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Na avaliação de Zanetti, em determinado momento, o PET represou o
crescimento da demanda das sopradoras convencionais, ao substituir resinas
como o polietileno, o polipropileno e o PVC em diversas aplicações. “No
momento, vejo uma acomodação do crescimento do PET em relação aos demais
termoplásticos. A grande parcela de participação já foi atingida e, a
partir de agora, somente variações de custo entre as resinas podem definir
um crescimento de uma sobre a outra.”
A linha de sopro convencional da Pavan Zanetti é composta por modelos que
vão desde a série HDL, de sopro por acumulação com capacidades de 10 a 220
litros; à Bimatic, de mesas simples e duplas, por extrusão contínua,
automatização total e capacidades desde 5 ml até 30 litros, além de
unidades montadas sob encomenda.
Novas demandas – O uso de resinas recicladas e a necessidade de
reduzir cada vez mais o consumo de energia elétrica criam novas demandas
para os fabricantes de sopradoras. Tais questões engrossam as discussões
sobre as tecnologias de coextrusão e das máquinas sem unidade hidráulica,
também chamadas de mecatrônicas.
O uso de material recuperado é uma tendência e deverá crescer, e com ele a
demanda pela tecnologia coex. Para alguns fabricantes do setor, as
embalagens com estrutura sanduíche, na qual se utiliza uma camada de
resina reciclada entre dois materiais virgens, tende a avançar no mercado
local. “Destina-se ao uso de reciclados na camada interna ou de pigmentos
de alto custo na camada externa. Confere aspecto de frasco confeccionado
com resina virgem, quando na verdade a camada interna mais pesada é de
reciclado”, afirma Zanetti.
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Na avaliação do diretor da Techne Technipack do Brasil, de São Paulo,
Valdemar Salles Filho, o consumo de resinas recicladas tem aumentado muito
e por vários motivos, como a redução de custos, inovações tecnológicas,
questões ambientais etc. “No caso da Techne, trabalhamos forte em
coextrusão não só para utilização de reciclado, mas para a redução do
percentual de master perolado no setor de cosméticos e em outras
aplicações.”
De acordo com Salles, nos últimos dois anos, 70% das máquinas vendidas
pela empresa no Brasil |

Salles ganha mercado com tecnologia de coextrusão,
incentivo ao uso de reciclados |
são coextrusoras. Além do avanço no mercado de
cosméticos, o diretor menciona o agroquímico, com tecnologia para
utilização de até 65% de reciclado. No segmento de embalagens para
produtos de limpeza, a utilização de reciclado chega a 45%. “Tudo isso já
está acontecendo”, afirma.
Ele destaca também o avanço da sopradora mecatrônica. “Trata-se de uma
máquina mais rápida, compacta, produtiva e, sobretudo, muito mais
econômica.” As sopradoras elétricas, sem unidade hidráulica, ainda não são
um consenso no mercado. E isso não ocorre em virtude das vantagens
operacionais, mas principalmente em decorrência do custo, mais elevado.
Reconhecidas pela precisão, alta velocidade de processo e redução do
consumo energético, as sopradoras elétricas vão, aos poucos, conquistando
novos adeptos e à medida que a tecnologia se populariza também tende a
reduzir seus custos.
A Romi está entre as empresas que avaliam a possibilidade de ingressar
nesse mercado, assim como a Pavan Zanetti. “No momento, buscamos o
conhecimento necessário para um possível projeto”, diz Zanetti. Segundo
ele, os benefícios da tecnologia viçam por conta da economia de energia e
menor geração de ruído. Tudo isso sem vazamentos de óleo, tão indesejáveis
numa fábrica limpa.
A Romi também trabalha em um projeto de sopradora elétrica. O modelo,
oriundo da JAC, passa por completa reavaliação e adequação aos padrões de
qualidade e desempenho. “A substituição dos atuadores hidráulicos pelos
atuadores elétricos agrega maior precisão dos movimentos, maior velocidade
e menor consumo de energia. Considerando que a geração do movimento está
diretamente no atuador, evitam-se as perdas de carga entre a geração de
energia e a realização do movimento”, explica Lago.
A Techne lançou a linha Advance (ADV) na última edição da feira K, em
Dusseldorf, na Alemanha. Um dos destaques da máquina refere-se à redução
do consumo energético da ordem de 35% em comparação a uma máquina
hidráulica convencional. “O lançamento superou nossas expectativas, e hoje
para o Brasil já representa 60% das nossas vendas.”
A linha possui basicamente dois tamanhos de curso (510 mm e 700 mm).
“Esses dois tamanhos são multiplicados em dois ou quatro carros, ou seja,
uma máquina de quatro carros corresponde a duas máquinas duplas
convencionais. Totalmente intercambiável, pode utilizar os moldes
convencionais das máquinas hidráulicas.”
Salles ainda lembra outras características, como o CLP industrial (base
Windows); até 30 toneladas de força de fechamento; capacidades que
alcançam até 15 milhões de embalagens por mês, dependendo do frasco;
possibilidade de adaptações para coextrusão de até cinco camadas; e adoção
de tecnologia in mould labeling (rotulagem dentro do molde) etc.
De acordo com Salles, está em negociação uma sopradora mecatrônica modelo
ADV. “Com molde de 34 cavidades, produzirá cerca de 10 milhões de frascos
por mês. Uma sopradora com produção de quatro máquinas comuns de mercado.”
A Techne fabrica ainda a linha de sopradoras por extrusão contínua, linha
Twin, com sete modelos e capacidades que variam de 5 a 30 litros, com mesa
simples e dupla. Na avaliação de Salles, o mercado está mais aquecido no
segundo semestre.
Mas, por causa da crise internacional, os resultados de 2009 devem se
equiparar com os do período anterior, considerado muito bom para a
companhia. “A Techne investiu mais de 4 milhões de euros somente para
novos lançamentos e 11 milhões de euros na nova planta em Bologna, nos
últimos três anos.” A empresa tem filial no Brasil há onze anos.
As reduções de consumo energético, de tempo e de gastos com manutenção têm
sido o foco nos últimos anos em todos os segmentos, até mesmo nos modelos
hidráulicos. “Constantes melhorias no conjunto de fechamento aumentam o
grau de automatização e a produtividade, assim como avanços nos estudos de
perfis de roscas agregam maior capacidade de produção em quilos/hora com
foco no aumento da produtividade, produzindo mais e consumindo menos”,
afirma Lago. A crescente utilização de inversores de frequência e a adoção
de motores de alto rendimento também focam a redução do consumo de
energia.
A linha de sopradoras convencionais da Romi divide-se em três modelos.
Dois deles por extrusão contínua: a Premium, com simples estação,
destinada a embalagens de até 5 litros; e a Compacta, com simples e dupla
estação para embalagens de até 10 litros.
A terceira é a Maxtec, com modelos por extrusão contínua e por acumulação
e sopro inferior para a produção de peças técnicas diversas. “A versão 100
l, em fase final de validação, logo estará disponível no mercado”, afirma
Lago.
Mercado de PET injeta ânimo no setor
O
consumo brasileiro de PET cresce em torno de 5% ao ano. Índice que deve
ser mantido em 2009. No ano passado, o país consumiu cerca de 460 mil
toneladas, de acordo com informações da Associação Brasileira da Indústria
do PET (Abipet). O aumento da demanda e a consequente necessidade de
ampliação do parque fabril geram novas expectativas de negócios para os
fabricantes de sopradoras de pré-formas e de máquinas destinadas à
injeção-estiramento-sopro.
Enquanto Pavan Zanetti e Romi disputam o mercado entre os médios e
pequenos transformadores de PET, que buscam alta produtividade em pequenas
e médias escalas de produção, empresas como a francesa Sidel e a alemã
Krones sobressaem no sopro de pré-formas com grandes tiragens e tecnologia
de ponta.
O mesmo ocorre entre os fabricantes de máquinas que executam o processo
desde a injeção até o sopro da pré-forma, mercado liderado por duas
companhias japonesas, a Nissei ABS e a Aoki. Embora atuem em nichos
diferentes, todas essas indústrias perseguem objetivos comuns: a redução
energética e a fabricação de embalagens cada vez mais leves.
O gerente de desenvolvimento da Aoki do Brasil, Lucas Tosi Salu, defende
que o momento está bastante favorável para a tecnologia de
injeção-estiramento-sopro. “O aumento da renda per capita do consumidor
brasileiro; a crescente busca por novos produtos, antes não amplamente
utilizados, como os de higiene pessoal e cosméticos; e o alto índice de
lançamentos impulsiona a demanda por máquinas integradas”, justifica.
Para ele, o crescimento do consumo de PET ancora-se em dois fatores
básicos: a elevação da demanda de produtos já existentes, em razão do
aumento do poder aquisitivo da população; e a conquista de novos mercados.
“O PET é um excelente termoplástico que oferece transparência, resistência
ao impacto, boa barreira a gases, facilidade de processamento e transporte
e flexibilidade de design, além de não oxidar. Em caso de quebra, não
causa danos pessoais ou a contaminação da linha de envase.”
Assim como os demais plásticos, o PET também tem suas limitações, tais
como em aplicações que necessitam de alta temperatura de envase e em
produtos com alta sensibilidade à oxidação. “A escolha do material e do
tipo de embalagem dependem do produto a ser armazenado e demais condições
a que estão sujeitos até o descarte.” Um bom projeto, na avaliação de Salu,
não prevê apenas a destinação, mas também o descarte da embalagem.
A Aoki fabrica basicamente duas famílias de máquinas: uma destinada à
grande flexibilidade de formas de embalagem, como frascos pequenos, de
alto volume, gargalos estreitos e largos etc; e outra para mercados
específicos, como o de boca larga, frascos pequenos e processamento de
polietileno e de PET reciclado, entre outros.
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De acordo com Salu, cada família possui máquinas para diferentes
produções. Entre os recursos disponíveis, destaca o painel de programação
de simples operação, que permite controle total da máquina durante a
produção e armazenagem de até 16 parâmetros de moldagem com a utilização
de cartões de memória. “Há ainda diversos recursos visando à redução de
energia, seja reutilizando o ar de sopro, projeto econômico do circuito
hidráulico e até mesmo um sistema híbrido em algumas máquinas.” |

Salu aposta na redução energética |
Dentro desse contexto, ele cita o sistema patenteado Direct Heatcon.
“Consiste em aproveitar o calor da pré-forma recém-injetada para soprar a
embalagem, reduzindo o consumo energético e os
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