1987, com o césio 137, em Goiânia, para exemplificar o fato de que não
existia preocupação desse tipo no Brasil, mas o país tem seguido a tendência
mundial de maior atenção ao descarte. Outra tendência em equipamentos é a
pressão por custos mais baixos, a fim de ampliar o acesso das tecnologias
médicas a fatias maiores da população.
Commodity versus Especialidade – As commodities plásticas respondem por 73%
(em valores) e 89% (em volumes) do emprego de plásticos na área médica,
principalmente em artigos descartáveis, como as embalagens. Esse mercado
cresce cerca de 2% ao ano, e em 2012 deverá chegar a US$ 4,6 bilhões em
vendas, segundo as projeções apresentadas pelo diretor-comercial de
especialidades da Sabic Innovative Plastics. Os plásticos de engenharia, por
sua vez, contribuem com 27% das vendas ao setor e 11% dos volumes; e, apesar
da notória predominância das commodities, vêm crescendo a taxas muito
superiores. Isso ocorre, na opinião de Coelho, pelo barateamento e
popularização de equipamentos portáteis, pela preocupação de se produzir
ferramentas com utilização mais simples, e pelo avanço em design,
ocasionando a substituição de metais por plásticos. Os dados apresentados
pelo diretor-comercial apontam que o mercado de plásticos de engenharia na
área médica deve atingir os US$ 2 bilhões por volta de 2012.
A Sabic Innovative Plastics participa do mercado médico com diversas
aplicações, entre elas oxigenadores utilizados em cirurgias cardíacas,
feitos de PC biocompatível. Caso não existisse um material plástico apto ao
desenho dessa peça, ela provavelmente seria feita de vidro, que não oferece
as mesmas possibilidades de design ou desempenho, e nem a mesma precisão que
o PC, desejável em um componente empregado em uma cirurgia crítica.
Rogério da Costa Silva, gerente de grupo de produtos e mercado, apresenta
outros exemplos, como peças constituintes do equipamento de tomografia,
feitas de PC/ABS antichama sem halogênios, em substituição a RIM (reaction
injection molding, ou moldagem por injeção reativa). O apelo do plástico de
engenharia, nessa aplicação, recai na questão ambiental (pela ausência de
halogênio), além do custo. O termoplástico, além disso, permite uma peça
mais leve, com menor espessura de parede, melhor acabamento superficial
(eliminando a necessidade de pintura), mas com a mesma rigidez do RIM, que é
bastante elevada. “O custo sistêmico da peça caiu, apesar de o PC/ABS, por
quilo, ser mais caro que o RIM”, explica Silva.
| Um exemplo bastante curioso é o da substituição de chumbo por plástico. Não
que a troca de metal por resina seja novidade, mas, nesse caso, o substituto
é usado em aplicações de proteção radiológica, algo impensável anteriormente
para um material predominantemente orgânico, como o plástico de engenharia.
O composto, da família de produtos da LNP, é uma PA 6 com altíssima
densidade, em cujo seio existe uma carga de tungstênio responsável pela
propriedade de blindagem à radiação. Nessa aplicação, revela Silva, a troca
por termoplástico possibilitou maior liberdade de design e a consolidação de
várias peças em uma única, além de evitar o chumbo, um “vilão” ambiental.
Outra aplicação reside no aparelho que Silva denomina breastlight –um
emissor de luz para autoexame de mama. A motivação para o uso de plásticos,
nesse exemplo, veio da busca por uma peça com característica de
ergonomia, leveza e aparência mais amigável e agradável ao usuário. Os
desafios, por outro lado, recaíram sobre a necessidade de resistência à
quebra, pois o aparelho tende a ser utilizado no banheiro, que, por sua
vez, costuma ser revestido de material cerâmico (uma superfície dura, e
que poderia danificar o aparelho em caso de queda). |
Divulgação
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| Breastlight: desafio para combinar alto fluxo e
resistência ao impacto |
Além disso, como se trata de uma peça de
paredes finas, o material escolhido deveria possuir alto fluxo, para
preencher o molde. Surge, então, o antagonismo entre alto impacto e alto
fluxo, que foi resolvido com PC/ABS, no corpo do aparelho, e PC, nos
visores.
No ambiente médico, é imperativa a esterilização dos equipamentos, e é comum
o uso de autoclaves, radiação gama ou óxido de etileno (ETO) para esse fim.
Plásticos como o PC, que no segmento médico é utilizado em peças como
bandejas de instrumentos, não são muito adequados à esterilização por
autoclave, dada a conhecida fragilidade do material em ambiente úmido sob
alta temperatura. Uma das alternativas da Sabic para esse problema é uma
poli-éter-imida (PEI) com superior resistência ao impacto. As propriedades
desse plástico se mantêm mesmo após mais de 2 mil ciclos de esterilização,
como demonstrado em testes, segundo as informações do gerente de grupo de
produtos e mercado da empresa.
Foto: Cuca Jorge
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Como a temperatura interna das autoclaves
oscila entre cerca de 124ºC e 134ºC, o material permite ganho nos tempos
dos ciclos de esterilização, pois suporta temperaturas superiores em
relação aos concorrentes. Outras alternativas para esse tipo de
aplicação são um PC transparente cristalino apto à autoclavagem na medida de até 180 ciclos
(segundo Silva, um grande avanço para esse tipo de plástico), além de uma
resina de poli-óxido de fenileno (PPO), processável por aquecimento
tradicional, a água, e com alta capacidade de sofrer esterilização, também
ao redor dos 2 mil ciclos.
Postura pró-ativa – Mesmo sem ser a líder no fornecimento de resinas de
engenharia para o segmento médico no Brasil, a Sabic não está acelerando sua
atuação no segmento por mera competição com a concorrência. “O intuito da
empresa é fazer o mercado crescer, e crescer em plásticos de engenharia”,
diz o diretor-comercial Coelho. “O mercado nacional está ficando mais
sofisticado. Isso está acontecendo globalmente em países mais carentes, e
nós queremos aproveitar essa tendência. |
| Coelho: conjuntura favorável levará o mercado a US$ 2
bilhões até 2012 |
Além disso, queremos propiciar aos fabricantes locais acesso a tecnologias
de primeiro mundo, oferecendo novos materiais”, adiciona, ressaltando que a
mudança de postura não é uma simples reação à demanda do mercado.
Por outro lado, para a gerente de comunicação de marketing da Sabic
Innovative Plastics na América Latina, Akiko Nishimoto, o setor médico é um
mercado que ainda usa materiais tradicionais, como o metal, em grandes
quantidades, ao contrário da indústria de produtos de consumo, que já
conhece o plástico de engenharia há bastante tempo. “Ainda é preciso
convencer o segmento médico das possibilidades de uso do plástico de
engenharia, como já foi feito, por exemplo, no caso dos faróis automotivos”,
explica Nishimoto.
Márcio Azevedo
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