I N J E T O R A S

Cuca Jorge

Incentivos
ao crédito aquecem
os negócios e
a demanda por
máquinas mais velozes e precisas


José Paulo Sant'Anna

Para a maioria dos fornecedores de injetoras, os negócios este ano não atingiram o excelente patamar obtido no ano passado até setembro, no período pré-crise. A queda, no entanto, não foi tão drástica, contrariou as previsões mais pessimistas predominantes na época aguda dos problemas econômicos. Os primeiros meses de 2009 não foram dos melhores, mas as vendas foram se recuperando com o decorrer do tempo. E as perspectivas até o final do ano e para 2010 são otimistas. Não existem dados oficiais, mas estima-se que o número de máquinas comercializadas este ano deva ficar entre 1,5 mil e 2 mil unidades.

A realização em maio da Brasilplast marcou o início da recuperação. A maior feira do setor de plástico do Hemisfério Sul gerou negócios acima das expectativas reinantes na época de sua realização. Os bons resultados dos setores beneficiados por isenções de impostos, como a indústria automobilística e a de eletrodomésticos da linha branca, ajudaram os negócios nos meses seguintes. Os segmentos de embalagens e de produtos hospitalares, impulsionados pela força do mercado interno, também colaboraram de forma importante.

A disputa entre os fabricantes nacionais e os importadores continua acirrada. Os europeus contam com tecnologia de ponta e são muito fortes no segmento premium. Os asiáticos são duros adversários no mercado das máquinas mais simples. Na disputa entre brasileiros e representantes orientais, os locais contaram com alguns trunfos importantes neste ano.

O principal foi o pacote de crédito lançado pelo Finame no meio do ano para as empresas interessadas em adquirir equipamentos nacionais, uma das armas usadas pelo governo para combater a recessão. O plano, cuja validade está prevista para terminar no dia 31 de dezembro, prevê financiamentos com juros para lá de amigáveis, de 4,5% ao ano. A iniciativa aumentou de forma considerável a competitividade da indústria de base nacional. Não à toa, representantes do setor se mobilizam para tentar prorrogá-la. De quebra, os fabricantes nacionais ganharam com a desvalorização do real ocorrida nos primeiros meses do ano. Essa vantagem se esvaiu no segundo semestre, quando a moeda nacional voltou a ficar forte.

Em termos de lançamentos, a busca dos fabricantes tem sido a de atender à demanda por maior produtividade. Velocidade e precisão são características bastante cobradas pelos compradores. Entre os fornecedores de modelos mais sofisticados, surgem lançamentos resultantes das aquisições de empresas realizadas no ano passado, negócios milionários responsáveis por mudanças significativas no mercado de injetoras. Para lembrar: a japonesa Sumitomo adquiriu a alemã Demag, o grupo austríaco Wittmann comprou a também alemã Battenfeld e a Romi, líder do mercado nacional, assumiu a italiana Sandretto. Por aqui, a procura por máquinas elétricas ainda é bem inferior em relação às hidráulicas. Mas está evoluindo. Assim como as vendas de máquinas híbridas.

Otimismo moderado – No papel de líder do mercado, a brasileira Romi demonstra ânimo moderado sobre o desempenho das vendas. “O mercado tem mostrado reação consistente em 2009, trimestre após trimestre”, diz Hermes Lago, diretor de comercialização de máquinas. De acordo com o dirigente, a entrada de pedidos até agora está 20% inferior à do mesmo período no ano passado. Mas a tendência até o final do ano é de crescimento. “Há uma expectativa contida, mas positiva para 2010”, avalia.

Quanto à competição com as importadas, Lago lembra que o fenômeno não é recente. Ele aponta a qualidade das máquinas e a assistência técnica prestada aos clientes como armas para manter a posição de destaque da empresa no mercado. Entre os clientes, ele cita os setores de linha branca, automotivo e de móveis como os mais ativos. “Esses setores, beneficiados por isenções fiscais do governo, retomaram suas atividades com maior intensidade”, diz. A procura tem se concentrado em máquinas de médio e grande porte.

Um dos objetivos da empresa nos últimos tempos tem sido o de conquistar maior espaço no mercado internacional. Para isso, no ano passado, adquiriu a fábrica italiana Sandretto, marca explorada pela empresa brasileira apenas no exterior. No Brasil, a empresa continua a atuar com a marca Romi. “Além do reconhecimento da Sandretto em vários países, contamos com sua capilaridade, que inclui grande parque instalado e canais de vendas bem estabelecidos”, explica o diretor.

Esses fatores vêm ajudando a empresa na lenta retomada da economia europeia. Na expectativa

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Lago persegue meta de ampliar participação no mercado externo

de melhora em 2010, ela promoverá um Open House em sua unidade fabril em Grugliasco, no início de dezembro. A ideia é mostrar aos clientes e parceiros internacionais sua nova estrutura corporativa. Também serão divulgadas a estrutura das linhas de produção e as famílias de máquinas.

A aquisição da Sandretto proporcionou reflexos positivos em termos tecnológicos, em ganho de escala, redução de custos e novos mercados. Um exemplo prático é o do trabalho conjunto realizado entre as engenharias do Brasil e da Itália. As equipes técnicas estão usando seus conhecimentos para projetar e construir novos modelos de máquinas.

A estratégia resultou no recente lançamento no mercado europeu da linha de injetoras elétricas EL, a primeira da marca Sandretto. A mesma série está sendo comercializada no Brasil com o nome Eletramax. “São máquinas de altíssima precisão e baixo consumo energético”, garante o diretor. Elas têm painel de controle com display touch-

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Máquina elétrica é a mesma vendida no mercado europeu

screen e são indicadas para injeção de peças técnicas, como componentes de aparelhos celulares, peças médicas e eletroeletrônicas, além de outras aplicações do gênero.

Bons ventos gaúchos – Jasot e Himaco, duas tradicionais fabricantes gaúchas de injetoras, ambas localizadas em Novo Hamburgo-RS, comemoram o bom desempenho do mercado em 2009. Para a Jasot, as vendas se mantiveram em patamar satisfatório mesmo na época mais aguda da crise. “Nos primeiros meses do ano, o dólar disparou e as máquinas asiáticas ficaram menos convidativas”, justifica o gerente-comercial Cléber Scherer.

No segundo semestre, o pacote do Finame foi o fator positivo. “Os juros de 4,5% ao ano foram um incentivo fantástico. A produção de nossa fábrica já está tomada até o final do ano”, comemora. Não por acaso, o executivo defende a prorrogação da medida para este ano. “Ela reduz a ameaça de importação, mesmo com o real valorizado”, defende. Um dos pontos altos da empresa em 2009 foi o fechamento de acordo para a entrega de mais de sessenta máquinas para a fabricante de calçados Grendene.

Quando o assunto é tecnologia, Scherer destaca as características das injetoras mais recentes da empresa. Apresentados na Brasilplast, os modelos oferecem três alternativas de rosca cada, opção que se ajusta à

Cuca Jorge

Venda de mais de 60 injetoras para a Grendene anima Scherer

necessidade de muitos transformadores. “Ao oferecer três diferentes unidades de injeção, o cliente pode obter maiores volumes de injeção com máquinas de menor força de fechamento ou vice-versa”, explica. A versatilidade das máquinas tem se mostrado outra arma poderosa para incentivar os negócios. “Focar na necessidade do cliente é boa maneira de brigar com os asiáticos”, ressalta.

O ano também está sendo muito bom para a Himaco. “Temos pedidos em carteira até janeiro de 2010, estamos estudando a possibilidade de reduzir as férias de nossos funcionários”, comemora o gerente-comercial Cristian Heinen. Com isso, ele calcula que em 2009 a empresa terá acréscimo de vendas entre 10% e 15% em relação ao ano passado. Nos primeiros meses do ano, as vendas foram mornas. Tudo começou a melhorar com a feira realizada em maio no Parque Anhembi, em São Paulo. “O melhor momento, no entanto, iniciou-se em agosto, com o aquecimento da economia e o lançamento do pacote de financiamento do Finame”, informa.

Cuca Jorge

Heinen comemora estimativas de crescer
até 15% neste ano

Heinen também torce pela prorrogação para o próximo ano do regime de juros baixos. Para ele, caso isso não ocorra, a concorrência com os asiáticos volta a se acirrar de forma intensa, em especial por causa da queda do valor do dólar ocorrida nos últimos meses. A disputa é dura, mas o gerente acredita em algumas armas dos fabricantes nacionais para convencer os clientes na hora de fechar negócios. “Quem analisa qualidade, produtividade, assistência técnica e facilidade de reposição de peças escolhe as máquinas brasileiras”, afirma.

Em termos de lançamentos, a Himaco apresentou suas novidades na Brasilplast. O destaque ficou para a linha Atis 2000, de máquinas hidráulicas. A série conta com bombas de maior galonagem, para conseguir maior velocidade no ciclo de produção sem o emprego de acumuladores. “A linha apresenta preço e condições de venda muito atraentes para fabricantes de utilidades domésticas e brinquedos”, diz.

Outra novidade da empresa na feira foi o lançamento de uma injetora vertical, com conjunto de injeção posicionado por cima da máquina. “A máquina não tem similar nacional e é pouco comum no mercado mundial”, diz o gerente. Por permitir processamento preciso, é dirigida para o mercado de peças técnicas, em especial para os transformadores voltados para a indústria automobilística.

 

 

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