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Componentes
para moldes |
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Divulgação/Polimold

Colunas estão entre as peças do vasto portfólio da
Polimold |
Fornecedor abastece os setores de
manutenção e de ferramentas novas
Texto de José Paulo Sant’Anna
Fotos de Cuca Jorge
O mercado de
componentes para moldes de injeção, casos de pinos, buchas, lâminas
extratoras, anéis centralizadores e molas, entre outros, conta com
dois nichos. Um deles é o de produtos de moldes novos. O outro, de
manutenção das matrizes. A análise das vendas dos fornecedores desses
produtos precisa levar em conta as |
particularidades de cada um desses segmentos. Conforme o perfil de cada
empresa, o desempenho varia. Não existem estatísticas sobre o quanto cada
um desses segmentos responde pelas vendas do setor.
A fabricação de moldes novos nos últimos meses já passou por momentos mais
felizes e hoje não favorece os fornecedores de componentes. A crise
econômica mundial deu o ar da graça no último trimestre do ano passado e
afetou a indústria. Muitos projetos de lançamentos de produtos foram
engavetados e a suspensão dos investimentos esfriou as encomendas de
ferramentas. Some-se a esse fato a forte concorrência dos asiáticos no
mercado de moldes nos últimos anos. Ferramentarias dos países avançados,
onde a crise foi mais grave, também espicharam o olho sobre o Brasil,
oferecendo por aqui produtos com preços atrativos e acirrando ainda mais a
competitividade desse mercado.
No caso do mercado de manutenção, as dificuldades proporcionadas pela
economia geram problemas mais amenos. A diminuição do ritmo de produção
resultante da crise pode reduzir operações de manutenção, mas não há como
evitar reparos feitos em caráter de emergência ou revisões periódicas,
situações em que a substituição de peças é imprescindível.
Os moldes voltados para grandes tiragens de peças são os principais
responsáveis pela venda de avulsos. A explicação é simples: eles trabalham
em condições difíceis, são submetidos a elevadas pressões, a constantes
alterações de temperatura. Alguns itens, como buchas, colunas e
centralizadores operam sob elevado atrito. A substituição de peças ocorre
em períodos mais frequentes. O fenômeno se repete em menor escala nos
moldes voltados para a geração de lotes menores de peças. Conforme a
solicitação da ferramenta, os componentes acompanham a vida útil das
matrizes e não precisam ser trocados.
Economia à parte, um outro aspecto precisa ser levado em consideração. Os
componentes de ferramentas são produzidos em operações complexas. Eles
exigem a aquisição de materiais especiais, a realização de operações de
tratamentos térmicos de elevada excelência e precisam ser usinados em
máquinas de alta precisão, capazes de operar com tolerâncias dimensionais
rígidas. No caso da troca do componente, todos esses procedimentos
precisam ser realizados novamente.
A agilidade e a redução de custos proporcionadas pela adoção de itens
padronizados favorecem as ferramentarias a desistir da verticalização.
Alguns projetistas ainda resistem, mas essa é uma cultura que tem se
disseminado de forma consistente. Há uma década, o uso de normatizados era
muito menor e ainda existe bom potencial de crescimento.
Não existem números confiáveis, mas acredita-se que entre 50% e 70% dos
moldes produzidos no Brasil surjam com a aquisição de porta-moldes. Como
os porta-moldes são comercializados com todos os itens incluídos, não é de
se estranhar que alguns dos seus fabricantes tenham se transformado em
nomes de destaque entre os produtores de componentes. Para essas empresas,
manter em estoque algumas centenas de itens não representa apenas uma
oportunidade de incrementar suas vendas. Também é estratégia de marketing,
uma forma de atender bem os clientes e torná-los fiéis. Mas também existem
produtores especializados.
Diversificação – O mercado de componentes é importante para a
Polimold, líder na fabricação de porta-moldes no Brasil. Nos últimos seis
anos, a empresa adotou a estratégia de diversificar sua linha de produtos
como forma de agregar valor às vendas. Além dos produtos básicos, como
buchas, guias, pinos extratores e outros que sempre integram os
porta-moldes, passou a oferecer itens adotados de acordo com cada projeto.
Podem ser apontados postiços, gavetas, pinos extratores com extensão,
pinças, insertos e outros. Para Cleber Silva, gerente de desenvolvimento e
marketing, no passado esses itens eram fabricados pelos próprios clientes.
Para exemplificar, ele aponta o caso de uma pinça plana, feita de aço
mola, voltada para a desmoldagem de pequenas zonas negativas por meio de
sua flexão. Ela é acionada pela placa extratora como um extrator
convencional.
“Ao optar por padronizados voltados para funções diferenciadas, as
ferramentarias conseguem muitas vantagens. O projeto e a construção dos
moldes ficam mais ágeis e econômicos. Os projetistas economizam tempo para
desenvolver o desenho, a empresa não precisa usinar os materiais, fazer os
tratamentos térmicos e demais operações”, avalia. No caso da necessidade
de troca da peça, encontram o substituto com facilidade, diminuindo o
tempo necessário para o reparo da ferramenta.
Silva não sabe calcular a proporção entre as peças vendidas em moldes
novos e as voltadas para a manutenção, e diz que conforme a peça, o volume
vendido para reparos varia. “Muitos componentes acompanham a vida útil do
molde. Outros são substituídos com maior frequência”, justifica. Em geral,
a procura depende da solicitação da ferramenta. Para explicar melhor, ele
recorre de novo ao caso da pinça plana: “Essa é uma peça bastante
resistente. Depois de um
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milhão e meio de ciclos, no entanto, o material da
pinça fica sujeito ao rompimento pela fadiga.” Silva lembra que as
vendas de porta-moldes não estão em patamar satisfatório.
“Vivemos um momento singular, com a crise forte vivida na Europa e nos
Estados Unidos, e o Brasil se recuperando de forma mais rápida,
empresas internacionais têm buscado novas oportunidades no mercado
local. Elas estão agressivas e praticam preços mais baixos aqui do que
em seus países de origem”, acusa. O executivo também lamenta a
importação expressiva de ferramentas asiáticas. Para ele, o cenário é
prejudicial para a cadeia produtiva de matrizes e componentes. |

Silva: importação de produtos asiáticos prejudica
toda a cadeia |
Vendas promissoras – Outro tradicional nome do ramo de
porta-moldes, a Miranda está otimista com o mercado de componentes. Não
por acaso, em maio, durante a realização da última edição da Brasilplast,
maior vitrine da indústria do plástico realizada no Parque Anhembi, em São
Paulo, a empresa promoveu o lançamento de uma série de itens, como pinos,
lâminas e buchas de extração, gavetas e centralizadores.
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“Estamos atendendo à necessidade dos clientes. Eles
estão percebendo a vantagem do uso de padronizados”, explica o
gerente-comercial José de Oliveira Miranda Neto. Apesar dessa
constatação, o executivo acredita que o mercado ainda não está maduro
o suficiente. “No caso dos extratores, o mercado já se conscientizou.
Mas no de buchas e colunas, encontra-se o ‘calcanhar-de-aquiles’. Os
projetistas ainda acham mais barato fazer as peças em casa”, revela. A
falta de cultura produz prejuízos posteriores. “Quando precisam fazer
uma troca, eles cobram entrega imediata. Só então descobrem que as
peças a ser substituídas não atendem as medidas-padrão”, diz. |

Para Miranda Neto, a venda de acessórios está indo
muito bem |
O mercado de manutenção é o principal para a Miranda quando o assunto é
a venda de peças. “Não sei dizer o quanto vendemos de componentes para
manutenção e em porta-moldes prontos, é um número difícil de calcular”,
ressalta o gerente. Para atender este nicho, a empresa mantém estoque de
milhares de itens. Além disso, conta com logística de entrega sofisticada,
onde se incluem serviços de envio de peças por motoboys ou pelo serviço
Sedex, dos Correios.
Essas preocupações têm como objetivo estreitar o relacionamento com o
cliente. “Para nós, a margem de lucro com a venda de componentes é
pequena, com frequência atendemos pedidos de R$ 500 e muitas vezes
vendemos itens sem qualquer margem de lucro”, diz. A maior vantagem fica
por conta da melhora da imagem da empresa. “Caso o cliente se sinta bem
atendido, quando fizer uma compra maior vai se lembrar da gente”, conta.
Em relação ao momento atual, Miranda Neto está otimista. Depois de uma
queda no final do ano passado, os negócios voltaram a se aquecer. “O
mercado ainda não está 100%, mas a venda de acessórios está indo muito
bem”, revela. A melhora também se reflete na procura por porta-moldes. “As
vendas estão se recuperando e estamos com volume enorme de pedidos de
cotações”, informa.
Peças grandes – Há dezoito anos no mercado, a MDL-Danly, empresa de
origem norte-americana e hoje com capital nacional, conta com alguns
trunfos. Talvez o principal seja o de produzir porta-moldes e componentes
para moldes de tamanhos variados, dos menores até os de grandes dimensões
– a empresa fornece peças para moldes com placas de até 2.500 mm x 2.000
mm. O diferencial se encontra no campo dos “gigantes”. “No passado, os
transformadores produziam peças plásticas menores. Hoje, cada vez mais,
são fabricados parachoques, painéis e outras de maior porte”, diz Estevam
Horvate, gerente de vendas.
Outro diferencial da MDL-Danly: a empresa conta com uma fábrica exclusiva
para a fabricação de componentes, localizada em Sorocaba-SP. A produção é
elevada e dirigida tanto para o mercado interno quanto para as
exportações. “Fabricamos uma quantidade imensa de extratores, pinos e
buchas”, conta o gerente. Entre as novidades, a empresa lançou este ano na
Brasilplast buchas grafitadas para moldes grandes e colares de esferas
para placas extratoras. “Nós fabricávamos esses colares apenas para
exportação, mas o aumento da procura fez com que os colocássemos à
disposição também no mercado interno”, informa.
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Essas características, em paralelo com a disseminação
da padronização, ajudaram a empresa a atravessar os piores momentos da
economia. “Não sentimos tanto a crise”, afirma. Para ele, quando o
assunto recai sobre a venda de peças, os ventos recessivos soprados
pela economia até ajudaram um pouquinho. A explicação é simples: “O
interesse por moldes novos diminui, mas aumenta o uso dos antigos e a
procura por componentes avulsos”, justifica. O melhor, no entanto, tem
sido o desempenho das últimas semanas. “O mercado está em processo
forte de recuperação. Estamos com a produção acelerada, vamos correr
atrás da contratação de funcionários”, revela Horvate. |

Horvate: mercado vive momento de forte recuperação |
Estoque – A venda de componentes não chega a atingir volumes
financeiros expressivos para a Tecnoserv, empresa localizada em Diadema-SP,
há dezesseis anos no mercado e que tem os porta-moldes como carro-chefe de
seus negócios. De acordo com informações do diretor técnico
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Wilson Teixeira, eles respondem por de 6% a 7% do
faturamento, em média. Nem por isso, o nicho deixa de ser importante.
O dirigente se lembra dos bons resultados proporcionados pelo
atendimento rápido dos clientes ávidos por peças de reposição. “Eles
passam a ter visão positiva da nossa empresa”, explica.
Não por acaso, a Tecnoserv investe na montagem de estoques de
reposição completos. “Contamos com mais de 16 mil itens”, informa o
técnico. Entre os componentes se encontra de tudo. “Temos buchas,
colunas, pinos extratores, parafusos e outras peças”, revela. A
iniciativa tem colaborado com o |

Teixeira: rápido atendimento melhora imagem da
empresa |
desempenho das vendas. “Não fomos afetados pela crise, até setembro
apresentamos crescimento nas vendas de componentes de 10% em relação ao
mesmo período do ano passado”, revela.
Teixeira acredita que a prática da padronização ainda não é adotada de
maneira adequada pelos projetistas brasileiros. Para ele, um fator que tem
colaborado com a disseminação dessa cultura é a acirrada concorrência
proporcionada pela vinda dos moldes asiáticos. Os ferramenteiros nacionais
precisam competir com os preços importados e perceberam as vantagens
oferecidas pelos padronizados. Eles os ajudam a se tornarem mais
competitivos. A educação é outra arma apontada como necessária para
disseminar a prática. “Temos promovido cursos gratuitos para nossos
clientes”, conta.
Investimentos – A Três-S, empresa localizada em Guarulhos e prestes
a completar quarenta anos de existência, é bastante conhecida por sua
participação no mercado de componentes para
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ferramentas. Há dois anos, passou a fabricar também
porta-moldes, mercado no qual tem apostado bastante. Na última
Brasilplast, por exemplo, a empresa ampliou para alguns milhares o
número de combinações de placas oferecidas. “Hoje, o nosso carro-chefe
é o mercado de porta-moldes”, diz Claudir Sandro Mori,
gerente-comercial.
A mudança de prioridade não tornou o mercado de peças menos
importante. Ele ainda representa fatia significativa do faturamento da
empresa. Tanto que a entrega rápida de itens variados é considerada
ponto de honra. A Três-S fabrica molas, punções, pinos e extratores,
entre outros itens. Entre os componentes oferecidos, o destaque fica
para os extratores de longo comprimento – a empresa fabrica extratores
desde quatro até 45 milímetros de diâmetro e comprimento até 1.700
milímetros. |

Mori: porta-moldes se tornaram o carro-chefe de seus
negócios |
“Nós não sentimos muito os efeitos da crise. De uns três meses para cá,
o mercado voltou a melhorar. No momento, se encontra bastante aquecido”,
informa Mori. Para ele, os bons resultados se devem aos investimentos
realizados na fábrica no ano passado, pouco antes da economia passar por
dificuldades. “Ficamos mais competitivos, pudemos melhorar nossos preços e
prazos”, explica.
Dificuldades – A paulistana Motiwak, fundada em 1993, é
especializada na fabricação de itens padronizados. Roberto Carlos Montá,
supervisor de vendas da empresa, se queixa do momento atual do mercado.
“Os negócios estão paralisados. A retração da indústria congelou os
investimentos”, reclama. As vendas melhoraram um pouco no último mês, mas
ainda estão distantes das verificadas antes da crise. “Nosso movimento
caiu de 40% a 50%.” Para o supervisor, os produtos que vêm da Ásia
aumentam as dificuldades. “Não são só os moldes, a importação de
acessórios também tem ocorrido”, ressalta.
A Motiwak oferece ao mercado peças como extratores, molas de compressão,
buchas e colunas, entre outras. O grande diferencial dos componentes
produzidos, de acordo com Montá, se encontra na preocupação com a
qualidade em todas as etapas da fabricação. “Ela já começa na aquisição
das matérias-primas e prossegue nas etapas de usinagem e tratamento
térmico”, garante.
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