E X T R U S O R A S

Fabricantes investem em máquinas
mais produtivas e vivenciam bom
momento para fechar negócios

Texto de Renata Pachione e
José Paulo Sant'Anna
Fotos de Cuca Jorge

O ano começou sem entusiasmar. Nos primeiros meses, por conta da crise mundial, as vendas de extrusoras não foram animadoras. A recuperação, nos meses seguintes, acompanhou a melhora

do desempenho da economia. O projeto de financiamento a juros de 4,5% ao ano para quem comprasse equipamentos fabricados no Brasil, lançado pelo governo federal em julho, como forma de incentivar os investimentos industriais, colaborou muito com o desempenho dos fornecedores nacionais. Caso prevaleça a vontade dos representantes da indústria de base, o pacote, que vence no final do ano, deve ser prorrogado. Outra injeção de ânimo deve-se à realização da Brasilplast, feira onde muitos contatos realizados entre expositores e visitantes se transformam em negócios. Hoje, o clima é de otimismo. A expectativa para 2010 é de fábricas a todo o vapor.

A perspectiva positiva vem acompanhada de investimentos em tecnologia, voltados para privilegiar o aumento da produtividade. A meta visa a atender à demanda dos principais clientes interessados em modernizar suas fábricas, sejam elas de tubos, perfis, chapas, compostos ou filmes. Uma característica muito cobrada é a economia de energia. Estão valorizadas soluções nesse sentido, como, por exemplo, a substituição de modelos monorrosca por dupla-rosca, prática que permite economia de até 30% desse dispêndio.

A concorrência com os modelos importados não é tão forte como no caso das injetoras. O nicho das máquinas mais simples é dominado pelos fornecedores nacionais, preocupados em valorizar o desenvolvimento de modelos automatizados com a ajuda de periféricos e recursos eletrônicos. A competição com os equipamentos internacionais se acirra no nicho dos modelos mais sofisticados. Entre os que compram máquinas no exterior, predominam os transformadores interessados em soluções sofisticadas, sem similar entre as oferecidas pelas empresas locais. As máquinas europeias mostram força e fazem sucesso entre os produtores de grandes volumes e/ou de produtos com maior valor agregado.

Dois dígitos – Apesar da crise econômica, motivo de redução das vendas nos primeiros meses de 2009, a Rulli Standard, fabricante nacional de extrusoras para os nichos de filmes e chapas, deve apresentar crescimento, em relação ao ano passado, na casa dos dois dígitos. De acordo com Paulo Sérgio Leal, engenheiro do departamento de vendas técnicas da empresa, esse ano houve aumento na procura de equipamentos para produção de máquinas de todos os tipos oferecidos pela empresa.

Para Leal, não há como um fabricante de extrusoras permanecer no mercado sem investir em equipamentos modernos, com elevados índices de produtividade e dentro de condições voltadas para a redução do consumo de energia elétrica. Entre os avanços tecnológicos de maior impacto oferecidos nas máquinas da empresa, ele destaca o duplo anel de ar com a tecnologia stacked air ring, usado nas máquinas para filmes. “É o único capaz de aumentar em até 50% a produção”, garante. Ele ainda cita as roscas e os cilindros bimetálicos, com vida útil superior a quatro anos e os cabeçotes com controle automático de espessura por meio de aquecimento e resfriamento da matriz, capazes de fazer a medição até de camadas individuais de filmes do tipo barreira.

No nicho de filmes, a empresa atua com equipamentos de porte médio e grande. O menor equipamento tem capacidade para produzir até 240 kg/h e atende a uma faixa bastante significativa do mercado. Ele é fabricado em série e oferecido em curto prazo de entrega. “A maior procura no segmento de coextrusão é por máquinas para filmes técnicos de alto desempenho e alguns mercados específicos, formados por filmes de três camadas”, explica. No caso de três camadas, a capacidade da máquina pode chegar a 750 kg/h. O engenheiro lamenta a procura pequena por filmes de sete camadas no mercado brasileiro.

Na área de chapas, a Rulli Standard é líder com forte participação no mercado. “A nossa soberania se deve aos desenvolvimentos, pesquisas e utilização de matérias-primas de primeira linha na fabricação das máquinas ao longo do tempo”, orgulha-se Leal. Entre as novas aplicações, um dos destaques são os equipamentos voltados para a laminação de PET, produto hoje concorrente da fórmica. “Esta aplicação está em alta, embora produto similar também seja fabricado com polipropileno. Outros materiais fora dos convencionais estão sendo usados em nossos equipamentos, como os voltados para a indústria de calçados”, diz.




Leal assegura o primeiro lugar em chapas com o uso de material de primeira linha e pesquisas

A concorrência dos importados não preocupa a Rulli Standard. De acordo com o engenheiro, a quantidade das europeias vendidas por aqui para o mercado mais sofisticado é pequena e pouco ou quase nada afeta as vendas da empresa. “Elas não possuem logística para prestar assistência técnica, têm custo maior e a qualidade do produto final é igual à dos nossos equipamentos”, garante. As chinesas, no segmento mais simples, também não incomodam. “Elas não têm tecnologia e produtividade necessárias para competir, além de não possuírem assistência técnica local”, diz.

Recorde de vendas – O melhor ano de sua história, desde sua fundação. O resultado é da Carnevalli, empresa brasileira com forte presença no mercado de máquinas para filmes. “Estamos batendo todos os recordes de vendas, devemos fechar o ano com crescimento em torno de 50% em relação ao ano passado”, comemora o diretor-comercial Wilson Carnevalli Filho.

De acordo com Carnevalli, o ano começou um tanto fraco, em razão dos reflexos da crise mundial. A retomada se iniciou em maio e ganhou força a partir de julho, com o lançamento do pacote de financiamento a juros reduzidos lançado pelo governo federal. “Esse foi um fator decisivo para o nosso desempenho no segundo semestre”, ressalta. Não por acaso, o diretor defende o

prolongamento das condições especiais. “Estamos pleiteando. Representantes do governo até aceitaram a ideia. Vamos tentar prorrogar essas condições para a indústria de base continuar forte”, explica.

Para se ter uma noção do bom momento, em dois meses a empresa vendeu 60 máquinas, número equivalente, na história recente da Carnevalli, aos negócios realizados em um semestre. “A fábrica está com a capacidade comprometida nos próximos seis meses”, revela. A melhora nas vendas se deu entre clientes dos mais variados setores econômicos. “O segmento de sacolas continua bastante aquecido e também temos sido muito procurados por usuários de filmes técnicos e para embalagens de bebidas”, destaca.

Em termos de tecnologia, o grande trunfo da empresa se encontra na tecnologia de duplo anel usada nas máquinas de coextrusão. Ela permite controle rigoroso de espessura dos filmes e proporciona ganhos de até 30% em produtividade. Entre os modelos da empresa, destaque para a linha Magnum. O modelo 75-2000m para PEAD é equipado com cabeçote tipo Biflex e sistema de aquecimento por infravermelho que permite a redução de consumo de energia. Ele apresenta capacidade de produção de até 280 kg/h, com largura de até 2.000 mm. Outra máquina da série é a 60-1.600m, voltada para a transformação de PEAD e PEBD. De acordo com a empresa, o equipamento tem motores econômicos e de alto rendimento, permite rigoroso controle de espessuras e elevada produtividade.




Recordes de venda animam Carnevalli, que destaca elevados rendimentos da Magnum

Casa nova – Com atuação nas áreas de máquinas para tubos, perfis e compostos, a marca italiana Bausano, desde 1999, ano da abertura de sua fábrica em São Paulo, tem crescido, no mínimo, 15% ao ano no mercado brasileiro. Os bons resultados exigiram investimentos. Em abril de 2010, a unidade brasileira irá mudar de endereço para uma área útil de 4 mil m², onde pretende dobrar a capacidade e ampliar a atuação para toda a América do Sul.

Segundo o diretor Chrystalino Filho, a Bausano do Brasil vende em média vinte linhas por ano. Em 2009, a expectativa é chegar a 25, número limite da atual linha de produção. “Até maio do próximo ano a empresa não tem condições de aceitar novos pedidos”, informa. Além de questões inerentes ao mercado, como o efetivo início da renovação do parque industrial, e a necessidade dos clientes por máquinas mais produtivas e econômicas, os investimentos em infraestrutura propostos pelo governo federal têm colocado o setor em ebulição. Isso sem contar o pacote de financiamento de equipamentos nacionais, com taxas bastante convidativas.

Na Bausano há outro ponto salutar, garante o diretor. É a vantagem de oferecer desenvolvimentos com DNA europeu a preços compatíveis com o bolso do brasileiro. “Nossa tecnologia está além da que se vê na fabricação local”, afirma. Para ele, o feito não se dá à toa. “A unidade italiana investe 10% de seu faturamento anual em pesquisa”, justifica. Em tempo: considerado a menina-dos-olhos do seu portfólio, apenas o sistema de acionamento direto da caixa de redução multi-drive é importado.




Chrystalino aposta na alta produtividade como um dos diferenciais de seus equipamentos

Para Filho, o transformador está disposto a investir em benefícios comprovados pelo fabricante de máquinas. “Eu mostro matematicamente que posso trocar duas linhas por uma, com aumento de produtividade e menos funcionários”, comenta. Prova disso, para o diretor, se encontra na série MD, hoje em sua quarta geração. Um dos focos dos aperfeiçoamentos se localiza na parte eletrônica. “A série conta com CLP bastante sofisticado, capaz de oferecer agilidade e precisão. Na tela da máquina, é avisado se há qualquer anormalidade e onde está o problema”, exemplifica o diretor. O L/D da máquina vai de 30 até 36 e conta com sistema de resfriamento individual, com dissipador de calor para assegurar maior controle da temperatura.

O modelo MD 90/30, da Bausano, para produção de 600 quilos por hora, tem quatro motores de 15 kW. Ele consome 60 kW por hora, na configuração para PVC, o que proporciona economia de energia de 40% em comparação com máquinas de concorrentes, segundo o diretor. “A máquina MD 72/30, por sua vez, com capacidade de produção de 350 quilos/hora de PVC, apresenta consumo em torno de 35 kW/hora, menor do que o de uma monorrosca de 600 mm”, diz.

 

 

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