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T E R M O
F O R M A G E M |
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A indústria sentiu a crise,
desacelerou lançamentos,
mas não desistiu de inovar
Texto de Rose de Moraes
Fotos de Cuca Jorge
A crise econômica mundial
deflagrada nos Estados Unidos em 2009 comprometeu o desempenho do
setor de máquinas de termoformagem no Brasil. |
Os efeitos negativos sobre as vendas só não foram piores em virtude do
incessante trabalho de pesquisa e inovação voltado à captação de novos
negócios, realizado por fabricantes nacionais e representantes de empresas
internacionais.
“Deveremos contabilizar queda em torno de 30% nas vendas de
termoformadoras em 2009 em relação a 2008”, calcula Jorge Lakatos, diretor
da Eletro Forming, uma das mais tradicionais empresas nacionais do ramo,
com fábrica no Embu-SP, desde 1983, mas com atuação de mais de 40 anos na
construção de máquinas.
O impacto produzido pela crise causou sobressalto nos fabricantes e talvez
tenha sido mais sentido em virtude do grande número de encomendas feitas e
atendidas em 2008, quando a Eletro Forming chegou a registrar níveis de
crescimento superiores a 50% nas vendas de alguns modelos, como foi o caso
das termoformadoras da linha TC-C. Comercializadas no mercado doméstico,
essas máquinas também são destinadas a mercados internacionais como
Canadá, Itália e África, principalmente para a produção de embalagens
termoformadas para o setor de alimentos in natura e industrializados, em
substituição a embalagens antes confeccionadas com papelão ou poliestireno
expandido.
Formadas por sistemas contínuos e automáticos envolvendo grandes
produções, alimentados por bobinas com até 1.000 mm, essas máquinas, com
força de fechamento de 250 kN, termoformam e cortam em uma única estação
embalagens de vários tipos, formatos e em vários materiais convencionais
como PS, PVC e PP, em espessuras de 0,1 mm até 1,3 mm, incluindo o PET
reciclado, material duro de cortar e não facilmente termoformado por
qualquer tipo de máquina.
“A TC da série C promove cortes com o auxílio de lâminas, facas gráficas (Die
Rules), que cortam contra um cepo do molde fabricado de metal
especialmente endurecido. Tal operação ocorre na mesma estação de
moldagem, o que facilita as operações porque o material já estará aquecido
a temperaturas entre 100ºC e 120ºC, podendo ser registradas pela máquina
produções de 30 ciclos por minuto, ao se tomar por referência o
poliestireno, e de 22 ciclos por minuto, em se tratando de embalagens de
PET”, acrescentou Lakatos.
Os demais sistemas, que utilizam moldes machos e fêmeas, são muito
eficientes para termoformar PE e PS, mas não se aplicam com o mesmo grau
de adequação, segundo o diretor, quando for necessário termoformar e
cortar PET.
Ainda como vantagens, a linha TC-C também pode contar com opcionais como
pré-aquecedor e sistema de forno inferior para moldar PP e válvulas para
acionar partes postiças de molde, caso apresente partes negativas. As
máquinas dessa família têm impulsionado a produção de embalagens
descartáveis de PET para acondicionar diferentes tipos de alimentos, como
pães, doces, ovos e frutas, em caixas com tampas e travas de fechamento.
Em máquinas dessa série, o transporte do filme é feito por servomotor,
podendo-se contar também com empilhador, tanto para empilhamento inferior
em esteira, como para empilhamento superior em bandejas. Entre os detalhes
dos fornos, foram incorporadas resistências de irradiação infravermelha,
além de aço inoxidável na sua construção, para suportar as dilatações
térmicas.
Preferências setoriais – As exigências do mercado de embalagens
para alimentos são tão minuciosas que obrigam os fabricantes a criar
modelos específicos, como termoformadoras de bobinas contínuas e
automáticas para termoformar e cortar exclusivamente embalagens em
formatos retangulares. Esse é o caso do TC-S, outro equipamento da Eletro
Forming, provido de quatro estações para aquecimento, termoformagem, e
corte tanto no sentido transversal como longitudinal, e com produtividade
variável entre 17 ciclos por minuto até 35 ciclos por minuto.
Outro aspecto observado por fabricantes diz respeito ao emprego do PET,
que foi popularizado no setor; embora o grande mercado de descartáveis,
envolvendo pratos e tampas, continue nas mãos do poliestireno.
Aplicado em espessuras que vão de 0,2 mm até 0,4 mm, o PS em bobinas
também pode ser termoformado por máquinas da linha TC-C, contando com área
de termoformagem de 650 mm (largura) por 550 mm (comprimento), e moldagens
com pressão positiva (pressure forming), para oferecer maior velocidade e
maior definição nos detalhes especificados para os materiais.
Até o final de 2010, Lakatos pretende apresentar ao mercado um novo
modelo da família de máquinas TC, alimentadas por bobinas. Mais
aprimorado, servirá à fabricação de descartáveis tanto de PS, como de PET,
com paredes mais finas, desde 0,1 mm, mas podendo alcançar espessuras mais
grossas, até 1,8 mm, e operar em ciclos mais curtos, e com produtividade
bem mais elevada em comparação com os modelos atuais, alcançando 40 ciclos
por minuto, e maiores dimensões, com larguras de 600 mm e comprimentos de
800 mm.
A retração nas vendas de termoformadoras não colocou por terra novos
projetos, apenas os postergou para lançamentos em períodos de maior
atividade econômica, quando o mercado não hesita em efetivar investimentos
e fica mais receptivo às novidades.
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Entre os vários detalhes do projeto da Eletro Forming,
a nova termoformadora deverá contar com maior número de servomotores.
Serão quatro, ao todo, e deverão ser instalados nas estações de
prensagem e de corte, bem como no sistema de avanço das correntes e
nas demais duas prensas.
Além da experiência de Jorge Lakatos, no trato com fornecedores e
compradores, a empresa conta com a dedicação profissional de membros
da segunda geração da família, representada por seus filhos Roberto,
André e Paulo, todos engenheiros graduados pela Escola Politécnica da
Universidade de |

A família Lakatos: 2ª geração chega à empresa com crivo da Poli/USP |
São Paulo e que aliam diferentes especialidades em mecatrônica,
engenharia elétrica e engenharia mecânica.
Parceria no setor de refrigeração – Empenhada na busca de melhores
resultados em 2010, a Eletro Forming cogita a possibilidade de estabelecer
parceria com uma grande empresa do setor, a fim de desenvolver nova
termoformadora automática para produzir gabinetes internos para
refrigeradores, com produção horária em torno de 140 unidades. “Se tudo
der certo, conforme estamos planejando, iremos oferecer ao mercado um novo
modelo de máquina, de mais alta produtividade, fazendo jus à indústria de
refrigeração, uma das maiores aliadas do processo de termoformagem”,
afirmou Jorge Lakatos.
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Até agora, as máquinas para fabricar gabinetes
desenvolvidas pela empresa alcançam produtividade máxima de 100
peças/horas, conforme especificações da TC-G in-line, quando da
utilização de PS alto impacto na espessura de 3,2 mm, embora também
sejam fabricados modelos de menor capacidade em volumes produzidos,
como o Supravac-2, capaz de moldar 15 gabinetes por hora, ou como o RV-2,
que alcança produtividade de 30 peças/hora.
Os refrigeradores são de fato os eletrodomésticos que mais comportam
componentes termoformados e grandes responsáveis pela dinâmica
encontrada nesse setor. Além de gabinetes, contraportas, tampas de
evaporadores, bandejas, fundos de freezers |

A Supravac 2 é recomendada para a moldagem de PP |
horizontais, venezianas, testeiras de decoração e laterais internas
costumam integrar a demanda do setor de refrigeração. Em geral, essa gama
de componentes, produzida com chapas de PS alto impacto, em faixas de
espessura que vão de 1 mm até 4,5 mm, requer termoformadoras automáticas,
rotativas e in-line.
Para os especialistas, a termoformagem vem evoluindo muito, principalmente
no sentido de melhorar a distribuição dos materiais nas estações de
aquecimento, enriquecer as peças com um maior número de detalhes, e
aumentar a produtividade. Assim, os equipamentos mais modernos não apenas
fazem uso de técnicas de aquecimento e resfriamento, mas também de
técnicas de enchimento por sopro (billow blow), técnicas de balões,
pistões, de vácuo e de pressão, entre outras.
Segundo bem observou Roberto Lakatos, algumas tecnologias não podem ser
negligenciadas na termoformagem. Uma delas consiste na pressurização com
ar comprimido externamente ao molde, conhecida como técnica “balão”,
aplicada quando do uso de moldes machos, como no caso da produção de
gabinetes de refrigeradores, técnica que irá ajudar a uniformizar a
distribuição do material, tornando sua espessura homogênea em qualquer
ponto da peça. “O recurso do balão é indispensável em máquinas alimentadas
por chapas e resulta na melhor qualidade da peça e na economia de
material, tanto em espessura quanto em tamanho da lâmina inicial”,
informou Roberto.
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