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Barcos offshore por infusão – As tecnologias utilizadas pelas indústrias
náuticas, uma das principais usuárias de compósitos no mundo, também vêm
evoluindo no Brasil. Os processos de spray-up e hand-lay-up já começam a
ceder lugar às infusões a vácuo, com as quais algumas embarcações vêm sendo
fabricadas.
Produzir um barco por infusão a vácuo traz novas perspectivas ao segmento
náutico, pois significa poder reduzir as quantidades de resinas normalmente
requeridas em outros processos, diminuir o nível de perdas e o peso dos
cascos, dotando as embarcações de melhores condições aerodinâmicas e
hidrodinâmicas e, consequentemente, tornando-as mais velozes.
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No estaleiro Marina Astúrias, no Guarujá, litoral paulista, os empresários
Gontran Parente e Ovid Duncan Jr., aficionado por barcos offshore, impuseram
anos atrás um desafio a si mesmos: construir o barco mais veloz da América
Latina na categoria, para enfrentar as condições de mar aberto. Isso ocorreu
por volta de 2004 e, desde essa época, iniciaram a busca de novas
tecnologias para dar início ao projeto, realizando viagens e encontros
técnicos com vários especialistas, como Reggie Fountain, considerado um dos
ícones da engenharia naval, e percorrendo vários estaleiros que utilizam
tecnologias avançadas dos Estados Unidos, Europa e Japão.
“Os projetos para barcos construídos para navegação em regiões abrigadas e
baías obedecem a um determinado regime de ondas e são totalmente distintos
dos projetos feitos para barcos de alta velocidade, muito mais difíceis de
pilotar do que, por exemplo, aeronaves, em razão de forças de gravidade de
20 G”, observou o empresário. |
| Parente: infusão à vácuo auxilia navegação de alta
velocidade |
Piloto internacional há vários anos de embarcações offshore, Parente
observou a existência de dezenas de estaleiros no Brasil, construindo barcos
que, em geral, não ultrapassam a velocidade de 70 milhas.
E, nesse caso, a proposta dos empresários era justamente romper a barreira
de velocidade de barcos velozes, acima de 40 pés, que alcançavam 60,1 nós, o
equivalente a 69,16 milhas terrestres.
“Nosso objetivo nos levou a buscar o melhor motor para aplicações offshore,
no caso um motor fabricado pela Teague Custom Marine, tendo como projetista
o empresário Bob Teague, construtor dos melhores motores náuticos existentes
no mundo, e também editor da mais conceituada revista do setor, a Power
Boat, editada nos Estados Unidos. Finalmente, em 2005, nossa empresa, a
Force One Boates, passou a contar com o único motor de alta performance
feito especialmente para o mercado brasileiro para que déssemos continuidade
ao projeto”, informou Parente.
| Tempos depois, contando com recursos de softwares como o Maxsurf e outros
programas dedicados exclusivamente à construção de embarcações, o arquiteto
naval Duncan Jr., sócio-diretor da Force One, iniciou a construção em
madeira esculpida do primeiro modelo do offshore nacional em tamanho real,
que daria sequência à construção do molde fabricado em resina, construindo
por infusão a vácuo, com o uso de blendas de resinas termofixas, o primeiro
offshore da empresa, lançado em 2008, apresentando soluções inovadoras ao
setor náutico. |
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| Duncan Jr. apostou em blendas termofixas em barco
offshore |
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“O processo de infusão a vácuo permite construir barcos compactos, sem
emendas entre o convés e o casco, e com resistência estrutural dez vezes
superior à dos barcos convencionais com emendas, com ganhos não só
estéticos, como principalmente na distribuição uniforme dos esforços,
destacando-se os ganhos aerodinâmicos, permitindo a ocorrência de nenhum ou
de reduzidos arrastos, para que os amantes da navegação possam usufruir de
alta velocidade e de total estabilidade ao pilotar a embarcação”, comentou
Parente.
“A nossa grande atuação, portanto, foi apresentar ao setor um barco offshore
com total estabilidade em qualquer regime de velocidade”, acrescentou Duncan
Jr. Atualmente, além de alcançar a velocidade de 100 milhas, o F1 Force One
já vem sendo produzido em série e conta com a perspectiva de integrar-se a
projetos de exportação, como o offshore mais veloz de sua categoria em
produção no país. |
| F1 Force One: offshore mais veloz do Brasil supera as
100 milhas |
Boas perspectivas para pás eólicas – Por infusão a vácuo também são
fabricadas no país e exportadas para várias partes do mundo pás geradoras de
energia eólica, a energia que provém dos ventos, considerada a mais limpa de
todo o planeta.
O crescimento nesse segmento se deve principalmente à busca por fontes
alternativas e renováveis de energia, que possam contribuir para reduzir as
emissões de dióxido de carbono na atmosfera. Os países que mais investem em
energia eólica são: Alemanha, Estados Unidos, Índia, Espanha, Canadá,
França, Grã-Bretanha, China, Portugal e Dinamarca, que tem o maior índice
per capita, provendo mais de 20% de suas necessidades energéticas com a
energia dos vendavais.
Desfrutando de posição privilegiada, o Brasil é considerado líder mundial em
energias renováveis. Com cerca de 80% da sua demanda de eletricidade
atendida por energias de fontes hídricas, abriga também grandes empresas
dedicadas à fabricação de pás geradoras de energia eólica.
| Ainda pouco explorado, o potencial
brasileiro para gerar energia eólica é considerado bastante
significativo, podendo chegar a 300 mil MW, segundo as últimas
medições realizadas por entidades do setor.
Até novembro deste ano, levantamento realizado pela Associação Brasileira de
Energia Eólica (Abeeólica) identificou capacidade instalada de 605,3 MW no
Brasil, projetada, porém, para 1.423 MW, até dezembro de 2010, segundo
previsões. |
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| Expansão do parque eólico favorece uso de compósitos |
O crescimento do setor de energia eólica no país é, portanto, mais do que
provável e tem por prova cabal a realização do primeiro leilão de energia
eólica, programado para 14 de dezembro deste ano, devendo abranger 441 novos
projetos, somando 13.341 MW de capacidade, o que significa não somente
expansão na oferta de energia limpa, mas também aumento na demanda por
compósitos.
De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética, os 441 novos projetos
deverão contemplar onze estados nos quais se observa uma maior incidência de
ventos. Desse total, 322 projetos foram programados para a Região Nordeste,
onde deverão ser gerados 9.549 MW. O Rio Grande do Norte é o estado que
lidera a lista, com 134 empreendimentos. Em segundo lugar vem o Ceará, com
118 usinas. Na Região Sul foram listados 111 projetos, que deverão responder
pela geração de 3.594 MW, 86 deles só no Rio Grande do Sul. Os demais oito
projetos foram programados para a Região Sudeste, que deverá responder pela
geração de 198 MW.
No Brasil, o Ceará foi um dos primeiros estados a participar de programas de
energia eólica, hoje difundido por vários outros estados, como Piauí, Rio
Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio
Grande do Sul.
Longe da crise – A demanda de materiais compósitos para plataformas de
petróleo, usinas de etanol, usinas de açúcar, usinas de vinhaça, saneamento
básico, redes de água – potável e bruta –, redes de irrigação, entre outros,
não sofreu os impactos da crise de 2009. Ao contrário, somou bons resultados
e apresentou crescimento ao longo de todo o ano, conforme observado na Edra.
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| Além de tanques de armazenagem de
fluidos, a Edra também produz tubulações especiais para uso em
plataformas de petróleo |
Tradicional na fabricação há mais de três décadas de materiais compósitos,
principalmente tubulações de PRFV, com diâmetros até 700 mm, e tanques
também cilíndricos para armazenagem de fluidos, com diâmetros até 6,80 m, e
cuja capacidade em volume chega até 400 m3, fornecidos para indústrias
químicas, petroquímicas, alimentícias, de papel e celulose, e de petróleo,
principalmente, nesse último caso, para armazenar fluidos para completação
de poços, a Edra é considerada pioneira em vários mercados. Há quase duas
décadas, desenvolveu tanques para o transporte de vinhaça, vencendo um
grande desafio na época. No ano 2000, implementou projeto de tanque especial
para transportar produtos perigosos, da classe 8, fabricando tubulações
especiais para aplicação em plataformas de petróleo e grandes reservatórios
utilizados na área de extração.
“Alcançamos bons resultados em 2009: o mercado de petróleo, que demanda
tubulações para as plataformas, promoveu significativo aumento nas suas
aquisições de materiais compósitos, da ordem de 12%. Já o mercado
sucroalcooleiro, abrangendo as usinas de açúcar e etanol, sofreu leve
retração, mas continuou sendo muito importante para o volume de negócios da
empresa, que participou de projetos de instalação de novas unidades fabris.
As análises também apontam a recuperação do mercado de saneamento, que, após
sofrer um período de retração que se estendeu por quase oito anos, começou a
retomar o crescimento, o que se refletiu sobre nossas vendas para o setor,
com a elevação de 8%, principalmente demandadas por projetos em
desenvolvimento na Região Nordeste do país. Já no mercado industrial,
considerado estável, o crescimento é pequeno, porém, contínuo”, avaliou
Arnaldo Gatto, gerente de desenvolvimento da Edra.
O ano de 2009 também foi bem significativo para as exportações de compósitos
fabricados pela empresa. “Temos buscado realizar exportações para toda a
América Latina e estamos obtendo sucesso nessa nossa empreitada”, informou
Gatto.
“Os compósitos só não possuem maior demanda no mercado brasileiro pela falta
de conhecimento de suas propriedades e benefícios. Mal divulgados, costumam
ter uma abordagem muito fraca dentro das nossas universidades e, apesar das
aplicações que já conquistaram grande sucesso, seu uso ainda não se
consolidou como regra em vários setores”, afirmou.
Segundo o gerente, porém, o desenvolvimento de novos insumos, as melhorias
nos processos de fabricação, visando elevar a produtividade e a qualidade,
as menores perdas de processo e o menor impacto ambiental propiciado pela
redução das emissões de voláteis e menor geração de resíduos são
preocupações constantes dos fornecedores e transformadores do setor e estão
na mira das novas pesquisas e desenvolvimentos.
No segmento de tubulações, a empresa se tornou perita na fabricação de tubos
com liners termofixos, pelo processo de enrolamento filamentar (filament
winding), e que podem suportar altas pressões e temperaturas, apresentando
alta rigidez para aplicações em ambientes corrosivos.
“A nossa grande contribuição é continuar a fornecer produtos com qualidade,
que superem as expectativas dos clientes, e só assim conseguiremos desbravar
e conquistar novos mercados, assegurando que o uso de compósitos é vantajoso
e proporciona excelente custo/benefício, substituindo com vantagens os
materiais metálicos, até mesmo nas montagens, e tornando as obras menos
onerosas”, afirmou.
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