Versão 2010 – O mercado de plásticos também está na mira de outra multinacional de renome do mundo da informática, a Dassault Systèmes SolidWorks. “É uma vertical extremamente importante para a empresa”, garante Oscar Siqueira, gerente da operação da empresa no Brasil. O inverso também é verdadeiro. “As empresas de plástico têm acompanhado de perto as novidades e estão cientes das melhorias em produtividade e qualidade propiciadas por nossas ferramentas”, afirma. O raciocínio não vale apenas para grandes corporações. “Temos um grande volume de clientes de pequeno e médio porte na área de moldes e ferramentaria”, informa.

A empresa acaba de lançar no Brasil a linha de softwares SolidWorks 2010, dotada com vários aprimoramentos em relação à série anterior. O produto, oferecido nas versões standard, professional e premium, não é voltado apenas para a indústria do plástico. Tem inúmeras utilizações. A empresa, no entanto, oferece módulos opcionais com soluções específicas para o setor.
Siqueira vê mercado do plástico atento ao CAD

De acordo com Siqueira, a nova versão é a mais sofisticada de todas as lançadas pela empresa. Uma novidade presente em todas as versões é o recurso Sustainability, cujo objetivo é medir o impacto ambiental de cada peça projetada, durante todo o seu ciclo de vida útil. Ele ajuda os usuários, entre outros aspectos, a determinar a carga de carbono, o consumo de energia e os impactos no ar e na água durante o fornecimento, a fabricação, a utilização e o descarte da matéria-prima do projeto de um produto.

Quando a utilização do software é voltada para a injeção de plásticos, Timoteo Müller, gerente técnico da empresa, informa que os clientes contam com completo leque de ferramentas úteis para todos os momentos do desenvolvimento do design da peça e do projeto do molde. O sistema é compatível com informações prestadas por outros programas. “Eles são dotados com recursos para eliminar barreiras de comunicação, fazem de maneira eficiente a conversão de dados das peças importadas”, diz. O gerente também garante a precisão dos dados ao longo de todo o projeto e a distribuição simultânea de informações em todos os computadores ligados ao projeto.

Em relação ao design da peça, o aplicativo permite, em peças de formatos complexos, avaliações variadas. A ideia é evitar problemas de preenchimento correto ou de extração da peça do molde. Podem ser examinados, por exemplo, o arredondamento adequado dos cantos ou a verificação dos ângulos do desenho original.

Müller: SolidWorks oferece opções para interessados em CAM e CAE

O produto também contém extenso banco de dados com informações sobre vários materiais. Ainda é possível avaliar o desempenho mecânico da peça, fazendo cálculos tais quais se uma parede pode ter espessura menor do que a projetada inicialmente, proporcionando economia de matéria-prima na produção em escala da peça.

No projeto do molde, o aplicativo verifica todos os aspectos relevantes, como a linha de partição recomendada para a divisão das cavidades, desenho de insertos e gavetas, projeto do conjunto de extração. Ele contém uma biblioteca de soluções para canais de refrigeração, além de amplo conjunto de informações sobre porta-moldes e todos os componentes padronizados, como parafusos, buchas, pinos etc. Faz a análise de tolerâncias das medidas e conta com outros recursos valiosos para os projetistas. “Temos várias opções para os interessados em adquirir softwares de CAM e CAE”, acrescenta Müller.

A exemplo das concorrentes, a SolidWorks se utiliza da organização de eventos e de convênios com instituições de ensino para tentar disseminar o uso de seus programas. A multinacional também tem acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), pelo qual pode divulgar seus produtos e efetuar vendas diretas aos associados da entidade.
 

Aposentadoria da prancheta é aprovada
 

Os usuários confirmam os bons resultados obtidos com o uso de sofisticados softwares de CAD. A Fast Tools, instalada em Jundiaí – SP, fabrica moldes de injeção de plástico para peças de precisão. Ela conta em seu parque fabril com equipamentos de última geração, como centros de usinagem, máquinas de eletroerosão e tornos CNC. Seu principal cliente é a indústria automobilística. A empresa já produziu moldes bem complexos, como os de componentes de painéis, peças presentes em sistemas de alimentação de combustível ou nos aparelhos de ar-condicionado dos veículos, entre outros.

Há cinco anos, a empresa decidiu migrar sua estrutura de CAD de soluções de duas para três dimensões. “No passado, os projetos dos moldes eram feitos parcialmente, somente para atender às nossas necessidades de usinagem”, lembra Carlos Wilson da Silva, gerente de ferramentaria. Hoje, os projetos podem ser totalmente desenvolvidos na própria empresa. “Além de automatizar todas as fases com um número mínimo de erros, nosso tempo de produção ficou bem mais curto”, garante. De acordo com o gerente, o ganho de produtividade supera a casa dos 30%.

Opinião similar tem Luís Carlos Bueno de Camargo, diretor da Tasco, fabricante de acessórios para montagens mecânicas e eletroeletrônicas. A empresa verticaliza a produção de peças em plástico. Conta com centro de usinagem, ferramentaria e oito máquinas injetoras de pequena capacidade. Há oito anos, a empresa utiliza soluções de CAD em três dimensões.

Há muito tempo no ramo, Camargo lembra sem saudades da trabalheira que tinha quando desenvolvia projetos de moldes nas pranchetas. Para ele, a economia de tempo proporcionada pela tecnologia é imensa. “O melhor é a correção imediata de todas as etapas quando efetuamos alguma alteração no design da peça”, revela. As correções são comuns. Em alguns projetos, chega-se a efetuar cinco alterações por dia e as modificações são repassadas dos computadores do projeto para as máquinas de usinagem de forma automática.


 

 
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