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REFRIGERAÇÃO |
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Tecnologias privilegiam o corte no
consumo de energia elétrica
Texto de Simone Ferro e Fotos de Cuca Jorge
Resfriar água e
demais fluidos empregados em processos industriais pode ser opção ou
exigência. Obrigatório mesmo é controlar o máximo gastando o mínimo.
Oferecer equipamentos cada vez mais eficientes e econômicos tem sido o
foco dos fabricantes de sistemas de resfriamento, principalmente
quando se fala em consumo |
energético. Exatamente para atender a um mercado cada vez mais
rigoroso, empenhado em reduzir custos e de olho nas tendências
internacionais.
O Brasil conta com mais de uma dezena de fornecedores dos conhecidos
resfriadores, chillers ou unidades de água gelada, entre fabricantes e
importadores. Marcas nacionais e estrangeiras disputam o acirrado mercado
dos plásticos. Porém, tais equipamentos têm vasto uso ainda nos setores
gráfico, químico, petroquímico, alimentício, farmacêutico, de
galvanoplastia, médico-hospitalar, aeroespacial e outros cujo uso de água
a temperatura controlada é imprescindível ou visa a proporcionar
melhorias. “Nossas máquinas podem ser utilizadas em qualquer processo
industrial onde haja a necessidade de se retirar calor”, explica o
vice-presidente para a América Latina da Piovan, de Osasco-SP, Ricardo
Prado.
No caso da transformação de plásticos a função é o resfriamento dos moldes
ou fluidos hidráulicos. Também podem auxiliar no desempenho de
periféricos, como no caso dos sistemas de desumidificação de resina ou de
dosadores de microgrãos com camisa refrigerada, entre outras aplicações.
“As vantagens são similares em todos os casos, ou seja, o controle de
processo e repetibilidade, ganhos de produtividade e melhoria do aspecto
visual e dimensional das peças produzidas”, diz Prado.
O transformador tem de estar atento às exigências do processo e dos
produtos finais, buscando alcançar a máxima eficiência com o mínimo
consumo de recursos financeiros e ambientais. “Todos os processos de
transformação de termoplásticos necessitam de resfriamento eficaz”,
defende o diretor-geral da Mecalor, de São Paulo, János Szegö.
A explicação é simples. A conformação das resinas plásticas, nos mais
variados itens e produtos, exige o aquecimento desses insumos a cerca de
200ºC (de 150ºC até 250ºC). “A exigência imposta pelo mercado de alta
produtividade implica menor tempo de produção e, consequentemente, na
necessidade de resfriamento rápido, controlado e eficaz do material
processado.”
Reduzir o ciclo e o desperdício de material durante o set up da máquina ou
ao longo do processamento e melhorar a qualidade das peças moldadas sob
aspectos dimensionais e de aparência integram a lista de benefícios do
resfriamento controlado, cujos resultados e ganhos variam caso a caso.
Bem dimensionados e empregados, os equipamentos garantem o que prometem.
Compactos e fáceis de operar, adaptam-se aos diversos processos de
moldagem. “As vantagens de um bom controle de temperatura podem ser
conferidas na qualidade do produto final”, afirma a diretora-financeira da
Megacal, de Mairiporã-SP, Priscila Perri.
Nos últimos anos, o setor registrou importantes investimentos na
reestruturação das empresas e na modernização das linhas de equipamentos,
buscando adequar tendências internacionais ao perfil tecnológico e de
custos do mercado brasileiro, com resultados positivos. Boa parte dessas
iniciativas estava exposta na Brasilplast 2009, de 4 a 8 de maio, no
Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo (ver PM, edição 416, de
junho de 2009).
A Mecalor apresentou modelo de chiller digital. “Trata-se de equipamento
conceito no qual estão incorporadas todas as inovações tecnológicas do
momento”, afirma Szegö. A iniciativa visou, segundo ele, demonstrar o
perfil inovador da empresa. “A Mecalor continua sendo, após quase meio
século de existência, a líder incontestável na aplicação e desenvolvimento
de novas tecnologias”, defende.
De acordo com Szegö, alguns dos componentes do chiller digital ainda não
têm preço que permita a comercialização em larga escala. “Todavia,
chillers com condensador microchannel, válvulas de expansão eletrônica,
refrigerante R-410A, controle automático da pressão de condensação pela
modulação da rotação dos ventiladores e controle preciso de temperatura
têm sido comercializados com muito sucesso, nem sempre com todos os
recursos integrados em um mesmo equipamento”, explica.
Extrusão – Na extrusão de filmes (balão), a tarefa de resfriar o ar
soprado é complementada pela ação de trocadores de calor, item de série na
maioria das máquinas fabricadas no Brasil. Dentro desse contexto, a
tradicional dobradinha chiller/trocador de calor se tornou obrigatória.
Afinal, o emprego do ar em temperatura ambiente deixa o processo variável,
além de aumentar as perdas e o tempo de ajuste de máquina.
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Uma alternativa indicada pela Mecalor é o uso de
unidades de ar frio (UAF) em substituição à dupla chiller/trocador de
calor. “O uso de unidade de ar frio, programada para operar a 5ºC tem
apresentado ganhos de até 25% na produtividade da extrusora, além de
simplificar a operação e reduzir o espaço ocupado. Isto significa que
o retorno do investimento ocorre em menos de seis meses”, afirma Szegö.
A UAF da Mecalor foi concebida para atender extrusoras ou coextrusoras
(tipo balão) com produções de 50 a 700 kg/h, com ou sem IBC (Internal
Bubble Cooling), para o processamento de PEBD, PEAD, PEBDL, PVC, PP e
PA. “No caso de extrusoras com IBC, a UAF possui duas saídas com
controle independente de temperatura do ar.” A vazão de ar varia de
1.500 a 6.000 m³/h, com temperatura ajustável entre 5ºC e 25ºC, com
condensação a água ou a ar.
Dentre as vantagens, Szegö cita a eliminação da etapa intermediária do
resfriamento em cascata, na qual o refrigerante frigorífico resfria a
água, que por sua vez resfria o ar. “A temperatura do ar que vai ao
anel ou ao IBC é controlada com a altíssima precisão de ±0,5ºC,
independentemente das grandes variações da temperatura ambiente, da
umidade relativa do ar e da vazão do soprador controlado pela
extrusora.” |

Szegö: unidade de ar frio substitui a dupla
chiller/trocador de calor
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Mais difundido na extrusão de filme (balão), o uso de resfriadores na
extrusão de chapas e perfis também exerce grande influência no resultado
final, e tem vasto campo para crescer. “O objetivo mais uma vez é o ganho
de produtividade. O resfriamento rápido do perfil permite à extrusora
trabalhar com sua capacidade máxima, garantindo que o material chegue frio
no final da calha/banheira”, explica o gerente de aplicações especiais da
Körper, de Jundiaí-SP, Roger Camargo.
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Na avaliação de Camargo, o uso de resfriadores está
difundido em todo o mercado de transformação de termoplásticos. “Os
fabricantes têm melhorado e aperfeiçoado cada vez mais os
equipamentos, adequando ainda os projetos de gabinetes, cada vez mais
compactos.”
Empregados em maior escala na extrusão de filme, injeção e sopro, a
tecnologia tem grande potencial de crescimento nos segmentos de
termoformagem e rotomoldagem e extrusão de chapas e perfis. Na
extrusão de chapas, as unidades de água gelada são usadas para
resfriamento de calandras e cilindros. “As vantagens são a
estabilidade dimensional e o processamento contínuo”, afirma o
diretor-executivo da Tecnos, de Limeira-SP, Mauricio Beduschi. |

Para Camargo, a transformação incorporou o uso do
refrigerador |
Injeção e sopro – As aplicações e benefícios que as unidades de
água gelada agregam aos processos de injeção e sopro de termoplásticos
estão entre os mais difundidos e empregados. Ao acelerar o resfriamento da
peça dentro do molde, favorecem a redução do ciclo e melhoram aspectos
dimensionais e de aparência do produto final, tais como cor, brilho e
rugosidade. Segundo Camargo, os ganhos relativos ao acabamento estão entre
os principais benefícios do controle preciso da temperatura na injeção de
plásticos de engenharia. “Além de garantir um padrão de processamento.”
Tecnologias adicionais ampliam ainda mais esses benefícios. “Utilizar
água supergelada, na forma de solução de anticongelante a -5ºC, combinada
a uma unidade de ar seco, aumenta a produtividade”, afirma Szegö. Segundo
ele, a busca por ciclos menores em injeção e sopro levou muitos
transformadores de plásticos a usar água com anticongelante no molde. “Um
dos problemas é que a condensação do vapor d’água do ar ambiente causa o
aparecimento de gotículas de água na superfície do molde.”
O problema foi solucionado com as unidades de ar seco (UAS). “Basta
enclausurar a porção superior da injetora ou sopradora e interligar a UAS
por meio de uma mangueira flexível. A barreira de ar seco criada é
suficiente para impedir a condensação.” Entre os benefícios, cita 50% de
economia de energia em relação às tecnologias que usam dissecantes, alta
eficiência energética por meio de recuperação de calor, grande
estabilidade de umidade do ar seco e efeito de secagem por refrigeração,
entre outros.
Segundo Szegö, outra solução para ampliar ainda mais a produtividade e
reduzir custos está na moldagem com temperaturas diferentes na placa móvel
e fixa do molde, operação executada por um termochiller com dois fluxos
independentes de água que permite aquecimento e refrigeração, na faixa
entre -5°C e 90°C. “Em muitos processos de injeção plástica, usar
temperaturas diferentes em cada uma das fases do molde pode representar
ganhos significativos de produtividade”, diz.
Szegö destaca ainda o uso de termochiller para garantir a qualidade de
impressão em máquinas flexográficas de 4 a 12 cores, independentemente das
condições climáticas. O equipamento controla a temperatura da água do
tambor, entre 20°C e 60°C, com precisão de ±0,5°C, e dos cilindros, entre
5°C e 20°C, com precisão de ±1,0°C, com reposição automática de água. “A
vazão e a pressão da água em cada circuito são melhoradas em flexográficas.”
A linha de equipamentos da Mecalor compreende ainda modelos de chillers
desde 3.000 até 5.000 kcal/h e unidades móveis de água gelada (UMAG) de
5.000 até 60.000 kcal/h, entre outros.
Dentre os principais avanços tecnológicos, Szegö cita o aumento das
capacidades do evaporador e do condensador, a modulação automática da
capacidade dos equipamentos por meio de dois circuitos independentes de
refrigeração, o desenvolvimento de central eletrônica exclusiva e
patenteada para monitorar todos os componentes e assegurar baixo consumo
de energia e o uso de válvulas de expansão eletrônicas, de bombas
dinamarquesas e de ventiladores alemães com controle de velocidade.
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Mais compactos – A diretora-financeira da
Megacal ressalta outros dois avanços significativos. “Os equipamentos
de refrigeração estão cada vez mais compactos e dotados de controle
central mais interativo”, avalia Priscila. A linha de equipamentos da
empresa possui controle lógico programável (CLP) com menu em
português, facilitando a interação com o operador.
Cita ainda a adoção de bombas de alto rendimento e o baixo custo de
parada e manutenção dos equipamentos. “Estamos sempre investindo em
desenvolvimento e treinamento interno dos colaboradores.” A Megacal é
uma empresa 100% nacional, que atua nas áreas de refrigeração e
aquecimento industrial. Fazem parte da linha da unidade de água
gelada: chillers, torres de resfriamento e aquecedores de água e óleo,
com modelos para água até 160°C e óleo até 350°C. |

Priscila destaca avanços como controle central mais
interativo |
Outra questão importante e sempre levada às mesas de reunião se refere
à adoção de unidades independentes, que operam ao lado dos equipamentos ou
em células de produção, ou de centrais de água gelada que abastecem
diversos pontos simultaneamente.
Na maioria dos casos, as centrais são confeccionadas sem gabinete e
instaladas em áreas isoladas ou casa de máquinas. Mais uma vez, cada caso
é um caso, que deve ser avaliado sob diversos critérios. “A opção está
sempre atrelada ao tamanho da planta e suas funcionalidades”, considera
Priscila.
Dessa opinião compartilha o diretor-comercial da Metalplan, de Cajamar-SP,
Edgard Dutra Jr. “Cada situação é muito específica e deve ser analisada
nos detalhes com o cliente, não havendo uma regra geral. Por isso,
investimos pesadamente na capacitação da nossa força de vendas, com
engenheiros de aplicação com sólida experiência profissional”, afirma.
Em geral, o custo inicial é mais alto quando se investe em unidades
individuais. “Porém o risco de parada de uma linha de produção inteira por
problemas na unidade de água gelada é totalmente descartado”, alerta
Camargo. Tal critério justifica, em alguns casos, a instalação de unidade
de água gelada para grupos de máquinas.
Para exemplificar, Camargo cita o caso de um transformador que possui seis
injetoras que necessitam de 7.000 kcal/h para a produção de 35 kg/h. “Em
vez do cliente adquirir seis unidades de água gelada de 9.000 kcal/h ou
uma de 45.000 kcal/h, ele utiliza duas unidades de 30.000 kcal/h cada com
dois circuitos individuais de 15.000 kcal/h. Caso tenha problema em um
circuito, os outros três continuarão operando e atendendo à demanda
necessária.”
A linha da Körper contempla torres de resfriamento, resfriadores de
líquidos de circuito fechado a ar e água, além das unidades de água gelada
de 5.000 a 300.000 kcal/h, fabricadas com compressores tipo scroll,
central eletrônica microprocessada, condensação a ar ou água, bomba
centrífuga para utilização industrial e tubulação não oxidável, entre
outros recursos. “Focamos os desenvolvimentos na redução do consumo de
energia e das dimensões dos equipamentos, a fim de ocupar o menor espaço
possível na planta do cliente.”
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O diretor-executivo da Tecnos, de Limeira-SP, Mauricio
Beduschi também opina sobre o uso de central ou unidades individuais:
“Cada caso deve ser estudado em função do regime de trabalho da
fábrica. Para empresas que necessitam de maior flexibilidade no
controle de temperatura por máquina, sugerimos a utilização de
unidades individuais. Para os que possuem pouco espaço físico e
limitação na rede elétrica, pode-se utilizar uma central de
refrigeração, com a instalação opcional de termorreguladores para
ajuste fino em cada máquina. No projeto, apresentamos aos clientes o
consumo elétrico de cada opção.”
Para o supervisor de marketing da Refrisat, de Guarulhos-SP, Rafael
Kenji Saito, o uso de unidades de refrigeração |

Beduschi orienta o cliente de acordo com a sua
necessidade |
não aumenta o custo para a empresa justamente porque tem a vantagem de
individualizar os processos. “Assegura mais versatilidade ao layout de
produção, e, se aliado à estratégia de automação, pode diminuir custos nos
períodos de inatividade de determinados setores da empresa”, justifica.
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